sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A frase de fim-de-semana, por Jorge


"Não se põem ladrões a trabalhar em bancos"


provérbio americano

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Cartoon de Monginho

in Avante!

Jacques Brel, nos trinta anos de um adeus


O cantor belga que tanto impacto teve em várias gerações, nos seus gostos musicais e estilos pessoais, morreu em 9 de Outubro de 1978 com 49 anos de cancro no pulmão, em Bobigny, perto de Paris. Regressava a França depois de, finalmente seguindo o conselho dos médicos, ter passado um verão na Polinésia a descansar. Embora tivesse parado de cantar no dia 16 de Maio 1967 em Roubaix (no Norte), sempre foi uma figura muito popular. O mistério que rodeou o seu retiro para Marquises avivou a curiosidade dos seus admiradores nessa fase final da vida.
"Ne me quitte pas", "Amesterdam", "Ces gens-là", "Mathilde", "Les Vieux" ... são canções de Brel que se tornaram património mundial e cujas letras ainda nos impressionam pela sua justeza e força. Brel é a imagem de um artista que parecia consumir-se no palco, como se a sua vida dependesse dele, e viveu os seus personagens, com gestos teatrais e o suor no rosto. Marcou a sua época e influenciou novos artistas, como aconteceu mais recentemente com o rapper Abd al Malik, que trabalha com o ex-pianista (e marido de Juliette Greco), Gerard Jouannest.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Robert Capa, repórter de guerra

Em Espanha, Berlim, Itália, Normandia e em tantos outros locais. A sua foto mais conhecida é a do momento da morte de um soldado republicano em Espanha, que aqui figura, bem como outra antes da morte. Também aqui está o seu último negativo na guerra do Vietnam.










"Free hugs" (abraços livres) ou a luta contra a discriminação pela SIDA

Ora vamos lá afinar o traço...

Aprenda a desenhar um corpo, de dentro para fora...
http://fcmx.net/vec/v.php?i=003702

Noiva indiana


Uma outra interpretação para a crise...


O papa Bento XVI afirmou esta segunda-feira que a crise financeira global revela que «a fé em Deus é melhor do que passar a vida a procurar riqueza material».
«Vemos agora, no colapso dos grandes bancos, que o dinheiro desaparece, ele não é nada», disse o pontífice.
A crise financeira, a pior desde a Grande Depressão, empobreceu os investidores em centenas de milhares de milhões de dólares e está a levar instituições bancárias, que pareciam intocáveis, à falência.
O pontífice, usando uma metáfora bíblica, disse que as pessoas que ignoram o mundo de Deus para procurar a riqueza construíram as suas casas sobre areia, em vez de uma base sólida de fé. Foi uma possível referência ao colapso do mercado imobiliário norte-americano, que despertou a crise.
«Quem constrói sua vida sobre essa realidade, sobre as coisas materiais, efectivamente constrói a sua casa sobre areia. Somente o mundo de Deus é a base de toda a realidade», disse.
(in diário digital)

(Bento XVI)

A Jaula do Leão, com Charlie Chaplin

Os zés-ninguém, de Eduardo Galeano, por migana


Sonham as pulgas comprar um cãoe sonham os zés-ninguém deixar de ser pobres.
Que algum dia mágico lhes traga a sorte,que chova a cântaros a boa sorte.
Porém a boa sorte não choveu ontem,nem choverá hoje, nem amanhã, nem nunca.
Nem a chuva cai do céu, nem a boa sorte,por muito que os zés-ninguém por ela clamem.
Ainda que lhe acenem com a mão esquerda,ou se levantem com o pé direito,ou comecem o ano mudando de escova de dentes,os zés-ninguém, os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os zés-ninguém: os nenhuns, os não nomeados,correndo como lebres, morrendo na vida
Fodidos e refodidos.
Aqueles que não são, ainda que sejam.
Que não falam idiomas, apenas dialectos.
Que não professam religiões, apenas superstições.
Que não fazem arte, só artesanato.
Que não fazem cultura, só folclore.
Que não são seres humanos, apenas recursos humanos.
Que não têm cara, só têm braços.
Que não têm nome, apenas um número.
Que não figuram na história universal,só na crónica vermelha da imprensa local.
Os zés-ninguém que custam menos que a bala que os mata»·


Tradução livre de um poema de Eduardo Galeano do livro"Los Nadies"

domingo, 5 de outubro de 2008

Plano de salvamento ou desfalque monumental aos contribuintes?


A Reserva Federal dos EUA (Fed) é uma instituição controlada pela banca privada e o macro-empréstimo dos 700 mil milhões de dólares, que o Congresso acabou por aprovar- equivalente a quase um quarto do orçamento anual dos EUA, é realizado com taxas que a Fed impõe e que não são matéria de decisão nem pelo Congresso nem pelo governo federal (na passagem da primeia para a segunda versão do plano estas intituições não as alteraram…).
Assim o plano de regate por parte do Estado acaba por ser, na prática, um desfalque monumental que é feito ao povo norte-americano, que atraves dos impostos acxaba por pagar essas taxas de juro…e um neócio fabuloso para a bana privada que, assim, recorre ao Estado para fazer o negócio mais rentável da crise que é o de emprestar às empresas em queda.
Pode consultar esta faceta da questão, por exemplo, em
http://www.iarnoticias.com/

Um outro 5 de Outubro, ou o arco-íris que venceu Pinochet


Em 5 de Outubro de 1988, o povo chileno impôs em plebiscito nacional o “Não” que viria a marcar o fim do regime militar saído do golpe de 1973.



http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/latin_america/newsid_7646000/7646154.stm



sábado, 4 de outubro de 2008

Mamma mia!, digo eu...


Quer divertir-se e ficar bem disposto? Vá ver o Mamma Mia!...

Tem vários ingredientes que o podem tornar um sucesso de bilheteira. Dizem que este musical, em palco, em que a encenadora foi a mesma realizadora da versão em filme, era melhor...

Mas atenção: não vá à espera de ver um bom filme nem um bom musical. Nada disso.

O filme não têm enredo, é de baixa qualidade, os actores não são actores para musicais e nem se percebe como aceitaram fazer esta coisa.

Então o que o torna algo de agradável aos sentidos?

Em primeiro lugar, e acima de tudo, as músicas dos Abba. Se elas não existissem o filme, nem mesmo nos EUA, chegaria ao circuito comercial.

Depois a beleza da ilha grega de Kalokairi.

Finalmente o movimendo dos bailarinos e dos coros a servirem - nem, sempre bem - as músicas que, desde os anos 70, nos ficaram nos ouvidos.

Mas, como lhe disse, sai de lá aliviado de mágoas e bem disposto.

Já agora, vá ver...

paisagem enganadora, por anamar

A frase de fim-de-semana, por Jorge


"Em cada coisa há que considerar o seu fim"


La Fontaine

(Fábula III, 5)

...e a Lisboa de Carlos Botelho



Lisboa e Cardoso Pires, por anamar


“ Logo ao abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro; sempre que me sinto em alturas de abranger
O mundo, no pico de um miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade nave, barca com ruas e jardins por dentro e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadinha ancoras , há sereias. (…)

Em frente é o rio que corre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos. (…)

È possível definir Lisboa como um símbolo. Como a Praga de Kafka, como a Dublin de Jorge ou a Buenos Aires de Borges. Sim é possível. Mas, mais do que as cidades, é sempre um bairro ou um lugar que caracterizam essa definição e a fidelidade tantas vezes inconsciente que lhes dedicamos. O Chiado, neste caso.”….

Passeemos pela mão de José por este que foi o seu olhar e sentir pela cidade de Lisboa, sem deixar de levar na mão o livro Lisboa/ Livro de bordo vozes,olhares, memorações
Publicações Dom Quixote

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A alternativa ao capitalismo e o cerco policial a bairros


“…é o socialismo a alternativa necessária e possível para superar as agudas contradições do sistema capitalista e enfrentar os dramáticos problemas que percorrem o mundo contemporâneo.” (Albano Nunes) ”Para quem é dos tais bairros de onde «ninguém entra nem sai», é que daria jeito o programa que os «Contemporâneos» sugeriam. Pelo menos, daria para telefonar para a escola, para o emprego ou para o médico a avisar que se vai chegar tarde, invocando o cerco que até deu na televisão...” (Margarida Botelho)

Cartoon de Monginho

in Avante!

Pintura, de Claude Monet



quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sempre os mesmos a pagarem os crimes dos banqueiros...


Do “Público” de hoje extraímos

Os juros que sobem e as garantias para os depositantes

Prestações dos empréstimos para compra de habitação não param de subir

01.10.2008 - 09h04
Por Rosa Soares

As revisões periódicas de contratos à habitação que ocorram em Outubro vão ser uma má notícia. A subida das taxas Euribor nas duas últimas semanas, em resultado da turbulência financeira, colocou todos os prazos a bater máximos históricos e agravou consideravelmente a média mensal de Setembro.A Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal, terminou o último mês nos 5,219 por cento. Quem venha a pedir um empréstimo em Outubro, de 150 mil euros, por 25 anos, vai pagar mais 5,38 euros do se tivesse pedido o mesmo montante um mês antes. Diferença muito maior vai sentir quem tem um empréstimo antigo, com revisão a coincidir no corrente mês, uma vez que verá a prestação mensal aumentar em 56,36 euros. Com base na mesma simulação – feita para o PÚBLICO pela Deco-Proteste – e que tem na base um spread (margem do banco) de 0,7 por cento, a subida face a Março, que é de 6,24 por cento, vai prolongar-se por seis meses, pelo que o aumento da taxa em concreto vai representar um encargo total de 338,16 euros. A prestação mensal actual do referido empréstimo é de 959,04, quando desde Março era de 902,68 euros.O outro prazo muito utilizado no crédito à habitação, especialmente nos contratos mais recentes, a Euribor a três meses, já está acima dos cinco por cento. A média atingiu os 5,019 por cento, contra 4,965 por cento em Agosto.No prazo de 12 meses, muito utilizado em empréstimos às empresas, a média de Setembro atingiu 5,384 por cento, contra 5,323 por cento do mês anterior. Nos últimos dias, as subidas da Euribor têm sido muito significativas – a última cotação diária do prazo de seis meses foi ontem de 5,377 por cento. Esse aumento reflecte a desconfiança dos bancos em emprestarem dinheiro entre si, por causa das dificuldades financeiras que alguns estão ou podem vir a revelar e por necessidade dos próprios bancos de ter maior liquidez, para fazer face a um número crescente de resgates de fundos de investimentos e outros produtos financeiros. Face à escassez de dinheiro no mercado interbancário – composto por 57 bancos, dos mais activos da zona euro e alguns países terceiros –, os bancos estão a financiar-se cada vez mais no banco Central Europeu (BCE), que tem sentido necessidade de injectar somas consideráveis de dinheiro no sistema.As taxas Euribor a seis e 12 meses estão mais de um por cento acima da taxa de referência do BCE, o que é considerado excessivo. Face à dimensão da crise, grandes casas de investimento defendem que o BCE deveria baixar as taxas de juro de referência, actualmente nos 4,25 por cento.

Dia Nacional da Água: defendamo-la!


Jerónimo de Sousa sobre a crise internacional do capitalismo e medidas urgentes para lhe fazer face


O PCP entende que face à grave crise do sistema capitalista e aos seus impactos na economia nacional e na vida do Povo português, o governo deve encarar de frente a situação, assumir as suas responsabilidades e deixar-se de mistificações.
É uma mistificação afirmar-se que a crise se deve à ganância de alguns, como se a crise fosse a violação de normas éticas, ou como se a busca do máximo lucro não fosse inerente ao sistema Capitalista.
É uma mistificação explicar a crise apenas pelo rebentamento da bolha do sub-prime. Na verdade, a crescente financeirização da economia mundial em detrimento da produção real, a prática especulativa dos grandes senhores do dinheiro, aos quais tudo é permitido, a crescente desvalorização dos salários e a sua substituição pelo incentivo e facilitação do endividamento, são aspectos incontornáveis da grave situação a que chegámos.
É uma desculpa esfarrapada afirmar-se que o governo foi surpreendido quando a verdade é que há muito era conhecida a bolha especulativa imobiliária. O governo conhecia a situação e mesmo depois da deflagração da crise, em Agosto do ano passado, continuou a desvalorizar a sua profundidade e a ocultar as suas consequências.
É uma ilusão e uma mistificação pensar-se que pode haver transparência e regulação no actual quadro de economia de mercado, com a livre circulação de capitais e os off-shores, como aliás o evidenciam as medidas tomadas após o rebentamento da penúltima bolha especulativa – “nova economia” – em que se tomaram novas medidas de regulação, controlo e transparência, sem que as questões de fundo tivessem sido alteradas. Recorde-se também, que os casos do BCP e as suas ligações aos off-shores só foram conhecidas pelo Banco de Portugal porque houve denúncia interna.Isto não significa que o PCP entenda que não se devem agravar sanções e tomar medidas que reforcem os deveres de transparência dos mercados e informação das instituições sobre a sua actividade e os seus ditos produtos.
É uma mistificação e uma ilusão considerar-se que o país tem resistido à crise e que está hoje, melhor preparado. Infelizmente o país encontra-se estagnado, como o provam a diminuição do PIB (Produto Interno Bruto), das exportações, o aumento das taxas de juro e a quebra do poder de compra dos trabalhadores e das camadas médias, são consequências conjugadas de uma política interna desastrosa e da crise internacional.O endividamento do País e do sistema financeiro ao estrangeiro e o endividamento das famílias a par com a fragilidade do nosso aparelho produtivo e o domínio com as privatizações de empresas básicas e estratégicas pelo estrangeiro agudizam substancialmente a exposição à crise.
O PCP considera que esta crise põe também em evidência, a falsidade dos dogmas do neo-liberalismo, do “menos Estado”, do “Estado não intervencionista”, da “mão invisível do mercado”, do mercado “regulador”. Os grandes defensores do “tudo ao privado” e do “Estado mínimo”, são agora os maiores defensores da intervenção do Estado e da nacionalização dos prejuízos, procurando assim passar a factura da crise para o povo em geral e premiar com milhões, os que ganharam e ganham milhões com especulação.
O capitalismo revela mais uma vez a sua natureza e as suas profundas contradições, um sistema que não resolve os problemas da humanidade, antes os agrava, fomentador das desigualdades, das injustiças, da pobreza, da miséria de milhões de seres humanos.
O PCP considera que face à grave crise o governo deve desde já tomar as seguintes medidas:
No plano interno, intervir junto do sistema bancário para diminuir as taxas de juro; tomar medidas para valorizar, defender e promover a produção nacional, aliviar a tesouraria das empresas acelerando os pagamentos em dívida e de todos os fundos comunitários; aumentar os salários e repor o poder de compra dos trabalhadores; reforçar as prestações sociais designadamente, às famílias mais carenciadas; melhorar a distribuição do Rendimento Nacional.
Na União Europeia, intervir junto do BCE para a descida das taxas de juro; a suspensão do Pacto de Estabilidade; o combate às deslocalizações; o reforço dos Fundos Estruturais e outras medidas orçamentais que relancem as actividades económicas e o investimento; aumento dos salários de forma a melhorar o poder de compra e a alargar assim o mercado interno. O Governo deveria tomar a iniciativa junto da EU para acabar com os off-shores.
O PCP está a favor da revisão do Sistema Monetário e Financeiro internacional e do combate aos privilégios do dólar, mas tal não pode ser feito com a valorização artificial do Euro, à custa das economias mais débeis da União, como é o caso de Portugal.
O PCP considera também que apesar dos planos Bush/Paulson, das intervenções em bancos em vários países da Europa e das injecções dos Bancos Centrais, a crise vai ainda perdurar e que as principais medidas já ensejadas visam passar os custos da crise para as populações em geral e terão como consequência uma ainda maior concentração da riqueza e centralização do capital.
A grande participação que hoje se registou no Dia Nacional de Luta convocado pela CGTP-IN, onde milhares de trabalhadores do sector público e privado, em greves, paralisações e acções de rua, manifestaram o seu repúdio à intenção do Governo PS de alteração para pior do Código do Trabalho, e exigiram o aumento dos salários e o combate à precariedade, constitui um sinal inequívoco da vontade de uma outra política comprometida com o interesse e a soberania nacional, a defesa do aparelho produtivo, uma mais justa repartição da riqueza, um país de progresso e justiça social, aspectos estes que, perante a gravidade dos últimos acontecimentos, se tornaram ainda mais decisivos para o futuro do país.