sexta-feira, 19 de junho de 2009

A frase de fim-de-semana, por Jorge


Depois do silêncio, o que está mais próximo de exprimir o inexprimível é a música

Aldous Huxley

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Cartoon de Monginho

in Avante!

De Mossadegh a Ahmadinejad, a CIA, o twitter e o laboratório iraniano

A notícia de uma possível fraude eleitoral espalhou-se em Teerão como uma poeirada e empurrou para a rua os partidários de Rafsanjani contra os do ayatollah Khamenei. Este caos foi parcialmente provocado pela CIA que semeia a confusão inundando os iranianos de mensagens contraditórias.
Thierry Meyssan relata-nos esta experiência de guerra psicológica, terminando com a afirmação “Uma vez aplicados, estes conselhos impedem qualquer autentificação das mensagens twitter. Já não se consegue saber se são enviadas por testemunhas de manifestações em Teerão ou por agentes da CIA em Langley, já não se pode distinguir o verdadeiro do falso. O objectivo é criar cada vez mais confusão e levar os iranianos a confrontarem-se entre si.
Os estados-maiores, por todo o mundo, seguem com atenção os acontecimentos em Teerão. Cada um deles procura avaliar a eficácia deste novo método de subversão no laboratório iraniano. De facto, o processo de desestabilização funcionou. Mas não é certo que a CIA consiga (ou queira) canalizar os manifestantes para que que sejam eles próprios a fazer o que o Pentágono abdicou de fazer e que não está em vias de fazer: mudar o regime.

Ferreira de Macedo, um mestre da Matemática que o fascismo afastou do IST

A recente homenagem a Mira Fernandes suscitou-me a memória de um outro mestre de meu pai de quem viria a ser assistente.
Refiro-me a António Augusto Ferreira de Macedo.
Natural de Mesão Frio, onde nasceu em 1887, Ferreira de Macedo viria a ser, em 1919, um dos Fundadores da Universidade Popular Portuguesa e, em 1921, da Seara Nova. A Matemática tem em homens como ele e outros dos seus amigos como Bento de Jesus Caraça, Mira Fernandes e Ruy Luis Gomes uma geração de grande valor científico e humanista, com ideias amplas sobre a educação.
A partir de 1927 foi assistente do Instituto Superior Técnico e mais tarde, já como professor catedrático, regeu as cadeiras de Matemáticas Gerais e Geometria Descritiva. Depois do seu afastamento compulsivo do IST em 1947 dedicou-se a organizar explicações colectivas para poder sobreviver. O meu pai afastado na mesma altura viria durante mais de vinte anos a sobreviver da mesma forma.
Publicou trabalhos, de entre os quais: “Educação Popular”, “A Educação do Povo, o que é e o que devia ser”, “O que é a Educação?”, “As Grandes Descobertas Cientificas”, “As tarefas actuais dos educadores”, “Curiosidades Matemáticas”, “Paradoxos Matemáticos” ou de colaboração com outros o “Compêndio sobre Geometria Analítica Plana – para o 3º ciclo liceal”.
Reproduzimos ao lado uma comunicação sua "A crise actual da civilização e o problema da educação popular".
O seu espólio foi doado à Biblioteca Nacional, quando do centenário do seu nascimento, em 1987, pela viúva, Dra. Gabriela Matias. Neste espólio (29 cx.: 780 docs.) encontram-se vários trabalhos seus enquanto matemático e pedagogo, além da correspondência que travou com companheiros de geração. Para uma bibliografia mais vasta consultar “No centenário de António Augusto Ferreira de Macedo (1887-1987). Subsídios para uma bibliografia” (Separata da Revista da Biblioteca Nacional, 2ª Série, Volume 2 (1), 1987, p. 109-136).
Da geração de António Sérgio, Jaime Cortesão e Raul Proença, integrou, também, o célebre "Grupo da Biblioteca Nacional" entre os anos de 1921 e 1927, desempenhando na casa as funções de Chefe dos Serviços Administrativos. Distinguiu-se pela sua intervenção política no Movimento da Unidade Democrática, onde acompanhou de perto a militância de Bento de Jesus Caraça.
Faleceu em Lisboa em 1959.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Vox populi


Olhar com humildade para aquilo que não correu bem? Eu acho bem mas ele vai gastar a vista...

Homenagem ao Professor Mira Fernandes


Terminaram hoje no Instituto Superior Técnico as comemorações da vida e obra de um dos maiores matemáticos portugueses do início do século 20, Aureliano Mira Fernandes, iniciadas em 2008, no cinquentenário da sua morte, Durante o dia decorreu a conferência “Mira Fernandes e a sua época” e de tarde foi a vez da mesa redonda com testemunhos dos seus antigos alunos e a sessão de encerramento "Prof. Mira Fernandes: Comemorações da Sua Vida e Obra”.
Grande figura da cultura portuguesa, aliava à sua formação científica um espírito erudito e de investigador.
Foi considerado um dos maiores matemáticos contemporâneos.
Mira Fernandes fundou a Junta de Investigação Matemática em 1943 e foi Professor
Catedrático do Instituto Superior Técnico por mais de 40 anos. Participou na fundação da Sociedade Portuguesa de Matemática – foi o primeiro presidente da sua Assembleia Geral –,ao lado de Pedro José da Cunha, Presidente da Direcção, António Aniceto Monteiro, Secretário-Geral, e António Ferreira de Macedo, que viria a ser afastado em 1947 do IST por razões políticas.
Publicou trabalhos sobre Mecânica, Análise, Geometria Diferencial, Cálculo Diferencial Absoluto e fez investigação noutros domínios da Matemática. O matemático obteve o Doutoramento na Universidade de Coimbra em 1911 com a classificação máxima de M. B. (20 valores), com uma dissertação intitulada “Theorias de Galois /I/ Elementos da theoria dos grupos de substituições”, primeiro trabalho apresentado em Portugal sobre a teoria de Galois. Foram seus discípulos diversos matemáticos que fizeram parte da geração que nas décadas de 1930 e 1940revolucionaram a matemática em Portugal, como Bento de Jesus Caraça e Duarte Pacheco. Jubilou-se aos 70 anos de idade em 1955 e faleceu em Lisboa em 1958.
As comemorações foram organizadas pela Universidade Técnica de Lisboa e pela Sociedade Portuguesa de Matemática, que contaram com o apoio de várias organizações. A Fundação Calouste Gulbenkian está a proceder à edição da obra científica de Mira Fernandes, os CTT lançaram um selo comemorativo e a Câmara Municipal de Mértola descerrou uma lápide na Avenida Mira Fernandes, em Mértola, concelho onde o matemático nasceu, em Minas de S. Domingos.

Ministra de Berlusconi faz saudação fascista num desfile de carabinieri

As duas fotos acima foram publicadas pelo jornal Gazzetta di Lecho e mostram a ministra do Turismo de Berlusconi, Michela Brambilla, a fazer a saudação fascista durante a Festa da Arma dos Carabinieri, no passado dia 5, na pequena cidade de Lecco, junto ao Lago Como, na província lombarda. A ministra, industrial e ex-modelo, é uma das várias ex-qualquer coisa, berlusconetes, que Berlusconi trouxe para a política, talvez por achar, como grande patrão dos media, que essa será a forma mais sedutora de embrulhar ideais defuntos.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Poema de Mário Cesariny


Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Uma maneira particular de exercer a democracia...


No Irão, algo mudou?


A recontagem de votos que o Conselho dos Guardiães acaba de decidir não vai alterar significativamente os resultados eleitorais. Não existem hoje no Irão forças capazes de interferir à escala nacional nessa recontagem porque o regime levou muito a sério as medidas não só para não perder as eleições mas para as ganhar de uma forma rotunda.
E fê-lo por uma política social de aplicação muito vasta de vantagens sociais para agricultores e operários mas também alargando muito o número de secções de voto, das urnas circulantes (cerca de um terço do total) e reforçando a presença no terreno e nas secções do Corpo Revolucionário, das milícias Basij e de outras forças repressivas sob o comando directo do grande líder.
Nem o povo tem ainda uma capacidade organizativa autónoma dos ayatollahs nem os EUA conseguem só com o investimento feito em Teerão entre as camadas médias e altas atraídas pelo cosmopolitismo ocidental inverter a situação “a seu favor”.
A mão da CIA na atribuição a este protesto pós-eleitoral, com a patetice de a caracterizar também como uma revolução de uma cor qualquer (uma imagem de marca sua nos últimos vinte anos) e nos cartazes de requintadas manifestantes, em inglês para CNN ler, vai criar alguma situação de facto, negociada talvez, mas não vai alterar os dados da situação.
A esquerda, essa, ciente das suas limitadas possibilidades vê-se por um lado arredada de ter candidaturas próprias pelo regime da Lei do Supremo Líder Religioso (Velayat-e-Faqih) que só permitiu a concorrência de dois candidatos reformadores (Mousavi e Karrubi), e consciente do passado cúmplice da repressão por parte de ambos, aconselhou o voto, nomeadamente em Mousavi, não por ele mas contra Ahmadi-Nejad, o presidente em exercício protegido do Supremo Líder, Khamenei.
Neste quadro, Mousavi nunca teria tido possibilidades. Mas também ele cometeu o erro de se aproximar excessivamente de Washington e ir ao encontro do abraço de Obama no Cairo.
Quem quer conhecer o que se passa no Irão não pode ignorar o efeito que perdura em novas gerações do golpe contra o patriota e nacionalista Mossadegh. De ter levado ao poder o Xá Reza Pahlevi, sanguinário, genocida de nacionalistas e comunistas. Do apoio inicial aos ayatollahs que ,com a organização religiosa intocada, detinham a única estrutura em que podia assentar a mudança. Que começaram o seu reinado com nova razia anticomunista. Da guerra Irão-Iraque, não da responsabilidade de Khomeini mas dos EUA, que para isso instigaram Saddam Hussein, também ele um feroz anticomunista. Os iranianos não vão esquecer as dezenas de milhões de mortos que sofreram nesta guerra.
Que seja esta revolução islâmica, tais ayatollahs e personagens como o actual e reeleito presidente a assumirem, para garantirem o seu poder e o das classes dominantes, um discurso anti-imperialista, não admira e tem mesmo algo de trágico.
Por isso o discurso ao mundo islâmico de Obama no Cairo não poderia ser entendido por esse mundo.
Com mais ou menos correcção dos resultados das eleições, os EUA têm que se habituar à ideia de que é com esta liderança (ou outra) que vai ter que lidar nos próximos anos e fazer jus à promessa feita no Cairo de que não está preso ao passado, quer dar um passo em frente para construir o futuro, sem condições prévias e com base no respeito mútuo, e não necessariamente nos seus interesses.
Têm que dar conteúdo a estas palavras e não acenar apenas com a retórica da mudança.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Eleições no Líbano mantêm correlação de forças




Sobre as eleições no Líbano falou-se muito pouco e, por isso, deixo aqui algumas notas de apreciação. Até porque o simplismo do pouco que se disse deixa muito a desejar.
Realizadas no mesmo dia que as europeias, duas grandes coligações defrontaram-se. A primeira, coligação “14 de Março”, do governo actualmente no poder, de Saad Hariri, constituída por sunitas de diferentes grupos e cristãos da Falange, mais à sua direita. A segunda, coligação 8 de Março”, engloba o Hezbollah, o Partido Comunista Libanês e a Frente Patriótica do general cristão Michel Aoun. Compreender como no Líbano se chegou a esta rearrumação de forças dará para outro post muito interessante.
Os primeiros são apoiados pela elite económica do país e pelos EUA e os recursos daí resultantes – milhares de milhões de dólares – impediram, na prática, qualquer outro resultado, na sequência de uma intervenção permanente, particularmente dos EUA, que afectou usos e costumes de grande parte da juventude urbana.
O Irão e a Síria apoiaram, os segundos.
A coligação vencedora não pode ousar revelar simpatia por Israel – seria o seu suicídio político – mas ninguém ignora que os fascistas instalados no governo israelita tudo terão feito para que ela ganhasse. Quem resistiu aos massacres israelitas de 2006 não foram eles mas os combatentes do Hezbollah e do Partido Comunista Libanês.
Apesar de tudo, a coligação da oposição retirou um lugar aos adversários e os deputados são hoje respectivamente 57 e 61. Uma das hipóteses que está em cima da mesa é formar-se um governo de coligação nacional, onde, para além de continuar com o poder de veto, o Hezbollah continua a ter direito a um grupo de milicianos armados, funcionando como um exército paralelo, em correspondência com as responsabilidades que tem assumido na defesa do país e dos seus habitantes.
Os acordos de Taif de 1990, com que terminou a longa guerra civil, prevêem uma representação em quotas de diferentes confissões religiosas no parlamento, sendo 64 lugares para cristãos e outros 64 para muçulmanos. Os lugares dos cristãos estão ainda subdivididos em 34 maronitas, 14 gregos ortodoxos, 8 gregos católicos, 5 arménios ortodoxos e 1 para os arménios católicos. E entre os muçulmanos, 27 são para xiitas e sunitas, 8 para drusos e 2 para alauitas.
Porém, ao contrário do que esta partilha possa dar a parecer, o problema libanês hoje e no passado não teve nos factores religiosos grande incidência. Se formos ver a posição destas diferentes confissões no Iraque e no Líbano elas são contrárias entre si sobre a relação preferencial com os EUA e Israel ou um alinhamento preferencial com o Ocidente ou com o Oriente.
O quadro político no Líbano é fluido e nele pesam muito considerações tácticas e estratégicas relacionadas com a independência nacional e a vocação árabe do país.

Pintura rupestre em Moçambique




Vivó Santo António com elas!..., por Rodrigo


Pois é meus caros, ando arredio e o patrão já me ameaçou se eu quero greve que vá sindicalizar-me e eu ainda lhe disse que não era bem assim mas o olhar dele comoveu-me, meti a viola no saco e pus-me à escrita com a auto-estima em cima por causa dos 94 milhões do Ronaldo e por ele ter ido passar a noite com a Paris Hilton o que nos projecta internacionalmente já que as exportações viste-las e eu até acho que o Sócrates devia estimular este tipo de projecções que a malta até gosta como disse a senhora que ontem estava a conduzir a emissão do RCP, depois de uma noite em que me entrou o cheiro da sardinha pela janela aberta porque os donos da peixaria e da loja de frangos lá ao pé de mim fizeram uma parceria estratégica, meteram festão de plástico, aprontaram umas mesas no passeio e ali estiveram alternando sardinhas e galináceos ao som do Quim Barreiros e com o vizinho do terceiro, tronco nú à janela a mandar uns bitates saídos da sapiência de uns setenta anos e então eu convenci-me que a malta sabe mais do que parece, olá se sabe, o que me leva a desafiar-vos que ainda têm tempo para correr os muitos arraiais que por aí estão, com boa companhia, e esqueçam-se do Primeiro-Ministro por uns dias porque ele está um triste depois da sova que levou e o pessoal também precisa de desopilar para retomar a malhação com mais energia, vivó Santo António com elas!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


Só o que é difícil é estimulante

José Lezama Lima (poeta, 1910-1976)

Hoje não há iscas, só governabilidade...com elas!




Um político de centro-qualquer coisa, em debate televisivo há dias, falando dos resultados eleitorais de domingo passado, lamentou a dificuldade para a governabilidade de um espectro político disperso com um peso considerável do que considerou extrema-esquerda (para ele, PCP+BE).
O tema é também caro ao PS, que o glosou bastante no período antes das eleições, se bem que insista agora mais na legitimidade de governar como quer até às próximas legislativas de Outubro.

Mas, o que é a governabilidade?
E eu digo-vos: é uma disciplina da culinária, que trabalha condimentos enlatados para fazer fintas às frescuras dos que fizeram levantamento de rancho e querem provar outros manjares.
O primeiro toque é o glamour histriónico do termo que disfarça, melhor do que o alho, o ranço subjacente à receita. É coisa respeitável, com sentido de Estado, opiáceo necessário dos pobres dos aflitos a quem ensinaram a chamar encarnado ao vermelho e a tremer quando daquelas cenas da Cova da Iria.
O segundo toque, saracoteando-se com a cozinha tradicional do centro, é juntar massa, feijão e batata, esquecendo-se da chicha e das verduras, procedendo ao rassemblement das forças credíveis para governar, isentas de qualquer populismo…
O terceiro toque é o do conservadorismo culinário geneticamente instalado, em mesas outras, que não as suas: sempre comeste assim, vais continuar a comer assim porque nós temos os talentos dos chefs e dos nutricionistas, queremos o teu bem-estar e estamos aqui para zelar pela tua dieta. Toque este com variante: se não quiseres comer, prepararemos as condições para comeres pela medida grande.
Quarto e último toque: se não chegar juntamos-lhe os restos de outras refeições com jeitosas santanetes (na falta de isca, têmo-las a elas). Toque este que também tem uma variante: os brócolos da horta do Caldas.

E agora a toque de marcha, perante perspectivas tão pouco animadoras toca jantar num arraial de Alfama.

Cartoon dfe Monginho

in Avante!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Irlanda: abalo sísmico eleitoral e reforço da esquerda

Para uma análise dos resultados eleitorais feita por um jornalista do Socialist Worker, clique aqui

Alterações climáticas: realidade ou mistificação?


O sermão anti-sermões


O DN de hoje ilustra com uma eloquente foto o interesse com que o PAR, o PR e o PM acompanharam o sermão de Barreto. O Publico excerta, porém da oração "portugueses precisam de exemplo, mais do que sermões" e dilui o interesse dos titulares de órgãos de soberania num painel lúgubre alargado ao PCMS, ao PSTJ e ao PSTA.

Esperava-se do sapiente algo mais do que o paradigma do bom exemplo? Talvez fosse pedir demais...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Obras de Joana Vasconcelos










As 10 cidades mais poluídas do mundo







Sungayit (Azerbeijão)


México (México)


Vapi (India)



Chernobyl (Ucrânia)





LA Oroya (Peru)


Pittsburgh (EUA)







Norilsk (Rússia)







Kabwe (Zambia)




Milão (Itália)
Linfen (China)

O 11 de Setembro, de novo, em causa

41 antigos responsáveis norte-americanos da luta anti-terrorista acabam de pôr em causa a versão oficial do 11 de Setembro.
Rejeitando as conclusões do relatório oficial, defendem quase todos a realização de um novo inquérito.
Até agora os grandes órgãos de comuncação social, face a anteriores denúncias de investigadores e jornalistas, remetiam tais pronunciamentos para pequenas notícias sem chamadas de primeiras páginas.
Os que assim se pronunciavam eram considerados como amigos de terroristas, lunáticos ou “teóricos de conspirações”.



Esperamos que com este novo pronunciamento destes ex-responsáveis da NSA, da CIA, do FBI e de várias outras agências nomeadamente das forças armadas, o panorama se altere.

Petição para a urgente eliminação dos paraísos fiscais




Alguns dos acontecimentos da crise actual, como a falência de bancos, as fraudes em larga escala, como a de Madoff, têm como palco os paraísos fiscais (PF).
Muitas organizações nacionais e internacionais, incluindo a OIT e os sindicatos, diversos especialistas económicos e académicos chamaram a atenção para os perigos eminentes da “economia de casino” a qual é inseparável do agravamento das desigualdades sociais, da pobreza e da insustentabilidade do modelo económico e social seguido.
Ainda que as causas da crise sejam complexas e tenham várias nuances, não é menos verdade que um dos mecanismos essenciais utilizados, em especial empresas do sector bancário e financeiro e multinacionais, tem sido o recurso a paraísos fiscais. A actual crise financeira aí está para comprovar a viscosidade e a completa falta de transparência de muitos activos de instituições bancárias, e a própria impossibilidade de os auditar adequadamente pelas ligações existentes com os paraísos fiscais que constituem uma autêntica muralha para o apuramento das situações patrimoniais reais de muitas organizações bancárias, financeiras, seguradoras, bem como de outras actividades económicas
Estimativas de especialistas apontam para uma concentração de 26% da riqueza mundial – 31% dos lucros das empresas multinacionais americanas – nesses PF (com apenas 1,2% da população mundial), cujas actividades estão reconhecidamente associadas à economia clandestina, à evasão e fraude fiscais, ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e a muitas outras práticas ameaçadoras da estabilidade mundial, como os negócios da droga e do armamento.
As regras e recomendações de organizações como a OCDE ou a União Europeia – no essencial quanto à partilha de informação por parte dos Estados - têm tido resultados muito mitigados e muito pouco se tem avançado para a eliminação dos PF.A CGTP-IN, e outros sectores da sociedade, ao longo dos últimos anos, têm posto em evidência a necessidade do combate à fraude e evasão fiscais e da eliminação dos PF, em particular a zona franca da Madeira, que no essencial tem servido para proteger os interesses do sector financeiro, viabilizando taxas efectivas de IRC para os bancos muito abaixo das taxas legais que seriam obrigadas a pagar. Embora se reconheça que foi percorrido algum caminho no combate à fraude e evasão fiscais, a verdade é que existe ainda muito a fazer para trazer mais equilíbrio e justiça ao nosso sistema fiscal, em que reconhecidamente, são apenas os rendimentos do trabalho que contribuem para o grosso das receitas fiscais.
Os escândalos do BCP, e mais recentemente do BPP e do BPN, evidenciaram práticas relacionadas com empresas sediadas em PF e a existência de diversos crimes – muitos deles ainda em investigação -, que lesaram muitos clientes e accionistas e penalizaram a generalidade dos cidadãos na sequência de muitas centenas de milhões de euros colocados pelo Estado em algumas dessas instituições e pagos por todos nós.
Neste contexto, faz todo o sentido, na defesa do interesse geral, dos interesses dos trabalhadores e do desenvolvimento do país, que se coloque aos decisores políticos e à sociedade portuguesa em geral a urgência da eliminação dos PF no território nacional. Não basta defender esta medida a nível europeu quando, simultaneamente, nada a faz no plano nacional. A persistência da crise e o debate acerca da urgência de uma eficaz regulação do sistema financeiro exige-o.
Os subscritores desta petição consideram que é altura das forças políticas e sociais apresentarem compromissos e propostas para a urgente eliminação dos paraísos fiscais.

Ainda sobre as eleições de domingo


O acompanhamento de algumas emissões de TV de domingo e as trocas posteriores de impressões com alguns amigos, levam-me aqui a alinhar meia dúzia de pontos particulares.
1. O PS sai delas derrotado. É o pior resultado dos últimos 22 anos.Sendo certo que eram as eleições europeias e não legislativas é natural que se não possa fazer uma extrapolação pura e simples de resultados. Mas seria cegueira ignorar que a avaliação interna pesou decisivamente nos resultados. Não tirar ilacções para a correcção da política por parte do governo é um disparate como disparate é blindar-se na legitimidade de eleições de há 4 anos para continuar a fazer o que os portugueses, de forma tão categórica, acabam de rejeitar.

2. Já no que respeita à interpretação de resultados do PSD e do BE, os comentários não ajudaram e por alguma razão foram feitos.

O PSD foi o partido mais votado mas não tanto por mérito próprio. A queda do PS foi tão grande que a inversão de posições nos dois primeiros lugares só não seria inevitável se o PSD tivesse particulares razões para se afundar. É certo que a imagem do PSD tem andado afectada quer pelas poilíticas anteriormente realizadas quer pelos episódios pouco recomendáveis da sua vida interna mas isso não seria o fundamento, num "despique acalorado", para uma quebra.
PSD e CDS recuperaram de resultados de 2004 mas situam-se em valores semelhantes aos que já tinham tido nas europeias de 1999.
Houve quem, empolasse o significado deste resultado para apresentar o PSD como alternativa nas legislativas e para conjurar o perigo da "extrema-esquerda" (para vosso entendimento nas respectivas cabeças isto significa CDU+ BE).

3. Quanto ao BE, a progressão é assinalável desde as eleições de 1999 e de 2004. De 1,8% em 1999, passa a 4,9 % em 2004, atingindo agora os 11%, subindo cerca de 200 mil votos e passanmdo de 1 para 3 deputados.
Não querendo ignorar méritos próprios para isso, importa no entanto atender a que o BE é quem mais beneficia de opções eleitorais de pessoas que, conjunturalmente, se deslocaram do PS e não querem assumir a ruptura que só a CDU propõe. Outras optaram pela abstenção ou pelo voto nulo e branco. Até porque o BE pensa que consolidará espaço político e eleitoral se continuar a não apresentar um projecto político e contornos de uma sociedade que, não duvido, quererão diferente. Este estado esquisito não deixará, porém, de originar internamente opiniões entre ser um projecto autónomo do do PS, do essencial das concepções deste, aqui ou na Europa, ou ser uma futura corrente desse espaço equívoco do "socialismo democrático" que agora foi ao tapete. Adversáriop ou seguro de vida do PS? E por aqui fico porque não me sinto bem a especular sobre cenários, o que dispensa alguns amigos de me acusarem de futurólogo sectário.

4. Quanto à CDU, ela obtem o melhor resultado percentual dos últimos 15 anos e o maior valor absoluto dos últimos 20. Cresce mais de 70 mil votos, 1,6 pontos percentuais e mantem os dois deputados que, devido à redução dos deputados portugueses de 24 para 22, custaram agora mais a eleger que nas eleições anteriores. Sem essa redução passaria a 3 deputados.
Neste caso a relação entre o desempenho nos anos anteriores a esta eleição, particularmente nos anos mais recentes, e os resultados eleitorais verificados, são muito evidentes e isso é um capital inestimável com que os portugueses contam à partida para viabilizarem uma ruptura que permita uma vida melhor.

5. As sondagens foram o que se viram...O PS e o BE não se podem queixar com tanto virtuosismo. Quanto à CDU as insondáveis sondagens são o que têm sido.

6. Registo de um disparate dissonante: António Barreto a dizer que esta ultrapassagem do PCP pela "extrema-esquerda"(penso que seria o BE...) tinha sido a maior derrota de sempre dos comunistas!...Desejando que a moleirinha ainda não tenha ensandecido definitivamente, alivie-se o homem do comentário político se não os méritos das ciências sociais vão arrastados no caneiro...

7. Resumindo e concluindo: a coisa vai, meus amigos, vai mesmo!

Uma força a crescer, confiança numa vida melhor


Jerónimo de Sousa, na apresentação das conclusões da reunião do Comité Central de ontem, afirmou que os resultados eleitorais revelam uma decidida opção pela anulação das medidas gravosas do Código do Trabalho, pela protecção aos desempregados, pela dignidade da profissão docente e valorização da Escola Pública, pela reposição dos direitos dos trabalhadores da Administração Pública, propostas que o PCP assumirá na batalha das legislativas.

domingo, 7 de junho de 2009

Tienanmem, 20 anos depois

Passaram vinte anos sobre um dos acontecimentos mais significativos do quadro de um vasto plano de reversões políticas que caracterizariam esse período da nossa história contemporânea.
Esta contra-revolução falhou mas outras tiveram sucesso.

Os factores de sucesso variaram de país para país, com traços comuns. Este talvez tenha sido dos que apresentaram maiores particularidades. A começar logo pelas tarefa contraditória de um partido comunista, com enorme apoio nacional, ter assumido a condução do desenvolvimento económico numa base económica diferenciada mas essencialmente capitalista, com grande número dos seus traços característicos presentes, desde logo o da exploração capitalista do trabalho, com vista a garantir o crescimento do bem-estar material e espiritual de todos os seus povos e regiões.

Este percurso da China é apaixonante no ponto de vista do conhecimento histórico, da ancestralidade de uma influência ímpar no desenvolvimento de uma outra boa parte do planeta às várias fases de uma revolução de natureza socialista, até a evoluções mais recentes, na singularidade da sua história política, de impérios sucessivos a país subjugado pelas forças imperialistas nos séculos XIX e XX, de país isolado economicamente a segunda maior potência na actualidade, de inimigo económico do mundo ocidental a salvador da grave crise financeira que o mundo capitalista gerou e que também o atingiu.

Há vinte anos, Zhao Ziyang tentou tomar o poder na China com o apoio da CIA. Domenico Losugno, filósofo e historiador que já aqui temos citado recorda-nos agora o que não teve impacto na comunicação social dominante que, neste aniversário, retoma os motes anteriores e continua a silenciar o essencial, que nega, livre da tal manipulação, que o que aconteceu tenha sido um levantamento popular esmagado num banho de sangue por uma cruel ditadura comunista.
É uma tentativa de interpretação que, em muitos aspectos, eu já partilhava há vinte anos quando recusei a infortmação dominante e procurei testemunhos por parte de muitos jornalistas que se recusaram a ser veículo de coisas que lhes foram impostas na lógica do preto e branco e a que poucos assistiram, de facto. Apesar dos distanciamentos pessoais em relaçãop ao regime chinês.

Aos meus amigos, que respeito nas atitudes diferentes em matérias delicadas como esta, só posso sugerir a procura da verdade e uma atitude científica com diversidade de fontes.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Frase de fim-de-semana, por Jorge


Todas as verdades são fáceis de perceber uma vez descobertas


Galileo Galilei