segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Robert Capa, repórter de guerra

Em Espanha, Berlim, Itália, Normandia e em tantos outros locais. A sua foto mais conhecida é a do momento da morte de um soldado republicano em Espanha, que aqui figura, bem como outra antes da morte. Também aqui está o seu último negativo na guerra do Vietnam.










"Free hugs" (abraços livres) ou a luta contra a discriminação pela SIDA

Ora vamos lá afinar o traço...

Aprenda a desenhar um corpo, de dentro para fora...
http://fcmx.net/vec/v.php?i=003702

Noiva indiana


Uma outra interpretação para a crise...


O papa Bento XVI afirmou esta segunda-feira que a crise financeira global revela que «a fé em Deus é melhor do que passar a vida a procurar riqueza material».
«Vemos agora, no colapso dos grandes bancos, que o dinheiro desaparece, ele não é nada», disse o pontífice.
A crise financeira, a pior desde a Grande Depressão, empobreceu os investidores em centenas de milhares de milhões de dólares e está a levar instituições bancárias, que pareciam intocáveis, à falência.
O pontífice, usando uma metáfora bíblica, disse que as pessoas que ignoram o mundo de Deus para procurar a riqueza construíram as suas casas sobre areia, em vez de uma base sólida de fé. Foi uma possível referência ao colapso do mercado imobiliário norte-americano, que despertou a crise.
«Quem constrói sua vida sobre essa realidade, sobre as coisas materiais, efectivamente constrói a sua casa sobre areia. Somente o mundo de Deus é a base de toda a realidade», disse.
(in diário digital)

(Bento XVI)

A Jaula do Leão, com Charlie Chaplin

Os zés-ninguém, de Eduardo Galeano, por migana


Sonham as pulgas comprar um cãoe sonham os zés-ninguém deixar de ser pobres.
Que algum dia mágico lhes traga a sorte,que chova a cântaros a boa sorte.
Porém a boa sorte não choveu ontem,nem choverá hoje, nem amanhã, nem nunca.
Nem a chuva cai do céu, nem a boa sorte,por muito que os zés-ninguém por ela clamem.
Ainda que lhe acenem com a mão esquerda,ou se levantem com o pé direito,ou comecem o ano mudando de escova de dentes,os zés-ninguém, os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os zés-ninguém: os nenhuns, os não nomeados,correndo como lebres, morrendo na vida
Fodidos e refodidos.
Aqueles que não são, ainda que sejam.
Que não falam idiomas, apenas dialectos.
Que não professam religiões, apenas superstições.
Que não fazem arte, só artesanato.
Que não fazem cultura, só folclore.
Que não são seres humanos, apenas recursos humanos.
Que não têm cara, só têm braços.
Que não têm nome, apenas um número.
Que não figuram na história universal,só na crónica vermelha da imprensa local.
Os zés-ninguém que custam menos que a bala que os mata»·


Tradução livre de um poema de Eduardo Galeano do livro"Los Nadies"

domingo, 5 de outubro de 2008

Plano de salvamento ou desfalque monumental aos contribuintes?


A Reserva Federal dos EUA (Fed) é uma instituição controlada pela banca privada e o macro-empréstimo dos 700 mil milhões de dólares, que o Congresso acabou por aprovar- equivalente a quase um quarto do orçamento anual dos EUA, é realizado com taxas que a Fed impõe e que não são matéria de decisão nem pelo Congresso nem pelo governo federal (na passagem da primeia para a segunda versão do plano estas intituições não as alteraram…).
Assim o plano de regate por parte do Estado acaba por ser, na prática, um desfalque monumental que é feito ao povo norte-americano, que atraves dos impostos acxaba por pagar essas taxas de juro…e um neócio fabuloso para a bana privada que, assim, recorre ao Estado para fazer o negócio mais rentável da crise que é o de emprestar às empresas em queda.
Pode consultar esta faceta da questão, por exemplo, em
http://www.iarnoticias.com/

Um outro 5 de Outubro, ou o arco-íris que venceu Pinochet


Em 5 de Outubro de 1988, o povo chileno impôs em plebiscito nacional o “Não” que viria a marcar o fim do regime militar saído do golpe de 1973.



http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/latin_america/newsid_7646000/7646154.stm



sábado, 4 de outubro de 2008

Mamma mia!, digo eu...


Quer divertir-se e ficar bem disposto? Vá ver o Mamma Mia!...

Tem vários ingredientes que o podem tornar um sucesso de bilheteira. Dizem que este musical, em palco, em que a encenadora foi a mesma realizadora da versão em filme, era melhor...

Mas atenção: não vá à espera de ver um bom filme nem um bom musical. Nada disso.

O filme não têm enredo, é de baixa qualidade, os actores não são actores para musicais e nem se percebe como aceitaram fazer esta coisa.

Então o que o torna algo de agradável aos sentidos?

Em primeiro lugar, e acima de tudo, as músicas dos Abba. Se elas não existissem o filme, nem mesmo nos EUA, chegaria ao circuito comercial.

Depois a beleza da ilha grega de Kalokairi.

Finalmente o movimendo dos bailarinos e dos coros a servirem - nem, sempre bem - as músicas que, desde os anos 70, nos ficaram nos ouvidos.

Mas, como lhe disse, sai de lá aliviado de mágoas e bem disposto.

Já agora, vá ver...

paisagem enganadora, por anamar

A frase de fim-de-semana, por Jorge


"Em cada coisa há que considerar o seu fim"


La Fontaine

(Fábula III, 5)

...e a Lisboa de Carlos Botelho



Lisboa e Cardoso Pires, por anamar


“ Logo ao abrir, apareces-me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro; sempre que me sinto em alturas de abranger
O mundo, no pico de um miradouro ou sentado numa nuvem, vejo-te em cidade nave, barca com ruas e jardins por dentro e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadinha ancoras , há sereias. (…)

Em frente é o rio que corre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando-o de tritões a cavalo de golfinhos. (…)

È possível definir Lisboa como um símbolo. Como a Praga de Kafka, como a Dublin de Jorge ou a Buenos Aires de Borges. Sim é possível. Mas, mais do que as cidades, é sempre um bairro ou um lugar que caracterizam essa definição e a fidelidade tantas vezes inconsciente que lhes dedicamos. O Chiado, neste caso.”….

Passeemos pela mão de José por este que foi o seu olhar e sentir pela cidade de Lisboa, sem deixar de levar na mão o livro Lisboa/ Livro de bordo vozes,olhares, memorações
Publicações Dom Quixote

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A alternativa ao capitalismo e o cerco policial a bairros


“…é o socialismo a alternativa necessária e possível para superar as agudas contradições do sistema capitalista e enfrentar os dramáticos problemas que percorrem o mundo contemporâneo.” (Albano Nunes) ”Para quem é dos tais bairros de onde «ninguém entra nem sai», é que daria jeito o programa que os «Contemporâneos» sugeriam. Pelo menos, daria para telefonar para a escola, para o emprego ou para o médico a avisar que se vai chegar tarde, invocando o cerco que até deu na televisão...” (Margarida Botelho)

Cartoon de Monginho

in Avante!

Pintura, de Claude Monet



quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sempre os mesmos a pagarem os crimes dos banqueiros...


Do “Público” de hoje extraímos

Os juros que sobem e as garantias para os depositantes

Prestações dos empréstimos para compra de habitação não param de subir

01.10.2008 - 09h04
Por Rosa Soares

As revisões periódicas de contratos à habitação que ocorram em Outubro vão ser uma má notícia. A subida das taxas Euribor nas duas últimas semanas, em resultado da turbulência financeira, colocou todos os prazos a bater máximos históricos e agravou consideravelmente a média mensal de Setembro.A Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal, terminou o último mês nos 5,219 por cento. Quem venha a pedir um empréstimo em Outubro, de 150 mil euros, por 25 anos, vai pagar mais 5,38 euros do se tivesse pedido o mesmo montante um mês antes. Diferença muito maior vai sentir quem tem um empréstimo antigo, com revisão a coincidir no corrente mês, uma vez que verá a prestação mensal aumentar em 56,36 euros. Com base na mesma simulação – feita para o PÚBLICO pela Deco-Proteste – e que tem na base um spread (margem do banco) de 0,7 por cento, a subida face a Março, que é de 6,24 por cento, vai prolongar-se por seis meses, pelo que o aumento da taxa em concreto vai representar um encargo total de 338,16 euros. A prestação mensal actual do referido empréstimo é de 959,04, quando desde Março era de 902,68 euros.O outro prazo muito utilizado no crédito à habitação, especialmente nos contratos mais recentes, a Euribor a três meses, já está acima dos cinco por cento. A média atingiu os 5,019 por cento, contra 4,965 por cento em Agosto.No prazo de 12 meses, muito utilizado em empréstimos às empresas, a média de Setembro atingiu 5,384 por cento, contra 5,323 por cento do mês anterior. Nos últimos dias, as subidas da Euribor têm sido muito significativas – a última cotação diária do prazo de seis meses foi ontem de 5,377 por cento. Esse aumento reflecte a desconfiança dos bancos em emprestarem dinheiro entre si, por causa das dificuldades financeiras que alguns estão ou podem vir a revelar e por necessidade dos próprios bancos de ter maior liquidez, para fazer face a um número crescente de resgates de fundos de investimentos e outros produtos financeiros. Face à escassez de dinheiro no mercado interbancário – composto por 57 bancos, dos mais activos da zona euro e alguns países terceiros –, os bancos estão a financiar-se cada vez mais no banco Central Europeu (BCE), que tem sentido necessidade de injectar somas consideráveis de dinheiro no sistema.As taxas Euribor a seis e 12 meses estão mais de um por cento acima da taxa de referência do BCE, o que é considerado excessivo. Face à dimensão da crise, grandes casas de investimento defendem que o BCE deveria baixar as taxas de juro de referência, actualmente nos 4,25 por cento.

Dia Nacional da Água: defendamo-la!


Jerónimo de Sousa sobre a crise internacional do capitalismo e medidas urgentes para lhe fazer face


O PCP entende que face à grave crise do sistema capitalista e aos seus impactos na economia nacional e na vida do Povo português, o governo deve encarar de frente a situação, assumir as suas responsabilidades e deixar-se de mistificações.
É uma mistificação afirmar-se que a crise se deve à ganância de alguns, como se a crise fosse a violação de normas éticas, ou como se a busca do máximo lucro não fosse inerente ao sistema Capitalista.
É uma mistificação explicar a crise apenas pelo rebentamento da bolha do sub-prime. Na verdade, a crescente financeirização da economia mundial em detrimento da produção real, a prática especulativa dos grandes senhores do dinheiro, aos quais tudo é permitido, a crescente desvalorização dos salários e a sua substituição pelo incentivo e facilitação do endividamento, são aspectos incontornáveis da grave situação a que chegámos.
É uma desculpa esfarrapada afirmar-se que o governo foi surpreendido quando a verdade é que há muito era conhecida a bolha especulativa imobiliária. O governo conhecia a situação e mesmo depois da deflagração da crise, em Agosto do ano passado, continuou a desvalorizar a sua profundidade e a ocultar as suas consequências.
É uma ilusão e uma mistificação pensar-se que pode haver transparência e regulação no actual quadro de economia de mercado, com a livre circulação de capitais e os off-shores, como aliás o evidenciam as medidas tomadas após o rebentamento da penúltima bolha especulativa – “nova economia” – em que se tomaram novas medidas de regulação, controlo e transparência, sem que as questões de fundo tivessem sido alteradas. Recorde-se também, que os casos do BCP e as suas ligações aos off-shores só foram conhecidas pelo Banco de Portugal porque houve denúncia interna.Isto não significa que o PCP entenda que não se devem agravar sanções e tomar medidas que reforcem os deveres de transparência dos mercados e informação das instituições sobre a sua actividade e os seus ditos produtos.
É uma mistificação e uma ilusão considerar-se que o país tem resistido à crise e que está hoje, melhor preparado. Infelizmente o país encontra-se estagnado, como o provam a diminuição do PIB (Produto Interno Bruto), das exportações, o aumento das taxas de juro e a quebra do poder de compra dos trabalhadores e das camadas médias, são consequências conjugadas de uma política interna desastrosa e da crise internacional.O endividamento do País e do sistema financeiro ao estrangeiro e o endividamento das famílias a par com a fragilidade do nosso aparelho produtivo e o domínio com as privatizações de empresas básicas e estratégicas pelo estrangeiro agudizam substancialmente a exposição à crise.
O PCP considera que esta crise põe também em evidência, a falsidade dos dogmas do neo-liberalismo, do “menos Estado”, do “Estado não intervencionista”, da “mão invisível do mercado”, do mercado “regulador”. Os grandes defensores do “tudo ao privado” e do “Estado mínimo”, são agora os maiores defensores da intervenção do Estado e da nacionalização dos prejuízos, procurando assim passar a factura da crise para o povo em geral e premiar com milhões, os que ganharam e ganham milhões com especulação.
O capitalismo revela mais uma vez a sua natureza e as suas profundas contradições, um sistema que não resolve os problemas da humanidade, antes os agrava, fomentador das desigualdades, das injustiças, da pobreza, da miséria de milhões de seres humanos.
O PCP considera que face à grave crise o governo deve desde já tomar as seguintes medidas:
No plano interno, intervir junto do sistema bancário para diminuir as taxas de juro; tomar medidas para valorizar, defender e promover a produção nacional, aliviar a tesouraria das empresas acelerando os pagamentos em dívida e de todos os fundos comunitários; aumentar os salários e repor o poder de compra dos trabalhadores; reforçar as prestações sociais designadamente, às famílias mais carenciadas; melhorar a distribuição do Rendimento Nacional.
Na União Europeia, intervir junto do BCE para a descida das taxas de juro; a suspensão do Pacto de Estabilidade; o combate às deslocalizações; o reforço dos Fundos Estruturais e outras medidas orçamentais que relancem as actividades económicas e o investimento; aumento dos salários de forma a melhorar o poder de compra e a alargar assim o mercado interno. O Governo deveria tomar a iniciativa junto da EU para acabar com os off-shores.
O PCP está a favor da revisão do Sistema Monetário e Financeiro internacional e do combate aos privilégios do dólar, mas tal não pode ser feito com a valorização artificial do Euro, à custa das economias mais débeis da União, como é o caso de Portugal.
O PCP considera também que apesar dos planos Bush/Paulson, das intervenções em bancos em vários países da Europa e das injecções dos Bancos Centrais, a crise vai ainda perdurar e que as principais medidas já ensejadas visam passar os custos da crise para as populações em geral e terão como consequência uma ainda maior concentração da riqueza e centralização do capital.
A grande participação que hoje se registou no Dia Nacional de Luta convocado pela CGTP-IN, onde milhares de trabalhadores do sector público e privado, em greves, paralisações e acções de rua, manifestaram o seu repúdio à intenção do Governo PS de alteração para pior do Código do Trabalho, e exigiram o aumento dos salários e o combate à precariedade, constitui um sinal inequívoco da vontade de uma outra política comprometida com o interesse e a soberania nacional, a defesa do aparelho produtivo, uma mais justa repartição da riqueza, um país de progresso e justiça social, aspectos estes que, perante a gravidade dos últimos acontecimentos, se tornaram ainda mais decisivos para o futuro do país.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Um novo típo de edifícios...

O endividamento das famílias portuguesas com a habitação, um estudo de Eugénio Rosa

(resumo do estudo, consultável em resistir.info)

A actual crise financeira, que começou nos EUA, um país apresentado durante muito tempo pelo pensamento económico neoliberal dominante em Portugal, nomeadamente a nível dos media, como exemplo a seguir no campo da segurança e solidez, do crescimento económico e do emprego, crise essa que se alastrou por muitos outros países, como consequência de uma globalização totalmente desregulada para não dizer mesmo selvagem imposta pelo capital financeiro, está a ter em Portugal já consequências muito graves. No nosso País, que caminha a olhos visto para uma recessão económica que só o governo e os seus defensores se recusam ver e em tomar medidas para atenuar os seus efeitos, as consequências a nível das famílias portuguesas são cada vez maiores e mais dramáticas.

O número de famílias portuguesas com empréstimos para habitação eram já, em Julho de 2008, 1.8008.096 representando cerca de 49,5% do total das famílias portuguesas. E entre Dezembro de 2004 e Junho de 2008, o número de famílias endividas aumentou +24,6% e o valor total da divida cresceu em +48,1%.

Como consequência da crise gerada pela ganância do capital financeiro, só possível pelo domínio que este exerce sobre os governos, que ao desmoronar-se arrastam economias e as condições de vida de milhões de pessoas, em Portugal, entre Janeiro de 2005 e Julho de 2008, a prestação media total com o empréstimo destinado à aquisição de habitação aumentou 31,3%, mas a parcela destinada a amortização desse empréstimo diminuiu em -18,9%, enquanto a parte dessa mesma prestação destinada ao pagamento de juros cresceu em +75,3%. Por outras palavras, em cada 5 € pagos pelo devedor português apenas 1,44€ é destinada à amortização, ou seja , à redução da divida, enquanto 3,56€ destinam-se ao pagamento de juros. Como consequência, o número médio de anos necessários para pagar o empréstimo para habitação passou de 31 anos para 45 anos, ou seja, mais do que a vida activa da maioria dos portugueses. Entre 2004 e 2008, o valor total dos rendimentos das famílias portuguesas que estas serão obrigadas a entregar à banca para pagar só os juros de empréstimos para aquisição de habitação passará de 2.629,6 milhões de euros para 5.749,7 milhões de euros, ou seja, aumentará em 118,7%. E isto tomando como base a taxa de juros de Junho de 2008. E, entre Junho de 2008 e 18 de Setembro de 2008, a taxa de juros Euribor a seis meses, que serve de base ao crédito à habitação, já subiu de 5,13% para 5,22%

Embora os encargos com a habitação representem já uma parcela importante das despesas das famílias portuguesas, o Instituto Nacional de Estatística recusa-se em incorporar no índice de preços que publica mensalmente esta despesa. E a justificação que utiliza é que estas despesas destinam-se à “aquisição de um activo”. A recusa do INE em publicar um índice que incorpore os encargos das famílias com a aquisição da habitação só pode ser interpretada como tendo razões politicas, ou seja, visa ocultar o verdadeiro aumento de preços para as famílias portuguesas, já que publica vários outros índices (IPC, IPCH, Indicador da inflação subjacente, etc.). Se este índice fosse publicado naturalmente a taxa de inflação seria muito superior à oficial, o que tornaria à propaganda do governo e do patronato mais difícil de ocultar a degradação real das condições de vida em Portugal, nomeadamente dos trabalhadores. O INE presta assim um bom serviço ao governo e aos patrões, mas um mau serviço ao País pois ao contribuir para ocultar a descida real do poder de compra dos salários e das pensões de reforma em Portugal contribui para que continue.

O aumento dos juros está a contribuir fortemente para a degradação das condições de vida em Portugal, nomeadamente dos trabalhadores. É urgente que sejam tomadas medidas para impedir que a situação atinja níveis insustentáveis. E não é suficiente a baixa do chamado “spread”, pois os “spread” mais elevados aplicam-se mais aos empréstimos mais recentes. Uma medida mais adequada seria uma bonificação nos juros, como já existiu no passado, financiada em parte pelo Orçamento do Estado, e se possível em parte também pela banca, reduzindo os elevados “spread” e também os juros que cobra, destinada nomeadamente às famílias em que a taxa de esforço seja elevada (por ex., acima dos 25%) e com rendimentos baixos (por ex. abaixo dos 1.600 euros por mês), e sem ligações a famílias ricas. Se isso não suceder, com a continuação do aumento da taxa de juros, milhares de famílias entrarão em ruptura e em falência, e o crédito mal parado disparará, como já está a acontecer.

O disparate do dia


"A queda da Wall Street é a queda do muro de Berlim do capitalismo"
(F. Louçã)

O choque da Câmara dos Representantes, hoje em The Economist

Sem subscrever o que aqui se diz, reproduzo o que The Economist hoje nos diz. As manifestações realizadas em várias cidades norte-americanas demonstraram a rejeição popular em dar mais dinheiro aos prevaricadores sem gatrantias de que o reultado não iria ser o mesmo.
AA


A Câmara dos Representantes rejeitou ontem o plano bail-out de 700 biliões.
Teria sido uma das leis mais desagradáveis que o Congresso teria tido tão perto de aprovação. Dedicar 700 biliões de dólares do dinheiro dos contribuintes para resgatar indústria menos popular do país não era claramente um voto vencedor. Os líderes democratas e republicanos do Congresso que realizou os levantaram os narizes neste fim-de-semana e surgiram com a Lei de Estabilização Económica de Emergência, provas encorajadora de que eles tinham avaliado a gravidade da crise financeira. Mas com uma votação de 228 contra 205, o plenário rejeitou-a. Os mercados financeiros mundiais caíram rapidamente. A média industrial Dow Jones caiu mais de 700 pontos, a maior queda diária nunca registada. Os preços do petróleo caíram de 10 para menos de 97 dólares o barril. A Câmara votou contra o projecto, apesar dos esforços dos dois candidatos à presidência. "Isso é algo que todos nós vai ter dificuldade em engolir mas que teremos de levar para a frente ", tinha dito John McCain. Barack Obama tinha acrescentado que "O que não podemos fazer é não fazer nada." Na segunda-feira foi justamente isso o que a Câmara decidiu fazer. A Casa Branca emitiu uma declaração expressando o seu grave desapontamento e prometeu criar uma equipe económica para examinar os próximos passos. Continua a ser possível uma nova votação da Câmara. O Senado iria votar mais tarde esta semana. Esperava-se que o projecto de lei passasse com grande maioria. Os legisladores de ambas as partes obtiveram concessões de Hank Paulson, o secretário do Tesouro, para obterem cobertura política necessária. Mas eleitores pareciam pouco convencidos. Numa sondagem Gallup nos USA Today, realizada em 24 de Setembro apenas 22% eram favoráveis à proposta do Sr. Paulson, enquanto 56% queriam algo diferente e apenas 11% preferiam que nenhuma acção fosse tomada. Pelas normas legislativas o Congresso movimentou-se rapidamente depois de Paulson e o Sr. Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal, terem proposto a acção em 18 de Setembro, avisando de sérias consequências e mal-estar se nada fosse feito. Na semana passada a crise financeira eclodira em formas ainda mais perigosas a nível mundial. O mercado interbancário de fundos tem apreendido e até mesmo as mais solventes corporações e empresas financeira estarem a pagar taxas punitivas. Na semana passada o Washington Mutual tornou-se no maior banco americano a falhar. Na Europa, três países tinham que sair para a salvação da Fortis, um grupo bancário belga, e a Grã-Bretanha fez o mesmo com um credor hipotecário, Bradford & Bingley. E na segunda-feira o Citigroup concordou em comprar a maior parte dos activos do Wachovia, outro banco americano sitiado, num negócio intermediado pelas entidades reguladoras. A nova lei teria fornecido ao Fed uma ferramenta adicional para combater a última fase da crise: partir de 1 de Outubro pagaria juros sobre as reservas que os bancos mantêm no Fed. Isso tê-la-ia deixado bombear uma quantia quase ilimitada de dinheiro no mercado monetário, sem medo de taxas de juros caindo para zero, em estilo japonês. O Sr. Paulson, ou o seu sucessor teria recebido imediatamente biliões, mais 100 biliões, à discrição o presidente da discrição e 350 biliões após a aprovação do Congresso. O Programa de Socorro aos Activos com Problemas, seria autorizado a comprar certificados de garantias imobiliárias, todos emprestados (aqueles que não estão agrupados em conjuntos) e, em consulta com o presidente da Reserva Federal, qualquer outra coisa necessária para estabilizar o sistema financeiro. Isso inclui a tomada de controlo de sociedades inteiras. O Sr. Paulson disse no domingo que assumiria o poder de afastar o " risco sistémico potencial da falência desordenada de um grande instituição financeira", incluindo a capacidade de intervir numa empresa (bail-out) e punir os seus proprietários, como foi feito com a Bear Stearns, Fannie Mae, Freddie Mac e AIG. Teria vontade de invocar esse poder em breve, atendendo à frequência com que as instituições estão a desabar.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Constituição do Equador aprovada com grande maioria

É, sem dúvida, uma grande vitória da esquerda e do processo de mudanças políticas na América Latina a vitória do Sim com cerca de 69%.
Rafael Correa, presidente do Equador, referiu em conferência de imprensa que "Esta Constituição assinala-nos o rumo a seguir. Atingirmos ou não os objectivos que ela nos coloca será um grande desafio. O importante é essa direcção e não tempo que ela leve".
O Presidente assinalou que por detrás deste triunfo está o começo de uma nova etapa, em que a prioridade é a utilização dos recursos públicos em benefício da cidadania.
A Constituição agora aprovada foi um trabalho da Assembleia Constituinte que durou oito meses a redigi-la.

domingo, 28 de setembro de 2008

As razões para não salvar a Wall Street e as alternativas, por James Petras


Dez razões para recusar o salvamento da Wall Street

1 – Numa economia de mercado os capitalistas justificam os seus lucros com o risco de perdas que assumem. Os jogadores não podem guardar os lucros e passar as perdas para os contribuintes. Têm de assumir a responsabilidade das suas más decisões.

2- Grande parte das dívidas “tóxicas” (lixo) foi baseada em práticas fraudulentas – instrumentos financeiros opacos não relacionados com activos reais (mas que geravam enormes comissões). O salvamento de vigaristas só encoraja mais vigarice.

3- O Tesouro dos EUA comprará papéis sem valor, os bancos privados reterão quaisquer activos com valor. Nós compramos os limões, eles conduzem os Cadillacs.

4- A probabilidade de o Tesouro recuperar qualquer valor das suas compras da dívida podre é quase zero. Os contribuintes ficarão com papéis sem compradores.

5- O efeito a longo prazo de um salvamento será duplicar a dívida pública e minar o financiamento para a Segurança Social, Medicare, Medicaid, educação e programas de saúde pública, e ao mesmo tempo aumentar o fardo fiscal das gerações futuras.

6- O dólar desvalorizará quando o poder de atracção da dívida governamental diminuir no estrangeiro, aumentando o custo das importações e resultando numa espiral inflacionária que mais uma vez minará os padrões de vida dos trabalhadores.

7- A canalização de fundos para a Wall Street desviará os fundos necessários para nos retirar desta recessão profunda.

8- O salvamento aprofundará a crise financeira porque, segundo o director do Gabinete de Orçamento do Congresso, revelará o facto de que muitas instituições podem estar carregadas com muito mais "activos tóxicos" e revelará que aquelas instituições não são solventes. Por outras palavras, o Tesouro e o Congresso estão a resgatar dívidas podres a instituições insolventes.

9- O salvamento é destinado a facilitar a concessão de empréstimos. Mas se o problema não é de crédito e sim (como mostrou o Gabinete do Orçamento do Congresso) de insolvência das instituições financeiras, a solução é criar instituições financeiras solventes.

10- O salvamento ignora totalmente as necessidades financeiras de 10 milhões de proprietários de casas que estão a enfrentar arrestos, bem como a bancarrota de pequenas empresas confrontadas com um esmagamento do crédito e as perdas de empregos dos trabalhadores e dos planos de saúde para as suas famílias devido à recessão.


Alternativas ao salvamento da Wall Street

A velocidade com que esta gigantesca quantia de fundos públicos foi disponibilizada pelo Tesouro e pelo Congresso mostra a mentira da sua argumentação de que programas populares não podem ser financiados ou precisam ser cortados. De facto, investir US$700 mil milhões na saúde e na educação dos trabalhadores americanos aumentará a produtividade, abrirá mercados e expandirá o poder do consumidor conduzindo a um círculo virtuoso de aumento dos rendimentos públicos e de eliminação de défices orçamentais e comerciais. Fundos públicos investidos na manufactura, construção, educação e cuidados de saúde conduzem a produtos com valor de uso real e têm um efeito multiplicador sobre o resto da economia ao invés de terminarem nos bolsos de multimilionários que especularam e investiram em fusões e aquisições no estrangeiro. O Tesouro e o Congresso inadvertidamente revelaram que o financiamento federal está prontamente disponível para reconstruir a economia dos EUA, garantir salários vitais decentes e proporcionar cuidados de saúde para todos se escolhermos responsáveis eleitos que estejam comprometidos com as necessidades dos trabalhadores e não com os multimilionários da Wall Street.

James Petras é professor emérito de Sociologia na Universidade de Binghamton, em Nova Iorque, e alguns dos seus trabalhos estão publicados na Global Research