segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

“Die Welt in einer Tasse Kaffee” mais a Susana em Silves

No sábado lá fomos, eu e a Isabel, à apresentação em Silves da edição em língua alemã da selecção de crónicas que uma velha amiga, a jornalista Susana Ruth Vasques, já tinha apresentado em Frankfurt há meses.
A Luna, minha cadela de quem aqui falo pela primeira vez, ao fim de três anos do blog, viu os donos de mala feita, excitou-se perfilando-se para a viagem, mas rapidamente percebeu que não teria boleia e presenteou-nos com o seu desprezo, retirando-se de rabo entre as pernas para a cama. “Ingratos!”, terá pensado…

Primeiro Acto

A CP lá averbou mais duas passagens em prejuízo da Renex. Sim, porque nestes dois despossuídos de carro, a inclinação vai sempre para o caminho-de-ferro. A opção pelo “conforto” permitiu-nos ter como espécie de contrapartida parcial pelo delta de preço uns cookies, sabiamente guardados para qualquer emergência, como o afundamento do país, um sumo que se deglutiu sem gosto e uns jornais iguais aos dos outros dias com prosa pouco inteligente e algo fastidiosa. A páginas tantas já dormia enquanto a Isabel mergulhava na babilónia colonial da economia açucareira a que a licenciatura de História, em fase terminal, a obligé.
Acordei na Funcheira onde na plataforma já não aparecem aquelas alentejanas lindas que na minha juventude nos vendiam pela janela umas bifanas quentinhas e umas jarrinhas feitas de barro com água fresca . Aquilo é que era! … e tão rápido que o medo de não ter tempo para a operação tornava angustiante a aquisição, para já não falar do meu pai que optava para rumar ao café da estação, desenturpecer as pernas e pôr a merenda nos conformes, deixando a família aflita.
Descido em Tunes para o transbordo, e já com o Alfa ao longe a rumar a Faro, dei por falta da minha esferográfica de estimação…Praguejei contra a qualidade dos jornalistas e as notícias requentadas que inviabilizaram os sublinhados do costume no papel, a pensar no próximo post. Ela também deve ter adormecido com a falta de uso e para lá ficou à espera de ser colhida como inesperada prenda de Natal por um magano qualquer.
Do Alfa para a automotora, segundo um companheiro de viagem, “passamos dum comboio para uma carroça”…De carroça até não me importava, voltando a pensar nas viagens com o meu avô moleiro por aquelas paragens. Eu só peço aos administradores da CP que, de vez em quando, limpem os vidros da “composição”, velha e digna, que liga Tunes a Lagos, servindo as celebérrimas praias de A. Pêra, Rocha, Lagos, para não ficar com aquele aspecto rançoso…Se andam a cortar no pessoal ou nos outsorcings podiam, eles próprios, organizarem, ao seu nível, um roulement para justificarem aos utentes os salários que ganham.

Segundo Acto

A “estação” de Silves é, de facto, um apeadeiro, com o edifício fechado e sem se lobrigar vivalma. Debaixo de chuva lá rumamos ao pequeno café ao longe, onde o pessoal adulto e crianças se atarefavam a fazer subir uma árvore de Natal made in China. Recolhemos mais um telefone de táxis, que respondeu ao contrário de outros, anotados quando da planificação da logística em terra e fomos salvos da contingência, depois de fazer marchar mais dois cafés. Se a Isabel Soares criasse uma navete puxada a machos ou mulas seria mais interessante (ó Isabel, se leres a prosa, pensa no assunto…).
Chegados ao hotel da Colina dos Mouros, mais um susto.
Um casal de brasileiros organizava uma recepção comercial para uns sessenta idosos, certamente a troco de uma viagem barata, com uma parafernália de instrumentos de cozinha para venda, em balada por uma ensurdecedora música pimba. Alguns olhares de terceira idade ainda em riste brejeiro deliciavam-se com as formas traseiras da brasileira que se bamboleava entre eles e elas, com um apurado sentido comercial. Fugimos para o quarto, de limpeza duvidosa e aquecimento ronceiro e intermitente, onde depositamos os haveres. Céleres, fugimos de novo e atravessamos o Arade onde, à falta de gente, pairavam gaivotas e garças . Os humanos distribuíam-se pelos cafés, gozando o quentinho.
Escalamos então a encosta do Castelo até chegar ao Café Silves, onde autora e editor ofereceram a uma dezena de amigos o almoço. Beijos e abraços a uma Susana atarefada de anfitriã e atacamos o boufet. O meu irmão Luís, que vive em Lagos, mas é professor na Escola Secundária de Silves, chegou meia-hora depois, na mesma automotora que nos levara mas já fazendo o sentido contrário. O Café é simpático bem como a dona, seguramente sexagenária, mas bela, mantendo um charme agradável aos sentidos…

Terceiro Acto

Reposta a normalidade alimentar, lá fomos debaixo de chuva para a Biblioteca Municipal onde seria a apresentação no salão do bar. O local é bonito e acolhedor e a muito boa temperatura na biblioteca permitiu-nos secar as calças.
A Susana avançou e fez a história da publicação no seu jeito volátil e despretensioso. Seguiu-se o Carlos Pinto Coelho que nos falou da mulher jornalista, da mulher das causas políticas, da feminista inteligente e dos seus amores. Respondendo à eterna pergunta “porque escreves?”, e citando conversa com Mário de Carvalho que lhe fez o paralelismo das mãos gravadas nas paredes no paleolítico, que poderiam ter justificação idêntica, citou " para se saber que estivemos aqui…”. Um jovem de barba andaluz e de preto, de seu nome Paulo, brindou-nos com quatro virtuosas peças em acordeão, começando por uma maravilhosa melodia yiddish. Esqueci-me de vos dizer: a Susana, que é alemã e portuguesa, nasceu de um casal judeu que para aqui fugiu dos nazis em 1933. O Paulo, assim se chamava o moço, já tinha sido profissional do instrumento e agora era responsável da biblioteca. Espero bem, para a felicidade de muitos, que o Paulo continue com o acordeão!...O editor José-Luís Ferreira disse de sua justiça, substituindo a Isabel da Nóbrega, retida em casa por via da intempérie. O meu irmão que, em momentos tais, fica agitado, saiu para a biblioteca, foi à net, imprimiu qualquer coisa que era afinal o "Balanço Provisório" do Fanha, de que fez belíssima leitura.
Acabada a sessão, meu irmão e a Piedade cantaram modas alentejanas um para o outro de tal maneira que pensei que aquilo ia acabar em namoro. Mas não.
Como o livro é em alemão, língua avessa à minha intuição latina para o linguarejar, adquiri um exemplar que vou mandar para a Stephanie e o Gunther, mais exactamente para a Geranienweg, onde moram em Brandenburgo.
Regressados ao Café Inglês atacamos o jantar. O Luís já tinha combinado com os músicos dar uns trinados no fim mas não deu porque no grupo alguém se indispôs e saímos mais cedo que o previsto. Demandamos o hotel onde os nossos guaranis, para o nosso equilíbrio, já tinham despachado as vendas, a música e recolhido o bambolear comercial da sua agente. O comando do televisor também não funcionava o que facilitou, sem mais delongas, o justo repouso dos corpos.

Quarto Acto

Ver o Luís a comer o pequeno-almoço é um espectáculo! A entrar nos sessenta não lhe falta o apetite na sua refeição “mais importante”.
Atestado e satisfeito, levou-nos a ver a escola. Os seus olhos brilharam porque à casota, do meio do pátio, do seu projecto foto-voltaico de produção de energia, já só faltavam as telhas e a câmara já tinha tapado com areia e betuminoso os roços abertos para as ligações ao edifício principal.

Quinto e último Acto

Regressados ao “apeadeiro”, de trouxa feita, e ainda alguns pingos, a CP juntou à falta de limpeza outra surpresa: mudara os horários e marimbara-se na informação aos utentes. Mais umas pragas. O Luís foi o primeiro a regressar a Lagos e nós, sem muita pressa ao domingo, fomos ocupando o tempo, confiantes que este traz sempre novidades.
A senhora idosa ao nosso lado, mau-grado a delicada figura, ia devorando uma bela sandes de fiambre, não se esquecendo de antes ter a gentileza de perguntar “São servidos?”. Eu, qualquer dia digo que sim e crio um problema…Foi trocando impressões com a Isabel sobre o tempo, e depois sentou-se ao nosso lado. Abriu o saco e eu cheguei a imaginar algum doce. Mas não. “Tenho aqui um livro. Os senhores são crentes?” mas a Isabel cortou cerce “Não, só acreditamos nos homens, mas obrigados pela atenção!”. Encolheu-se: “Eu respeito os pensamentos de cada um…”. Não lhe restava de facto outra coisa mas esfriou e passou a olhar-nos, a nós, incréus perdidos para a verdade, do alto da sua pose missionária…
Seguiu-se o cão branco. A Isabel, talvez com saudades da Luna, lá lhe desfez em bocados umas empadas a que juntou os cookies do dia anterior. A tal permitiu a falta de notícias sobre maiores colapsos, superiores aos que nosso Primeiro lá vai provocando. A missionária também lhe deu bocadinhos de pão (fiambre não…). Todos festejámos o cão. Perguntando-nos se ele estaria perdido, a senhora disse-nos ser "ali daqueles", apontando para o outro lado da linha.
“Aqueles” eram os ciganos, acordando do seu acampamento, com as crianças bem enroupadas, a receber pão dum grande saco de papel mais chouriços para o mata-bicho. Um jovem "daqueles" antes da recfeição foi pedalar numa pasteleira e os decibéis fortes de uma qualquer gipsy music alegraram-nos a alma.
Do nosso grupo fazia parte um jovem militar que completara quinze dias de férias e a quem a armadilha da CP lhe provocou um temor de não chegar antes da meia-noite aos Comandos da Amadora. Dei com uma inscrição a marcador preto num lancil da plataforma onde a letra de uma jovem perguntava: "Sabes o que é o mundo? É uma coisa muito bela como os teus olhos e os teus beijos". Li-a em voz alta para todos…"Sim senhor", comentou o magala, "não há só grafitis feios" e mostrou-me do telemóvel as fotos das composições da nossa automotora grafitadas com grande gosto e qualidade. O que confirmámos quando ela chegou…
De Silves a Tunes e de Tunes a Sete-Rios se preencheram as três horas seguintes. Da ponte olhei o Cristo no santuário e juro que me disse “António, foi bom mas acabou, a Susana que consiga a edição em Português", e, recordando-me a abordagem missionária de horas atrás, deixou sair "desculpa qualquer coisinha…”.

A destruição injustificável do meio ambiente, por Fidel Castro


Será que a sociedade capitalista a pode evitar? As notícias que nos chegam sobre este assunto não são encorajadoras.
Em Poznam está em apreciação o projecto a ser apresentado em Dezembro do ano que vem em Copenhaga, onde se vai discutir e aprovar a convenção que substituirá a de Quioto.
A Comissão que preside à elaboração deste projecto é dirigida por Al Gore, o ex-candidato presidencial que foi derrotado fraudulentamente por Bush em 2001.
Os que o estão a elaborar colocam toda a sua esperança em Barack Obama, como se este pudesse mudar o curso da história.
O exemplo que se segue chega-nos do Canadá (...)
Ver o resto desta “Reflexão de Fidel” em
http://www.cubadebate.cu/index.php?tpl=design/especiales.tpl.html&newsid_obj_id=13501

José da Felicidade Alves - dez anos depois da sua morte

Do blog do Vitor Dias, com quem falei há dias sobre esta homenagem a Felicidade Alves, reproduzo o post que sobre ela fez ontem.Com ele fica, também aqui, o convite para outros amigos também lá estarem amanhã.


Foi em 14 de Dezembro de 1998, faz hoje precisamente 10 anos, que faleceu José da Felicidade Alves, um homem bom, digno e vertical que, ainda no exercício do seu ministério sacerdotal, ousou afrontar como exemplar coragem uma hierarquia da Igreja Católica portuguesa (*) profundamente comprometida com a ditadura fascista e, por essa via e pelas suas iniciativas posteriores (como os Cadernos GEDOC) , desempenhou um papel de relevo na dinamização e agregação dos católicos progressistas nos últimos cinco anos da ditadura.
Evocando esta efeméride, em boa hora o Centro de Reflexão Cristã e o Centro Nacional de Cultura decidiram promover no próximo dia 16 de Dezembro, das 18 às 20hs., no CNC (Galeria Fernando Pessoa – Largo do Picadeiro nº 10-1º), uma reunião de convívio e de reflexão, «evocativa dos testemunhos de vida e de acção, que marcaram as intervenções de Felicidade Alves na sociedade civil e eclesiástica» com intervenções previstas de Guilherme de Oliveira Martins, Frei Bento Domingues, Diana Andringa e Manuel Vilas Boas.
Associo-me de alma, razão e coração a esta homenagem a José da Felicidade Alves com quem tive a oportunidade e o prazer de conversar várias vezes antes do 25 de Abril e depois nos anos de 1974 e 1975 no MDP/CDE e - acrescento só para que não haja páginas brancas na história e percurso das pessoas - sinto um grande orgulho por, durante muitos anos e até à sua morte, ter sido membro do mesmo partido que eu, o PCP.
Nesta data, que não lhe pode deixar de lhe reavivar alguma dor e tristeza e uma imensa saudade, daqui envio um abraço de estima e amizade à Elizete, sua viúva.


(*) A magnifica e expressiva foto de José da Felicidade Alves que encima este «post» foi extraída da capa do livro Testemunho Aberto - o caso do Padre Felicidade, editado em 1999 pela Multinova e organizado por Abílio Tavares Cardoso e João Salvado Ribeiro e que constitui uma obra indispensável para quem quiser conhecer o historial que vai desde a expulsão e excomunhão de José da Felicidade Alves em 1968 até à sua reconciliação com a hierarquia da Igreja através da autorização do seu casamento canónico em 10.6.98.

Capitalistas estúpidos, diz Joseph Stiglitz na Vanity Fair


Quando se acalmarem as ameaças mais urgentes decorrentes da crise do crédito seremos confrontados com a tarefa maior de elaborar uma direcção para os passos económicos do futuro. Esse vai ser um momento perigoso. Por detrás dos debates sobre a política futura estará um debate sobre a história. Um debate sobre as causas da nossa actual situação. A batalha pelo passado vai determinar a batalha pelo presente.
Quais foram as decisões críticas que levaram à crise?
Cometeram-se erros em cada encruzilhada. Tivemos o que alguns engenheiros designam por “falha do sistema”, isto é, quando não apenas uma decisão mas uma cascata delas produzem um trágico resultado.
O autor, professor da Universidade de Columbia, laureado com o Prémio Nobel, considera cinco momentos cruciais deste processo .
Poderá consultar o artigo em

domingo, 14 de dezembro de 2008

Os americanos acreditam mais no Diabo do que em Darwin e na Teoria da Evolução.


Quase 25% dos americanos acreditam que foram em tempos outras pessoas.
Que a grande maioria dos norte-americanos acreditam também em Deus, em milagres, na sobrevivência da alma após a morte, na ressurreição de Jesus Cristo, e no seu nascimento a partir da Virgem, não será grande surpresa.
O que pode ser mais surpreendente é que minorias de valores significativos acreditem em fantasmas, em discos voadores, em bruxas, na astrologia, e tenham a crença de que eles próprios reencarnaram de outras pessoas.
Globalmente, são mais os inquiridos que acreditam no diabo, no inferno e em anjos dos que acreditam na teoria da evolução de Darwin.
Estes são alguns dos resultados da sondagem Harris (R), junto de 2126 adultos norte-americanos, feita on-line entre 10 e 17 Novembro de 2008 pela Harris Interactive (R).
Para conhecer algumas das constatações interessantes deste novo inquérito Harris clique em
http://www.marketwatch.com/news/story/More-Americans-Believe-Devil-Hell/story.aspx?guid=%7B9FF6758C-00C0-4673-81B9-6D506085F974%7D

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Cartoon de Monginho

in Avante!

Voando sobre um ninho de cucos


A verdade é que se anda, em permanência, a vogar sobre um ninho de cucos. Tanta conversa para aumentos irrisórios face ao que seria necessário para um «sinal» de que efectivamente era real a vontade para sair do tal «modelo» de baixos salários. Aliás, quanto à atitude a que o famoso Plano Tecnológico devia obrigar, parece que nem se quer falar. O Plano parece agora limitar-se aos Magalhães. Mas o que não se deve é deixar passar a oportunidade do OE 2009 em branco para demonstrar que persiste a vontade de aguentar até ao fim o «modelo» de baixos salários, aliás, como se vê pelo Código do Trabalho…

É o que nos diz Franmcisco Silva em

http://www.avante.pt/noticia.asp?id=27028&area=35

A frase de fim-de-semana


























"A Terra é o provável paraíso perdido".

Frederico García Lorca

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Grécia: uma greve geral de grande impacto




Ontem em toda a Grécia, os trabalhadores responderam ao apelo das duas centrais sindicais e realizaram uma greve geral de grande impacto. Esta greve, marcada antes da polícia ter morto um adolescente em Atenas, correspondeu à crescente resistência popular contra os projectos do governo de Karamanlis e da União Europeia de retirada de direitos dos trabalhadores e de sobre-exploração de trabalho.

Os jornais e televisões de hoje em Portugal (mas não só) o que continuavam a privilegiar com interesse jornalístico eram as destruições provocadas por provocadores que se destacavam de manifestações de protesto contra o assassinato do jovem, e hoje nos telejornais da noite o que sobressaiu foram os ataques de jovens à polícia de choque que ziguezagueava sem, aparentemente, carregar sobre os jovens. É difícil não me lembrar do Maio de 68 e do papel desempenhado por outros "anarquistas" no que viria a ser a recuperação da direita e de De Gaule, depois do movimento operário, na sequência de lutas de trabalhadores anteriores aos acontecimentos de Maio, terem obtido a grande vitória de Billancourt. Mas a interpretação dos factos da Grécia exige uma observação concreta e não apenas a sensibilidade resultante dos paralelismos.

Como as fotos da grande manif de trabalhadores em Atenas não mereceu publicação entre nós, aqui deixamos algumas.

Mulher, 1976, de Joan Miró



"Corajosa", disse ele...



Não foi a primeira nem será certamente a última vez que Mário Soares diz coisas menos acertadas.
E, como todos lhe desejamos uma longa vida, terá novas oportunidades no futuro. Não faltarão ocasiões para se remeterem para a gaveta mais coisas.
Desta vez para alargar o espaço de manobra de Maria de Lurdes Rodrigues, nas vésperas de uma reunião importante, Soares lá juntou as 8 letras, agrupadas em 4 sílabas, de acentuação grave, de gravidade acentuada.
Soares conseguiu ver "coragem" onde os portugueses têm visto insensatez, posporrência, autismo, irresponsabilidade, sectarismo, perseguição, leviandade, enfim um ego excessivamente carente para um governante que revela grande falta de sentido de estado.
Que coragem, Dr. Mário Soares?

Há um século, os nossos avós e bisavós tratavam-se assim...



















1. Heroína contra a tosse das crianças
2. Vinho de coca com efeitos medicinais e para a boa disposição
3. Vinho Mariani, também de coca, fortificante e estimulante premiado pelo Papa
4. Vinho de coca Maltine, depois das refeições para adultos e crianças
5. Peso de papel de quinino e cocaína
6. Glyco-Heroína, analgésico, para a asma, tosse e pneumonia, mais apaladado se misturado com glicerina, açúcar ou temperos
7. Ópio para a asma, em vaporizador
8. Tabletes de cocaína para avivar a voz de cantores, professores e outros oradores, de cura instantânea das dores de dentes
9. Dropes de cocaína para as dores de dentes e melhoria do humor
10. Ópio para recém-nascidos contra as dores e melhora “o humor”

Parabéns, Manuel de Oliveira!

Aniki-Bobó, 1942

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Paisagem, de João Hogan



Marx, o crédito e o sistema monetário


"As ilusões quanto ao poder milagroso do crédito e do sistema bancário, alimentadas por alguns socialistas, resultam da completa falta de familiaridade com o modo de produção capitalista e do sistema de crédito como uma das suas formas."


O Capital, Vol. III

A moeda descontrolada, de Paul Sweezy e Magdoff


Neste trabalho, que pode encontrar publicado na Monthly Review deste mês, Paul M. Sweezy e Harry Magdoff desmontam as falácias do monetarismo já desmistificadas anteriormente à crise actual onde se evidenciaram, explicitando o ensaio premonitório do que viria a ser a financiarização do sistema e revelando porque é que os bancos centrais não podem controlar a massa monetária.
Segundo eles, Milton Friedman e outros destacados monetaristas atribuem a causa da duração e da severidade da Grande Depressão ao falhanço em a Reserva Federal agir e de forma adequada. E afirmam ainda que as políticas da Fed tiveram forte contributo em todas as recessões que desde então ocorreram que serviram também de promotoras da inflação.
Não são apenas, segundo dizem, os conservadores que julgam que é a Fed a principal fonte dos males económicos. Apesar dos liberais (*) recusarem as teorias monetaristas e rejeitarem os preconceitos da direita, acreditam que as políticas restritivas da Fed foram em grande parte responsáveis pelas recessões no pós-guerra, especialmente as que ocorreram no final dos anos 60. E entre os radicais também encontramos a tendência para alinhar com a ideia de que no ciclo dos negócios ao manipulação no fornecimento do dinheiro. Por isso o controlo popular da Fed é encarado como um remédio para a eventual criação de empregos, a recuperação de empresas em dificuldade ou a protecção em geral das calamidades económicas.
O que espanta nesta generalizada ilusão é a sua insistência no registo histórico. O declínio dos negócios, que supostamente as autoridades monetárias provocaram nos EUA, também se verificou noutros locais. Nenhum dos países capitalistas deste mundo conseguiu escapar ao ciclo – sejam eles governados por socialistas, liberais ou conservadores. Tem sido tentado um vasto conjunto de medidas correctoras, os banqueiros centrais entram e saem, mas, contudo, as recessões são recorrentes e cada vez mais graves, e acompanhadas pela extensão da estagnação através do mundo capitalista. Será isso devido a uma constante incompetência ou má vontade de todos os banqueiros centrais? Ou será, pelo contrário, que as depressões e a estagnação são inerentes às próprias sociedades orientadas pelo lucro? E de tal maneira que nem os responsáveis monetários nem dos governos podem, pura e simplesmente evitá-las?
Para os dois autores, hoje a resposta a esta questão já parece suficientemente clara.

Ver a tradução integral, brasileira, deste artigo em
http://www.resistir.info/mreview/money_out_of_control.html

(*) Nos EUA a designação “liberais” corresponde mais aos social-democratas europeus do que ao que os liberais aqui representam.

60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

A Declaração dos Direitos Humanos, que inspirou tratados e convenções e foi vertida total ou parcialmente nas Costituições de muitos países tem trinta artigos que enumeram direitos básicos do ser humano.




O conceito de direito humano evoluiu ao longo da História, à medida em que a existência de direitos foi deixando de ser regalia de poucos por exemplo, vemos o cilindro de Ciro (na foto acima), uma das primeiras declarações de direitos humanos conhecida. O rei persa (antigo Irão) Ciro foi quem a promulgou, quando a região era berço da civilização. Noutra imagem, em cima, reproduz-se a Declaração dos Direitos saída da Revolução Francesa. A primeira impressão da actual Declaração figura noutra foto, ostentada por Eleanora Roosevelt, em 1948.

A declaração completa hoje 60 anos e foi redigida no impacto da 2ª Guerra Mundial e já com a guerra fria iniciada. A Assembleia-Geral da ONU aprovou-a neste dia. No seu equilíbrio reflecte o mundo até aí chegado com as perspectivas, realidades abertas e aspirações que trouxe à consagração de novos direitos a existência de uma sociedade que se quis nova – a socialista. Havia três anos que a ONU fora criada e a comunidade internacional estava mobilizada para evitar a repetição das atrocidades cometidas durante o conflito. O documento estabeleceu, pela primeira vez, direitos universais para todos os povos, independentemente de credo, cor, género ou raça e está hoje disponível em 360 línguas.

O escritor José Saramago declarou ontem à Lusa que «Em todo o Mundo os direitos humanos não contam nada. São, como dizia o Hitler, que tem frases interessantes, papel molhado».
A Fundação José Saramago teve a iniciativa de assinalar esta efeméride e de lhe dar um sentido cívico quer do reconhecimento de que ela tem sido ignorada por governos quer da sua concretização que recuou nos últimos anos. As iniciativas que está a promover desde ontem são uma pedrada no charco do esquecimento a que o governo português votou a efeméride.
«Trinta direitos estão consignados ali e ao lê-los ou desatamos à gargalhada ou desatamos a chorar», disse Saramago, sublinhando que esta é uma realidade e que é de lamentar. «Claro que há uma retórica comemorativa a que não se pode fugir, mas se ficamos por aí...», disse, sublinhando que «cada vez mais é necessário comemorar os direitos do homem» uma vez que a conjuntura mundial é «de crise económica» e «há milhões de pessoas desempregadas». «O problema que nem sempre é pacífico é o que comemoramos hoje e o que é que fazemos nos restantes 365 dias do ano», disse, sublinhando que as comemorações da declaração Universal dos Direitos do Homem não podem ser celebradas como o 5 de Outubro em que se vai ao cemitério homenagear os que implantaram a República.
Saramago defendeu ainda a necessidade de organizar um «movimento social amplo em defesa dos direitos humanos».


Na mesma ocasião, a escritora Alice Vieira defendeu que a efeméride deveria estar a ser feita «nas escolas» com os jovens para lhes «explicar realmente do que é que se trata quando se fala de direitos humanos». «Direitos humanos não é só matar pessoas, prender pessoas ou espancar pessoas lá nos confins do mundo», mas sim aquelas «coisas muito comezinhas e muito normais a que nos vamos habituando, que se passam aqui e que é grave», sustentou.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O passeante invisível, de Vieira da Silva



Terrorismo islâmico por controlo remoto, de Manuel Freytas



A “pista paquistanesa”: Quem treinou os comandos exterminadores da Índia?

Manuel Freytas é jornalista e especialista em serviços de informação e comunicação estratégica e os seus trabalhos podem ser encontrados no Google.
Neste trabalho refere-nos que os peritos e estudiosos das operações encobertas da CIA com o “terrorismo” insistem neste ponto: a maioria dos grupos grupos islamitas infiltrados (excepção feita a algum dos seus lideres) desconhece que trabalham para a CIA. Isto tem como consequência que os actos terroristas tenham sempre um duplo carácter: a execução é dos fanáticos fundamentalistas religiosos, mas o aproveitamento é geo-político estratégico e económico. Os executores acreditam que morrem por Alá e que a causa é islâmica, mas na realidade morrem pelo império capitalista.
Para ver esta análise vá a:

http://www.iarnoticias.com/2008/secciones/contrainformacion/0116_india_terrorismo_islamico2_01dic08.html

Faleceu Sérgio Teixeira


Faleceu o Sérgio Teixeira, com 58 anos e resistindo corajosamente à doença que tanto se prolongou. Era um camarada alegre, bem disposto, com a sabedoria que uma vida de revolucionário permite atingir.
Entrou para o Partido no 25 de Abril. Compositor tipógrafo de profissão, foi delegado sindical e membro da Comissão Inter-sindical da empresa Ambar, assim como do Movimento da Juventude Trabalhadora, tendo tido activa participação na Revolução de Abril.
Foi membro do Comité Central desde o IX até ao XVIII Congresso e responsável por várias organizações regionais do norte e do centro do país.
Foi vereador em Gondomar e integrava agora as Assembleias Municipais e Metropolitana do Porto. Foi membro fundador e presidente da Associação de Moradores do Bairro Mineiro em S. Pedro da Cova.

Os porcos da Economia


Variações em volta de um mesmo tema...

Vitor Constâncio disse que o apoio aos bancos não era um apoio aos banqueiros e o Secretário de Estado do Tesouro que os avales não eram empréstimo e que o Estado com eles não gastava dinheiro. Pois...
Não cabe na nossa cabeça que o governador do Banco de Portugal andasse a emprestar dinheiro aos cidadãos administradores dos bancos. Está certo. Talvez já não seja assim se pensarmos que as recapitalçizações e empréstimos poderão livrar os parcos rendimentos dos referidos cidadãos dos perigos das nuvens negras da crise financeira para a qual deram importante contributo ao longo dos anos.
Então e o apoio é aos bancos... Apoio para quê? Presume-se que para viabilizar o crédito a empresas e pessoas individuais. Ou é para continuarem com as mesmas maningâncias dos off-shores, dos edge funds e outros produtos imaginativos da sua engenharia empreendedora? A ver vamos.

Quanto aos avales não serem empréstimos...De facto, directamente não são mas o Governo vai usar intermediários que vai apoiar com avales para os fazerem...E se os bancos que vão emprestar não forem pagos quem paga é o Estado, vulgo para este efeito em concreto, todos nós. Ser avalista é isso, não? O aval não é uma benção sem consequências.

Em vez de andarmos a ouvir tais trocadilhos, seria possível ouvirmos verdades? Só para variar...

Antologia do Humor Português - Debate na Casa Fernando Pessoa


Jorge Luís Borges dizia que «o humorismo é um género oral, um êxito súbito em conversa, não algo que se possa escrever».
E pareceu ser esta a frase ideal para iniciar a introdução de uma antologia de humor escrito: a Antologia do Humor Português (Texto/ LeYa).
Esta antologia inclui textos de autores tão diversos como Mário Cesariny, Natália Correia, Luiz Pacheco, Dinis Machado, Manuel António Pina, António Victorino d'Almeida, Alface, Luísa Costa Gomes, Adília Lopes, Gato Fedorento, Nuno Markl, Nilton e Ricardo Araújo Pereira, entre vários outros.
A sessão marcada para o próximo dia 11 de Dezembro, pelas 21h30, na Casa Fernando Pessoa, assumirá a forma de um debate sobre o humor na literatura, no qual participarão os antologiadores, Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos, bem como Nuno Markl e Pedro Mexia. O debate será moderado por João Paulo Cotrim e contará com a leitura de alguns textos do livro pelos actores Maria Rueff e Miguel Guilherme

A estratégia da tensão e o Arco da Crise, por Andrew G. Marshall

Os recentes atentados em Bombaim, atribuídos por muita gente à tolerância do Paquistão com grupos terroristas, representam, de facto, o mais recente elemento de uma fase mais complexa e de longo prazo, da já designada "estratégia de tensão" na região, por parte do eixo anglo-americano-israelita, com meio de dividir e conquistar o Médio Oriente e a Ásia Central. O objectivo é a desestabilização da região, subversão e aquiescência dos países da região, e controle de suas economias, tudo isto em nome da preservação da hegemonia do Ocidente ao longo do "Arco da Crise".
Os ataques na Índia não são um acontecimento isolado, desligado das tensões crescentes na região. São parte de um processo de caos que ameaça invadir uma região inteira, prolongando-se do o Corno de África até à Índia: o "Arco de Crise", como tem sido conhecido no passado.
Os motivos e modus operandi dos atacantes devem ser analisados e questionados e, antes de afirmar rapidamente culpas para o Paquistão, é necessário voltar atrás e ver:

Quem beneficia com os ataques? Quem tinha os meios? Quem teve a motivação? Quem está interessado em desestabilizar a região?

Em última análise, os papéis dos Estados Unidos, Israel e Grã-Bretanha devem ser submetidos a um controlo mais rigoroso por parte da opinião pública.
É isto que leva o autor a propor-nos esta leitura em

http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=11313

A burocracia nas escolas, pelos Gatos Fedorentos