quinta-feira, 11 de setembro de 2008

bloco de esquerda: um neo-reformismo de fachada socialista - V, por José Manuel Jara

Nota – O trabalho de José Manuel Jara conclui hoje. Os quatro posts anteriores a este foram por nós aqui publicados nos dias 1, 2, 3 e 4 deste mês. O original foi publicado, na íntegra, no Avante! De 28 de Agosto passado.


4. O movimento é quase tudo
O Bloco é versátil. Como diz o provérbio, quando falta o cão, caça-se com um gato. Com efeito, como diz o líder Louçã (Focus, 18.04.06), o «Bloco é um movimento aberto, que se alarga.» (…) «Nós queremos é incluir.» A grande abertura na óptica do Bloco fez incluir na sua lista para vereador de Lisboa o inefável Sá Fernandes, irmão do outro. E como o «independente» não se sente dependente do BE, eis que surge a desavença intestina. Vem Luís Fazenda, para salvar a honra do convento, e diz que o vereador «se pôs a jeito» para o PS. Logo o irmão Ricardo, partidário do mano Zé, opina no Público contra o «Desnorteamento do Bloco de Esquerda em Lisboa». E Fazenda (DN, 4.08.08) tem de se justificar pela reprimenda, justificando a não complacência com o vereador em roda livre: afinal quem é que está dependente, é o Bloco de Sá Fernandes ou Sá Fernandes do Bloco? Coisas do Zé…
Como o Bloco tem dificuldades nas autarquias, logo o coordenador do BE para esse pelouro, Pedro Soares, também na mesma linha de engorda eleitoral a qualquer preço, destina que «as candidaturas de cidadãos são um modelo desejável em vários locais, até pela participação cívica», etc. e tal (DN- 8.08.08). É só pôr o rótulo «BE» no produto «independente», para aumentar a estatística. É nessa mesma óptica de grande objectiva que os «dissidentes» são recebidos de braços abertos, depois de gastarem todos os cartuchos da dissidência no lugar de proveniência.
Este pragmatismo é o timbre do partido do Bloco. Já Luís Fazenda, no trigésimo aniversário do «25 de Abril» (Passado e futuro, 2004), havia consumado dolorosamente o seu revisionismo à moda de Bernstein, ( «o movimento é tudo, o objectivo (estratégico) não é nada»), quando afirma: «Os marxistas de hoje redescobrem a táctica sem pressões estratégicas artificiais». Louçã, por sua vez, numa esclarecedora entrevista ao Público (21.07.05), quando lhe perguntam se o BE defende a revolução ou se assume como um movimento reformista responde assim: «É um debate de conceitos que o BE não teve.» E, noutro passo da mesma entrevista, diz que o BE não nasceu por uma fusão ideológica, mas «por uma definição de agenda e de programa». Será a agenda de antes da Ordem do Dia, em plenário, no Parlamento, ou em quaisquer «passos perdidos» no areópago, com os media? Como se viu, o programa é feito por medida, consoante a métrica da urna eleitoral.
No século passado, no ido ano de 1989, bicentenário da Revolução Francesa, Louçã deu à estampa a sua Herança Tricolor (Ed. AJ). Fala aí das «raízes»: «a compreensão de que o lugar da esquerda, contra a banalidade, é na diferença; contra submissão, é na irreverência; contra a força das coisas, é na energia da esperança.» (p. 28). Em 2005 (Sábado, 28.01.05), numa interessante entrevista a Miguel Esteves Cardoso, o arguto escritor constata que Louçã só dissera coisas do ». E o líder, satisfeito, diz: «Fico muito contente por considerares as propostas do Bloco de Esquerda uma questão de senso comum
É a agenda e o programa eleitoral da novíssima esquerda reformada e social-civilizada…
Cada deputado no seu galho. As posições europeias do Bloco elevam a sua quota de civilidade e de boas maneiras europeístas. De que serve resistir quando os ventos de Oeste sopram tão fortes? Diz Miguel, parafraseando Marx, que «os resistentes só sabem criticar o mundo, quando o que é preciso é transformá-lo» (DN-20.06.05). Belo efeito, que prova a inteligência da navegação à vela, aproveitando os ventos de feição, sem grande preocupação com a rota. Diz Portas: «Estamos no século XXI, e não posso ser favorável a uma constituição sem processo constituinte.» Uma Europa à medida dos seus desejos, só a votos… Na crónica do DN – (29.10.05) MP encara mesmo «uma perspectiva de ruptura e refundação da Europa.» Ficou-lhe o optimismo histórico de antes, para os grandes voos até Bruxelas, ida e volta: «isto vai, com votos vai!» quanto se elevam as cotações «europeístas», sob controlo apertado do Banco Central Europeu, a lírica de Miguel Portas descobre «o abre-te sésamo» do paraíso europeu no «processo constituinte». E, por isso, é que, a seu ver, «a resistência em um marco nacional, sendo necessária, está condenada» (DN, idem). Diz Miguel Portas que a alternativa «é uma Europa ética e moral» (DN, 6.05.04). Já agora, cristã, há dois mil anos, apesar das invasões de tantos bárbaros.
A facilidade com que se dá a volta a Portugal a pé contra o «desemprego», e a facilidade com que se volta à Europa a votar, eis a expressão acabada do idealismo e da inanidade do «movimento». Dizia Rosa Luxembourg, tão do agrado de alguns bloquistas nas questões «imperiais», a propósito do oportunismo que fazia a oração do «movimento é tudo, o objectivo não é nada»: «Retornar às teorias socialistas anteriores a Marx, não é apenas voltar ao bê-á-bá, ao primeiro grande alfabeto do proletariado, é balbuciar o catecismo anacrónico da burguesia.» (Reforma e Revolução, p. 118, Ed., Estampa).
As posições justas que o BE tem assumido contra as guerras imperialistas e pela paz, e outras, em defesa de minorias, não modificam o diagnóstico nem o prognóstico extraídos nesta radiografia sumária.

Morales denuncia golpe fascista em curso na Bolívia e declara embaixador dos EUA "persona non grata"

O Presidente Evo Morales declarou ontem o embaixador norte-americano Philip Goldberg como “persona non grata”, acusando-o de financiar o golpe fascista que a extrema-direita tem em curso a partir da cidade de Santa Cruz.


Morales disse que a Bolívia não quer pessoas separatistas e divisionistas e que atentem



contra a democracia. Alguns destes, nomeadamente Marinkovic que actua de acordo com Ruben Costas, dirigiram-se aos EUA onde recolheram apoios económicos e outros para as suas acções que têm incluído o assalto e saque a organismos do Estado. No dia seguinte ao do seu regresso a violência estalou na passada 3ª feira, esses saques continuaram e os delinquentes encerraram estações de rádio e TV.



Goldberg já tem um passado de experiência em dividir países como aconteceu no Kosovo.



Já noutras alturas nestas últimas semanas, Morales tinha acusado Goldberg de reuniões com o prefeito Ruben Costas que dirige este movimento de alguns prefeitos tendentes a dividir o país e a impedir pela força a aprovação de nova Constituição.

11 de setembro mas de 1973 - 2

2. o golpe apoiado pelos EUA



















11 de Setembro mas de 1973 - 1

1. allende e a unidade popular









terça-feira, 9 de setembro de 2008

Neo-liberalismo e cultura, por Frei Betto



O neo-liberalismo não pretende apenas destruir as instâncias comunitárias criadas pela modernidade como a família, os sindicatos, os movimentos sociais e o Estado democrático. O seu projecto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desligada da conjuntura sociopolítica e económica em que está inserido, e encara-o como um simples consumidor. Por isso se estende à esfera cultural.

Um dos avanços da modernidade foi, com o advento da democracia, reconhecer a pessoa como sujeito político. Este passou a ter direitos, para além de deveres. Dotado de consciência crítica, livrou-se da servidão cega e dócil em relação às ordens de seu senhor, ciente de que autoridade não é sinónimo de verdade nem poder sinónimo de razão.

Procura tirar à pessoa a sua condição de sujeito. O protótipo do cidadão liberal é o que se abstém de qualquer pensamento crítico e, acima de tudo, de participar nas instâncias da comunidade. Para essa cultura de abstenção voluntária contribui de modo especial a televisão.


A televisão, em si mesma, é uma poderosa ferramenta de formação e informação. Mas pode ser facilmente convertida em mecanismo de desinformação e distorção, especialmente quando se liga à máquina publicitária que rege o mercado. A mesma televisão que passa a ser um produto para ser consumido fica concentrada na procura do aumento da audiência.

Isto é feito através de todos os tipos de estratégias que garantam que os telespectadores sejam atraídos pelas imagens. A questão é que a janela electrónica é aberta para a unidade familiar. É neste ponto que descarrega a profusão de imagens que atinge indiscriminadamente a crianças e adultos, sem o mínimo respeito quanto ao universo de valores familiares.

Se a televisão transmitisse cultura – tudo o que eleva a nossa consciência e o nosso espírito – seria o mais poderoso veículo de educação. É verdade que o faz também, mas a regra geral não é a densidade cultural mas tão só o simples entretenimento: distrai, diverte e, acima de tudo, abre a caixa de Pandora dos nossos desejos inconfessáveis. A imagem "diz" o que não nos atrevemos a pronunciar.

Ao ultrapassar o diálogo entre pais e filhos e impor-se como um interlocutor hegemónico no agregado familiar, a televisão altera referências simbólicas do psiquismo da criança. Fala como uma geração que transmite a outra de crenças, valores, nomes próprios, genealogias, rituais, as relações sociais, etc. Apresenta-se com a mesma capacidade humana de falar, através da qual se tece a nossa subjectividade e a nossa identidade. Nesta interacção, proporcionada pelo diálogo oral, cara a cara, faz-nos reconhecer o eu diante do Outro, assim como as muitas ligações que ligam um aos outros, tais como emoções, imagens causados por movimentos e expressões faciais, carregadas de sentimentos, etc.

A fala ou o diálogo demarcam as referências fundamentais para a nosso equilíbrio psíquico, como a identificação do tempo (agora) e espaço (aqui), e os limites do meu ser em relação aos outros. Se a fala se resume a uma catarata de imagens que se encarregam de inflamar os sentidos, as referências simbólicas da criança passam a correr perigo. A criança sente a dificuldade de construir o seu universo simbólico, não adquirindo sentidos de temporalidade e historicidade. Tudo se reduz ao "aqui e agora," à simultaneidade. A mesma tecnologia que reduz as distâncias em tempo real – Internet, telemóveis, etc. – favorece um sentimento de ubiquidade: "Eu não estou em qualquer lugar porque estou em todos.”·
Muitos professores se queixam de que os alunos já não estão tão atentos na sala de aula. Claro, o sonho deles seria o de serem capazes de mudar o professor de canal. Muitas crianças e jovens têm dificuldades em se expressarem porque não sabem ouvir. Têm um raciocínio confuso, em que a lógica muitas vezes desliza no aluvião da mistura de sentimentos. Acreditam que, antes de mais, são os inventores da roda e, por conseguinte, pouco se interessam pelo património cultural de gerações anteriores (o financeiro, sim, sem dúvida).·
Assim, a cultura perde sofisticação e profundidade, limita-se aos simulacros de talk shows, onde todos se exprimem de acordo com a sua reacção imediata, sem reconhecer a competência do outro. No caso da escola, este Outro é o professor, visto não apenas como despojado de autoridade, mas, acima de tudo, como alguém que abusa do seu poder e que não admite que os alunos o tratem por igual… Então, e uma vez que o professor não "ouve", há apenas um meio de o fazer ouvir: a violência. Porque eles foram instruídos pela televisão, que não pratica o exercício da argumentação paciente, da construção esclarecedora, do aperfeiçoamento do sentido crítico. É o incessante dar e receber, e quase sempre na base da coacção.


Por isso se enquadra no âmbito de uma educação qualificada por Jean Claude Michéa de "dissolução da lógica". Deixa de se distinguir entre o principal e o secundário, de perceber o texto no seu contexto, de incluir o particular no pano de fundo do geral, para aceitar passivamente as pressões do consumo que procuram transformar os valores éticos em meros valores monetários, ou seja tudo é marketing, e o seu preço é que imprime, a quem o tem, determinado valor social, mesmo sem carácter.

Dispensar o acto de pensar, reflectir, criticar e, especialmente, de participar no projecto de transformar a realidade. Tudo se torna uma questão de conveniência, gosto pessoal, simpatia. Também são consideradas comerciáveis a biodiversidade, a protecção ambiental, responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos extraídos a crianças, etc.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Nu deitado, de Amedeo Modigliani


Jerónimo de Sousa na Festa do Avante!



Num comício que contou com a presença de umas 30 mil pessoas que ocupavam todo o recinto em frente ao palco central da Festa do Avante e se estendia pelas ruas adjacentes, o secretário-geral do PCP começou por abordar a política internacional acusando a NATO, os EUA e a EU pelo actual conflito no Cáucaso: "A guerra chegou ao Cáucaso e lá estão os EUA e a União Europeia correndo para cumprir os objectivos deste conflito, inundar de tropas da Nato a região, ocupá-la do ponto de vista geo-estratégico e controlar os seus recursos naturais e corredores energéticos".


Jerónimo de Sousa acusou o Governo de José Sócrates de ter feito "da consolidação das contas públicas um valor absoluto, em detrimento da promoção do crescimento e do emprego". E a este propósito contestou os dados recentes avançados pelo Governo que apontavam para a criação de 133 mil postos de trabalho: "Entre o segundo trimestre de 2005 e o segundo trimestre de 2008, as estatísticas oficiais dizem que o emprego criado não ultrapassou os 96 mil postos de trabalho.


Estatísticas que, erradamente, contam como empregados 60 mil desempregados que rodam permanentemente nos cursos de formação. Os portugueses não comem gato por lebre". As fortunas e o alegado favorecimento fiscal foram também abordados no discurso de Jerónimo de Sousa repetindo a acusação a "dirigentes e governantes e outros


O secretário-geral do PCP acusou o PSD de, juntamente com o PS, constituírem um lobbie central de interesses, diagnosticando "três problemas centrais" a exigirem atenção por parte do Orçamento de Estado para 2009: "Défice de produção, desemprego, e a injusta distribuição do rendimento nacional".


Jerónimo de Sousa, anunciou, nesse propósito três medidas que, na opinião do PCP, deviam ser consagradas na próxima previsão das contas públicas: a criação de um 15º mês equivalente "à perda real salários e pensões"; a fixação de uma margem de "spread" máximo no crédito habitação de 0,5%, através de orientações do accionista Estado na Caixa Geral de Depósitos, que arraste para baixo todas as percentagens de lucro neste crédito nas demais instituições bancárias e o congelamento dos preços de electricidade, água gás e uma redução nunca inferior a 5 euros no preço do gás de botija.



Angola: eleições que alguns portugueses quiseram comprometer, acabando por enfiar a viola no saco


sábado, 6 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ruy Belo e o cinema (mini-ciclo) na Cinemateca



Associando-se às comemorações do 30º aniversário da morte de Ruy Belo, e por proposta da Casa Fernando Pessoa, a Cinemateca apresenta este mês um conjunto de filmes que, mais do que se relacionarem directa ou indirectamente com a poesia de Ruy Belo, foram importantes para ela, ou foram temas dela.
SPLENDOR IN THE GRASS (dia 12, 19h) e MURIEL (dia 10, 22h) foram filmes a que Ruy Belo dedicou extraordinários poemas.
IN A LONELY PLACE (dia 8, 21h30) e NIAGARA (dia 9, 15h30) tiveram como protagonistas actores especialmente queridos do poeta: o "meu irmão Humphrey Bogart" e Marilyn "a mais bela mulher do mundo", escreveu Ruy Belo. Antes do início de cada sessão será lido o poema de Ruy Belo que está associado ao filme a apresentar.

A frase de fim-de-semana, por Jorge


É a maior felicidade do maior número que é a medida do certo e do errado"


Jeremy Bentham

Miguel Esteves Cardoso na Festa do Avante! do ano passado



Uma aventura dentro do comunismo real - o MEC foi à Festa do Avante!

Texto Miguel Esteves Cardoso

E teve medo, muito medo. Às constantes tentativas de intimidação por parte dos inimigos comunistas, o repórter assumidamente reaccionário respondeu com a sua polaróide e registou todas as adversidades. Entre uma e outra conversas mais azeda, ainda teve tempo para comer bem e beber melhor.

Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as mais populares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que é um grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político; que hoje é só comes e bebes.

Já é a Segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisas e que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdade verdadinha é que a Festa do Avante! faz um bocadinho de medo.

O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.

Porque é que a Festa do Avante! faz medo?

É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?

É sempre desconfortável estar rodeado por pessoas com ideias contrárias às nossas. Mas quando a multidão é gigante e a ideia é contrária é só uma só – então, muito francamente, é aterrador.

Até por uma questão de respeito, o Partido Comunista Português merece que se tenha medo dele. Tratá-lo como uma relíquia engraçada do século XX é uma desconsideração e um perigo. Mal por mal, mais vale acreditar que comem criancinhas ao pequeno-almoço.

Bem sei que a condescendência é uma arma e que fica bem elogiar os comunistas como fiéis aos princípios e tocantemente inamovíveis, coitadinhos.

É esta a maneira mais fácil de fingir que não existem e de esperar, com toda a estupidez, que, se os ignoramos, acabarão por se ir embora.

As festas do Avante!, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo, são magníficas.

É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só no sentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que é trabalhar de graça.

A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festas dos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro a prepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar: também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. É preciso ter a certeza que se vai mudá-lo.

Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “ capacidade de organização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão ao trabalho de se organizarem.

Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes dará razão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que não podem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que são dotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porque acreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. E talvez sejam. Basta completar a frase "Se não fossem os comunistas, hoje não haveria..." e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistas meramente "burguesas " que lhe devemos, como o direito à greve e à liberdade de expressão.

É por isso que não se sentem “derrotados”. O desaparecimento da URSS, por exemplo, pode ter sido chato mas, na amplitude do panorama marxista-leninista, foi apenas um contratempo. Mas não é só por isso que a Festa do Avante! faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não só sabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazem o que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até o show off é mínimo e saudável.


Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nem proximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém. As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas e animadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoa sentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante! é automático.

Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira e dissessem e fizessem as mesmas coisas – paciência. Dava-nos jeito que estivessem eufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo – mas não estão. Estão é fartos do capitalismo – e um bocadinho zangados.

Não há psicologias de multidões para ninguém: são mais que muitos, mas cada um está na sua. Isto é muito importante. Ninguém ali está a ser levado ou foi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. Não há chamarizes nem compulsões. Vale tudo até o aborrecimento. Ou seja: é o contrário do que se pensa quando se pensa num comício ou numa festa obrigatória. Muito menos comunista.

Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante!, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias. Convinha-nos pensar que as comunas eram um rebanho mas a parecença é mais com um jardim zoológico inteiro. Ali uma zebra; em frente um leão e um flamingo; aqui ao lado uma manada de guardas a dormir na relva.

Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.

Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete. Nos tempos que correm, vale ouro. Há milhares de pessoas a entrar e a sair mas não há bichas. A circulação é perfeitamente sanguínea. É muito bom quando não desconfiamos de nós.

Mesmo assim tenho de confessar, como reaccionário que sou, que me passou pela cabeça que a razão de tanta preocupação talvez fosse a probabilidade de todos os potenciais bombistas já estarem lá dentro, nos pavilhões internacionais, a beber copos uns com os outros e a divertirem-se.

A Festa do Avante! é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada ao ponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar a grandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representando o país inteiro e os PALOP, é difícil não pensar numa versão democrática da Exposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E de salazarismo, claro.

Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festa do PCP fosse partidária, sectária e ideologicamente estrangeirada. Na verdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista.

O desaparecimento da União Soviética foi, deste ponto de vista, particularmente infeliz por ter eliminado a potência cujas ordens eram cegamente obedecidas pelo PCP.

Sem a orientação e o financiamento de Moscovo, o PCP deveria ter também fenecido e finado. Mas não: ei-lo. Grande chatice.

Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! Que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez.

A teimosia comunista é culturalmente valiosa porque é a nossa própria cultura que é teimosa. A diferença às modas e às tendências dos comunistas não é uma atitude: é um dos resultados daquela persistência dos nossos hábitos. Não é uma defesa ideológica: é uma prática que reforça e eterniza só por ser praticada. (Fiquemos por aqui que já estou a escrever à comunista).



A Exposição do Mundo português era “para inglês ver”, mas a Festa do Avante! Em muitos aspectos importantes, parece mesmo inglesa. Para mais, inglesa no sentido irreal. As bichas, direitinhas e céleres, não podiam ser menos portuguesas. Nem tão-pouco a maneira como cada pessoa limpa a mesa antes de se levantar, deixando-a impecável.

As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo e substituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tanta gente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.

Se a Festa do Avante! dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau. A coisa está tão bem organizada que não se vê. Passa-se o mesmo com os seguranças - atentos mas invisíveis e deslizantes, sem interromper nem intimidar uma mosca.

O preconceito anticomunista dá-os como disciplinados e regimentados – se calhar, estamos a confundi-los com a Mocidade portuguesa. Não são nada disso. A Festa funciona para que eles não tenham de funcionar. Ao contrário de tantos festivais apolíticos, não há pressa; a ansiedade da diversão; o cumprimento de rotinas obrigatórias; a preocupação com a aparência. Há até, sem se sentir ameaçado por tudo o que se passa à volta, um saudável tédio, de piquenique depois de uma barrigada, à espera da ocupação do sono.

Quando se fala na capacidade de “mobilização” do PCP pretende-se criar a impressão de que os militantes são autómatos que acorrem a cada toque de sineta. Como falsa noção, é até das mais tranquilizadoras. Para os partidos menos mobilizadores, diante do fiasco das suas festas, consola pensar que os comunistas foram submetidos a uma lavagem ao cérebro.

Nem vale a pena indagar acerca da marca do champô.

Enquanto os outros partidos puxam dos bolsos para oferecer concertos de borla, a que assistem apenas familiares e transeuntes, a Festa do Avante! enche-se de entusiásticos pagadores de bilhetes.

E porquê? Porque é a festa de todos eles. Eles não só querem lá estar como gostam de lá estar. Não há a distinção entre “nós” dirigentes e “eles” militantes, que impera nos outros partidos. Há um tu-cá-tu-lá quase de festa de finalistas.

É um alívio a falta de entusiasmo fabricado – e, num sentido geral de esforço. Não há consensos propostos ou unanimidades às quais aderir. Uns queixam-se de que já não é o que era e que dantes era melhor; outros que nunca foi tão bom.

É claro que nada disto será novidade para quem lá vai. Parece óbvio. Mas para quem gosta de dar uma sacudidela aos preconceitos anticomunista é um exercício de higiene mental.

Por muito que custe dize-lo, o preconceito - base, dos mais ligeiros snobismos e sectarismos ao mais feroz racismo, anda sempre à volta da noção de que “eles não são como nós”. É muito conveniente esta separação. Mas é tão ténue que basta uma pequena aproximação para perceber, de repente, que “afinal eles são como nós”.

Uma vez passada a tristeza pelo desaparecimento da justificação da nossa superioridade (e a vergonha por ter sido tão simples), sente-se de novo respeito pela cabeça de cada um.




Miguel Esteves Cardoso


In revista "Sábado" - Edição de 13 de Setembro de 2007

Venenos de Deus, Remédios do Diabo, de Mia Couto

«Aos 10 anos todos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias.

Aos 20 danos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias.


Aos 30 anos pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos 40 anos achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para


Já não ter ideia. Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos apensar.


Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos.»



(fala de Bartolomeu Sozinho, personagem de Venenos de Deus, Remédios do Diabo,


De Mia Couto, editorial caminho)


Imperdível…



selecção de anamar

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Maria João Pires interpreta Mozart

Filarmónica de Berlim Pierre Boulez
Concerto K.466 de Mozart n. 20 em D menor (2º e 3º andamentos)

bloco de esquerda: um neo-reformismo de fachada socialista - IV, por José Manuel Jara




diagrama da axis focus,

consultora para

apresentação de soluções

em diferentes domínio

3. A maioria parlamentar e o eleitoralismo


Desde a sua fundação em 1999, o BE artilhou sempre as suas baterias políticas para os actos eleitorais, sempre com a maior abertura possível. Os congressos, que tomam na sua terminologia original a designação de «convenções», antecedem quase sempre os actos eleitorais. No manifesto inaugural, «Começar de Novo» (1999), este propósito é claramente formulado: «O desafio que colocamos à sociedade portuguesa é o da emergência de uma nova iniciativa política. Formalmente, ela será um partido para se poder apresentar às eleições
Na primeira «Convenção» (29/30.01.00), o lema é «Novos tempos/Nova esquerda», um slogan claramente propagandístico, que visa o terreno eleitoral. O seu cartão de identidade (Debates, n.º 3, p. 31), definido no ponto 5.1.2 sintetiza-se assim: «O Bloco de Esquerda quer ser um novo movimento e não mais um partido
Esta «lógica de movimento» visa claramente atrair pela inovação, procurando um consumidor para o novíssimo «produto», nunca visto, up to date, coisa do século XXI, empacotado com belas palavras, no que de modo muito geral poderemos chamar o mercado eleitoral, neste mundo em que tudo se vende. Aliás a própria informalidade é um chamariz: «(…)a experiência deste ano indica que o Bloco se pode continuar a desenvolver como movimento desde que todos e todas nele actuem em base individual, com igualdade de direitos e deveres.» (idem, p.31). Aqui encontramos o modelo nítido da clientela, em que a pessoa é chamada como «indivíduo», guindada de modo fictício a uma posição nivelada pelos líderes, que, de tão democráticos, comungam com as bases, tanto como os «aderentes» se «apresentam» ao vivo às cúpulas. A supressão simulada da distinção entre dirigentes e dirigidos, promessa sui generis do movimento, tem como modelo a condição formalmente reconhecida de um voto a cada cidadão. Como o Bloco é fundamentalmente uma formação eleitoralista, em que o fim principal é aumentar sempre os votos, está decifrado o seu verdadeiro código em acto. Só que, por limitações de casting, tal como para os outros partidos, os eleitos são uns tantos, as mesmas caras, sendo a maioria dos eleitores anónimos, tanto em Lisboa como em Freixo de Espada à Cinta.
O eleitoralismo é a imagem de marca do Bloco. A publicidade e a propaganda eleitoral os traços mais salientes no seu modus operandi. O estilo psicológico dos seus líderes pauta-se pela

desenvoltura autoconvencida e o auto-elogio engraçado e pedante. É como se estivessem sempre a repetir até à saciedade, «nós é que somos os bons», «nós os inteligentes». O toque professoral e o tique de predicador inscrevem-se neste esquema. Veja-se o estilo do comentador do BE, Daniel de Oliveira, no Expresso, onde não perde pitada para zurzir no PCP, do alto do seu posto na imprensa burguesa.
As grandes palavras, as frases bombásticas, têm por destinatário o eleitor, clamando para o voto. Na III Convenção do Bloco, pré-eleitoral como sempre, o lema sublime é a frase, «Da política da crise à política do socialismo». As «propostas» (ao eleitor!) são o «pleno emprego», a «modernização democrática» (por oposição à chamada «modernização conservadora (!), a «reforma fiscal» («referência fundadora» do Bloco) e a «globalização alternativa» (resposta verbal à «globalização neoliberal»). Vê-se muito bem que os dirigentes escolheram o menu para satisfazer gostos diversificados, para pescar votos em várias classes, gerações e outras condições como o género e minorias.
Não admira que, com a embalagem obtida em algum sucesso eleitoral, o cartaz se tenha aprimorado, com slogans triunfalistas, vertidos em enunciados como «Tempo de viragem», «Novo ciclo de política», «Uma esquerda de confiança», «Dez prioridades para cem dias de mudança». Este último «programa», para as eleições parlamentares de 2005, calendariza-se, pasme-se, «para os primeiros cem dias do novo parlamento», como se fosse uma agenda de governo pré-formado. Independentemente da justeza de algumas propostas, como a alteração da lei do aborto, é óbvio que o cardápio do «contrato parlamentar» faz parte, no essencial, de um propósito eleitoralista, baseado em temas concretos para aliciar votos.
A partir da V Convenção (2007), o Bloco parece querer dar um grande salto em frente. Assim, em vez de repisar que é o «socialismo de esquerda», passa a identificar-se como «a esquerda socialista». O grande filão eleitoral, depois das desilusões do Governo de Sócrates, estaria no eleitorado «socialista». Então, que melhor remédio para o direitismo do PS do que a alternativa «esquerda socialista»? Os bons propósitos bloquistas vão então combinar as reivindicações sociais de largo espectro com bombásticas «declarações de guerra» à «casta de administradores» e ao «sistema social de corrupção». Radicalismo verbal, para dar o tom… (Moção A da V Convenção, aprovada).
Num documento publicado pela Mesa Nacional do BE (Março de 2006), intitulado «O rumo estratégico do Bloco», diz-se, sem rebuços: «A nossa resposta é, por isso, que o campo de crescimento do Bloco é muito grande, precisamente porque quer representar a maioria.»
O Partido que se chama «bloco» atingiu a maioridade, quer ser maior, quer ser o maior. Basta-lhe a propaganda mimética «socialista», na caça ao voto.
Daí a lenga-lenga: «O Bloco quer transformar-se num grande partido político» (Louçã, JN, 9.05.03), «O Bloco quer destruir o actual mapa político português» (DN - Louçã, 16.08.07), «Quero conquistar a maioria» (Louçã, Expresso, 07.06), «Representamos uma alternativa ao governo socialista» (Louçã, Público, 21.07.05). Como se define o BE, pergunta o jornalista (Público, idem): «Socialista, socialista no século XXI», diz FL.
Num momento de grande lucidez, o porta-voz do BE (Focus, 2007), diz querer ir ao fundo dos (seus) objectivos, de «criar uma nova esquerda social e uma nova política para o país». E acrescenta: «E isso não se faz com palavras, faz-se com a resposta à grande exigência que é a criação de novas redes sociais.» Que são, diz: «Redes que faltam na imigração, nos mais explorados, nos call-centers, nos trabalhadores precários, jovens licenciados desprezados; temos que ter um movimento sindical que seja representativo e unitário
A «rede» do Bloco, que pesca à rede, e que tem uma grande dor de cotovelo por não ter na sociedade civil e no movimento sindical e nas classes trabalhadoras a almejada equiparação ao PCP. Por isso alimenta as suas ideias de grandeza na promoção parlamentarista, no eleitoralismo e na conversa de jornal.


Culturalmente incapacitados, por flor-de-lotus



O regresso às aulas é uma alegria.


Mas os governos estragam tudo…



A repercussão no sistema de ensino de um primeiro-ministro e uma ministra com insuficiente formação escolar para terem a atitude culturalmente adequada a esta realidade é grave.


Dir-se-á que as pessoas mesmo sem formação superior podem ter tantas ou mais capacidades dirigentes do que outros portadores de muitos canudos e certificados. Isso é certo mas não é disso que falamos.



Ambas as pessoas de que falamos são sobranceiras, revelam ignorância na matéria e, portanto, ostentam o desprezo soberano pelas opiniões e atitudes dos que sabem e entendem que devem ser ouvidos ou que as suas opiniões devem vingar. Reduzem a comunidade educativa a uma direcção vertical que não estimula os contributos de cada uma das suas componentes.



Outra característica é deliberadamente contribuírem para introduzir conflitos no sistema sem lhes ter associada a possibilidade real de as respectivas motivações contribuírem para assinaláveis saltos de qualidade no sistema. Funcionam como vírus nos computadores.



Uma outra faceta é desconhecerem a realidade das nossas escolas para terem a noção que não são campanhas publicitárias nem choques tecnológicos que, de forma séria, podem contribuir para uma elevação gradual da qualidade: condições de trabalho físicas e de bem-estar, equipamento adequado e formações que o rentabilize, gratuitidade do ensino e apoios sociais significativos, capacidade de relacionamento da escola com as famílias e a comunidade envolvente, diversidade de formações na escola para corresponder as componentes lectivas normais, necessidades educativas especiais, acompanhamento do estudo, actividades de “tempos livres”.



Quando o primeiro-ministro diz que se “acabaram as facilidades”, actua como se os professores fossem um bando de marginais. É mais um golpe no estado de espírito do corpo docente e na sua consideração pública. E revelador daquela estratégia inqualificável de pôr pais contra professores…



Se desconhece o tempo que leva uma reabilitação de escola, o tipo de empresas que para isso vão aos concursos e as respectivas debilidades, a insuficiente fiscalização municipal e da administração central, como chegou ao cargo? Se pensa que as autarquias deveriam assumir a tarefa gigantesca da reabilitação e modernização do parque escolar, onde é que tem andado desde que nasceu, que experiência de vida tem, alguma vez saiu dos ambientes culturais da Disneylândia? E quando se atira às autarquias que lhe não querem aparar as sacudidelas de capote, o que quer? É prosseguir aquela estratégia inqualificável de pôr pais contra autarquias?



De mais facetas e estratégias mesquinhas poderíamos continuar a falar.


E vinha isto a propósito de achar que estes elencos governativos carecem de preparação cultural, no sentido lato do termo, para poderem gerar outras políticas e desempenharem tais funções.