quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A manipulação pela direita, pelos governos e pelo patronato de alguns conceitos económicos


Dos dados mais recentes revelados pelo Banco de Portugal, alguns são significativos da gravidade presente e futura do País.
As revisões em baixa das anteriores previsões de diferentes organismos vão afectar o emprego mas também a produtividade esperada que regressará aos valores de há vinte anos: 0,1%...
Para quem já estava na cauda dos países comunitários também nesta matéria isso é grave.

Ainda há poucos anos este conceito e o da competitividade eram esgrimidos por governos e patronato, desligados dos seus significados reais, sempre que a resistência à recuperação do poder de compra por via dos aumentos salariais insinuava que os trabalhadores trabalhavam pouco e com fraca “produtividade”, que a mão-de-obra era muito cara para ser competitiva, etc. Estas ideias têm sido usadas pela política de direita e pelo grande patronato como argumentos para alterar a legislação laboral e direitos sociais, como o subsídio de doença e de desemprego.

Os sindicatos combateram estas concepções e, mesmo com a ajuda de alguns académicos e jornalistas, este tipo de insinuações cederam algum lugar a outro tipo de abordagens que recentram a responsabilidade pelas flutuações desses indicadores, embora a batalha de ideias nestas matérias terá sempre de continuar.

A baixa qualificação da mão-de-obra, a falta de preparação dos gestores para saberem gerir, os impactos na vida dos trabalhadores da necessidade de recorrerem a outras remunerações, as dificuldades de emprego nos agregados familiares, as consequências da qualidade da saúde, educação, justiça segurança social e transportes públicos na qualidade de vida e bem-estar dos trabalhadores, a não introdução de novas técnicas e modelos de gestão e da inovação tecnológica nas linhas produtivas, são alguns dos factores que contribuem para essas flutuações. Aos quais se somam os efeitos desastrosos das políticas de direita na eliminação de importantes sectores produtivos e pelo não incentivo continuado a outros perfis produtivos nos que permaneceram.
A baixa «produtividade» média da economia portuguesa resulta, em grande parte, de um perfil de especialização onde imperam actividades de mão-de-obra intensiva, de reduzida composição orgânica do capital, e reduzido valor acrescentado.
Por outro lado, importa ter em linha de conta a subvalorização ou o desprezo a que têm sido votados matérias-primas e recursos produtivos endógenos em geral, como fontes de energia, solos, subsolo e oceano, passíveis de contribuir como importantes factores da produção nacional.

No que respeita à competitividade da nossa economia não se pode reduzir ao factor preço do produto e à produtividade os seus valores reduzidos. Tem que se ter em linha de conta a necessidade de políticas de defesa do mercado interno como fazem outros Estados, os efeitos que a adopção da moeda única teve na perda de competitividade de 2% ao ano devida à taxa de câmbio efectiva, a impossibilidade de continuar a recorrer à política cambial para reduzir os efeitos de desvalorizações de outras moedas e as suas consequências na nossa economia e também importa não esquecer o reduzido apoio às micro, pequenas e médias empresas, as inúmeras carências e custos elevados que estas sofrem, quando comparadas com as de outros países da UE, os serviços financeiros, a energia, as telecomunicações, os transportes e a logística.

A mistificação ideológica em torno dos conceitos de produtividade e de competitividade que, aliás, frequentemente são confundidos entre si de forma não inocente, procura estabelecer uma sequência lógica salário (trabalhador) – produtividade – competitividade, como se houvesse uma simples relação causa/efeito numa esfera tão complexa como a da produção económica.
Considerar o salário como um mero custo microeconómico e não como uma importante componente do rendimento nacional, cujo maior ou menor crescimento influencia de forma maior ou mais reduzida a despesa, o investimento, a procura interna e em consequência o crescimento económico, esquece outros factores que afectam estes indicadores.
Há quem persista em esquecer que a degradação das condições de trabalho, a falta de investimento nos instrumentos de produção e a precarização dos vínculos de trabalho são a principal condicionante da força de trabalho para a produtividade. Os gestores têm importantes responsabilidades: a sua própria baixa qualificação média, a reduzida incorporação de investigação científica e desenvolvimento tecnológico na produção e da pouca atenção às formas de gestão e organização das cadeias de produção e unidades empresariais, a novos modelos e experiências.
É sintomático que quando a propósito disto tudo alguns continuam a questionar os “elevados salários dos trabalhadores, não tratem também das remunerações, prémios, regalias diversas, regimes de reforma dos CEO (Chief Executive Officer) de grandes empresas nacionais e multinacionais, muitas vezes dezenas e mesmo centenas de vezes superior ao salário médio dos trabalhadores, nem se estes se baseiam em quaisquer critérios de produtividade, ou seja, se produzem dezenas ou centenas de vezes mais que um trabalhador. Ou se vão ser despedidos como os trabalhadores das empresas que eles mais a crise financeira provocaram.

Teremos que, no decurso da crise actual que é internacional mas com elementos como estes da responsabilidade da política de direita realizada no nosso país, não permitir que tais concepções ultrapassadas voltem à luz do dia. E que patrões, gestores e membros do governo sejam avaliados na medida em que estão a contribuir ou não para elevar quer a produtividade quer a competitividade.

Pensando já no Natal...

"Rachel, Rachel" no Estoril Film, por anamar


E durante alguns destes dias o meu percurso de eleição foi mesmo o de minha casa até ao Casino Estoril… entenda-se continuação do ESTORIL FILM, com a atenção para os homenageados.
PAUL NEWMAN, o inconfundível galã, foi também um dos grandes autores do cinema
Norte-americano. O seu trabalho como realizador ainda é considerado uma faceta obscura e mitológica.
È inegável o amor por sua mulher que dirige magistralmente!
Hoje foi a vez de “Rachel, Rachel”, datado de1968..

Rachel Cameron, uma professora solteira de 35 anos, sente que tem vivido uma experiência sem sentido. Mora numa pequena cidade de Nova Inglaterra com a mãe, uma viúva alegre patética, num apartamento situado por cima da agencia funerária que em tempos foi do pai. Atormentada por recordações da infância e do pai agente funerário, Rachel passa cada um dos seus dias frustrantes a tomar conta da mãe e a trabalhar com as crianças da escola. Mas em breve Rachel se apercebe que só através da exposição à vida poderá experimentá-la. E parte para a grande cidade sonhando… com um amor, com filhos. Quem sabe…

“talvez um homem viúvo, com filhos, que também me dê filhos, ou não…
Quem sabe se os meus filhos serão sempre efémeros??? Como talvez os filhos de toda a gente….”

Agora resta comprar o DVD, e eu, com alguma pena, só regresso no sábado para assistir á exibição dos 2 filmes vencedores..
Se puderem apareçam! Pode ser que o Sol continue a brilhar…

Banco gestor das grandes fortunas pede aval do Estado para 750 milhões...


Foram os primeiros a pedir as garantias do Estado mas querem que a CGD vá à frente para servir de referencial para os outros que se acotovelam...

E uma boa parte do aval destinar-se-á a um empréstimo que está a negociar com o Citigroup

João Rendeiro, sem custo, lá disse na SIC-Notícias que o seu banco era apenas um gestor de fortunas e de activos e que não beneficiava da vantagem que outros têm de, estando com o retalho comercial, não receberem depósitos normais nem concederem crédito.

Pois é, pelos vistos no afã de gerarem resultados no dinheiro que lhes entregam para investirem no mercado bolsista de alto risco, as coisas não correram bem e agora estendem a mão ao contribuinte português...para que as fortunas geridas se vão alargando à custa da cada vez mais carregada dívida pública.

Cartoon de Monginho

in Avante !

Milhares de indígenas colombianos chegam hoje a Bogotá


Depois de uma longa marcha de mais de 500 km começada há 10 dias, muitos milhares de indígenas de diferentes comunidades chegam hoje à capital para exigir os seus direitos.

Como planeado, chegarão a Bogotá pelo sul e vão concentrar-se nas instalações da Universidade Nacional, onde ficarãonos dias que pretendem permanecer na capital. Os organizadores da "Minga", como é designada esta mobilização popular e indígena, esperam que participem cerca de 40 mil de quse todos os cerca de cem grupos aborígenes da Colômbia. Amanhã juntam-se na Praça Bolívar, e no sábado realizam uma reunião com representantes de organizações internacionais.

O principal objetivo é apresentar as suas reivindicações ao governo e ao Congresso da República, sobre a cedência de terrenos, o respeito pelos direitos humanos e garantias relativas a uma melhoria das condições de vida destas comunidades.

A Minga teve início no dia 11 de Outubro com um enorme movimento nacional em protesto contra o assassinato de vários líderes indígenas.

Dados da Organização Nacional Indígena da Colômbia indicam que, até agora, este ano, foram mortas cerca de 70 membros de diferentes aldeias, principalmente nas mãos das forças de segurança. Feliciano Valência, um dos líderes, disse que o objectivo é o de exigir o cumprimento, por parte do governo, de acordos assinados com a população indígena e que não foram cumpridos. Pedem também justiça para os crimes contra os aborígines e os dirigentes sindicais. Nos últimos dias, o movimento sindical denunciou o assassinato de mais de quatrocentos dirigentes sindicais no decurso do governo de Álvaro Uribe, apoiado pela administração norte-americana.

A família nuclear mais antiga até hoje encontrada


O "ScienceDaily" da passada 3ª feira revelou que os primeiros indícios de uma família nuclear, que remonta à Idade da Pedra, foram descoberto por uma equipe internacional de pesquisa, que incluiu especialistas da Universidade de Bristol. Em 2005 foram descobertos na Alemanha os restos de quatro enterros em sepulturas com cerca de 4600 anos que incluíam grupos de adultos e crianças enterradas e voltadas uns para os outros - uma prática pouco vulgar na cultura neolítica. Na foto vê-se um desses grupo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A surpresa Khenin

Na semana passada, o deputado comunista Dov Khenin, candidato a presidente da Câmara de Tel-Aviv, criou uma surpresa ao obter 32% dos votos. Para a maioria dos israelitas, Dov Khenin era um estranho. Era conhecido como advogado, com idade de cerca de 50, e pelas suas posições iconoclastas. Dov Khenin tem protestado contra a opressão do povo palestiniano e pelo seu direito de inalienável de organizar um Estado independente. Também defendeu os refuseniks, os soldados que se recusam a prestar serviço nos territórios ocupados, o que lhe valeu uma condenação a prisão.
Membro do Partido Comunista de Israel, um dos poucas organizações que não pratica a segregação entre judeus e árabes, Dov Khenin foi eleito em 2006 para o Knesset. Tem-se distinguido por ter conseguido fazer passar várias iniciativas legislativas nos domínios do ambiente e do bem-estar.

Nas eleições municipais em Tel Aviv, Dov Khenin liderou a lista "Uma cidade para todos" que incluía militantes de esquerda, sindicalistas, ambientalistas, dirigentes de associações de moradores, e até mesmo adeptos de clubes de futebol. A lista fez campanha, nomeadamente pelo direito à plena cidadania dos árabes e para a defesa das condições sociais e ambientais. Começando com sondagens de 2% dos votos, a lista subiu nas sondagens, semana após semana, lançando a preocupação nos dirigentes políticos de outros partidos.

A campanha municipal transformou-se, assim, num debate nacional. Acusado por sectores de "esquerda" e da direita religiosa de ser um traidor à Pátria - ou seja, por se opor a uma certa concepção do sionismo - Dov Khenin sofreu duros ataques. Mas também tem recebido amplo apoio, como o de estrelas da televisão, cinema e do Espectáculo, que se empenharam no apoio à candidatura, nomeadamente através de um spot televisivo. No final, a lista ganhou um terço da votação. Ron Hulda, o prefeito cessante, foi reeleito à tangente com 50,6% dos votos.

Este sucesso é um importante acontecimento político em Israel. Ele mostra que existe uma franja de eleitores que se opôs à política de ocupação dos territórios palestinianos praticado por todos os governos e coligações desde a independência. Com prováveis reflexos nas eleições legislativas de 10 de Fevereiro próximo.

De facto há importantes questões a enfrentar. A primeira é a de levantar o bloqueio que Gaza sofre.

As condições sanitárias continuam a deteriorar-se na faixa costeira, como foi verificado por treze deputados no local há duas semanas. "As palavras falham-me para descrever esta prisão aberta", escreveu no seu blog Josef Zisyadis, que esteve nessa viagem. " Nos meus sonhos vejo desfilar os rostos desta catástrofe humana" Para este conselheiro nacional, o bloqueio israelita não deve esquecer o que é realizado pelas autoridades egípcias,também ele criminoso. Para se reabastecerem, as pessoas são obrigadas a escavar para o Egito túneis perigoso, instáveis, que ameaçam colapso a qualquer momento, e por vezes são gaseadas por militares egípciios...

Com o sucesso político do Dov Khenin e dos seus, uma pequena luz de esperança, surgiu no final do túnel. Mas a paz ainda está longe.

Rita na Corrida da Mulher


"Pranzo di Ferragosto" no Estoril Film, por anamar

Ontem no ESTORIL FILM viveram-se momentos de aplauso, hilaridade e a simpatia do realizador italiano GIANNI DI GREGORIO, com a apresentação do seu filme PRANZO DI FERRAGOSTO (Feliz 15 de Agosto).
O filme é autobiográfico, feito a partir da relação intensa que Gianni teve com a sua mãe, feito com um mínimo de recursos, utilizando a sua própria casa, as suas velhas e idosas amigas, a mãe não, porque já tinha morrido…
Na qualidade de filho único de uma viúva, teve de viver muitos anos sozinho com a mãe, uma mulher de personalidade esmagadora. Embora exausto, conheceu e adorou a
riqueza, a energia e o poder do mundo dos idosos. Testemunhou a sua solidão e vulnerabilidade num mundo que se move a grande velocidade.
No Verão de 2000, o gerente do seu condomínio, sabendo que Gianni tinha as rendas
atrasadas, perguntou-lhe se podia deixar a mãe com ele durante as férias em meados de Agosto. Recusou a fim de defender a sua dignidade, mas desde então não parou de se interrogar sobre o que teria acontecido se tivesse aceite.
Resultado. Este belo filme em que Gianni realizador, autor e artista principal, passa uns dias rodeado de quatro idosas cheias de energia e de quem tem que tomar conta culminando numa grande festa, o 15 de Agosto ou ferragosto.
Tudo o que era permitido a este folgazão de meia-idade era o tempo de beber o seu copo
,de vinho branco, elemento sempre presente no filme…
E depois de tudo o que posso desejar’?
Um bom prémio e o prazer de partilhar este filme com os amigos para o próximo ano nas salas portuguesas.
Hoje lá estarei para RACHEL, RACHEL no âmbito da homenagem a Paul Newman.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Dia 29 de Novembro no Pavilhão Atlântico 45 anos de carreira de Carlos do Carmo


Gravou a sua primeira canção, "Loucura", há 45 anos, e desde então não tem parado de cantar. O fado é o género que abraçou desde cedo, ainda que nem da forma mais canónica e consensual, mas hoje já poucos colocam em causa a sua contribuição para a música portuguesa das últimas décadas. "Fado Maestro", o CD que é agora editado, reforça o impacto da sua obra através de uma compilação de 17 canções seleccionadas pelo próprio. Para continuar a celebração, Carlos do Carmo dará um concerto no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, a 29 de Novembro. Mariza, Camané, Carminho, Gil do Carmo e ou a cantora basca Maria Berasarte serão alguns dos cúmplices neste revisitar da sua carreira. O espectáculo será também integrado no 125º aniversário da Voz do Operário, pelo que as receitas do mesmo irão reverter a favor da instituição.

Paulo Guilherme (Guga), 14/03/1986 - 01/11/2008

No final, a vida não se mede em quantidade, mas em qualidade.

Na semana passada, morreu um rapaz de 22 anos, na força da vida, como se costuma dizer. A sua morte prematura, repentina e sem causa aparente deixou toda a gente em choque, dos mais próximos, aos que nem sequer o conheciam.

Uma vida que acaba tão cedo deixa-nos sempre a sensação do muito que ficou por fazer, de uma vida incompleta. Mas não foi esse o testemunho que foi dado na despedida. Pelo contrário, o que todos disseram foi que este rapaz viveu a vida com uma intensidade invulgar, levou a sério tudo o que lhe interessava e, sobretudo, não perdeu tempo.

Por isso, foi realmente feliz, garantiu quem o conheceu, amou e foi amado. Por isso a sua vida foi completa, porque se gastou no que realmente interessa e, muito importante, não desperdiçou o tempo que lhe foi dado.

Numa altura em que vivemos entretidos a desperdiçar tempo e talentos o testemunho da vida deste rapaz de 22 anos é precioso.

Para quem tem fé ou para quem não a tem, não é difícil perceber que esta foi uma vida cheia, que não se pode perder.

Ninguém consegue imaginar a dor da sua família, mas, num certo sentido, é invejável ter dado origem a uma vida assim. No final, a vida não se mede em quantidade, mas em qualidade.

Raquel Abecasis (lido aos microfones da R. Renascença em 10/11/08)

Vá ao XXV Festival do Teatro do Seixal


O Festival de Teatro do Seixal comemora 25 anos de existência. A edição deste ano começou em 14 de Novembro e termina a 13 de Dezembro, com um programa que leva o teatro a mais de uma dezena de espaços públicos do concelho. A abertura está a cargo de As Obras Completas de Shakespeare em 97 minutos, da Companhia Teatral do Chiado. O programa inclui 17 peças, seis das quais a cargo dos grupos de teatro do Seixal: Animateatro, Grupo de Teatro A Partida, Grupo Cénico Ivone Silva, Grupo Almagesto, Projecto Ficções e Grupo O Grito.

Ó Vitorino, anda daí...

Sai uma comissão de sábios...


Dois momentos de boa publicidade...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Estoril , Festival de Cinema, por anamar

Ontem houve um momento de festa no Estoril Film quando Bernardo Bertolucci apareceu para falar do seu 1900. Foi aplaudido em pé durante bastante tempo, aplausos muito sentidos para um homem que aparentava muito mais idade do que a na realidade tem ,
mas de sentido de humor requintado. Dizia ele “que quando o subconsciente se solta, afecta sempre as partes do corpo que nos são mais necessárias, situaçâo em que se viu envolvido varias vezes ao logo de filmagens”… desta vez ,parece, terão sido as suas pernas a ser atraiçodas!
Para finalizar, deixou nos a ver o documentário feito durante as filmagens de 1900.Espantoso!
Novecento foi o centro da homenagem em que o realizador explora de forma memorável os domínios da politica com as relações pessoais, familiares e sociais, a luta de classes paralelamente ao crescimento do individuo.
E, como Bertolucci dizia,” ainda hoje, parece surreal que um dos grandes estúdios americanos financie e estreie um filme comunista em pleno auge da Guerra Fria!”
Hoje , lá estarei para La Luna …

"O mundo numa chávena de café", de Susana Ruth Vasques

A recolha de crónicas Die Welt in einer Tasse Kaffee (O mundo numa chávena de café), da jornalista luso-alemã Susana Ruth Vasques, foi lançada na Feira do Livro de Francforte a 15 de Outubro.
Em Portugal será lançado em Silves, dia 13 de Dezembro às 15 h, na B iblioteca Municipal.

Com conceito, compilação e revisão de Michael Maschmann, o livro, de 191 páginas, foi traduzido de português para alemão por Rainer Dittmann e teve arranjo gráfico de Christoph Zehm. A foto de capa é de Rainer Boscheinen.
Com introdução pelo editor Michael Wachsmann, Die Welt in einer Tasse Kaffee inclui um posfácio por Ramiro S. Osório. Referências da capa: citação da escritora Isabel da Nóbrega, Quadratim, in A Capital, 1984, e um trecho da crónica A Primavera em Lisboa.
A edição é do Atelier Colorwaves, de Michael Wachsmann, autor do desenho da capa.
Susana Ruth Vasques, nota biográfica

Susana Ruth Vasques nasceu em 2 de Agosto de 1937 em Lisboa, na família de refugiados judeus Wachsmann. Aos 3 anos começou a aprender balé, aparecendo em tutu branco como bailarina a solo aos 7 anos no Teatro Nacional de Lisboa. O Diário de Notícias escreveu na altura que “a pequena Susi Wachsmann é uma promessa do futuro (...)“.
Na escola secundária, queria ser actriz e bailarina e seu pai dispôs-se a mandá-la para Hollywood ou para o National Theater Ballet de Londres. Desempenhou os papéis de Rainha Ester e de noiva num musical, inventando ao mesmo tempo histórias para balé.
Aos 16 anos foi trabalhar em Israel num kibbutz. Interessava-a a vida comunitária, poder trocar coisas em vez de dinheiro e contribuir com a força laboral. A causa comunitária tem sido para si importante, desde sempre.
A partir dos 18 anos, após o seu casamento com o escritor Augusto Abelaira, trabalhou como tradutora, em English Made Funny e Dizionario degli Autore. Foi com seu marido co-tradutora para português de “O Tambor” de Günter Grass e de “Dr. Jivago” de Boris Pasternak, e traduziu a “Utopia” de Thomas More.
Tomou conta de crianças no Jardim Infantil Alemão de Lisboa e esteve em palco durante um mês no Teatro da Comédia, na peça de Almada Negreiros “Procura-se Mulher”. Estudou línguas, história e filosofia (já aos 65, participou num seminário universitário de Teresa Rita Lopes sobre Fernando Pessoa).
Escreveu o primeiro romance com 10 anos (uma história de amor entre um príncipe e uma rapariga do povo...) e diversos diários com prosa e poesia. Infelizmente, rasgou-os todos.
De 1962 a 1970, trabalhou como secretária e gerente na livraria francesa A Bibliófila. Em 1968, foi convidada pela jornalista Isabel da Nóbrega e pelo director do Jornal do Fundão, António Paulouro, para escrever crónicas.
Em 1970, foi convidada para fazer jornalismo, literalmente numa mesa de café da Cervejaria Portugal, pelo director do Diário Popular, o liberal Jacinto Baptista, e pela chefe de redacção de O Século Ilustrado, Maria Antónia Palla.
Trabalhou até 1977 na revista feminina de O Século – Modas e Bordados, a Mulher - Modas e Bordados pós 25 de Abril de 1974, com reportagens e entrevistas, cobrindo temas de planeamento familiar e apoio psicológico. Antes do 25 de Abril, vários dos seus artigos e entrevistas sobre planeamento familiar foram censurados pela polícia política PIDE.
Em 1980, trabalhou para a Comissão da Condição Feminina e para a Comissão para a Igualdade da Mulher. Ao mesmo tempo, escrevia livros e textos sobre planeamento familiar e respondia ao correio de leitores como voluntária no Jornal do Fundão.
A partir de 1983 trabalhou na Agência Noticiosa Portuguesa ANOP. Fez reportagem e foi convidada pelos governos da Bulgária e da Checoslováquia para falar sobre as condições de mulheres e crianças. Aposentada em 2002, dedicou-se à escrita de crónicas, para o Jornal do Fundão e, em linha, no Ciberquiosque e no Bloguinho.
Foi membro do World Tribunal of Iraq, que, à semelhança do Tribunal Russel, se destinava a lutar contra a ocupação norte-americana e a julgar (simbolicamente) potenciais crimes de guerra.
Durante 2005 visitou frequentemente a pátria dos seus pais, onde a empresa Holzbach e o Atelier Colorwaves lhe arranjaram uma sala de trabalho, em Idar-Oberstein.
Casou-se duas vezes: seu primeiro marido e pai de sua filha Sílvia foi o escritor Augusto Abelaira. O segundo marido, Ramiro S. Osório, arquitecto e artista plástico, é essencialmente escritor de vanguarda. Tem dois netos.

“... o leitor sabe agora como ela escreve, a força com a qual cria uma atmosfera, que escreve em meio-tom, ele conhece o ritmo com que ela inspecciona entre linhas as pessoas que aparecem nos seus textos...”

Isabel da Nóbrega,Escritora

Zé Povinho, caricatura de Rafael Bordallo Pinheiro




Cherne numa salada de opiniões e sinais...

Do Publico de hoje tiramos:


O grande argumento a favor de uma confirmação rápida de Barroso tem a ver com a necessidade de evitar uma perda de influência da UE durante a primeira metade de 2009, em contraste com a forte liderança exercida pela presidência francesa ao longo deste semestre. Nessa altura, a Comissão, o Parlamento Europeu (PE) e o alto-representante para a Política Externa estarão em fim de mandato, com uma capacidade de acção inevitavelmente reduzida. Ao mesmo tempo, a UE será presidida pela República Checa, cuja falta de experiência, imprevisibilidade e eurocepticismo começam verdadeiramente a assustar as outras capitais.Assegurar continuidade. A ideia de confirmar Barroso já em Dezembro destinar-se-ia precisamente a garantir que pelo menos uma instituição estaria a funcionar em pleno graças à perspectiva de continuidade, podendo, ao mesmo tempo, "enquadrar a presidência checa e falar em nome da UE de uma forma um pouco mais credível", segundo um diplomata europeu. Legalmente, o presidente da Comissão só pode ser escolhido pelos líderes dos Vinte e Sete - e confirmado pelo PE - depois das eleições europeias de Junho de 2009 e em função dos seus resultados. Mesmo assim, nada impede Sarkozy de expressar oralmente o apoio político dos Vinte e Sete à continuidade de Barroso, embora salvaguardando que a decisão formal só será tomada pela cimeira prevista logo a seguir às eleições. Este cenário corre sempre o risco de ser rejeitado pelo PE por representar uma inversão do processo.

(Isabel Arriaga e Cunha, correspondente em Bruxelas)

"Não há soluções perfeitas", reconhece um influente think tank europeu, considerando no entanto que a confirmação rápida de Barroso seria a "menos má". Sem isso, refere, "a sua conduta na primeira metade de 2009 corre o risco de ser interpretada à luz da sua ambição pessoal". Ao mesmo tempo, se a decisão for adiada para Junho, "a sua nomeação corre o risco de ocorrer num contexto pós-eleitoral muito negativo e antieuropeu", o que será "terrível" para a instituição e o seu presidente. Podendo mesmo custar-lhe o lugar, se os responsáveis europeus chegarem à conclusão de que será necessária uma renovação. Apesar de a possibilidade de uma decisão em Dezembro não estar confirmada, e poder mesmo nunca se concretizar, vários sinais parecem apontar nesse sentido.

(Antonio Missiroli, director do European Policy Centre)

Falta de liderança, timidez, incompetência: a gestão da crise económica e financeira por parte da Comissão Europeia de Durão Barroso está a ser cada vez mais contestada.A crítica mais dura foi feita por Joschka Fischer, ex-ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, que, num artigo de opinião publicado a 10 de Novembro no francês Le Figaro, qualifica Barroso de "incompetente". Neste texto, Fischer considera que, perante a recessão económica que se anuncia, a UE vai ter de adoptar rapidamente meios para reagir no plano político no quadro de uma nova "coordenação macro-económica e orçamental", como tem sido defendido pelo Presidente francês, Nicolas Sarkozy. "Esta proposta é tanto mais sensata quanto a Comissão Europeia deu provas da sua inaptidão quase total. O presidente incompetente da CE viu o seu mandato renovado por cinco anos em agradecimento da sua inocuidade", acusa.

(Joschka Fischer, ex-MNE da Alemanha)


Apesar de mais moderado, Jean-Pierre Jouyet, secretário de Estado francês dos Assuntos Europeus, escreveu no início do mês no seu blogue que as iniciativas de resposta à recessão assumidas por Bruxelas "são muito tímidas". "A Comissão, fortemente incitada pelo Presidente da República [Sarkozy], presidente do Conselho Europeu, tentou definir uma estratégia comum em resposta à crise económica" mas as suas propostas são "muito tímidas".

(Jean-Pierre Jouillet, Secretário de Estado francês para os Assuntos Europeus)

Portugal não se revê nas críticas de dirigentes europeus ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e mantém o apoio à sua recondução no cargo.

(Luís Amado, chefe da diplomacia portuguesa, hoje)



Apoiar os mineiros e Aljustrel
















Uma delegação de trabalhadores da Pirites Alentejanas (PA) deslocou-se hoje ao Ministério da Economia, em Lisboa, para "tentar obter respostas concretas" sobre a situação da mina de Aljustrel e reivindicar a suspensão imediata das rescisões de contratos.A delegação, composta por membros da direcção do STIM e da Comissão de Trabalhadores da PA, vai "tentar obter respostas concretas sobre a situação da mina de Aljustrel", assim como "exigir que sejam anuladas as rescisões de contrato assinadas sob pressão e readmitidos os trabalhadores que foram pressionados a sair da empresa".Segundo Luís Sequeira, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), terça-feira, 18, os trabalhadores vão reunir em plenário, agendado para as 15h30, em Aljustrel, para "fazer um ponto da situação" e "decidir formas de luta, se as respostas do Ministério da Economia não forem satisfatórias".A deslocação ao ministério da Economia acontece depois de cerca de 200 pessoas, entre trabalhadores da PA, familiares e população de Aljustrel, se terem concentrado, este domingo, 16, à noite, numa vigília à porta da lavaria da mina.

Na passada 6ª feira o primeiro-ministro afirmou “ Estou muito esperançado [nestas negociações]", , garantindo que o Governo está "a trabalhar para que haja trabalho em Aljustrel".José Sócrates disse que a os trabalhadores da empresa deverão ser informados, desde esse dia, destas evoluções e que nas próximas duas semanas iriam decorrer negociações entre as duas empresas.Há cerca de um mês a empresa que trabalha nas minas, A Lundin Mining Corporation, que detém a Somincor (da mina de Neves-Corvo) e a Pirites Alentejanas (Minas de Aljustrel), tinha comunicado ao governo as "suas preocupações em relação ao preço do zinco". E na passada quinta-feira a suspendeu a extracção e produção de zinco nos dois complexos mineiros, localizados no distrito de Beja.A empresa justificou a decisão com a redução da procura de zinco nos mercados e disse que a suspensão vai manter-se até que "haja uma recuperação dos preços", com a baixa cotação do zinco no mercado e com a crise económica.
Em Abril passado, depois da posição adquirida pela Lundin na Somincor e nas Pirites, José Sócrates foi ao local onde falou que a solução encontrada ia resolver o problemas da paralização da actividade nos 15 anos anteriores.



Como desde 6ª f Sócrates nada disse aos trabalhadores, estes decidiram hoje rumar a Lisboa para se encontrarem com o governo. Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Aljustrel, José Godinho, face à interrupção da actividade produtiva, e perante as gravíssimas consequências laborais, sociais e económicas de tal decisão, solicitou com carácter de urgência uma reunião com o ministro da Economia para esclarecimento da situação e salvaguarda dos interesses dos trabalhadores, da população e do concelho.
Sobre estas minas clique em

http://www.mun-aljustrel.pt/btdireita/mina.asp

"Fado", o novo disco de Katia Guerreiro


Poemas de Fernando TavaresRodrigues e de outros autores como António Gedeão, Vinicius de Morais e Florbela Espanca, musicados por Rui Veloso, é o que nos propõe este quarto album de Katia GueRreiro numa edição da Sony Music.

Vamos lá ouvi-lo...

José Barata-Moura, sobre Marx


No último dia do Colóquio Internacional Karl Marx, que terminou ontem na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, José Barata-Moura elogiou a iniciativa que reuniu 150 investigadores nacionais e estrangeiros ao longo de três dias, notando que ela permitiu ler, debater e analisar o pensamento de Marx, "que continua a não ser bem conhecido ou a ser apenas conhecido por clichés que o deitam abaixo ou que o louvam". "Espero que a prática do estudo se enraíze e se desenvolva", disse ao PÚBLICO o ex-reitor da Universidade de Lisboa, no final da sua comunicação sobre "materialismo e dialéctica".Na concorrida "lição" de Barata-Moura, professor da Faculdade de Letras, o orador lembrou uma frase de Marx, confidenciada a um amigo em 1843, na qual o filósofo alemão explicava que não era a sua intenção "antecipar dogmaticamente o mundo". "Queremos encontrar, a partir da crítica do mundo velho, o mundo novo", citou. Ao longo de 30 minutos, Barata-Moura "esmagou" a assistência com uma intervenção que sustentou o contraste entre Marx e o idealismo hegeliano. "Os campeões da ideologia, contra os quais Marx e Engels investem, não se convertem em objecto de reparo por serem os produtores de representações da consciência social. São atacados por considerarem o mundo dominado por ideias e por encararem as ideias como princípios determinantes, susceptíveis de revelar o mistério do mundo." Marx rejeita esta "autonomização das ideias em relação à materialidade do viver", uma vez que, explicou, "a consciência é o ser consciente" e "o ser dos homens é o seu processo de vida real".A elevada afluência de público nos três dias do colóquio acabou por exceder as expectativas dos organizadores, notou o historiador Fernando Rosas, membro da comissão organizadora. Esta adesão reflectiu, afinal, aquilo que se pode encontrar na imprensa mundial, onde a análise das teorias marxistas está na ordem do dia. Mesmo em publicações insuspeitas como o jornal The Financial Times e as revistas Standpoint e The Spectator - foi nesta última, aliás, que o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, escreveu, em Setembro último, um artigo de opinião no qual defendeu que Marx tinha razão, ainda que "parcial", sobre o capitalismo. Numa altura em que os livreiros alemães afirmam ter vendido mais obras de Marx nos últimos dois meses do que nos últimos dois anos.

(extraído da notícia de hoje do Publico)

domingo, 16 de novembro de 2008

"E se...Obama não fosse do Partido Democrático?", por Fernando S. Marques


Caros amigos,
Recebi, por várias vias, um lindíssimo texto de Mia Couto (mais um) chamado "E se Obama fosse africano?" que aqui vai para os que ainda não o leram.
Mas apeteceu-me, numa vontade avassaladora, escrever também um texto chamado "E se Obama não fosse do Partido Democrático?"
Trata-se apenas de acrescentar uma reflexão mais. Sobre a mitigada democracia americana. Particularmente para os que descobriram, agora, virtudes, onde, antes, só havia defeitos. E, também, para os que apenas acedem à informação vendida, nos intervalos da publicidade, por noticiários pré-formatados, por comentadores que repetem banalidades, por gente que precisa dessas actividades para sobreviver financeira ou politicamente.
Aqui vai.
...
E SE OBAMA NÃO FOSSE DO PARTIDO DEMOCRÁTICO?
Também chorei na noite eleitoral. Por muitas razões, uma das quais por ter sentido a vitória de Obama como um pouco minha também. Fiz o que pude para ajudar.
Mas...
... a vida política americana é dominada por dois partidos e, tudo o resto, é chamado de "independente". Em todos os discursos dos políticos americanos (o próprio Obama), de jornalistas e comentadores, de gente bem ou mal pensante, o que se ouve é "Democratas, Republicanos e Independentes", ou "Republicanos, Democratas e Independentes", ou mais simplesmente "Republicanos e Democratas".
Se Obama não fosse do Partido Democrático, seria "independente", mesmo que estivesse filiado noutro partido. E, para além disso...
... Não teria falado na Convenção de 2004, a convite de Kerry, fazendo uma brilhante intervenção transmitida em directo pelos principais canais da televisão.
... Não teria sido eleito para o Senado de Illinois.
... Os seus livros talvez não tivessem sido publicados e, se o fossem, não teriam a aceitação que tiveram.
... Seria um entre milhares de activistas pelos direitos cívicos que ninguém conhece.
... Ainda estaria a pagar o empréstimo que lhe foi concedido para tirar o curso em Harvard.
... Dificilmente viria a ser candidato a qualquer coisa, a menos que se inscrevesse num dos muitos Partidos que existem nos EUA. Existem muitos Partidos nos EUA! Alguém sabe?
... Se conseguisse ser candidato a Presidente dos EUA não teria acesso aos meios de comunicação social, como aconteceu com mais de uma dúzia de candidatos (de outros Partidos) de que a maior parte das pessoas desconhece a existência.
... Quando se contassem os votos, deixaria positivamente de existir, porque, como quase toda a gente sabe só havia dois candidatos; tudo o resto não tinha interesse, nem jornalístico, nem cultural, nem social.
...
Talvez estejam a ler com surpresa o que escrevo. No entanto, os que melhor me conhecem não estranharão.
Fez-se História ao eleger Obama.
Mas é bom que se tenha consciência das circunstâncias da História.
É bom, também, que não se considere esse acontecimento como um fim em si próprio, mas como uma etapa mais do processo histórico.
Será bom que a esperança que Obama despertou dê frutos e não estiole. Estarei presente. Mas...
O mundo aguarda. Os abutres também.
...
Um grande abraço,
fernando

Pintura de Graça Morais


G20: não mais que um G8 alargado, com a mesma liderança, e com mandatários de Obama…


Na Cimeira do G-20 sobre os Mercados Financeiros e a Economia Global, os líderes desses países concordaram com um plano de acção imediata e medidas de médio prazo no tratamento da situação financeira e económica internacional.
As tarefas incluem o reforço da transparência e da responsabilização, reforçando uma boa regulação, promovendo a integridade dos mercados financeiros, reforçando a cooperação internacional e promovendo a reforma das instituições financeiras internacionais.

As decisões da cimeira de ontem da Casa Branca, convocada por Bush, reflectem intenções a serem eventualmente concretizadas nos próximos meses, até a sua reavaliação em nova cimeira em Abril. A cimeira incorporou países que não participam dos G8 para satisfazer, em termos de imagem, reivindicações de maior equidade feita por outros países, sem que os EUA percam a sua liderança, e abriram perspectivas para desbloquear alguns impasses na negociações relativas ao comércio mundial. Os países mais pequenos e em desenvolvimento têm, com fundadas razões, duvidado da representatividade indirecta nestas reuniões que poderiam advir da presença de diversas economias emergentes.

Os dirigentes de alguns países "ocidentais" estão fragilizados junto das opiniões públicas nacionais que os vêem como co-responsáveis, com Bush, da crise financeira internacional e que entendem que para dear a crise, não se pode ficar pelas recapitalizações feitas à custa do erário público e pelas garantias do Estado ao sector bancário e pretender-se alguma independência dos EUA, o abandono do domínio do dólar, na alteração completa das lideranças e políticas do Banco Mundial e FMI, na exigência aos EUA e Europa que resolvam os seus problemas internos e travem as suas recessões, evitando o contágio pernicioso para o crescimento dos países emergentes. Os efeitos da falta de créditos e de contensão de riscos da rfecessão nos países mais ricos, atingirão as exportações dos países em vias de desenvolvimento e poderão trazer um novo ciclo da sua pauperização.
Os chamados países desenvolvidos, face à reclamação de uma maior participação das economias emergentes nos centros de decisão e de um muiltilateralimo, têm respondido que se esses países querem ter mais poder devem pagar mais...Como se não estivessem já hoje a pagar excessivamente pelos desmandos no sistema financeiro, centrados nos EUA. E revelando a clara intenção de não corrigirem muito as causas da crise e de porem o resto do mundo a pagar as suas asneiras…

Muitos governos adoptaram uma postura crítica em relação à política norte-americana, como Sarkozy e mesmo Sócrates, mas o que agora se viu foi a reverência de canalizar para as suas instituições bancárias fortunas dos contribuintes para estas manterem uma relação desigual com os países em vias de desenvolvimento com os quais quer os EUA quer a UE andam a tentar acordos laterais que preejudicam o peso regional dessas economias e o seu poder nacional conjunto. Ontem Morales já referia esta questão.

Uma solução para esta crise só pode ser alcançada através de um processo de "desarmamento financeiro", tal como inicialmente formulado por John Maynard Keynes, que contesta veementemente a hegemonia das instituições financeiras da Wall Street, incluindo o seu controle sobre a política monetária.
Retomando a carta aberta a que aqui já fizemos referência noutro local, da iniciativa de Paul Davidson e Henry Liu (1):


“O Inverno de 2008-2009 provará ser do descontentamento económico global que marca a rejeição da ideologia de que mercados financeiros globais não regulamentados promovem a inovação, a eficiência do mercado, o crescimento sem restrições e a prosperidade sem fim ao mesmo tempo que reduzem o risco através da sua difusão por todo o sistema. Durante mais de três décadas a corrente dominante de economistas neoliberais pregou, e os reguladores aceitaram, o mito da eficiência dos mercados não regulamentados, ignorando a lição crítica proporcionada pela análise de John Maynard Keynes da interelação dos mercados financeiros e do sistema de pagamentos internacional.Aqueles que não aprenderem as lições da história estão destinados a repetir as suas tragédias. Os economistas neoliberais nas últimas três décadas negaram a possibilidade de uma repetição da Grande Depressão à escala mundial após o colapso da bolha especulativa criada pelos mercados financeiros sem restrições dos EUA dos "Frenéticos anos 20". Enganaram-se a si próprios ao pensar que a falsa prosperidade construída sobre a dívida poderia ser sustentável com a complacência monetária. Agora a história está a repetir-se, desta vez com o vírus novo e mais letal que infestou os mercados financeiros globais desregulamentados: a "inovadora" titularização de dívidas, as finanças estruturadas e as operações bancárias independentes inundadas com o excesso de liquidez libertado por bancos centrais acomodatícios. Uma estrutura maciça de riqueza fantasma foi construída sobre a areia movediça da manipulação da dívida. Esta bolha da dívida implodiu finalmente em Julho de 2007 e agora está a ameaçar deitar abaixo todo o sistema financeiro global e a provocar um colapso económico a menos que uma liderança política esclarecida adopte medidas correctivas à escala global. O problema das hipotecas sub-prime dos EUA, que começou em 2007, redundou, como era de esperar, num pântano que provocou a quebra dos mercados financeiros interligados e que ameaçou a viabilidade de instituições financeiras à escala mundial, pelo contágio propagado à velocidade electrónica através de um antiquado e disfuncional sistema internacional de pagamentos.Para deter o colapso financeiro global, pode-se aprender muito com a visão de Keynes de como o sistema internacional de pagamentos deveria funcionar para permitir a cada país promover uma política de pleno emprego sem ter de temer problemas da balança de pagamentos ou permitir que incidentes financeiros infectem o sistema bancário interno e os sistemas financeiros não-bancários.
Uma outra Grande Depressão pode ser evitada se os líderes mundiais reconsiderarem o sistema analítico de John Maynard Keynes que contribuiu para a era dourada do primeiro quarto de século após a Segunda Guerra Mundial. Os signatários e outros há muito advogam uma nova arquitectura financeira internacional baseada numa versão actualizada para o século XXI do Plano Keynes originalmente proposta em Bretton Woods no ano de 1944.
Esta nova arquitectura financeira internacional tem como objectivo criar (a) um novo regime monetário global que opere sem ~uma divisa hegemónica, (b) um relacionamentodo comércio global que apoie o desenvolvimento interno em vez de o atrasar e (c) um clima económico global que promova incentivos para que cada país promova o pleno emprego e aumente os salários da sua força de trabalho.”


As cúpulas do G20 não puseram em causa a legitimidade dos hedge funds e dos vários instrumentos de deriva no comércio mundial. O comunicado final inclui um impreciso e desfocado empenho "numa melhor regulação dos fundos hedge e na criação de mais transparência nos títulos ligados às hipotecas como forma de travar uma deriva económica blobal." Às agências de rating, aos off-shores e aos credit default swaps foram feitas umas cócegas inconsequentes. O mesmo aconteceu com o BM e o FMI.
Como o DN hoje refere "Quem deverá ter achado que a conferência ficou aquém do desejado é o presidente russo, Evgeni Medvedev, cujas propostas não mereceram consenso. No seu discurso, o representante da Rússia defendeu a refundação do sistema financeiro internacional, com novas ideias e novas estruturas na base de princípios fixados por acordos formais a nível internacional. Uma comissão de gurus financeiros independentes e reconhecidos a nível global deveriam submeter as suas propostas concretas aos países do G-20, a instância futura de regulação económica global. O G8, agrupamento dos países mais ricos, deverá concentrar-se nos temas da segurança internacional. Finalmente, Medvedev propôs a criação de centros financeiros regionais, com a criação de mais divisas que agreguem o maior número de países em cada região"


Apesar da comunicação social portuguesa, e não só, quererem atribuir “interesse jornalístico” ao referirem que Barack Obama estava ausente desta conferência, o facto é que, quer Madeleine Albright quer Jim Leach, ex-governantes de Clinton e Bush, respectivamente, mandatados por Obama, tiveram nos dias 13, 14 e 15, encontros com ministros e outros membros destacados das delegações da Alemanha, Inglaterra, Rússia, China, India, Austrália, Japão, França, Itália, Canadá, México e Argentina bem como com o chefe de gabinete de Durã Barroso e com o próprio secretário-geral da ONU (2). O condicionamento de decisões a serem retomadas mais à frente, com o argumento de que Obama ainda não está em funções, terá sido uma forma airosa de justificar uma não correspondência com pressões de vários países emergentes, potências regionais, que não quererão ficar pelas generalidades das conclusões saídas da conferênca que continuam a conformar-se com a supremacia de Washington.
A presença nesta cimeira de representantes de Obama e de Biden reflecte, aliás, o consenso estabelecido nos EUA entre Washington e a Wall Street.
Seja qual fôr a valorização pesoal que se faça dos objectivos e intenções de Obama, e não deixando de considerar que se mantem vivo um grande movimento de esperança na mudança, não se pode ignorar que o Presidente eleito é o vértice de uma pirâmide onde estão inatalados os interesses económicos e militares que há dezenas de anos têm assegurado ou disputado uma hegemonia castradora do que de mais fundo se encontra nasa aspirações desse movimento.
E não foram sinais de estímulo ao peso autónomo desse movimento no curso da vida política que começaram a ser dados. Pelo contrário, o movimento de cadeiras realça o peso do stato quo e dos compromissos contra natura em relação a tanta esperança.

(1) Respectivamente editor do jornal Economia Pós-Keynesiana e Professor Convidado da Universidade do Missouri (Kansas City).
(2)
http://www.mlive.com/us-politics/index.ssf/2008/11/albright_and_leach_make_the_ro.html

Lemos na sema de 10 a 16 de Novembro

13/11/08, Bernardino Soares, Avante!, “O mundo ao contrário” - Para um observador desprevenido que olhasse para o que acontece em Portugal e no mundo, a sensação seria a de que estava perante um mundo ao contrário.


11/11/08, Eduardo Catroga, Diário Económico, A crise financeira e as consequências para Portugal/A crise financeira global implica a redefinição de prioridades para a economia portuguesa – “O que é que a crise financeira global significa para a economia portuguesa? Essencialmente três coisas: (i) um retrocesso no fraco processo de retoma económica em curso, depois da recessão de 2003; (ii) maiores dificuldades de captação de poupança externa longa; (iii) necessidade de redefinição das prioridades para os próximos anos na afectação dos recursos”

10/11/08, Paul Davidson e Henry C. K. liu, “Carta aberta para os dirigentes mundiais que vão estar presentes na cimeira da Casa Branca de 15 de Novembro sobre os mercados financeiros e a economia global” - Pode evitar-se outra Grande Depressão se os dirigentes mundiais reconsiderarem o sistema analítico de John Maynard Keynes que contribuiu para a era dourada do primeiro quarto de século após a Segunda Guerra Mundial. Os signatários e outros há muito defendem uma nova arquitectura financeira internacional que parta de uma versão actualizada para o século XXI do Plano Keynes, originalmente proposta em Bretton Woods no ano de 1944.

Pintura de Rogério Ribeiro




Registos de 10 a 16 de Novembro


13/11/08, Carlos Gonçalves, “Nem com paciência de ostra”, Avante! – As posições de Alegre nesta legislatura são paradigma do oportunismo e da gestão de imagem de pseudo-dissidência com a política de Sócrates.

11/11/08, João Miguel Tavares, D. Notícias – No meu caso, chamem-me sentimental, mas não consigo deixar de me comover com as lágrimas do reverendo Jesse Jackson e com a alegria de milhões de pessoas que há menos de meio século estavam privadas dos direitos mais básicos e que hoje têm o prazer de ver um negro tomar conta da Sala Oval. E logo da forma como o conseguiu: vindo do nada, sem dinheiro, nem família, nem estrutura, recusando o queixume, superando o velho discurso sobre a raça, evitando entrar nos habituais jogos de golpes baixos e construindo a mais extraordinária campanha de que há memória, apenas com a força da sua disciplina, da sua equipa e do seu talento. Meus caros amigos, meu caro Pedro Mexia, caro João Miranda, vocês que me desculpem: se uma pessoa não se entusiasma com isto, com o que é que se há-de entusiasmar?

11/11/08, Ferreira Fernandes, D. Notícias - É um fenómeno idêntico, nas sociedades pobres, à subida da venda de pão originada pela subida do seu preço. Compram-se mais bens inferiores, porque já não se tem acesso a bens mais caros. Mais pão, quando menos salame; mais bâton porque se gasta menos com roupa. Não se vê corações, mas quem vê caras pode ver depressões.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Estamos a resistir melhor que os outros à recessão?


A (ainda!) tentativa de iludir o que nos espera, dizendo que a estagnação (0,0% de crescimento) prova que estamos a resistir à recessão de quem está nos -0,1% é ridículo, oferece pouca confiança no que o governo possa estar a fazer. O apoio às empresas decorrentes da liquidez para o crédito que foi paga por todos nós e a substituição de exportações condenadas ao fracasso nesta conjuntura por outras de maior valor acrescentado pode não chegar. Outro tipo de medidas têm que ser encaradas para fomentar a procura interna e apostar na competitividade das exportações. O nível dos rendimentos disponíveis, tendo já descontado do produto interno os pagamentos ao exterior é, de facto, o que poderá determinar uma mais lenta redução das condições de vida e um alargamento do mercado interno, já que os nossos pricipais importadores estão ou vão entrar em recessão
Quem brinca, atribuindo diferenças qualitativas a crescimentos de +0,1, 0,0 ou -0,1, faz figura de fanfarrão quando se sabe que, infelizmente os pés são e barro.
Algum pudor seria prudente, a não ser que se prefira aumentar o descrédito acrescido posterior.

Cartoon de Al-Azar

De um amigo, do outro lado do mar


Caros amigos,
1
Na noite das eleições costumamos ouvir os discursos de sempre.
Uns cumprimentam os vencedores, esquecendo os nomes que lhes chamaram.
Outros cumprimentam os vencidos e dizem-se representantes de todos.
Os mesmos todos que tecem loas à democracia.
Os jornalistas (quase todos) ajudam à festa.
E preparam-se para partir para outra porque esta já não tem "interesse jornalístico".
2
Dos cinquenta Estados Americanos só há 8 com mais população do que Portugal: California (mais de 36 milhões), Texas (>23), New York (>19), Florida (>18), Illinois e Pennsylvania (>12), Ohio (>11) e Michigan (>10).
Portugal seria, em número de habitantes, o nono Estado.
Agora imaginem que, passados nove dias das Eleições Presidenciais em Portugal, ainda não se soubesse quem era o futuro Presidente.
Aconteceu em 2000, entre Gore e Bush, no meio das trapalhadas das eleições na Florida.
Está a acontecer de novo, em 2008, no Estado de Missouri, onde ainda não se sabe quem ganhou!
Pelos vistos ninguém se incomoda. Não tem interesse jornalístico...
3
Missouri tem, segundo o último censo, 5 878 415 habitantes. Pouco mais de metade de Portugal. Como não estão contados todos os votos e há dúvidas nos que foram contados, não se sabe quem ganhou! Neste momento, McCain tem mais 4 990 votos do que Obama. Em pouco mais de 2 milhões e oitocentos mil votos contados...
Se isto se passasse em Portugal o que se diria!
Por aqui, aguarda-se a contagem e recontagem e o anúncio do vencedor...
4
O mais grave de tudo isto é que se provou, uma vez mais, que o sistema eleitoral americano não está preparado para resultados equilibrados. A margem de erro do sistema é superior a pequenas diferenças no número de votos. Se Obama não tem ganho claramente na Florida, no Ohio, na Virgínia, em Nevada, no Colorado, em New Mexico, na Pennsylvania, etc, estaríamos de dedo na boca à espera dos resultados.
Acham que é normal?
Aqui é!
5
Mas há mais. No dia 4 de Novembro houve eleições para alguns lugares no Senado, para alguns lugares na House of Representatives (câmara baixa do Congresso), para Sheriffs, para os mais diversos cargos e ainda para referendos às Constituições de vários Estados.
Um dos assuntos referendados era o da proibição de casamentos entre homossexuais, por exemplo.
6
Na Georgia paira um mistério. Parece que terão desaparecido votos! Nada se sabe.
Mas, meus amigos, depois de haver filas para votar, durante semanas, em que os eleitores esperavam mais de 4 ou 5 horas (havendo casos de esperas superiores a 8 horas!), parece que o número de votantes terá sido mais ou menos o mesmo de há 4 anos atrás!
Essa mesma Georgia onde se ergue, orgulhosa, à beira da auto-estrada principal que a atravessa, uma enorme bandeira dos Estados do Sul, racistas, do tempo da Guerra Civil...
7
Na Georgia há já, no entanto, uma certeza. No dia 2 de Dezembro vai haver eleições novamente, desta vez para eleger um senador. É que, segundo as leis eleitorais deste Estado, para que um candidato seja eleito tem de ter mais de metade dos votos entrados nas urnas. Como o candidato do Partido Republicano não o conseguiu, haverá uma segunda volta.
Adivinhem quem anda pela Georgia a fazer campanha eleitoral...
McCain, Romney, Giuliani, Huckaby e montes de outras ilustres personalidades do Partido Republicano...
Andam de cabeça perdida...
A equipa de Obama está em força na Georgia, a fazer o trabalho de sapa que andámos, pelo país todo, a fazer durante dois anos.
Essa mesma Georgia onde se ergue, orgulhosa, à beira da auto-estrada principal que a atravessa, uma enorme bandeira dos Estados do Sul, racistas, do tempo da Guerra Civil...
Não é engano. Fui eu que repeti a frase. Vocês podem não compreender, mas eu vi, com os meus próprios olhos, a enorme bandeira desafiadora!
8
No Alaska a história é outra.
Foi anunciada a vitória do candidato Republicano ao Senado (aliás, o mais antigo Senador Republicano). Tinha uma vantagem de uns milhares de votos. Mas faltava contar dezenas de milhares de votos...
Eram votos que davam uma maioria a Obama e ao candidato do Partido Democrático e que, a partir de certa altura, deixaram de ser contados.
Por força do controlo democrático houve que recomeçar a contar votos.
Ontem foi anunciado que faltava contar ainda 35 mil votos e que o candidato do Partido Democrático estava com mais 3 votos que o velho Republicano.
Continuamos a aguardar!
9
Aliás há outra história dentro desta história.
O tal velho senador Republicano tem um processo às costas por corrupção e, mesmo que seja eleito, será expulso do Senado!
Se perder as eleições (parece que é o que vai acontecer) o assunto fica arrumado.
Mas se ganhasse e fosse expulso do Senado teria de ser substituído. A mais forte candidata ao lugar seria uma senhora que está em bicos dos pés para o conseguir, depois de afirmar que o cargo de Governadora do Alaska é o melhor emprego do mundo!
Sarah Palin, claro! A Sarah do Alaska, como ela gosta de se chamar!!!
10
Em Minnesota a história é, ainda, outra.
Passa-se o mesmo que na Florida 2000! Há recontagem de votos.
Ontem dizia-se que se saberá o resultado final antes do Natal! Deste ano, penso eu...
O candidato do Partido Democrático está a 205 votos da vitória (votaram mais de 2 milhões e 800 mil pessoas). Ele tem 1 211 359 votos, enquanto o candidato do Partido Republicano tem 1 211 565 e um terceiro candidato tem 437 389.
11
A parte interessante deste romance eleitoral para o Senado é que, se os candidatos do Partido Democrático ganharem estas 3 eleições, passará a haver uma maioria qualificada no Senado (60 Senadores do Partido Democrático e 40 do Partido Republicano). Esta correlação de forças impedirá o Partido Republicano de travar processos legislativos que exijam uma maioria de 2/3 dos votos no Senado!
Aqui está, talvez, uma das explicações para tanta trafulhice...
...
12
Por hoje é tudo.
A conversa vai longa e a crise não deixa de se aprofundar.
As previsões da OCDE e do FMI para as economias americana e europeia são dramáticas.
Teremos um próximo ano de recessão.
Sem fim à vista.
E há ainda muita gente que insiste em meter a cabeça na areia e esperar que a tempestade passe. O mais grave é que algumas destas avestruzes estão nos poleiros dos poderes...
...
Um abraço,
fernando

Frase de fim-de-semana, por Jorge


“Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos”

Thomas Jefferson
(1743-1826), autor da "Declaração de Independência" e 3º Presidente dos EUA (declaração de 1811, após recusa da renovação da carta do "First Bank of USA", banco central criado pelo Congresso em 1791)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

cartoon de monginho

in Avante!

Camaleando pragmaticamente


O camaleão não é um bicho bonito e nem a variação de cores de acordo com o contexto lhe confere a beleza que, provavelmente, só o próprio lhe discerna.
Associados ao perfil camaleónico encontramos perfis semelhantes como o do pragmatismo, do espírito cortesão, ou da genuflexão, …
Todos reflectem uma forma não muito salutar de estar bem com a vida mas camaleão é camaleão e, mesmo que só ele o reconheça, está de bem na sua pele.
Os camaleões aproveitam a capacidade de adaptação para fisgarem insectos que deglutem, mas em relação a seres de outro porte cospem veneno quando tais seres não aderem ao seu pragmatismo.
Ser camaleão é ser pragmático, mandar os princípios às urtigas, tirar proveito do centrão dos consensos defensores do stato quo, marimbar-se nas consequências dos actos de hoje na realização de paradigmas.
Mas, reconheçamo-lo, camaleão também é animal de paradigmas voláteis.
Camaleão traz na lapela o fim das ideologias, geralmente para contrabandear umas e tentar meter outras debaixo do tapete ou dentro da gaveta.
Mas também encontramos camaleões no seio das crises como a presente, rapidamente passando de responsáveis dela para seus analistas e rabiscadores de perspectivas de que não pagam direitos de autor por terem caído no domínio público e roçarem a banalidade.
O camaleão também é surfista destemido mas não de uma onda só, umas vezes velho do Restelo, outras sebastiânico, algumas até visionário, quando o crédito público e a cotação deste em maravedis convertíveis estejam garantidos.
Há camaleões que passam de acérrimos opositores de Fulano para passar a seus encumiásticos apoiantes quando garantem os pratos de lentilhas mesmo servidos a frio.
A espinha dorsal camaleónica tem sido estudada e revela uma estrutura raquítica que a aproxima dos invertebrados.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Morreu Miriam Makeba, a "Mamã Africa"

Morreu ontem com 72 anos Miriam Makeba, talvez a maior voz da Africa contemporânea.
Nascida para a música nos blues e nos rimos populares do seu país, a África do Sul, Miriam projectou-se internacionalmente depois de progredir na carreira nos EUA.
Foi sempre uma mulher de esquerda que cantou a luta dos oprimidos.
Desde então foi uma combatente contra o apartheid que teve como ponto alto o seu protagonismo no documentário de 1960 "Come back Afrika". O regime do apartheid concelou-lhe então o passaporte sul-africano.
Dos EUA foi para Londres onde conviveu e trabalhou com Harry Belafonte o actor negro norte-americano que com ela gravaria o disco "Uma noite com Belafonte e Makeba que obteria o Grammy na categoria de música folk em 1966.
O governo racista continuou a persegui-la, impedindo-a de regressar ao país e retirando-lhe a nacionalidade. Viria depois a casar-se com Stokely Carmichael, dirigente carismático dos Black Power e dos Panteras Negras. O casal continuou a ser perseguido e foi viver para a Guiné. Mas ela percorria o mundo com os seus espectáculos.
Regressou à África do Sul em 1990, depois do derrube do apartheid, foi recebida no aeroporto por Nelson Mandela e no seu país prosseguiu a sua carreira sampre ligada ao combate ao apartheid e à emancipação dos negros.
Continuava hoje a sua vida artística, solidarizando-se por causas progressistas como a do espectáculo de ontem, em que faleceu, de homenagem ao escritor Roberto Saviano, autor do livro "Gomorra", que por isso e, pelo êxito que foi a adaptação do seu livro ao cinema este ano, passou a ser ameaçado pela Mafia.

sábado, 8 de novembro de 2008

120 mil professores avaliaram negativamente a Ministra


Solidário, lá estive a vê-los passar. Desde que iniciaram o desfile até que este deixou de passar foram 3 horas!...

A ministra diria depois que a manif intimidava os professores que estavam a fazer a avaliação...Quais professores? Quantos sobram? Quantos dos que estão a fazer trabalhos de avaliação estão a fazê-lo com gosto? Quantos vieram a público dizê-lo??

E continuou a mentir dizendo que os professores não queriam ser avaliados quando os seus sindicatos concordam com outro tipo de avaliação. Insistir na mentira visa obviamente isolar os professores de qualquer acolhimento junto de outros sectores da população. Esse tem sido um objectido insistentemente prosseguido. Com essa e outras, a Ministra e o seu Primeiro-Ministro têm provocado um terramoto dentro de uma Educação já com tantas dificuldades. Têm que ser parados. Foi isso que os professores lhes disseram hoje.

Um despacho de Valter Lemos...


O preâmbulo de um despacho de Valter Lemos reza assim:


“O Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaraçãode Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro,rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, assenta num princípio estruturante que se traduz na flexibilidade de escolha do percurso formativo do aluno e que se consubstancia na possibilidade de organizar de forma diversificada o percurso individual de formação em cada curso e na possibilidade de o aluno reorientar o próprio trajecto formativo entre os diferentes cursos de nível secundário. Assim, o Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série), de 20 de Julho, veio estabelecer um conjunto de orientações sobre o processo de reorientação do percurso escolar do aluno, visando a mudança de curso entre os cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 deMarço, mediante recurso ao regime de permeabilidade ou ao regime de equivalência entre as disciplinas que integram os planos de estudos do curso de origem e as do curso de destino, prevendo que a atribuição de equivalências seria, posteriormente, objecto de regulamentação de acordo com tabela a aprovar por despacho ministerial. Neste sentido, o Despacho n.º 22796/2005 (2.ª Série), de 4 deNovembro, veio concretizar a atribuição de equivalências entre disciplinas dos cursos científico-humanísticos, tecnológicos e artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos audiovisuais, do ensino secundário em regime diurno, através da tabela constante do anexo a esse diploma, não tendo, no entanto, abrangido os restantes cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março.
A existência de constrangimentos na operacionalização do regime depermeabilidade estabelecido pelo Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série),de 20 de Julho, bem como os ajustamentos de natureza curricularefectuados nos cursos científico-humanísticos criados ao abrigo doDecreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, implicaram a necessidade dese proceder ao reajuste do processo de reorientação do percurso escolar do aluno no âmbito dos cursos criados ao abrigo do mencionado Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março. Desta forma, o presente diploma regulamenta o processo de reorientação do percurso formativo dos alunos entre os cursos científico-humanísticos, tecnológicos, artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos audiovisuais, incluindo os do ensino recorrente, profissionais e ainda os cursos de educação e formação,quer os cursos conferentes de uma certificação de nível secundário de educação quer os que actualmente constituem uma via de acesso aos primeiros, criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 deMarço, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006,de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 deJulho, e regulamentados, respectivamente, pelas Portarias n.º550-D/2004, de 22 de Maio, alterada pela Portaria n.º 259/2006, de 14de Março, n.º 550-A/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 260/2006, de 14 de Março, n.º550-B/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 780/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-E/2004, de 21 de Maio,com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 781/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-C/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 797/2006, de 10 de Agosto, e pelo Despacho Conjunton.º 453/2004, de 27 de Julho, rectificado pela Rectificação n.º1673/2004, de 7 de Setembro.
Assim, nos termos da alínea c) do artigo 4.º e do artigo 9.º doDecreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaraçãode Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro,rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril,e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, determino: ...


Imagine agora, caro leitor, a quem está entregue a Educação do País...

A insatisfação dos militares


A insatisfação dos militares e as preocupações que dela possam decorrer só tem uma solução: o governo cumprir com o disposto na Lei do Associativismo Militar. Só com esquemas de diálogo reconhecidos por todos e eficientes é que se pode deixar de continuar com o jogo de máscaras tão alheio à frontalidade e lealdade que devem reger a instituição militar.

Insistir no faz-de-conta da suposta ignorância das aspirações socio-profissionais dos militares é uma das expressões do autismo também verificável na Educação e noutros sectores.

Quem semeia ventos...