quinta-feira, 25 de junho de 2009

Evocação no Irão

Cenas da evocação da morte do neto do profeta Mohamed na batalha de Kergala do ano de 680.


quarta-feira, 24 de junho de 2009

"Os sete pecados de Chávez", de Michel Collon

Foi este mês editado em França o último livro deste jornalista e escritor belga, "Les sept péchés de Chavez". Ainda não está editado e a tradução de cima, literal, é da minha responsabilidade.

Na introdução deste seu livro, Michel Collon interroga-nos:

Porque é que os Estados Unidos se opõem a Chávez? Pelo petróleo, sem dúvida. E é tudo? Os EUA estão habituados a ganhar as guerras do petróleo. Mas na Venezuela fazem-lhes frente. Aqui diz-se que é possível aplicar o dinheiro do petróleo de maneira inteligente e útil.
Não como no Dubai onde se constroem hotéis de vinte mil euros por noite no meio de um mundo árabe subdesenvolvido. Não como na Nigéria onde a fome mata apesar deste país ser um dos seus maiores exportadores mundiais.
Na Venezuela, um homem afirma ser possível resistir às multinacionais e vencer a pobreza. Acusam-no de todos os pecados: populista, ditador, anti-semita…Mas o que se passa no terreno? Quais são os verdadeiros pecados?

O petróleo é um grande desafio do mundo actual e levantaremos o véu das actuações secretas da Exxon, da Shell ou da Total. Mas a questão vai para além do petróleo…Qual o tipo de economia que poderá vencer a fome? É possível uma verdadeira democracia? Estes desafios dizem respeito a toda a América Latina, mas também ao Médio-Oriente, a África e mesmo à Europa…
Que queremos com a nossa informação? Nos órgãos de comunicação social a América Latina é muito simples. Temos o Carnaval no Rio, o tango em Buenos Aires e a droga na Colômbia. Ah, sim, também temos o Chávez, o “populista”. Em vez desta imagem de estereótipos, não nos poderiam mostrar a vida real dos latinos? Quase um em cada dois vive sob o signo da pobreza. E porquê? Em contrapartida, sete ou oito tornaram-se multimilionários em poucos anos. E como?
A América Latina tem 44% de pobres. Deixe de olhar para isso como uma estatística. Você poderá dar esta noite ao seu filho alguma coisa para comer? Poderá pagar-lhe a escola? E se ele ficar doente, será visto por um médico? Quando se vive com um ou dois dólares pior dia, é-se forçado a escolher entre estes bens vitais. Esta é a angústia do quotidiano de uma em cada duas pessoas neste grande continente. No Médio-Oriente é semelhante. E em África é pior.
A experiência da Venezuela represente uma alternativa válida? Se sim, isso diz-nos respeito a todos. É importante informarmo-nos e julgarmos de forma independente. As mentiras da média talvez digam só respeito ao Iraque.

Face a este fosso entre ricos e pobres, existe o direito à alternativa? Há vinte anos que faço
investigação sobre as estratégias de guerra e de domínio dos EUA. Há vinte anos que ouço as
suas vítimas. Não me posso esquecer do que me disseram a iraquiana Nasra, o jugoslavo Tomislav, o palestiniano Mohamed e tantos outros. Lá no fundo, os seus sofrimentos e cóleras são semelhantes, é tudo a mesma guerra.
Já não posso esquecer a sua esperança de que existe saída para um mundo melhor. Foi a pensar em todos eles que fui à Venezuela. A alternativa é possível? Ouvir Chávez, ouvir a gente de baixo, ouvir a oposição da direita. E dar disso testemunho.
E, já agora, os sete pecados são:
1. Ensina-os a lêr
2. Entende que cada um tem direito à saúde
3. Acha que qualquer um pode comer e matar a fome
4. Mudou as regras entre ricos e pobres
5. Defende que a democracia é mais que um boletim de voto
6. Não se submete ao poder dos media
7. Faz frente aos Estados Unidos

Petróleo do Iraque, como previsto no início da guerra, muda de mãos...

Protestos furiosos ameaçam minar o plano do governo iraquiano de entregar às companhias petrolíferas internacionais o negócio dos seus gigantescos campos petrolíferos num desesperado esforço para aumentar as receitas do petróleo em declínio.Em menos de duas semanas, nos dias 29 e 30 deste mês, o ministro de Petróleo iraquiano Hussain Shahristani irá assinar contratos de serviço com as maiores petrolíferas do mundo para poder desenvolver seis das maiores companhias produtoras de petróleo do Iraque durante 20-25 anos.
Figuras de topo da indústria do petróleo iraquiano têm denunciado o acordo. Fayad al-Nema, dircetor da South Oil Company, que está sob a tutela do Ministério do Petróleo, e que produz a maior parte do petróleo do Iraque, disse na semana passada que "Os contratos de serviço irão aprisionar a economia iraquiana e acorrentar a sua independência para os próximos 20 anos . Esses contratos desperdiçam as receitas do Iraque. Nema é apontado como tendo sido despedido por causa da sua oposição aos contratos e o que ele diz é partilhado por muitos outros funcionários no Iraque da indústria petrolífera de propriedade estatal (...)
É Patrick Cockburn, autor de dois importantes livros sobre a guerra contra o Iraque e a resistência interna, defende este ponto de vista no Counterpunch do passado fim-de-semana e afirma que provavelmente é tarde demais para o governo iraquiano adiar ou modificar os contratos a serem celebrados no final de Junho. Ele precisa de dinheiro e não conseguiu investi-lo quando os preços do petróleo estavam altos. Mesmo quando as grandes companhias de petróleo começarem a trabalhar, vai demorar três até o novo petróleo aparecer. Muitos iraquianos não gostarão de ver os seus históricos campos petrolíferos, de que o país é totalmente dependente, a estarem parcialmente nas mãos de empresas estrangeiras, mas, com as próximas eleições em Janeiro, e nesta fase, o governo considera que não tem escolha.

Uma vez mais, a ópera na Festa do Avante!


De 1996 para cá, as «sextas-feira sinfónicas» da Festa tornaram-se numa verdadeira marca identitária, acolhendo de forma inovadora para um público de massas e com uma grande presença juvenil compositores de todas as nacionalidades e todas as épocas: de Leonard Bernstein a Dmitri Shostakovich, de Maurice Ravel a Prokofiev, de Vivaldi a Corelli, de Aaron Copeland a Benjamim Britten. Na memória ficaram os concertos dedicados a Fernando Lopes-Graça, a estreia da versão integral da «Cantata Outubro», de Prokofiev (comemorando os 90 anos da Revolução de Outubro), os concertos para um, dois e três pianos (Mozart e Johann Sebastian Bach) nos trinta anos do 25 de Abril. Pela Festa passaram ainda praticamente todos os novos concertistas de piano portugueses: Artur Pizarro, António Rosado, Carlos Moyano, Pedro Burmester, Mário Laginha. Especial destaque pela dimensão da produção vai para o concerto comemorativo do 25.º aniversário da Festa: a orquestra sinfónica, o coro e os solistas necessários para uma histórica apresentação da 9.ª Sinfonia de Beethoven. Essa primeira experiência comprovou igualmente a capacidade técnica para a montagem de concertos não apenas orquestrais, mas incluindo vozes o que, naturalmente, abriu as portas para a Gala de Ópera organizada em 2008.
Tchaikovsky e Beethoven tiveram programas especiais em 1996, pela Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida por Miguel Graça Moura. Também nesse ano a Orquestra da Câmara de Bratislava, sob a direcção de Luís de Freitas Branco, apresentou música barroca de Vivaldi e Corelli.
Como foi prometido no ano passado, Verdi, Bizet, Mozart, Rossini, Puccini, Gershwin têm este ano encontro marcado com o público da Festa na Atalaia, com um aliciante programa
Gioachinno Rossini. Il Barbiere di Siviglia Abertura. Orquestra• Vicenzo Bellini. Norma.Ária «Casta Diva». Orquestra, coro,Ana Paula Russo (soprano)• Giuseppe Verdi. RigolettoÁria «La donna é mobile». Orquestra,Giovanni Manfrin (tenor)• Giuseppe Verdi. NabuccoCoro «Va pensiero». Orquestra e coro• Georges Bizet. CarmenÁria «L’amour est un oiseau rebelle»(Habanera). Orquestra, coro,Larissa Savchenko (mezzosoprano)• Wolfgang Amadeus Mozart.Le Nozze de FigaroÁria «Non più andrai farfallone amoroso».Orquestra, Pedro Correia (barítono)• Giuseppe Verdi. Il TrovatoreCoro «Vedi! Le fosche notturne». Orquestrae coro• Giacomo Puccini. Madama ButterflyÁria «Vogliatimi bene». Piano,Luiza Dedisin (soprano) e Luís Gomes(tenor)• Georges Bizet. CarmenÁria «Votre toast» (Toreador). Orquestra, Pedro Correia (barítono), LarissaSavchenko (mezzosoprano), Ana PaulaRusso (soprano)

Gioachinno Rossini. Il Barbieredi SivigliaÁria «Una voce poco fa».Orquestra,Larissa Savchenko (mezzosoprano)• George Gershwin. Porgy and BessÁria «I got plenty o’nutting’». Orquestra,Pedro Correia (barítono)• Giuseppe Verdi. AidaCoro «Gloria all Egitto». Orquestra e coro• George Gershwin. Porgy and BessÁria «Summertime». Orquestra,Ana Paula Russo (soprano)• Giacomo Puccini. La BohèmeÁria «O soave fanciulla». Orquestra,Ana Paula Russo (soprano)• Ruggiere Leoncavallo. I PagliacciÁria «Vesti la giubba». Orquestra,Giovanni Manfrin (tenor)• Wolfgang Amadeus Mozart.Le Nozze de FigaroAbertura. Orquestra• Giacomo Puccini. TurandotÁria «Nessum dorma». Orquestra, coro,Giovanni Manfrin (tenor)• Giacomo Puccini. TurandotÁria «Diecimila anni al nostro Imperatore!»Orquestra, coro, Larissa Savchenko(mezzosoprano)• Giuseppe Verdi. La Traviata«Libiamo, ne’lieti calici (Brindisi)».

Capela de Nôtre-Dame du Haut (1955), Le Corbusier



terça-feira, 23 de junho de 2009

Além de engenheiros à pressa, também temos economistas...Já não nos falta tudo!

São 28 e economistas. Há quem duvide que o sejam mas alguma formação académica terão.
O que me parece significativo neste manifesto não são estes galhardetes mas o terem decidido fazê-lo depois de terem contribuído, muitos deles como ministros, para o estado em que as coisas estão internamente e não se lhes conhecer nos últimos anos previsões que outros, lá fora, iam fazendo sobre a crise financeira, apesar de terem tido responsabilidades semelhantes às suas.

Não revelaram capacidade de previsão do iria acontecer em virtude das falcatruas dos neo-liberais e de "sociais-democratas" a eles rendidos. Não nos falaram, nem agora o fazem, da liquidação paulatina dos últimos governos, da liquidação das alavancas que permitiriam ao Estado intervir, nem das privatizações desastrosas, nem do abandono da economia real a troco da de casino, nem sequer da perda de direitos dos trabalhadores, da depreciação do factor trabalho, da desregulamentação laboral.
Até nem duvido das procupações e boas intenções de um ou outro.

Mas se não fizeram nada disto para que decidiram dar sinal de vida?

Para a Dra. Ferreira Leite dizer que está de acordo? Para os socialistas referirem uns que não dizem nada de novo, outros que é um importante (?) contributo, blá, blá, blá...

Palavra que lemos o documento e os textos próprios de cada um dos manifestantes, que o pivot da iniciativa tem no http://www.reavaliarinvestpublicos.com/ , mas chega-se ao fim e...não vale a pena!

Porquê então o pronunciamento a partir do sofá por e-mail? Arrisco duas hipóteses:

1ª) Cristalizar nesta malha de argumentos a necessidade de que algo mude para que tudo fique na mesma ou, como Jerónimo de Sousa certeiramente referiu, "querem mais do mesmo!"...
2ª) Ou estão a cozinhar uma plataforma de entendimento para um futuro bloco central...

Venha o diabo e escolha...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Iranianos contestam nas ruas o regime

O Partido Tudeh, partido dos comunistas do Irão, tem apelado à contestação por todos os meios dos resultados eleitorais, onde foram detectadas várias importantes irregularidades que não os permitem validar.
Os comunistas consideram a reacção contra os protestos um verdadeiro golpe de Estado e têm denunciado as prisões, a repressão e a censura à captação de imagens.



Como noutras situações, os desacatos violentos e incendiários, imagens privilegiadas nos mídia ocidentais, não reflectem formas de oposição popular mas tão só actos desesperados ou provocatórios para atrair e "justificar" o aumento da repressão.
Não subscrevendo tudo o que o professor de estudos islâmicos, António Farinha,ontem à noite referiu na SIC, a sua entrevista foi esclarecedora, omitindo o aproveitamento político por parte dos governos imperialistas com objectivos bem diversos dos do povo iraniano, que a revolta não implica necessàriamente o apoio ao candidato Moussavi - ele próprio, como Kathami, um "crítico" (tão só...) do regime. Nem que sejam apenas as classes médias-altas quem está a conferir tanta força a estes protestos. Importa relembrar que tanto Moussavi como outro o "reformista", Karroubi, têm pesadas responsabilidades na política de privatizações, de liquidação das manufacturas e do crescimento da pobreza que acompanhou a perda de direitos sociais.
Não deixa de ser sintomático que as opiniões dos comunistas não tenham cobertura mediática mas que a tenham as opiniões do filho do antigo xá...

Como já referimos, a esquerda mais consequente, só apelou ao voto nestes candidatos como forma de derrotar Amahdinejad que ocupa a presidência com inteira protecção do líder supremo, Khamenei, o alvo mais atingido pela presente contestação.

Quando os EUA e a Grã-Bretanha promoveram o golpe de Estado que afastou Mossadegh, em 1953, para meterem Reza Pahlevi no poder, convenceram-se que teriam durante muito tempo um aliado indefectível no domínio sobre o petróleo e o controlo do estreito e Ormuz por onde continua a passar o petróleo extraído para o ocidente, impedindo a sua refinação no próprio país (ler a propósito, "Os homens do Xá", de Stephen Kinzer, Bertrand, 2007).
O regime dos clérigos usou a demagogia anti-imperialista, não para alterar o carácter da democracia política e económica, não como forma de democratizar o regime (ver fotos de execuções, em tudo idênticas às do tempo do xá Reza Pahlevi) mas como forma de se assumir como potência que até aproveitou possibilidades comerciais mais vantajosas com terceiros, depois do corte de relações com os EUA no tempo de Khomeini.

Rússia lembra invasão nazi de há 68 anos atrás


Milhões de velas estão desde a noite de ontem acesas nas diferentes regiões da Rússia.
O dia 22 de Junho é o dia mais trágico da história da Rússia. Há 68 anos, numa manhã calma e quente, os nazis invadiam a União Soviética, sem aviso, dando início a uma guerra terrível e sangrenta.
Apesar de hoje ser difícil encontrar sobreviventes dessa data, e das alterações políticas ocorridas desde o final dos anos oitenta, a juventude russa não esquece. A educação e op ensino não apagaram tais factos da História, particularmente dos 26 milhões de soviéticos que nela pereceram.
Os jovens que trouxeram as velas para os memoriais esta noite evocaram os heróis da 2ª guerra.

domingo, 21 de junho de 2009

"Funções de Variável Complexa", de António H. S. Abreu

Convido os que por aqui passarem a tomar contacto com o homem e com um dos seus livros.
O meu pai, se estivesse entre nós, teria agora 86 anos e teria participado na homenagem a um dos seus mestres, o Professor Mira Fernandes, que o IST e a SPM promoveram durante um ano até agora. Teria gostado de reencontrar e conversar com o Professor Campos Ferreira, que vai falar de si nesta sessão, pela mão do qual regressou ao IST, em 1968, depois de dele ter sido afastado em 1947, com um outro mestre, o Professor Ferreira de Macedo. Teria apreciado conhecer o Professor Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática - de que foram fundadores os dois mestres referidos - que se associou a este acto.
Teria enfim gostado de voltar a conviver com muitos dos seus amigos, camaradas, colegas e familiares, que, estamos certos, irão estar presentes.
Se quiserem aceder a informação sobre o autor e o livro agora editado, carreguem aqui.
Deixo o agradecimento da família aos que viabilizaram esta iniciativa, a partir das funções que desempenham no MCT, FCT, IST e ISTPRESS, alguns deles também meus ex-colegas do I. S. Técnico: José Mariano Gago, João Sentieiro, Armando Trigo de Abreu, Matos Ferreira, Joaquim Moura Ramos, Manuela Morais, Miguel Dionísio, Svilem Stanimirov Valtchev, Paulo Tribolet Abreu e Luis Mendes Victor.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O estado de graça da humildade

Humildade vem do Latim humus que significa "filhos da terra". Refere-se à qualidade daqueles que se não tentam projectar sobre as outras pessoas, nem mostrar serem superiores a elas. A Humildade é a virtude que dá o sentimento exacto da nossa fraqueza, modéstia, respeito, pobreza, reverência e submissão. Por humilde também se pode entender a personalidade que assume seus deveres, obrigações, erros e culpas sem resistência. Assim, se pode dizer que a pessoa ou indivíduo "assume humildemente" (Wikipédia).
Há dias, ao cair da tarde ouviu-se em S. Bento, antes da entrevista da SIC, a oração dos que pretendem alcançar a humildade, composta por Santa Teresinha:

Ó Jesus, estando Vós sobre a terra, dissestes: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para a vossa alma." Ó poderoso Monarca dos Céus, a minha alma acha o seu repouso contemplando-Vos revestido das aparências e da natureza de escravo, abaixando-Vos até lavar os pés aos Vossos discípulos. Recordo, ó Jesus, as palavras que, para me ensinardes a humildade, pronunciastes nessa ocasião: "Eu vos dei o exemplo, para que, assim como eu vos fiz, assim vós também façais. Não é o discípulo maior do que o seu mestre... Se sabeis estas coisas, bem-aventurados se as praticardes".
Senhor, eu compreendo estas palavras saídas do Vosso coração, manso e humilde, e quero praticá-las, ajudada pela Vossa divina graça. Quero humilhar-me e sujeitar a minha vontade à de minhas irmãzinhas, sem nunca contradizê-las, sem investigar se têm ou não sobre mim direito de mandar.
Ninguém, meu Deus, tinha este direito sobre Vós, e todavia obedecestes, não só à Santíssima Virgem e a São José, mas até aos Vossos algozes! E na Santa Eucaristia pondes o cúmulo ao Vosso aniquilamento.
Com que humildade, ó Divino Rei da glória, obedeceis a todos os sacerdotes, fervorosos ou tíbios no Vosso divino serviço! Eles podem apressar ou retardar a hora do sacrifício, e Vós estais sempre pronto a descer do Céu.
Ó meu bom Jesus, como Vos mostrais manso e humilde debaixo do véu da hóstia imaculada!
Ah! não poderíeis Vos humilhar demais para me ensinar a humildade! Para corresponder, pois, ao Vosso amor, quero colocar-me no último lugar e partilhar Convosco as humilhações, afim de ter parte Convosco no reino dos Céus. Suplico-Vos, Divino Jesus, me mandeis uma humilhação toda vez que ousar elevar-me sobre os outros.
Mas oh! como sou fraca; de manhã proponho ser humilde, e à noite reconheço ter pecado por orgulho.
Vendo-me tal, sou tentada a desanimar, mas sei que também o desânimo é orgulho. Portanto, quero fundar a minha esperança somente em Vós, meu Deus.
E já que Vós sois todo poderoso, concedei-me esta virtude, muito desejada. E para que eu seja atendido, repetirei:
"Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao Vosso!"

Não sei quantos milhares de vezes o teve que repetir, mas com o desenrolar da entrevista percebeu-se que a graça lhe tinha sido concedida.

Mas antes da Wikipedia, Rubellus Petrinus também dissera:

Humildade é contemplar a Natureza, observar a sua evolução e reconhecer que somos incapazes de compreendê-la, de segui-la e de imitá-la.
Humildade é sentirmo-nos incapazes de compreender o que os Grandes Mestres nos legaram sobre a Arte, reconhecer e aceitar a nossa incapacidade de algumas vezes não conseguirmos entendê-lo.
Mas como o ser humano não é perfeito nem sempre reconhece a Humildade
.


Nos próximos quatro meses são esperadas novas e surpreendentes revelações. Não perca o próximo episódio.

A frase de fim-de-semana, por Jorge


Depois do silêncio, o que está mais próximo de exprimir o inexprimível é a música

Aldous Huxley

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cartoon de Monginho

in Avante!

De Mossadegh a Ahmadinejad, a CIA, o twitter e o laboratório iraniano

A notícia de uma possível fraude eleitoral espalhou-se em Teerão como uma poeirada e empurrou para a rua os partidários de Rafsanjani contra os do ayatollah Khamenei. Este caos foi parcialmente provocado pela CIA que semeia a confusão inundando os iranianos de mensagens contraditórias.
Thierry Meyssan relata-nos esta experiência de guerra psicológica, terminando com a afirmação “Uma vez aplicados, estes conselhos impedem qualquer autentificação das mensagens twitter. Já não se consegue saber se são enviadas por testemunhas de manifestações em Teerão ou por agentes da CIA em Langley, já não se pode distinguir o verdadeiro do falso. O objectivo é criar cada vez mais confusão e levar os iranianos a confrontarem-se entre si.
Os estados-maiores, por todo o mundo, seguem com atenção os acontecimentos em Teerão. Cada um deles procura avaliar a eficácia deste novo método de subversão no laboratório iraniano. De facto, o processo de desestabilização funcionou. Mas não é certo que a CIA consiga (ou queira) canalizar os manifestantes para que que sejam eles próprios a fazer o que o Pentágono abdicou de fazer e que não está em vias de fazer: mudar o regime.

Ferreira de Macedo, um mestre da Matemática que o fascismo afastou do IST

A recente homenagem a Mira Fernandes suscitou-me a memória de um outro mestre de meu pai de quem viria a ser assistente.
Refiro-me a António Augusto Ferreira de Macedo.
Natural de Mesão Frio, onde nasceu em 1887, Ferreira de Macedo viria a ser, em 1919, um dos Fundadores da Universidade Popular Portuguesa e, em 1921, da Seara Nova. A Matemática tem em homens como ele e outros dos seus amigos como Bento de Jesus Caraça, Mira Fernandes e Ruy Luis Gomes uma geração de grande valor científico e humanista, com ideias amplas sobre a educação.
A partir de 1927 foi assistente do Instituto Superior Técnico e mais tarde, já como professor catedrático, regeu as cadeiras de Matemáticas Gerais e Geometria Descritiva. Depois do seu afastamento compulsivo do IST em 1947 dedicou-se a organizar explicações colectivas para poder sobreviver. O meu pai afastado na mesma altura viria durante mais de vinte anos a sobreviver da mesma forma.
Publicou trabalhos, de entre os quais: “Educação Popular”, “A Educação do Povo, o que é e o que devia ser”, “O que é a Educação?”, “As Grandes Descobertas Cientificas”, “As tarefas actuais dos educadores”, “Curiosidades Matemáticas”, “Paradoxos Matemáticos” ou de colaboração com outros o “Compêndio sobre Geometria Analítica Plana – para o 3º ciclo liceal”.
Reproduzimos ao lado uma comunicação sua "A crise actual da civilização e o problema da educação popular".
O seu espólio foi doado à Biblioteca Nacional, quando do centenário do seu nascimento, em 1987, pela viúva, Dra. Gabriela Matias. Neste espólio (29 cx.: 780 docs.) encontram-se vários trabalhos seus enquanto matemático e pedagogo, além da correspondência que travou com companheiros de geração. Para uma bibliografia mais vasta consultar “No centenário de António Augusto Ferreira de Macedo (1887-1987). Subsídios para uma bibliografia” (Separata da Revista da Biblioteca Nacional, 2ª Série, Volume 2 (1), 1987, p. 109-136).
Da geração de António Sérgio, Jaime Cortesão e Raul Proença, integrou, também, o célebre "Grupo da Biblioteca Nacional" entre os anos de 1921 e 1927, desempenhando na casa as funções de Chefe dos Serviços Administrativos. Distinguiu-se pela sua intervenção política no Movimento da Unidade Democrática, onde acompanhou de perto a militância de Bento de Jesus Caraça.
Faleceu em Lisboa em 1959.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vox populi


Olhar com humildade para aquilo que não correu bem? Eu acho bem mas ele vai gastar a vista...

Homenagem ao Professor Mira Fernandes


Terminaram hoje no Instituto Superior Técnico as comemorações da vida e obra de um dos maiores matemáticos portugueses do início do século 20, Aureliano Mira Fernandes, iniciadas em 2008, no cinquentenário da sua morte, Durante o dia decorreu a conferência “Mira Fernandes e a sua época” e de tarde foi a vez da mesa redonda com testemunhos dos seus antigos alunos e a sessão de encerramento "Prof. Mira Fernandes: Comemorações da Sua Vida e Obra”.
Grande figura da cultura portuguesa, aliava à sua formação científica um espírito erudito e de investigador.
Foi considerado um dos maiores matemáticos contemporâneos.
Mira Fernandes fundou a Junta de Investigação Matemática em 1943 e foi Professor
Catedrático do Instituto Superior Técnico por mais de 40 anos. Participou na fundação da Sociedade Portuguesa de Matemática – foi o primeiro presidente da sua Assembleia Geral –,ao lado de Pedro José da Cunha, Presidente da Direcção, António Aniceto Monteiro, Secretário-Geral, e António Ferreira de Macedo, que viria a ser afastado em 1947 do IST por razões políticas.
Publicou trabalhos sobre Mecânica, Análise, Geometria Diferencial, Cálculo Diferencial Absoluto e fez investigação noutros domínios da Matemática. O matemático obteve o Doutoramento na Universidade de Coimbra em 1911 com a classificação máxima de M. B. (20 valores), com uma dissertação intitulada “Theorias de Galois /I/ Elementos da theoria dos grupos de substituições”, primeiro trabalho apresentado em Portugal sobre a teoria de Galois. Foram seus discípulos diversos matemáticos que fizeram parte da geração que nas décadas de 1930 e 1940revolucionaram a matemática em Portugal, como Bento de Jesus Caraça e Duarte Pacheco. Jubilou-se aos 70 anos de idade em 1955 e faleceu em Lisboa em 1958.
As comemorações foram organizadas pela Universidade Técnica de Lisboa e pela Sociedade Portuguesa de Matemática, que contaram com o apoio de várias organizações. A Fundação Calouste Gulbenkian está a proceder à edição da obra científica de Mira Fernandes, os CTT lançaram um selo comemorativo e a Câmara Municipal de Mértola descerrou uma lápide na Avenida Mira Fernandes, em Mértola, concelho onde o matemático nasceu, em Minas de S. Domingos.

Ministra de Berlusconi faz saudação fascista num desfile de carabinieri

As duas fotos acima foram publicadas pelo jornal Gazzetta di Lecho e mostram a ministra do Turismo de Berlusconi, Michela Brambilla, a fazer a saudação fascista durante a Festa da Arma dos Carabinieri, no passado dia 5, na pequena cidade de Lecco, junto ao Lago Como, na província lombarda. A ministra, industrial e ex-modelo, é uma das várias ex-qualquer coisa, berlusconetes, que Berlusconi trouxe para a política, talvez por achar, como grande patrão dos media, que essa será a forma mais sedutora de embrulhar ideais defuntos.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Poema de Mário Cesariny


Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Uma maneira particular de exercer a democracia...


No Irão, algo mudou?


A recontagem de votos que o Conselho dos Guardiães acaba de decidir não vai alterar significativamente os resultados eleitorais. Não existem hoje no Irão forças capazes de interferir à escala nacional nessa recontagem porque o regime levou muito a sério as medidas não só para não perder as eleições mas para as ganhar de uma forma rotunda.
E fê-lo por uma política social de aplicação muito vasta de vantagens sociais para agricultores e operários mas também alargando muito o número de secções de voto, das urnas circulantes (cerca de um terço do total) e reforçando a presença no terreno e nas secções do Corpo Revolucionário, das milícias Basij e de outras forças repressivas sob o comando directo do grande líder.
Nem o povo tem ainda uma capacidade organizativa autónoma dos ayatollahs nem os EUA conseguem só com o investimento feito em Teerão entre as camadas médias e altas atraídas pelo cosmopolitismo ocidental inverter a situação “a seu favor”.
A mão da CIA na atribuição a este protesto pós-eleitoral, com a patetice de a caracterizar também como uma revolução de uma cor qualquer (uma imagem de marca sua nos últimos vinte anos) e nos cartazes de requintadas manifestantes, em inglês para CNN ler, vai criar alguma situação de facto, negociada talvez, mas não vai alterar os dados da situação.
A esquerda, essa, ciente das suas limitadas possibilidades vê-se por um lado arredada de ter candidaturas próprias pelo regime da Lei do Supremo Líder Religioso (Velayat-e-Faqih) que só permitiu a concorrência de dois candidatos reformadores (Mousavi e Karrubi), e consciente do passado cúmplice da repressão por parte de ambos, aconselhou o voto, nomeadamente em Mousavi, não por ele mas contra Ahmadi-Nejad, o presidente em exercício protegido do Supremo Líder, Khamenei.
Neste quadro, Mousavi nunca teria tido possibilidades. Mas também ele cometeu o erro de se aproximar excessivamente de Washington e ir ao encontro do abraço de Obama no Cairo.
Quem quer conhecer o que se passa no Irão não pode ignorar o efeito que perdura em novas gerações do golpe contra o patriota e nacionalista Mossadegh. De ter levado ao poder o Xá Reza Pahlevi, sanguinário, genocida de nacionalistas e comunistas. Do apoio inicial aos ayatollahs que ,com a organização religiosa intocada, detinham a única estrutura em que podia assentar a mudança. Que começaram o seu reinado com nova razia anticomunista. Da guerra Irão-Iraque, não da responsabilidade de Khomeini mas dos EUA, que para isso instigaram Saddam Hussein, também ele um feroz anticomunista. Os iranianos não vão esquecer as dezenas de milhões de mortos que sofreram nesta guerra.
Que seja esta revolução islâmica, tais ayatollahs e personagens como o actual e reeleito presidente a assumirem, para garantirem o seu poder e o das classes dominantes, um discurso anti-imperialista, não admira e tem mesmo algo de trágico.
Por isso o discurso ao mundo islâmico de Obama no Cairo não poderia ser entendido por esse mundo.
Com mais ou menos correcção dos resultados das eleições, os EUA têm que se habituar à ideia de que é com esta liderança (ou outra) que vai ter que lidar nos próximos anos e fazer jus à promessa feita no Cairo de que não está preso ao passado, quer dar um passo em frente para construir o futuro, sem condições prévias e com base no respeito mútuo, e não necessariamente nos seus interesses.
Têm que dar conteúdo a estas palavras e não acenar apenas com a retórica da mudança.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Eleições no Líbano mantêm correlação de forças




Sobre as eleições no Líbano falou-se muito pouco e, por isso, deixo aqui algumas notas de apreciação. Até porque o simplismo do pouco que se disse deixa muito a desejar.
Realizadas no mesmo dia que as europeias, duas grandes coligações defrontaram-se. A primeira, coligação “14 de Março”, do governo actualmente no poder, de Saad Hariri, constituída por sunitas de diferentes grupos e cristãos da Falange, mais à sua direita. A segunda, coligação 8 de Março”, engloba o Hezbollah, o Partido Comunista Libanês e a Frente Patriótica do general cristão Michel Aoun. Compreender como no Líbano se chegou a esta rearrumação de forças dará para outro post muito interessante.
Os primeiros são apoiados pela elite económica do país e pelos EUA e os recursos daí resultantes – milhares de milhões de dólares – impediram, na prática, qualquer outro resultado, na sequência de uma intervenção permanente, particularmente dos EUA, que afectou usos e costumes de grande parte da juventude urbana.
O Irão e a Síria apoiaram, os segundos.
A coligação vencedora não pode ousar revelar simpatia por Israel – seria o seu suicídio político – mas ninguém ignora que os fascistas instalados no governo israelita tudo terão feito para que ela ganhasse. Quem resistiu aos massacres israelitas de 2006 não foram eles mas os combatentes do Hezbollah e do Partido Comunista Libanês.
Apesar de tudo, a coligação da oposição retirou um lugar aos adversários e os deputados são hoje respectivamente 57 e 61. Uma das hipóteses que está em cima da mesa é formar-se um governo de coligação nacional, onde, para além de continuar com o poder de veto, o Hezbollah continua a ter direito a um grupo de milicianos armados, funcionando como um exército paralelo, em correspondência com as responsabilidades que tem assumido na defesa do país e dos seus habitantes.
Os acordos de Taif de 1990, com que terminou a longa guerra civil, prevêem uma representação em quotas de diferentes confissões religiosas no parlamento, sendo 64 lugares para cristãos e outros 64 para muçulmanos. Os lugares dos cristãos estão ainda subdivididos em 34 maronitas, 14 gregos ortodoxos, 8 gregos católicos, 5 arménios ortodoxos e 1 para os arménios católicos. E entre os muçulmanos, 27 são para xiitas e sunitas, 8 para drusos e 2 para alauitas.
Porém, ao contrário do que esta partilha possa dar a parecer, o problema libanês hoje e no passado não teve nos factores religiosos grande incidência. Se formos ver a posição destas diferentes confissões no Iraque e no Líbano elas são contrárias entre si sobre a relação preferencial com os EUA e Israel ou um alinhamento preferencial com o Ocidente ou com o Oriente.
O quadro político no Líbano é fluido e nele pesam muito considerações tácticas e estratégicas relacionadas com a independência nacional e a vocação árabe do país.

Pintura rupestre em Moçambique




Vivó Santo António com elas!..., por Rodrigo


Pois é meus caros, ando arredio e o patrão já me ameaçou se eu quero greve que vá sindicalizar-me e eu ainda lhe disse que não era bem assim mas o olhar dele comoveu-me, meti a viola no saco e pus-me à escrita com a auto-estima em cima por causa dos 94 milhões do Ronaldo e por ele ter ido passar a noite com a Paris Hilton o que nos projecta internacionalmente já que as exportações viste-las e eu até acho que o Sócrates devia estimular este tipo de projecções que a malta até gosta como disse a senhora que ontem estava a conduzir a emissão do RCP, depois de uma noite em que me entrou o cheiro da sardinha pela janela aberta porque os donos da peixaria e da loja de frangos lá ao pé de mim fizeram uma parceria estratégica, meteram festão de plástico, aprontaram umas mesas no passeio e ali estiveram alternando sardinhas e galináceos ao som do Quim Barreiros e com o vizinho do terceiro, tronco nú à janela a mandar uns bitates saídos da sapiência de uns setenta anos e então eu convenci-me que a malta sabe mais do que parece, olá se sabe, o que me leva a desafiar-vos que ainda têm tempo para correr os muitos arraiais que por aí estão, com boa companhia, e esqueçam-se do Primeiro-Ministro por uns dias porque ele está um triste depois da sova que levou e o pessoal também precisa de desopilar para retomar a malhação com mais energia, vivó Santo António com elas!