quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ó Zé, não foi porreiro, pá?...


Agora, nós...



A uma semana do final da campanha eleitoral importa reconhecer que os dados estão lançados. Era preciso muita peixeirada para Sócrates recuperar, muitos freeports para Ferreira Leite descolar e uma frota inteira de submarinos para retirar Portas da linha de água.
Da crise interna e da vulnerabilidade aos efeitos da crise internacional, os partidos que nos têm desgovernado não tiraram lições. É certo que falam das causas sistémicas, do neo-liberalismo, do sistema financeiro à deriva na democracia. Mas por mero show-off. Onde estão as medidas para que não seja assim? Viste-las...

É à esquerda que os resultados vão ter mais significado para o que depois de dia 27 se vai passar. Louçã mantem indefinições promissoras para outros que não o PCP a quem vai bicando, particularmente na margem sul, como se esquecesse à custa de quem teve ou não teve votos.
O factor mais significativo para ser possível uma vida melhor vai depender da força, também recolhida em votos, por parte da CDU.
Foi deste lado que os atingidos duramente por Barroso, Sócrates e Santana, encontraram a voz amiga, a camaradagem na luta, a consequência entre o que se diz e o que se faz.

Agora nós...Eis a esperança de quem lutou e soube interpretar no bem de todos os factos, as políticas, as revoltas e tecer o trabalho que, por ser delicado, nunca deixa de ser de um compromisso exigente.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O cartel da OPEP viola as leis do mercado ao tentar impedir a concorrência do petróleo da Rússia…

Um jornalista russo, Alexander Gudkov, escreve hoje na “Voz da Rússia” que as críticas à Rússia e a outros produtores independentes de petróleo foram o único resultado da última reunião da OPEP, de 10 de Setembro (ver ao lado mapa dos países da OPEP).

Segundo ele, quando os preços estavam baixos, a OPEP pediu à Rússia para reduzir a produção de petróleo. Agora, a Rússia foi acusada de não dar atenção a esse pedido. O Ministério da Energia russo manifestou a sua perplexidade com estas declarações, dizendo que é melhor é ignorá-las porque são desprovidos de sentido económico. No entanto, as críticas públicas da OPEP à Rússia podem mostrar que já não acredita na vontade deste último em respeitar compromissos tácitos.

A decisão de manter a produção ao nível actual era previsível e a fixação do preço da OPEP em 69,23 dólares por barril, foi a melhor que os exportadores de petróleo poderiam esperar.

No entanto, para este analista, algumas declarações extravasaram esse sentimento. O secretário-geral da OPEP, Abdalla Salem El-Badri, expressou sua preocupação pelo facto da Rússia não parecer estar muito disposta a cooperar com o cartel do petróleo. O ministro da Energia do Catar, Abdullah al-Attiya foi mais crítico, dizendo "Ouvimos muitas palavras, mas gostaríamos de receber apoio real e não apenas verbal”.

A OPEP está a reduzir a produção de petróleo para manter os preços. E entretanto, a Rússia deixou para trás a Arábia Saudita nas exportações de petróleo pela primeira vez desde a desintegração da União Soviética. Segundo o Ministério russo da Energia, no segundo trimestre, as exportações de petróleo e derivados de petróleo da Rússia atingiram 7,4 milhões de barris por dia. Na estimativa da Agência Internacional de Energia (AIE), o maior exportador da OPEP, a Arábia Saudita abastecia o mercado com sete milhões de barris por dia. "O fornecimento de mais petróleo está a minar os esforços da OPEP e conduzirá a uma nova redução dos preços do petróleo no terceiro trimestre", disse Attiya. Não se limitando à crítica à política de preços da Rússia, acusou, sem rodeios, o primeiro-ministro Vladimir Putin, de tentar usar as decisões da OPEP sobre a redução da produção para aproveitar para garantir o abastecimento de segmentos do mercado de petróleo antes garantidos pelo cartel.·
Mas o ministro da Energia russo Sergei Shmatko disse na sexta-feira que é fácil a OPEP fazer comentários quando nem sequer convidou um representante russo a participar na reunião. Os interesses da Rússia e da OPEP não coincidem, mas a política independente de petróleo da Rússia é aceite por muitos países, porque o Ocidente considera que o petróleo da Rússia é uma alternativa para abastecimento a partir de uma região tão instável como o Médio Oriente.

Os membros da OPEP não se esqueceram de 2002, quando a Rússia prometeu à OPEP cortar a produção de petróleo em 150.000 barris por dia. Mais tarde, esse número foi reduzido para 50.000 barris, e finalmente, a produção de petróleo aumentou em 150.000 barris por dia. As acusações da Rússia de aproveitar os mercados da OPEP também são infundadas, porque o mercado de petróleo russo é muito limitado. O petróleo russo é fornecido apenas para poucas refinarias na Europa, que está especialmente vocacionada para uma determinada marca.


A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) é hoje composta por 13 países que têm algumas das maiores reservas do mundo, como a Arábia Saudita. Funciona, de facto, como um cartel que pretende controlar a produção do petróleo, incluindo o controlo de preços e dos níveis de produção que funcionem como pressão sobre a livre concorrência no mercado

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge



"Deus, dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar aquelas que devo mudar, e lucidez para perceber a diferença entre umas e outras."
Reinhold Niebuhr (teólogo protestante, 1892-1971)

A propósito dos oito anos de uma provocação sangrenta


Aproveito um pouco de rede até para que não passe a efeméride.


Passam hoje oito anos sobre o que poderá ter sido a maior provocação da História organizada por organismos do estado de um país para justificar fins inconfessáveis e que vitimaram milhares dos seus próprios cidadãos.


O terrorismo é hoje uma forma de conduzir guerras em termos não convencionais e o terror e comunicação social constituem uma mistura explosiva que cria as condições favoráveis a grandes mudanças na política mundial e na própria realidade, constituindo-se como um verdadeiro sistema de controlo de processos à escala global.
Esta é uma tese do general russo Leonid Ivashov que era o chefe do estado-maior do exército do seu país no dia 11 de Setembro de 2001, quando os EUA tinham para esse dia anunciado manobras militares aéreas.
Segundo este politólogo, o terrorismo não constitui um sujeito em si mesmo mas um meio de instaurar uma única ordem mundial que elimine as fronteiras e garanta o domínio de uma nova elite mundial.
Para ele, da análise destes acontecimentos de há oito anos pode concluir-se que estes atentados modificaram, o curso da história mundial e enterraram a ordem mundial saída dos acordos de Ialta e Potsdam e libertaram as mãos dos EUA, da Grã-Bretanha e de Israel permitindo-lhes conduzir acções contra outros países, violando regras da ONU e acordos internacionais. Mas também estimularam o alargamento do terrorismo internacional, que se apresenta como instrumento radical de resistência, de combate à mundialização, de separatismo e como forma de resolver conflitos entre nações, entre etnias e entre religiões. E protegeram, desestabilizando-as, as zonas de passagem do narcotráfico.
Na generalidade destas situações, os actos terroristas, excepção feita às lutas de libertação nacional, são actos provocatórios que dão cobertura a decisões de alcance geoestratégico por parte das potências ocidentais. É significativo que, no início deste ano o Congresso dos EUA tenha aprovado que é objectivo da politica de Washington “garantir o acesso às regiões-chave do mundo, às comunicações estratégicas e aos recursos mundiais"...

E os EUA garantirão para o efeito substâncias nocivas e armas de destruição maciça, sem escrúpulos nos tipos de armas que “respondam” aos ataques terroristas.
As provocações terroristas vêem da antiguidade e, mais recentemente, também estiveram na origem da 1ª e 2ª guerras mundiais.
As operações “de resposta” são preparadas, paralelamente à montagem das provocações com que se procuram justificar, e servem para os autores de ambas, resolverem simultaneamente algumas das suas necessidades, como aconteceu no 11 de Setembro.
A oligarquia financeira mundial e os EUA obtiveram o “direito” informal de recorrer à força contra qualquer estado. O papel do Conselho de Segurança foi desvalorizado e passou a fazer figura de organismo criminoso cúmplice dos agressores e aliados de uma nova ditadura fascista mundial a sair da “nova ordem” em construção. E os EUA consolidaram o seu monopólio mundial, obtendo acesso a todas as regiões do mundo e aos respectivos recursos.
A crise financeira internacional que gerou no seu bojo, dificultou este processo, reanimou esforços para a multilateralidade de apoio regional, fez renascer a necessidade de uma nova moeda mundial, mas ela própria, é aproveitada pela elite dirigente para aprofundar esses processos.

Hoje, só nos EUA não é significativamente contestada a tese do 11 de Setembro ser uma altíssima provocação para que os EUA abrissem um novo curso da história. Em todo o lado a hipótese da provocação é discutida e entendida nas suas motivações.
A Al-Qaeda não dispunha dos recursos financeiros, operacionais e logísticos, de redes e sistemas de informação. Poderão ter forneci do os executantes mas tão só. Porque para o resto não dispunham de envergadura. Para o resto só a partir do próprio estado norte-americano havia condições, bem mais complexas.
Uma série de factos que têm vindo a ser revelados, as mentiras, imprecisões e interrogações suscitadas pelos relatórios oficiais sobre o atentado a contra o Word Trade Center e o Pentágono, justificam que não estamos perante um melodrama de cordel de uma teoriazinha da conspiração mas face a uma complexa e desumana operação interna contra os seus próprios cidadãos em prol da expansão do império e de uma nova ordem mundial.

Então até já...


A ausência até 2ª feira da vossa companhia fica a dever-se à dificuldade de obtenção de rede compensada pela beleza e a meditação num refúgio na região de Lafões. Até breve.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


“Até no trono mais alto do mundo, só estamos sentados no nosso próprio cú”


Montaigne ("Éssais", Livro III, cap.13)

Novas provocações em Urumqi na China

Depois do massacre de chineses han em Junho nesta cidade, que é a capital da região autónoma de Xinjiang, nos últimos dias centenas de pessoas de diferentes etnias (não apenas han) foram atacadas por indivíduos que as feriram com seringas que os han, disso vítimas, atribuem aos uighurs.
Os autores do massacre de Junho eram activistas uighurs, instrumentalizados pelo Congresso Mundial Uighur que, desde 2006, com a nova presidente Rebiya Kadeer, acentuou as tentativas separatistas, entrando em actos teroristas.

O governo chinês tem tratado esta questão com pinças, , para não permitir que as acções/reacções assumam um carácter de conflito inter-étnico, desejado pelos terroristas.
As reacções dos han às provocações têm vindo a aumentar e a invocada falta de reacção atempada da milícia local aos atacantes com seringas levou à realização de manifestações de rua em defesa da China e contra os uighurs (ver foto) e contra as autoridades e o responsável do PC chinês na região atribuindo-lhes "mão branda" com os uighurs.

Isso levou a que nos últimos dias o governo regional declarasse uma série de restrições à vida normal para conter a conflituosidade latente. E os próprios habitantes se fecham, em casa com medo de novos tumultos. As escolas foram fechadas, há comércio a limitar horários face aos medos com ataques com seringas, as famílias adquirem reservas alimentares.

Como referi atrás, o Congresso Mundial Uighur é dirigido por uma milionária desta etnia, Rebiya Kadeer, que desempenhou funções de responsabilidade na região autónoma, onde era a maior milionária local. A venda de informações sobre a vida económica a círculos norte americanos e uma fuga brutal ao fisco levou-a a fugir para os EUA onde acentuou este radicalismo da organização.
O CMU é financiado por instituições privadas americanas e por milionários uighurs na diáspora. Porém o seu apoio principal são os mais de 200 mil dólares anuais que recebe do National Endowment for Democracy, uma suposta fundação independente mas que vive à custa de subsídios do Congresso Americano. Esse é um dos meios pelos quais a administração americana paga a um conjunto de grupos provocatórios para desencadearem acções independentistas, de "respeito pelos direitos humanos", e para "promoverem a democracia".

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Passam hoje 40 anos sobre a morte de Ho Chi Minh


O século XX, para além da pujança do desenvolvimento desigual e das conquistas da ciência e da técnica, trouxe a descolonização generalizada em colónias de países europeus.
Entre as figuras heróicas que marcaram a gesta nacional-libertadora destaca-se Ho Chi Minh, o pseudónimo mais famoso (trad: aquele que traz a verdade) dos muitos que foram usados clandestinamente pelo comunista Nguyen Sin Kung. Com 21 anos e como cozinheiro de um navio francês conheceu praticamente todo o mundo. Em 1920 ajuda a formar o Partido Comunista Francês. Passa pelo Comintern, em Moscovo, em 1923, pela China de onde é expulso em 1927, em Hong-Kong dirige o movimento anti-imperialista na Indochina contra a França.
A guerra da libertação tem um ponto final na batalha de Dien Bien Phu em 1954.
Durante a II Guerra dirige a guerrilha anti-japonesa. Em 1941 funda o Vietminh (Liga pela Independência) e no fim dessa luta funda o Vietname do Norte. A França não o tolerou e conduziu uma guerra que viria a perder em 1954.
O país é então dividido em dois.
Com apoio do Norte, no Vietname do Sul é criada a Frente Nacional de Libertação do Vietname do Sul (Vietcong) que conduz a guerra de libertação contra o regime fantoche de Saigão apoiado pelos EUA, durante 15 anos e que termina com a conquista do palácio do governo de Saigão em Abril de 1975, com os norte-americanos em fuga.
Ho Chi Minh não viveu esse dia. Mas é ele o pai da pátria. Também chamado de Avô do Vietname. Ou mais carinhosamente por Tio Ho.
Este é o ano do seu 119º aniversário. O jornal Nhan Dan de hoje dá conta das cerimónias.

Censura e demissões na TVI

O cancelamento pela administração da TVI do regresso do jornal nacional de 6ª feira, que apresentava um trabalho de investigação da equipa de Manuela Moura Guedes sobre o caso Freeport, provocou a apresentação da demissão em bloco da equipa da Direcção da Informação e das chefias de redacção daquela estação.
Trata-se, sem duvida, de um caso grave que vai fazer desviar as atenções do debate eleitoral, polarizando-o ainda mais numa das questões centrais do país e dos portugueses: a interferência do poder económico na liberdade de informação. Estamos convictos, porém, que, para além deste caso, não deixarão os intervenientes no processo eleitoral de apresentar propostas para essas questões no seu conjunto porque, por muito mansos que sejam os olhos cujas bocas nos dizem o contrário, a crise económica e social vai-se aprofundar e o país já não quer mais do mesmo.

A crise energética e o desrespeito pela entropia


John Michael Greer, apresenta no seu blog uma reflexão sobre esta crise e a chamada segunda lei da termodinâmica.
O crescimento capitalista impediu que os avanços teóricos e a formulação de leis observáveis na relação do homem com a natureza tivessem consequências nas consciências para além das aplicações técnicas imediatas.
O autor é um historiador de idéias, hermeticista e druída que reside em Ashland no estado norte-americano de Oregon.
Aconselhamos o contacto com o seu trabalho e a leitura integral deste texto, mas deixamos algumas passagens.

A consequência fundamental da lei da entropia, para aquilo de que estamos a falar, é que não é a energia como tal, mas sim a diferença de energia potencial , que permite realizar trabalho. Imagine duas rochas arredondadas de igual peso, uma delas assente num planalto liso e a outra assente na inclinação de uma colina abrupta. Se as duas estão à mesma distância do centro da Terra, a gravidade confere-lhes exactamente a mesma energia potencial. Mas, se empurrar a do planalto não é provável que vá além do retesar dos seus músculos, ao passo que se der um empurrão igual àquela que está no plano inclinado, poderá pô-la a rolar colina abaixo, esmagando tudo que encontre no seu caminho (…).
Com o tempo que a luz solar demora para chegar até nós, depois de atravessar 150 milhões de quilómetros de espaço vazio, ela não é simplesmente aquela fonte concentrada de energia. Eis porque levou muitos milhões de anos aos organismos de fotossíntese da Terra a acumular as reservas de energia que nós agora dissipamos tão livremente. O vento e a energia hidroeléctrica são ambos luz solar em segunda mão, o produto de ciclos naturais orientados pelo sol e o mesmo é também naturalmente verdade para todos os tipos de bio-combustíveis, A energia nuclear é um recurso de energia não solar que adquirimos, mas ela tem problemas e limitações severos por si própria, nem que seja pelo facto de que os inputs de combustível fóssil que precisamos para construir, operar e desactivar um reactor nuclear são tão elevados que há um problema real de saber se é uma fonte líquida de energia afinal de contas. (Naturalmente que quanto mais a promoção de uma tecnologia nuclear está longe da implementação real, melhor parece, pode-se perguntar se não será promessa de um optimismo infundado).
Mas, será que isto significa que a aposta nas energias alternativas é um desperdício de tempo? Naturalmente que não. Por muito modesta que seja a produção de fontes alternativas, elas são o que temos para trabalhar quando os combustíveis fósseis desaparecerem. O que isto significa, pelo contrário, é que o tipo de civilização que construímos nos últimos três séculos não sobreviverá ao fim dos combustíveis fósseis baratos e abundantes. Uma sociedade que está habituada a ter as coisas feitas por rochas enormes a rolarem colina abaixo está em vias de ter de aprender a contentar-se com os muito menos pródigos resultados do lançamento de calhaus.O problema aqui é que muito poucas pessoas querem lidar com esta realidade. A grande maioria fará por acreditar no ponto zero de energia e em diabólicas lagartixas do espaço e quaisquer outros absurdos que se possam referir, em vez de engolir em seco, respirar profundamente e admitir que a prosperidade que desfrutámos durante os últimos três séculos foi comprada em prejuízo dos nossos netos. Por vezes suspeito que uma das razões porque tantas pessoas gostam de imaginar um fim apocalíptico para a era industrial é que a extinção súbita é mais fácil de contemplar do que a experiência de vagarosamente despertar para a plena extensão da nossa própria estupidez colectiva.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Mãe Rússia", evocando a batalha de Estalinegrado


Nos 70 anos da invasão nazi da Polónia (actualizado)

Passam hoje 70 anos sobre o bombardeamento de uma base polaca, perto de Gdansk pelo cruzador alemão Schleswig-Holstein.
Este ataque, sem qualquer aviso prévio, desencadeou a 2ª guerra mundial onde morreram mais de 70 milhões de pessoas.
Os governos dos EUA, da Inglaterra e da França financiaram desde muito cedo o armamento alemão na expectativa de que este contribuísse para conter e aniquilar os movimentos comunistas que se desenvolveram na Europa depois da Revolução Russa.
Em dez anos, estes governos e outros seus aliados concederam à Alemanha créditos de 27 mil milhões de marcos com esse objectivo, sendo que 70% dessa verba foi garantida pelos EUA.
Quando da invasão da Checoslováquia pelos nazis, no ano anterior ao início da guerra, o governo polaco ocupou parte dela. O governo polaco trabalhava com Hitler na perspectiva de, a partir de insurreições que os seus serviços secretos garantiriam entre diferentes etnias da Rússia, desintegrá-la e facilitar o objectivo de Hitler antes da invasão da URSS, que se viria a verificar 2 anos depois.
Passados estes 70 anos, como já aqui referimos há dias, tem estado em curso um movimento de comentadores e tentativas institucionais, como na OSCE, de minimizar o papel da URSS na derrota dos alemães, de tentar associar o Tratado de Não-Agressão entre a URSS e a Alemanha nazi a um tratado de partilha da Polónia, de atribuir intenções premeditadamente criminosas às tropas russas no combate contra os nazis ou em actos inaceitáveis que todos os outros grandes protagonistas deste conflito cometeram, de fazer equivaler nazismo e comunismo.
Mas esquecem-se que muitos outros países, particularmente a Inglaterra fizeram tais tratados com a Alemanha. Que neste caso a intenção era atirar os nazis em exclusivo contra a URSS, é matéria que muitos historiadores já abordaram. E que o tratado com a URSS foi a forma de atrasar a invasão pelos nazis para que a URSS, sem os generosos créditos ocidentais concedidos aos nazis, se dedicasse a uma autêntica economia de guerra para os poder vencer.
Esquecem que a página que virou a guerra foi a derrota de Estalinegrado que fez acelerar o desembarque aliado, que muito tardou, na Normandia.
Porque, até aí, persistiam esperanças em alguns governos de que Hitler levaria de vencida os soviéticos, antes dos EUA se decidirem pela derradeira batalha, o que lhes traria ganhos políticos consideráveis e mais uma Rússia destruída para lhe alargar as hipotecas de reconstrução que alargaria o domínio dos EUA a outras zonas para além da Europa Ocidental e o Japão
Ignorar outros factos, além destes, não permite ter o quadro total de conhecimento que permitana entender melhor a origem de algumas opções soviéticas.
É o caso de nos estados bálticos (Letónia, Estónia e Lituânia), pnde, com apoio dos respectivos governos, se alistaram no exército nazi ou nas SS, 285 mil cidadãos desses países. Ou da Holanda e Noruega onde se alistaram 26 mil. Ou na Geórgia, Azerbeijão, Daguestão, Chechénia, Crimeia, Arménia e na Bósnia onde se alistaram 156 mil. Ou ainda o caso de alguns dos estados do leste europeu que tinham regimes nazis e aliados do Reich como a Hungria, a Eslováquia, a Croácia, a Bulgária e a Roménia.
É neste quadro, para além do apoio em equipamentos, metais, combustível, que grandes empresas americanas forneceram ao Reich - e que levou depois da guerra a indignada Eleanor Roosevelt a defender que fossem fechadas as empresas colaboracionistas como a IBM (que iniciou os programas computorizados em cartões perfurados com as liquidações sistemáticas de seres humanos no holocausto...) - que se tem que compreender o papel da URSS.
É por isso normal até que Churchill, o autor posterior do conceito de "cortina de ferro" que esteve associado à "guerra fria", tenha valorizar o papel insubstituível que a URSS teve na conquista da liberdade na Europa ocupada.

A ida de Putin hoje à celebração de Gdansk é passo importante para deter este revisionismo histórico, apesar de ter questionado a "moralidade" do pacto Ribbentrop/ Molotov, e para desenvolver a cooperação nos países do leste europeu que, de novo, estão a ser aproveitados para combater a Rússia.
O carácter do gasoduto do russo-alemão do Báltico (Nordstream) no quadro da necessidade de diversificar o transporte de gás da Rússia para a Europa, as compensações à Polónia pelo gás deixado de receber devido às manobras do presidente ucraniano e a construção pela Rússia, de um gasoduto na Polónia, a ser detido a50% por ambas as partes, e a homenagem aos polacos civis e resistentes, vítimas dos nazis , foram gestos importantes desta visita.
Numa visita onde não faltou a crispação pela interpretação diferente de factos históricos como os massacres de Katyin, Putin reagiu dizendo que a Rússia se comprometia a abrir os seus arquivos da época se a Polónia fizesse o mesmo, o que foi aceite.

Segurança Social: mais um acto da tal "coragem"...


A promulgação por Cavaco Silva do Código dos Regimes Contributivos da Segurança Social não ajuda ao esforço de, com estudos mais sérios e opiniões mais fundamentadas, se percorra o caminho de ir fortalecendo os recursos do sistema público de segurança social para garantir adequada protecção social.
Já no início do mandato, o governo PS defendeu que a sustentabilidade do sistema público “exigiria” a redução da protecção social no desemprego e na velhice enquanto rejeitava as propostas do PCP de um novo sistema de contribuições que tivesse por base não só a aplicação de uma taxa sobre os salários dos trabalhadores mas também a riqueza criada pelas empresas.
À redução das contribuições e a cobertura indevida de despesas com estes fundos, segue-se agora o isentar de empresas do financiamento do sistema. Para o que se fez aprovar à pressa um diploma que veio para debate na AR sem um estudo de impacto credível desta medida nas receitas da segurança social.
Em contrapartida, e no âmbito das propostas eleitorais, por exemplo do PCP, contidas no seu programa, optando por outras vias, os comunistas defendem um adequado e diversificado financiamento e uma boa gestão dos recursos da Segurança Social Pública assente num sistema de financiamento que conjugue parcelas relativas ao volume de emprego (massa salarial) e ao Valor Acrescentado Liquido (VAL) produzido por cada empresa, assegurando a garantia de justiça no financiamento da Segurança Social em função da riqueza criada; por uma gestão pública cuidada e criteriosa do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social garantindo a transferência de uma parcela entre dois e quatro pontos percentuais correspondentes a todas as contribuições (e não apenas as contribuições dos trabalhadores por conta de outrem) até que aquele fundo assegure a cobertura de despesas previsíveis com pensões por um período mínimo de dois anos; na compensação integral da Segurança Social Pública relativamente aos apoios concedidos em 2009 em matéria de apoio ao emprego e às empresas; no fim da proliferação de isenções e reduções na taxa social, que transformam as excepções em regra; no reforço dos meios afectos ao combate à evasão e fraude no pagamento das contribuições para a Segurança Social.
Meteu-se, mais uma vez, o carro à frente dos bois, num período eleitoral que deveria discutir este problema que é real. Mais uma vez o PS, com apoio do Presidente da República desta vez, revela a “coragem” de retirar garantias de direitos aos mais débeis…

Neste fim-de-semana, não há festa como esta!...


As eleições legislativas aproximam-se: há espaço para discutir e esclarecer ou nem por isso?

Para o centro da informação e pretenso debate têm saltado questões laterais, o que deixa prever que, uma vez mais, andem uns a querer esclarecer e outros a fugir com o rabo à seringa do confronto de opiniões útil para o esclarecimento dos portugueses.
O drama do programa do PSD que não aparecia. A troca de desconsiderações de circunstância a propósito de entrevistas e declarações. A banalização de supostas reacções de ofendidos. As inaugurações diárias do primeiro-ministro e o aproveitamento de palcos errados para criticar as oposições e para sublinhar imaginadas coragens do governo. O jogo dos trocadilhos. A falsa discussão sobre o papel do Estado. As selecções de estatísticas e outros dados de organismos nacionais e internacionais que dão jeito, mesmo que isolados e sem continuidades que garantam a sustentação dos milagres da governação. As obras em escolas, dezenas de vezes anunciadas e que estão a começar, apesar do questionável processo de adjudicação. Espionagem na Presidência da República. Os medos da gripe A à boleia da indústria farmacêutica. Os episódios internos no PSD e PS. Etc.

E muitos comentadores a darem-nos música sobre cenários, supostas coligações e convergências, a interpretarem declarações deste e daquele como se dali saísse algum contributo paras o bem-estar dos portugueses.

Vamos ver se os debates permitirão esclarecer as diferenças não sobre todo este arsenal dispersivo de atenções nem vacinas para vender depressa e bem mas sobre as dores reais deste país, os diagnósticos (que para alguns já estão feitos e seria matéria requentada) e as terapêuticas.

Como relançar a actividade económica e o emprego? Qual o papel do mercado interno e, portanto, da subida dos salários para o alargar e influenciar a produção interna de forma a contrabalançar a imprevisibilidade das exportações? Transformamo-nos definitivamente em país de oferta turística, de exportação e de actividade económica subcontratada? Quais os perfis produtivos e fileiras que possam, diminuir os nossos déficites? Qual o investimento público a fazer pela sua necessidade objectiva e pela sua reprodutividade? Que medidas para que os bens e serviços essenciais possam ser garantidos a todos, livres das pressões de curto prazo para garantir grandes lucros dos operadores, antes assentes numa sua reconfiguração consequente? Como terminar com as guerras com importantes sectores profissionais como os professores, os magistrados, os profissionais das forças de segurança, os agricultores? Etc.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Notas sobre as eleições de ontem no Japão

A vitória esmagadora do Partido Democrático do Japão, de Yukio Hatoyama, nas eleições de ontem reflectem uma forte vontade de mudança em relação às políticas conservadoras que foram realizadas durante meio século pelo Partido Liberal que vê a sua representação na Câmara dos Representantes cair para cerca de 1/3 dos deputados.
Ao fim do dia de ontem, os adeptos do Partido Democrático gritavam Banzai!, para sublinhar a possibilidade de uma viragem política.

As sondagens à boca das urnas revelaram que os derrotados, anteriores aliados, tiveram

Partido Liberal Democrático 119
Partido Novo Komeito 21

Na oposição os lugares obtidos foram

Partido Democrático 308
Partido Social-Democrata 7
Novo Partido do Povo 3
Partido Comunista 9

O PSD e o NPP estão aliados ao Partido Democrático. As negociações já a decorrer entre os três destinam-se a garantir a maioria de dois terços que permita ao PDJ introduzir importantes alterações legislativas.

Atendendo à intensificação das políticas marcadamente liberais que conduziram a muito maiores desigualdades sociais, desemprego e pobreza, este era um resultado já esperado.
O PLD, promoveu uma prosperidade renovada depois da humilhação da derrota e da ocupação militar americana, mas levou também o Japão a ser um dos mais firmes aliados dos EUA na guerra-fria.
Nos anos noventa o chamado milagre económico, que colocou de novo o Japão na linha das grandes potências, afundou-se na deflação. O LPD sobreviveu usando os fundos públicos e uma mais poupança privada para investir em obras públicas, que lhe permitiu manter algum apoio entre os sectores sociais que delas mais directamente beneficiaram. Mas esses investimentos não tiveram retorno e o Japão ficou perigosamente dependente das suas exportações. O desemprego está em 5,7% e a deflação fez cair os preços 2,2% em relação ao ano anterior.

As classes dominantes dão corpo a um modelo económico que, ao nível das relações laborais, e seguido o raciocínio de Eneida Ota Shiroma “procura compatibilizar alta qualificação
com aumento do controle sobre a mão-de-obra na medida em que atrela a qualificação à avaliação do funcionário em todas as instâncias das políticas de gestão - recrutamento, formação, promoção, salários, beneficios.
Desta forma, resolve a aparente contradição entre aumentar
a qualificação da força de trabalho e assegurar o controle sobre
eleporque, apesar de uma menor divisão do trabalho e redução dos níveis hierárquicos, o modelo japonês não aproxima, não une os trabalhadores, mas cria uma maior segmentação da força de trabalho entre efetivos e temporários, homens e mulheres, empregados de grandes e pequenas empresas, etc.
A administração japonesa encontra, então, na fusão das actividades de concepção e execução, a oportunidade de optimizar a produção de valores de uso e da mais-valia, incorporando o reconhecimento tácito dos operários para elevar a produtividade. Nesta
perspectiva, não podemos concordar com a tese de que a adopção destas formas alternativas ao taylorismo, como é o caso do modelo japonês, indique o fim do capitalismo como previa Braverman, representando pelo contrário, uma sofisticação dos meios utilizados para atingir os seus objectivos” (1)
Até 1989, as duas mais importantes centrais sindicais eram, a maior, a Domei, afecta ao PSD e abrangendo as grandes empresas, com alguma actividade sindical, e a outra, a Sohyo, afecta à esquerda, respeitava a pequenas e médias empresas onde existe uma repressão anti-sindical severa. Hoje estão fundidas numa só confederação, a Rengo.
Os sindicatos são de empresa, proliferam e aderem individualmente à confederação e há muito não têm uma intervenção de conotações mais políticas, se bem que se identifiquem com posições sociais-democratas e de esquerda.
O PLD falhou na melhoria das condições de vida da população. E ao mesmo tempo que as pensões se degradavam, o pessoal político transitava dos lugares de governo para os lugares de administração de empresas que anteriormente tutelavam. Com belíssimas remunerações (como cá...).
Sem experiência de governo e com a administração pública durante mais de meio século nas mãos de “mandarins” do PLD, os vencedores das eleições de ontem irão fazer, provavelmente, um compromisso com eles para não terem a governação boicotada.
Caso o resultado das sondagens à boca das urnas se confirme, o PDJ, que já conquistou a maioria na Câmara Baixa graças à aliança com dois partidos já referiodos da oposição, exercerá um controle absoluto sobre o Parlamento, e fica com as mãos livres para realizar as suas intenções onde avultam medidas sociais significativas e uma maior independência em relação aos EUA para se virar mais para a sua projecção regional no quadro da cooperação entre muitos países da Ásia que configura um dos pólos de crescimento a que o Japão aspira face à gravidade da recessão - a maior desde a segunda guerra mundial.
A entrada desses dois partidos aliados para o governo (um social democrata e outro de direita) tornará imprevisível a coesão do governo a sair das negociações que o PDJ já iniciou, sendo que o PDJ já alberga em si diversidades políticas. Apesar da derrota eleitoral do PLD, e face à gravidade da situação com o que o novo governo se vai defrontar e atendendo, ainda, a que não parecem existir nem no seu seio nem na sociedade, em termos significativos, forças para uma mudança real de política, o sistema político japonês arrisca a ser dominado pelo bipartidarismo do PDJ e do PDL.

(1) “O modelo japonês e o debate sobre a qualificação e controlo da força de trabalho”, Tóquio, 1992.

domingo, 30 de agosto de 2009

Pintura de Johannes Vermeer




Frase de fim-de-semana, por Jorge


A liberdade de imprensa só existe para os que têm uma


Henry Louis Mencken (escritor, 1880-1956)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Mudança de cores do blog


Decidi, atendendo a opiniões que me fizeram chegar, alterar as cores do fundo, das letras e dos títulos, na expectativa uma melhoria de leitura.

Medvedev prometeu hoje apoio aos líderes muçulmanos do norte do Cáucaso


O presidente russo numa reunião o hoje realizada em Sotchi assumiu o compromisso de apoiar os líderes muçulmanos do Norte do Cáucaso, numa reunião com muftis e presidentes dessas repúblicas.
Ao afirmar que só com o apoio deles se podem resolver os problemas da região, Medvedev deixou a disponibilidade para reconhecer erros antigos e corrigir antigas respostas e defendeu a criação de imediato de um canal de televisão que ensinasse as bases do Islão.
Defendeu ainda a necessidade de aí criar uma política para a juventude e de impedir que sejam absorvidos por gangs criminosos.
A iniciativa de Medvedev segue-se a uma forte campanha terrorista e de desestabilização, com diversas componentes e que visam atingir a Rússia e a estabilidade e cooperação entre as repúblicas da região.

Mais do mesmo, Dra. Manuela? Olhe que já chega...


A apresentação do programa do PSD feita ontem por Manuela Ferreira Leite confirmou que não se constitui como alternativa.
E isto é tanto mais incómodo patra os apoiantes do PSD quanto é o PS que tem feito o que o PSD faria se estivesse neste período no seu lugar.
Daí o refugiar-se em soundbites na expectativa que os jornalistas pouco ousados emprenhem de ouvido para animar as refregas entre PS e PSD.

Já o programa do PCP apresenta, de facto, modelos e soluções diferentes. A não vinda para o debate dos temas e medidas que propõe tornaria mais pobre e defraudante para os eleitores a atenção que estarão dispostos a dar à campanha das legislativas.

Mas PS e PSD vão descobrir temas de debate entre eles e procurar impô-los ao debate mediático, refugiando-se em questões de estilo, fanfarronadas, mistificações.

Vejamos uma, entre muitas outras, que ontem animou os debates seguintes à declaração do PSD: a questão de quem quer e quem não quer mais Estado. Se não, para quê deputados, governos, pactos, e tanto dinheiro gasto em eleições para...irem para o Estado! E porque, para mal deste país, com uma longa história que teceu a matriz da nossa iniciativa privada de uma certa dimensão, esta não investe para o país, navega pela auto-sustentação dos seus administradores e "arrisca" na bolsa, e, sempre que possível, arrebatando apoios públicos. Mão forte nos trabalhadores e casamentos com multinacionais que nos levam o couro e o cabelo, lá isso sabem!...Ressalvando excepções que não fazem mais que confirmar a regra.

Se me derem licença, eu direi que esta não é a questão. A questão é o que querem ambos fazer com o Estado.

A Dra. Manuela não quer tantos boys do PS no aparelho do Estado, empresas publicas, institutos públicos e fundações e também, se puder privatizar alguma coisa, também lá vai porque gulosos não faltam e ainda lhe restam alguns ex-governantes não suficientemente amparados.
O Engº José é liberal por formação e, para já deu o contributo que tinha a dar, para já, para as privatizações, já tem muito mais rapaziada colocada. E sabe os capitalistas que tem, os banqueiros que traz à mesa, toda uma "nata" empresarial que precisa dele, não pelos seus lindos iolhos, mas porque ele é o Estado... Especialmente em tempo de crise...

Venham outros protagonistas que estes j´deram o que tinham a dar e não queremos mais do mesmo!

865+7=872 bases militares dos EUA em 40+1=81 países... Para quê?

Os Estados Unidos dispõem hoje de 865 bases militares espalhadas por 40 países.
As sete que irão ser utilizadas agora na Colômbia, um narco-estado liderado por um presidente de extrema-direita, responsável pelas maiores atrocidades na América Latina neste novo século. No preciso momento em, que ontem foram assassinados 12 indígenas…
O pretexto, agora, é o combate ao narcotráfico, onde estão implantadas grandes unidades de produção e importação de drogas que violam o território venezuelano para o usarem como escoamento para outras regiões. O combate ao narcotráfico, que alguns governos articulam com a DEA, tem sido – os próprios responsáveis norte-americanos o reconhecem – um combate perdido. O poder dos narcotraficantes é grande mas vive também da cumplicidade e corrupção de polícias e homens de Estado de alguns destes países, como é o caso evidente da Colômbia que continua a ser, apesar disto, o aliado mais forte de Washington na região. O controlo do dinheiro sujo do narcotráfico é hoje decisivo para os serviços de informação como os norte-americanos que ousam para financiar. A questão não é combater mas sim controlar o narcotráfico e o seu dinheiro para fins que não podem figurar nos orçamentos do Estado ou para os fazer transitar para “lavandarias” adequadas (jogo, banca, construção civil, etc.) e a sua utilização controlada por algumas grandes potências.
É, pois, um falso pretexto.
A história mostra que esta proliferação de bases serviu e serve para ser retaguarda de governos ditatoriais e combate ao movimento sindical e camponês, não só para intervenções directas se os EUA os considerarem absolutamente necessários, mas fundamentalmente para em articulação com as respectivas embaixadas, ingerirem na política interna, albergarem conspirações, formarem exércitos e polícias “antiterroristas” de acordo com modelos reaccionários e sem princípios de ética militar. O caso mais recente das Honduras é disso exemplificativo. E é um modelo que está a ser usado para fazer retroceder o movimento de deslocação à esquerda em muitos países da América Latina e só permitir organizações regionais que sirvam os interesses dos EUA.
É por isso justa reacção da Venezuela e de outros países que, com diferenças entre si, preferem livrar-se de tais ameaças.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Eurodeputado português com Zelaya


O eurodeputado do PCP João Ferreira encontrou-se, domingo, com o presidente Manuel Zelaya e manifestou a solidariedade dos comunistas portugueses para com o povo das Honduras e o seu legítimo governo.

Na reunião, realizada na representação diplomática da República das Honduras em Manágua, na Nicarágua, o deputado comunista eleito para o Parlamento Europeu nas listas da CDU transmitiu ao chefe de Estado hondurenho o apoio do Partido à luta que naquele País travam os trabalhadores e a população em defesa da restituição da legalidade constitucional e pelo fim do golpe de Estado.

João Ferreira aproveitou ainda a oportunidade para expressar, em nome do Grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL) do PE, a solidariedade daqueles parlamentares europeus.
Manuel Zelaya, o presidente democraticamente escolhido pelo povo das Honduras, «agradeceu ao deputado comunista e por sua via ao GUE/NGL as iniciativas que os deputados comunistas e progressistas no Parlamento Europeu têm desenvolvido exigindo a restituição da legalidade constitucional nas Honduras» e, por sua parte, «reiterou a intenção de regressar à sua pátria», refere a nota divulgada aos órgãos de comunicação social pelo Gabinete de imprensa do PCP.

Zelaya realçou também «o papel do poder económico oligárquico no golpe de Estado, tendo defendido a necessidade da prossecução de políticas que garantam uma mais justa redistribuição da riqueza no seu país», adianta ainda o documento.

Igualmente no dia 23 e a par do encontro com Manuel Zelaya, João Ferreira contactou com vários membros do governo hondurenho, nomeadamente com o Ministro Adjunto e os titulares das pastas dos Negócios Estrangeiros e da Educação.

No dia seguinte, segunda-feira, o eurodeputado do PCP partiu para a capital hondurenha, Tegucigalpa, onde, para além de tomar contacto directo com o povo, se previa que reunisse com diversas componentes da Frente social e política contra o golpe de Estado nas Honduras.

Antes de partir para os encontros com Manuel Zelaya na Nicarágua, e com as forças sociais e políticas progressistas nas Honduras, João Ferreira e Maurício Miguel, membro do secretariado do grupo Parlamentar do PCP no Parlamento Europeu, participaram, em representação do Partido, no XV Fórum de São Paulo (in Avante! 27/08/09)

A crónica do Rodrigo


Finalmente um candidato tem uma mandatária juvenil à maneira.

O nosso primeiro quiz que a juventude tivesse uma presença nesta campanha...E vai daí, convidou a Carolina Patrocínio...
A Carolina Patrocínio está para Sócrates com o granito está para o mármore: menos polido mas mais contundente.
E o que vi a rapariga dizer, numa atitude de coragem que poucos ousariam ter?...
Que o primeiro-ministro tem feito muito pela juventude...que se considera uma pessoa orgulhosa...sou competitiva e odeio perder...prefiro fazer batota...gosto que reparem, de ser notada, de dar nas vistas, não gosto de passar deapercebida...o pedido de casamento tem que ter o acordo do pai e ser feito com um discurso...odeio os caroços nas frutas e só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços por mim, como fruta se não tiver que descascar e uvas sem graínhas, dá uma trabalheira!...Queria ter formação, ser comunicadora...
Perguntada porquê, riu muito e não soube responder. Chato do jornalista...
Ainda por cima, sendo ela uma apresentadora famosa na SIC (bate certo!), do programa TGV (bate certo!), antes do programa Disney Kids (bate certo!)...
Já estamos a sair da crise!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Há 65 anos, Paris sorria de novo...












Le chant des partisans
Ami,
entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines ?
Ami,
entends-tu les cris sourds du pays qu'on enchaîne ?

Ohé, partisans, ouvriers et paysans, c'est l'alarme.
Ce soir l'ennemi connaîtra le prix du sang et les larmes.
Montez de la mine, descendez des collines, camarades !
Sortez de la paille les fusils, la mitraille, les grenades.

Ohé, les tueurs à la balle et au couteau, tuez vite !
Ohé, saboteur, attention à ton fardeau : dynamite…
C'est nous qui brisons les barreaux des prisons pour nos frères.
La haine à nos trousses et la faim qui nous pousse, la misère.

Il y a des pays où les gens au creux des lits font des rêves.
Ici, nous, vois-tu, nous on marche et nous on tue, nous on crève…
Ici chacun sait ce qu'il veut, ce qu'il fait quand il passe.

Ami,
si tu tombes un ami sort de l'ombre à ta place.
Demain du sang noir sèchera au grand soleil sur les routes.
Chantez, compagnons, dans la nuit la Liberté nous écoute…
Ami,
entends-tu ces cris sourds du pays qu'on enchaîne ?

Ami,
entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines ?

Oh oh, oh oh oh, oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh…