terça-feira, 9 de setembro de 2008

Neo-liberalismo e cultura, por Frei Betto



O neo-liberalismo não pretende apenas destruir as instâncias comunitárias criadas pela modernidade como a família, os sindicatos, os movimentos sociais e o Estado democrático. O seu projecto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desligada da conjuntura sociopolítica e económica em que está inserido, e encara-o como um simples consumidor. Por isso se estende à esfera cultural.

Um dos avanços da modernidade foi, com o advento da democracia, reconhecer a pessoa como sujeito político. Este passou a ter direitos, para além de deveres. Dotado de consciência crítica, livrou-se da servidão cega e dócil em relação às ordens de seu senhor, ciente de que autoridade não é sinónimo de verdade nem poder sinónimo de razão.

Procura tirar à pessoa a sua condição de sujeito. O protótipo do cidadão liberal é o que se abstém de qualquer pensamento crítico e, acima de tudo, de participar nas instâncias da comunidade. Para essa cultura de abstenção voluntária contribui de modo especial a televisão.


A televisão, em si mesma, é uma poderosa ferramenta de formação e informação. Mas pode ser facilmente convertida em mecanismo de desinformação e distorção, especialmente quando se liga à máquina publicitária que rege o mercado. A mesma televisão que passa a ser um produto para ser consumido fica concentrada na procura do aumento da audiência.

Isto é feito através de todos os tipos de estratégias que garantam que os telespectadores sejam atraídos pelas imagens. A questão é que a janela electrónica é aberta para a unidade familiar. É neste ponto que descarrega a profusão de imagens que atinge indiscriminadamente a crianças e adultos, sem o mínimo respeito quanto ao universo de valores familiares.

Se a televisão transmitisse cultura – tudo o que eleva a nossa consciência e o nosso espírito – seria o mais poderoso veículo de educação. É verdade que o faz também, mas a regra geral não é a densidade cultural mas tão só o simples entretenimento: distrai, diverte e, acima de tudo, abre a caixa de Pandora dos nossos desejos inconfessáveis. A imagem "diz" o que não nos atrevemos a pronunciar.

Ao ultrapassar o diálogo entre pais e filhos e impor-se como um interlocutor hegemónico no agregado familiar, a televisão altera referências simbólicas do psiquismo da criança. Fala como uma geração que transmite a outra de crenças, valores, nomes próprios, genealogias, rituais, as relações sociais, etc. Apresenta-se com a mesma capacidade humana de falar, através da qual se tece a nossa subjectividade e a nossa identidade. Nesta interacção, proporcionada pelo diálogo oral, cara a cara, faz-nos reconhecer o eu diante do Outro, assim como as muitas ligações que ligam um aos outros, tais como emoções, imagens causados por movimentos e expressões faciais, carregadas de sentimentos, etc.

A fala ou o diálogo demarcam as referências fundamentais para a nosso equilíbrio psíquico, como a identificação do tempo (agora) e espaço (aqui), e os limites do meu ser em relação aos outros. Se a fala se resume a uma catarata de imagens que se encarregam de inflamar os sentidos, as referências simbólicas da criança passam a correr perigo. A criança sente a dificuldade de construir o seu universo simbólico, não adquirindo sentidos de temporalidade e historicidade. Tudo se reduz ao "aqui e agora," à simultaneidade. A mesma tecnologia que reduz as distâncias em tempo real – Internet, telemóveis, etc. – favorece um sentimento de ubiquidade: "Eu não estou em qualquer lugar porque estou em todos.”·
Muitos professores se queixam de que os alunos já não estão tão atentos na sala de aula. Claro, o sonho deles seria o de serem capazes de mudar o professor de canal. Muitas crianças e jovens têm dificuldades em se expressarem porque não sabem ouvir. Têm um raciocínio confuso, em que a lógica muitas vezes desliza no aluvião da mistura de sentimentos. Acreditam que, antes de mais, são os inventores da roda e, por conseguinte, pouco se interessam pelo património cultural de gerações anteriores (o financeiro, sim, sem dúvida).·
Assim, a cultura perde sofisticação e profundidade, limita-se aos simulacros de talk shows, onde todos se exprimem de acordo com a sua reacção imediata, sem reconhecer a competência do outro. No caso da escola, este Outro é o professor, visto não apenas como despojado de autoridade, mas, acima de tudo, como alguém que abusa do seu poder e que não admite que os alunos o tratem por igual… Então, e uma vez que o professor não "ouve", há apenas um meio de o fazer ouvir: a violência. Porque eles foram instruídos pela televisão, que não pratica o exercício da argumentação paciente, da construção esclarecedora, do aperfeiçoamento do sentido crítico. É o incessante dar e receber, e quase sempre na base da coacção.


Por isso se enquadra no âmbito de uma educação qualificada por Jean Claude Michéa de "dissolução da lógica". Deixa de se distinguir entre o principal e o secundário, de perceber o texto no seu contexto, de incluir o particular no pano de fundo do geral, para aceitar passivamente as pressões do consumo que procuram transformar os valores éticos em meros valores monetários, ou seja tudo é marketing, e o seu preço é que imprime, a quem o tem, determinado valor social, mesmo sem carácter.

Dispensar o acto de pensar, reflectir, criticar e, especialmente, de participar no projecto de transformar a realidade. Tudo se torna uma questão de conveniência, gosto pessoal, simpatia. Também são consideradas comerciáveis a biodiversidade, a protecção ambiental, responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos extraídos a crianças, etc.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Nu deitado, de Amedeo Modigliani


Jerónimo de Sousa na Festa do Avante!



Num comício que contou com a presença de umas 30 mil pessoas que ocupavam todo o recinto em frente ao palco central da Festa do Avante e se estendia pelas ruas adjacentes, o secretário-geral do PCP começou por abordar a política internacional acusando a NATO, os EUA e a EU pelo actual conflito no Cáucaso: "A guerra chegou ao Cáucaso e lá estão os EUA e a União Europeia correndo para cumprir os objectivos deste conflito, inundar de tropas da Nato a região, ocupá-la do ponto de vista geo-estratégico e controlar os seus recursos naturais e corredores energéticos".


Jerónimo de Sousa acusou o Governo de José Sócrates de ter feito "da consolidação das contas públicas um valor absoluto, em detrimento da promoção do crescimento e do emprego". E a este propósito contestou os dados recentes avançados pelo Governo que apontavam para a criação de 133 mil postos de trabalho: "Entre o segundo trimestre de 2005 e o segundo trimestre de 2008, as estatísticas oficiais dizem que o emprego criado não ultrapassou os 96 mil postos de trabalho.


Estatísticas que, erradamente, contam como empregados 60 mil desempregados que rodam permanentemente nos cursos de formação. Os portugueses não comem gato por lebre". As fortunas e o alegado favorecimento fiscal foram também abordados no discurso de Jerónimo de Sousa repetindo a acusação a "dirigentes e governantes e outros


O secretário-geral do PCP acusou o PSD de, juntamente com o PS, constituírem um lobbie central de interesses, diagnosticando "três problemas centrais" a exigirem atenção por parte do Orçamento de Estado para 2009: "Défice de produção, desemprego, e a injusta distribuição do rendimento nacional".


Jerónimo de Sousa, anunciou, nesse propósito três medidas que, na opinião do PCP, deviam ser consagradas na próxima previsão das contas públicas: a criação de um 15º mês equivalente "à perda real salários e pensões"; a fixação de uma margem de "spread" máximo no crédito habitação de 0,5%, através de orientações do accionista Estado na Caixa Geral de Depósitos, que arraste para baixo todas as percentagens de lucro neste crédito nas demais instituições bancárias e o congelamento dos preços de electricidade, água gás e uma redução nunca inferior a 5 euros no preço do gás de botija.



Angola: eleições que alguns portugueses quiseram comprometer, acabando por enfiar a viola no saco


sábado, 6 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ruy Belo e o cinema (mini-ciclo) na Cinemateca



Associando-se às comemorações do 30º aniversário da morte de Ruy Belo, e por proposta da Casa Fernando Pessoa, a Cinemateca apresenta este mês um conjunto de filmes que, mais do que se relacionarem directa ou indirectamente com a poesia de Ruy Belo, foram importantes para ela, ou foram temas dela.
SPLENDOR IN THE GRASS (dia 12, 19h) e MURIEL (dia 10, 22h) foram filmes a que Ruy Belo dedicou extraordinários poemas.
IN A LONELY PLACE (dia 8, 21h30) e NIAGARA (dia 9, 15h30) tiveram como protagonistas actores especialmente queridos do poeta: o "meu irmão Humphrey Bogart" e Marilyn "a mais bela mulher do mundo", escreveu Ruy Belo. Antes do início de cada sessão será lido o poema de Ruy Belo que está associado ao filme a apresentar.

A frase de fim-de-semana, por Jorge


É a maior felicidade do maior número que é a medida do certo e do errado"


Jeremy Bentham

Miguel Esteves Cardoso na Festa do Avante! do ano passado



Uma aventura dentro do comunismo real - o MEC foi à Festa do Avante!

Texto Miguel Esteves Cardoso

E teve medo, muito medo. Às constantes tentativas de intimidação por parte dos inimigos comunistas, o repórter assumidamente reaccionário respondeu com a sua polaróide e registou todas as adversidades. Entre uma e outra conversas mais azeda, ainda teve tempo para comer bem e beber melhor.

Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as mais populares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que é um grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político; que hoje é só comes e bebes.

Já é a Segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisas e que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdade verdadinha é que a Festa do Avante! faz um bocadinho de medo.

O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.

Porque é que a Festa do Avante! faz medo?

É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum. Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?

É sempre desconfortável estar rodeado por pessoas com ideias contrárias às nossas. Mas quando a multidão é gigante e a ideia é contrária é só uma só – então, muito francamente, é aterrador.

Até por uma questão de respeito, o Partido Comunista Português merece que se tenha medo dele. Tratá-lo como uma relíquia engraçada do século XX é uma desconsideração e um perigo. Mal por mal, mais vale acreditar que comem criancinhas ao pequeno-almoço.

Bem sei que a condescendência é uma arma e que fica bem elogiar os comunistas como fiéis aos princípios e tocantemente inamovíveis, coitadinhos.

É esta a maneira mais fácil de fingir que não existem e de esperar, com toda a estupidez, que, se os ignoramos, acabarão por se ir embora.

As festas do Avante!, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo, são magníficas.

É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só no sentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que é trabalhar de graça.

A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festas dos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro a prepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar: também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. É preciso ter a certeza que se vai mudá-lo.

Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “ capacidade de organização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão ao trabalho de se organizarem.

Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes dará razão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que não podem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que são dotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porque acreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. E talvez sejam. Basta completar a frase "Se não fossem os comunistas, hoje não haveria..." e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistas meramente "burguesas " que lhe devemos, como o direito à greve e à liberdade de expressão.

É por isso que não se sentem “derrotados”. O desaparecimento da URSS, por exemplo, pode ter sido chato mas, na amplitude do panorama marxista-leninista, foi apenas um contratempo. Mas não é só por isso que a Festa do Avante! faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não só sabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazem o que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até o show off é mínimo e saudável.


Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nem proximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém. As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas e animadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoa sentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante! é automático.

Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira e dissessem e fizessem as mesmas coisas – paciência. Dava-nos jeito que estivessem eufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo – mas não estão. Estão é fartos do capitalismo – e um bocadinho zangados.

Não há psicologias de multidões para ninguém: são mais que muitos, mas cada um está na sua. Isto é muito importante. Ninguém ali está a ser levado ou foi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. Não há chamarizes nem compulsões. Vale tudo até o aborrecimento. Ou seja: é o contrário do que se pensa quando se pensa num comício ou numa festa obrigatória. Muito menos comunista.

Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso. Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante!, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias. Convinha-nos pensar que as comunas eram um rebanho mas a parecença é mais com um jardim zoológico inteiro. Ali uma zebra; em frente um leão e um flamingo; aqui ao lado uma manada de guardas a dormir na relva.

Quando se chega à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia. Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.

Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete. Nos tempos que correm, vale ouro. Há milhares de pessoas a entrar e a sair mas não há bichas. A circulação é perfeitamente sanguínea. É muito bom quando não desconfiamos de nós.

Mesmo assim tenho de confessar, como reaccionário que sou, que me passou pela cabeça que a razão de tanta preocupação talvez fosse a probabilidade de todos os potenciais bombistas já estarem lá dentro, nos pavilhões internacionais, a beber copos uns com os outros e a divertirem-se.

A Festa do Avante! é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada ao ponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar a grandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representando o país inteiro e os PALOP, é difícil não pensar numa versão democrática da Exposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E de salazarismo, claro.

Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festa do PCP fosse partidária, sectária e ideologicamente estrangeirada. Na verdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista.

O desaparecimento da União Soviética foi, deste ponto de vista, particularmente infeliz por ter eliminado a potência cujas ordens eram cegamente obedecidas pelo PCP.

Sem a orientação e o financiamento de Moscovo, o PCP deveria ter também fenecido e finado. Mas não: ei-lo. Grande chatice.

Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! Que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez.

A teimosia comunista é culturalmente valiosa porque é a nossa própria cultura que é teimosa. A diferença às modas e às tendências dos comunistas não é uma atitude: é um dos resultados daquela persistência dos nossos hábitos. Não é uma defesa ideológica: é uma prática que reforça e eterniza só por ser praticada. (Fiquemos por aqui que já estou a escrever à comunista).



A Exposição do Mundo português era “para inglês ver”, mas a Festa do Avante! Em muitos aspectos importantes, parece mesmo inglesa. Para mais, inglesa no sentido irreal. As bichas, direitinhas e céleres, não podiam ser menos portuguesas. Nem tão-pouco a maneira como cada pessoa limpa a mesa antes de se levantar, deixando-a impecável.

As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo e substituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tanta gente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver o resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. Raios os partam.

Se a Festa do Avante! dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau. A coisa está tão bem organizada que não se vê. Passa-se o mesmo com os seguranças - atentos mas invisíveis e deslizantes, sem interromper nem intimidar uma mosca.

O preconceito anticomunista dá-os como disciplinados e regimentados – se calhar, estamos a confundi-los com a Mocidade portuguesa. Não são nada disso. A Festa funciona para que eles não tenham de funcionar. Ao contrário de tantos festivais apolíticos, não há pressa; a ansiedade da diversão; o cumprimento de rotinas obrigatórias; a preocupação com a aparência. Há até, sem se sentir ameaçado por tudo o que se passa à volta, um saudável tédio, de piquenique depois de uma barrigada, à espera da ocupação do sono.

Quando se fala na capacidade de “mobilização” do PCP pretende-se criar a impressão de que os militantes são autómatos que acorrem a cada toque de sineta. Como falsa noção, é até das mais tranquilizadoras. Para os partidos menos mobilizadores, diante do fiasco das suas festas, consola pensar que os comunistas foram submetidos a uma lavagem ao cérebro.

Nem vale a pena indagar acerca da marca do champô.

Enquanto os outros partidos puxam dos bolsos para oferecer concertos de borla, a que assistem apenas familiares e transeuntes, a Festa do Avante! enche-se de entusiásticos pagadores de bilhetes.

E porquê? Porque é a festa de todos eles. Eles não só querem lá estar como gostam de lá estar. Não há a distinção entre “nós” dirigentes e “eles” militantes, que impera nos outros partidos. Há um tu-cá-tu-lá quase de festa de finalistas.

É um alívio a falta de entusiasmo fabricado – e, num sentido geral de esforço. Não há consensos propostos ou unanimidades às quais aderir. Uns queixam-se de que já não é o que era e que dantes era melhor; outros que nunca foi tão bom.

É claro que nada disto será novidade para quem lá vai. Parece óbvio. Mas para quem gosta de dar uma sacudidela aos preconceitos anticomunista é um exercício de higiene mental.

Por muito que custe dize-lo, o preconceito - base, dos mais ligeiros snobismos e sectarismos ao mais feroz racismo, anda sempre à volta da noção de que “eles não são como nós”. É muito conveniente esta separação. Mas é tão ténue que basta uma pequena aproximação para perceber, de repente, que “afinal eles são como nós”.

Uma vez passada a tristeza pelo desaparecimento da justificação da nossa superioridade (e a vergonha por ter sido tão simples), sente-se de novo respeito pela cabeça de cada um.




Miguel Esteves Cardoso


In revista "Sábado" - Edição de 13 de Setembro de 2007

Venenos de Deus, Remédios do Diabo, de Mia Couto

«Aos 10 anos todos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias.

Aos 20 danos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias.


Aos 30 anos pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos 40 anos achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para


Já não ter ideia. Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos apensar.


Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos.»



(fala de Bartolomeu Sozinho, personagem de Venenos de Deus, Remédios do Diabo,


De Mia Couto, editorial caminho)


Imperdível…



selecção de anamar

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Maria João Pires interpreta Mozart

Filarmónica de Berlim Pierre Boulez
Concerto K.466 de Mozart n. 20 em D menor (2º e 3º andamentos)

bloco de esquerda: um neo-reformismo de fachada socialista - IV, por José Manuel Jara




diagrama da axis focus,

consultora para

apresentação de soluções

em diferentes domínio

3. A maioria parlamentar e o eleitoralismo


Desde a sua fundação em 1999, o BE artilhou sempre as suas baterias políticas para os actos eleitorais, sempre com a maior abertura possível. Os congressos, que tomam na sua terminologia original a designação de «convenções», antecedem quase sempre os actos eleitorais. No manifesto inaugural, «Começar de Novo» (1999), este propósito é claramente formulado: «O desafio que colocamos à sociedade portuguesa é o da emergência de uma nova iniciativa política. Formalmente, ela será um partido para se poder apresentar às eleições
Na primeira «Convenção» (29/30.01.00), o lema é «Novos tempos/Nova esquerda», um slogan claramente propagandístico, que visa o terreno eleitoral. O seu cartão de identidade (Debates, n.º 3, p. 31), definido no ponto 5.1.2 sintetiza-se assim: «O Bloco de Esquerda quer ser um novo movimento e não mais um partido
Esta «lógica de movimento» visa claramente atrair pela inovação, procurando um consumidor para o novíssimo «produto», nunca visto, up to date, coisa do século XXI, empacotado com belas palavras, no que de modo muito geral poderemos chamar o mercado eleitoral, neste mundo em que tudo se vende. Aliás a própria informalidade é um chamariz: «(…)a experiência deste ano indica que o Bloco se pode continuar a desenvolver como movimento desde que todos e todas nele actuem em base individual, com igualdade de direitos e deveres.» (idem, p.31). Aqui encontramos o modelo nítido da clientela, em que a pessoa é chamada como «indivíduo», guindada de modo fictício a uma posição nivelada pelos líderes, que, de tão democráticos, comungam com as bases, tanto como os «aderentes» se «apresentam» ao vivo às cúpulas. A supressão simulada da distinção entre dirigentes e dirigidos, promessa sui generis do movimento, tem como modelo a condição formalmente reconhecida de um voto a cada cidadão. Como o Bloco é fundamentalmente uma formação eleitoralista, em que o fim principal é aumentar sempre os votos, está decifrado o seu verdadeiro código em acto. Só que, por limitações de casting, tal como para os outros partidos, os eleitos são uns tantos, as mesmas caras, sendo a maioria dos eleitores anónimos, tanto em Lisboa como em Freixo de Espada à Cinta.
O eleitoralismo é a imagem de marca do Bloco. A publicidade e a propaganda eleitoral os traços mais salientes no seu modus operandi. O estilo psicológico dos seus líderes pauta-se pela

desenvoltura autoconvencida e o auto-elogio engraçado e pedante. É como se estivessem sempre a repetir até à saciedade, «nós é que somos os bons», «nós os inteligentes». O toque professoral e o tique de predicador inscrevem-se neste esquema. Veja-se o estilo do comentador do BE, Daniel de Oliveira, no Expresso, onde não perde pitada para zurzir no PCP, do alto do seu posto na imprensa burguesa.
As grandes palavras, as frases bombásticas, têm por destinatário o eleitor, clamando para o voto. Na III Convenção do Bloco, pré-eleitoral como sempre, o lema sublime é a frase, «Da política da crise à política do socialismo». As «propostas» (ao eleitor!) são o «pleno emprego», a «modernização democrática» (por oposição à chamada «modernização conservadora (!), a «reforma fiscal» («referência fundadora» do Bloco) e a «globalização alternativa» (resposta verbal à «globalização neoliberal»). Vê-se muito bem que os dirigentes escolheram o menu para satisfazer gostos diversificados, para pescar votos em várias classes, gerações e outras condições como o género e minorias.
Não admira que, com a embalagem obtida em algum sucesso eleitoral, o cartaz se tenha aprimorado, com slogans triunfalistas, vertidos em enunciados como «Tempo de viragem», «Novo ciclo de política», «Uma esquerda de confiança», «Dez prioridades para cem dias de mudança». Este último «programa», para as eleições parlamentares de 2005, calendariza-se, pasme-se, «para os primeiros cem dias do novo parlamento», como se fosse uma agenda de governo pré-formado. Independentemente da justeza de algumas propostas, como a alteração da lei do aborto, é óbvio que o cardápio do «contrato parlamentar» faz parte, no essencial, de um propósito eleitoralista, baseado em temas concretos para aliciar votos.
A partir da V Convenção (2007), o Bloco parece querer dar um grande salto em frente. Assim, em vez de repisar que é o «socialismo de esquerda», passa a identificar-se como «a esquerda socialista». O grande filão eleitoral, depois das desilusões do Governo de Sócrates, estaria no eleitorado «socialista». Então, que melhor remédio para o direitismo do PS do que a alternativa «esquerda socialista»? Os bons propósitos bloquistas vão então combinar as reivindicações sociais de largo espectro com bombásticas «declarações de guerra» à «casta de administradores» e ao «sistema social de corrupção». Radicalismo verbal, para dar o tom… (Moção A da V Convenção, aprovada).
Num documento publicado pela Mesa Nacional do BE (Março de 2006), intitulado «O rumo estratégico do Bloco», diz-se, sem rebuços: «A nossa resposta é, por isso, que o campo de crescimento do Bloco é muito grande, precisamente porque quer representar a maioria.»
O Partido que se chama «bloco» atingiu a maioridade, quer ser maior, quer ser o maior. Basta-lhe a propaganda mimética «socialista», na caça ao voto.
Daí a lenga-lenga: «O Bloco quer transformar-se num grande partido político» (Louçã, JN, 9.05.03), «O Bloco quer destruir o actual mapa político português» (DN - Louçã, 16.08.07), «Quero conquistar a maioria» (Louçã, Expresso, 07.06), «Representamos uma alternativa ao governo socialista» (Louçã, Público, 21.07.05). Como se define o BE, pergunta o jornalista (Público, idem): «Socialista, socialista no século XXI», diz FL.
Num momento de grande lucidez, o porta-voz do BE (Focus, 2007), diz querer ir ao fundo dos (seus) objectivos, de «criar uma nova esquerda social e uma nova política para o país». E acrescenta: «E isso não se faz com palavras, faz-se com a resposta à grande exigência que é a criação de novas redes sociais.» Que são, diz: «Redes que faltam na imigração, nos mais explorados, nos call-centers, nos trabalhadores precários, jovens licenciados desprezados; temos que ter um movimento sindical que seja representativo e unitário
A «rede» do Bloco, que pesca à rede, e que tem uma grande dor de cotovelo por não ter na sociedade civil e no movimento sindical e nas classes trabalhadoras a almejada equiparação ao PCP. Por isso alimenta as suas ideias de grandeza na promoção parlamentarista, no eleitoralismo e na conversa de jornal.


Culturalmente incapacitados, por flor-de-lotus



O regresso às aulas é uma alegria.


Mas os governos estragam tudo…



A repercussão no sistema de ensino de um primeiro-ministro e uma ministra com insuficiente formação escolar para terem a atitude culturalmente adequada a esta realidade é grave.


Dir-se-á que as pessoas mesmo sem formação superior podem ter tantas ou mais capacidades dirigentes do que outros portadores de muitos canudos e certificados. Isso é certo mas não é disso que falamos.



Ambas as pessoas de que falamos são sobranceiras, revelam ignorância na matéria e, portanto, ostentam o desprezo soberano pelas opiniões e atitudes dos que sabem e entendem que devem ser ouvidos ou que as suas opiniões devem vingar. Reduzem a comunidade educativa a uma direcção vertical que não estimula os contributos de cada uma das suas componentes.



Outra característica é deliberadamente contribuírem para introduzir conflitos no sistema sem lhes ter associada a possibilidade real de as respectivas motivações contribuírem para assinaláveis saltos de qualidade no sistema. Funcionam como vírus nos computadores.



Uma outra faceta é desconhecerem a realidade das nossas escolas para terem a noção que não são campanhas publicitárias nem choques tecnológicos que, de forma séria, podem contribuir para uma elevação gradual da qualidade: condições de trabalho físicas e de bem-estar, equipamento adequado e formações que o rentabilize, gratuitidade do ensino e apoios sociais significativos, capacidade de relacionamento da escola com as famílias e a comunidade envolvente, diversidade de formações na escola para corresponder as componentes lectivas normais, necessidades educativas especiais, acompanhamento do estudo, actividades de “tempos livres”.



Quando o primeiro-ministro diz que se “acabaram as facilidades”, actua como se os professores fossem um bando de marginais. É mais um golpe no estado de espírito do corpo docente e na sua consideração pública. E revelador daquela estratégia inqualificável de pôr pais contra professores…



Se desconhece o tempo que leva uma reabilitação de escola, o tipo de empresas que para isso vão aos concursos e as respectivas debilidades, a insuficiente fiscalização municipal e da administração central, como chegou ao cargo? Se pensa que as autarquias deveriam assumir a tarefa gigantesca da reabilitação e modernização do parque escolar, onde é que tem andado desde que nasceu, que experiência de vida tem, alguma vez saiu dos ambientes culturais da Disneylândia? E quando se atira às autarquias que lhe não querem aparar as sacudidelas de capote, o que quer? É prosseguir aquela estratégia inqualificável de pôr pais contra autarquias?



De mais facetas e estratégias mesquinhas poderíamos continuar a falar.


E vinha isto a propósito de achar que estes elencos governativos carecem de preparação cultural, no sentido lato do termo, para poderem gerar outras políticas e desempenharem tais funções.

Os voos de Guantanamo e a Festa do Avante!


Quem lá vai sabe que pode conhecer e discutir livremente as ideias mais difíceis e complexas que implicam a constante ousadia de discorrer, pensar e refutar (Aurélio Santos)

Não resta qualquer «se» dubitativo à passagem de voos pelo espaço aéreo nacional, ao contrário do que ainda diz F. Louçã, nem Guantánamo é uma espécie de estado de alma mais ou menos diabólico, a carecer de «exorcismo», como escreve Ana Gomes.
Guantánamo é um símbolo da natureza belicista e fascizante do imperialismo.
Proibir os voos de e para Guantánamo no território nacional é uma resposta de soberania e um imperativo de dignidade nacional (Carlos Gonçalves).

Cartoon de Monginho

in Avante!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Na Bolívia a direita e os grandes proprietários de terras querem impedir a aprovação da nova Constituição


A oposição, concentrada em municípios onde a direita tem a maioria, com destaque para o de Santa Cruz, tudo faz para desastabilizar o país, para o dividir e para subtrair os organismos e recursos do Estado ao poder legítimo do Estado.
Assaltos a instituições, espancamentos, descriminação política na prestação de serviços municipais, lock-outs, barragens de estrada configuram uma acão cada vez mais violenta, racista e impopular. E está a dividir os seus próprios correligionários.
A presidência já fez saber que não acatará a tentativa da Corte Nacional Eleitoral de impedir o referendo constitucional. E as organizações representativas das populações já declararam que se os grandes proprietários querem guerra, tê-la-ão.

Acompanhe o dia-a-dia da situação política na Bolívia através da agência http://www.bolpress.com/.

a pintura de Teresa Magalhães




bloco de esquerda: um neo-reformismo de fachada socialista - III, por José Manuel Jara




2- Uma ideologia de discurso liberal

O estilo dominante do discurso bloquista é muito típico, alternando enunciados categóricos e incisivos, com frase vagas, mas sedutoras, até pela sua nebulosa imprecisão. Numa entrevista ao DN (2.03. 08) F. Louçã responde desassombradamente assim: «Com certeza que estamos à esquerda do Partido Comunista», nem mais. E, adiante, sobre o socialismo do Bloco: «Gosto muito de fazer campanha junto das pessoas, de procurar encontrar raízes de radicalidade e de transformação política. Acho que o socialismo é isso mesmo, e é isso que o BE é, como esquerda socialista.» Eis um exemplo paradigmático da forma sofisticada e sofista de nada dizer, usando palavras bonitas.
Depois da frase vazia, mas sonora, eis que vem outra vez a afirmação política da originalidade do BE, pela voz de Louçã na mesma entrevista do DN, que assume forma de promoção da marca, do «produto»: «Nós rejeitamos a ideia de um movimento popular tutelado por um partido.» (…) «Nós entendemos que é preciso constituir uma esquerda transformadora e emancipatória.» Parafraseando, parece óbvio que como o Bloco é um «movimento», não é um «partido», o seu movimento popular não é tutelado, porque é o próprio BE em movimento. Fica muito mal ser «dono» de um movimento, a fotografia para a história sai muito melhor com a atitude liberal de deixar andar o movimento à solta, na espontaneidade criativa de indivíduos cuja consciência é guiada pelo GPS do Bloco… A ideologia baseia-se num discurso fluente e redundante onde vocábulos como «novo», «moderno», «modernizador», «aberto», «plural», «social», «socialista», «popular», «alternativo», «radical», «democrático», «mudança», vão alternando sem grande preocupação com o referente e a realidade.
No livro de F. Louçã, Herança Tricolor (1989), obra prenunciadora do Bloco, radica a mesma preocupação de sempre contra o PCP, ardilosamente montada: «Pelo contrário, o único processo positivo teria que ser a erosão do PCP, criando espaços à esquerda, e esse é ainda e continuará a ser (…) uma questão central para a construção de um Partido Revolucionário(…)» E adverte: «Seria uma utopia reaccionária pensar que é positivo ou que será rápido o inevitável efeito de desgaste que a marginalidade intelectual e comunicacional do PCP e a sua crise política real, junto com as ofensivas ideológicas burguesas introduzirão no movimento operário (p. 184).»
Discurso premonitório! Criado o Bloco de Esquerda, quão verdadeira é a sua promoção nos órgãos de informação, e como é verdadeira a tentativa de marginalização «comunicacional do PCP», em contraste com a diferença de importância e implantação nas classes trabalhadoras. O discurso vago e com laivos intelectuais encanta os menos atentos, que se deixam levar pelo palavreado promovido nos mass media.
Detenhamos a nossa atenção voluntária neste discurso de Ana Drago e Jorge Costa, extraído do capítulo «Partir da Revolução a caminho do futuro», incluído no livro Passado e futuro do 25 de Abril: «Falar de “nova esquerda” é perceber que algo mudou, algo está a mudar, na ideia, no campo e nos actores da emancipação»(…). «No lugar onde se fabrica o antagonismo e o político, fazemos uma viagem de renovação de vontades, de reinvenção dos nomes e experimentação de novos caminhos.» (…) «Esses partidos modernos da era global, tanto mais necessários quando ainda não existem enquanto tal, concebem-se distintos mas próximos dos movimentos sociais e sabem que a soberania de transformação reside nestes, nas estruturas de contrapoder democrático de que se dotem»(…).
O discurso versa sobre a identidade, sobre a autodescrição recitativa e exaustiva do que será, do que é o próprio movimento. Dir-se-ia que se está a inventar verbalmente uma nova formação, mas que não se sabe bem dizer o que é. Então a reiterada referência à «coisa», que foge na malha do texto, numa fraseologia em que abundam os verbos mas faltam os complementos directos, muito movimento para um resultado incerto e indefinido. Um discurso em eco, em espelho.
Os mesmos autores dizem isto: «Sem um movimento popular de largo espectro, que imponha a partir de estruturas democráticas próprias mudanças profundas na natureza do poder político, a chegada da esquerda ao governo só atrasa o atraso.» (…) «Este partido traz consciência» (…) «Sabemos que a “revolução” tem que ser mais que um momento, é um processo de sentido democrático e de capacitação para a autonomia que se vive e se espraia no social, que se enraíza de quem fabrica o conflito e constrói a alternativa.»
A «revolução» com aspas já está também contagiada pela mesma confusão indeterminada, que se vive e se espraia na vagueza do substantivo «social». Afinal o que é que se define e pretende? Que leitura da estrutura da sociedade, que base de classes sociais, que perspectivas em relação à propriedade privada dos grandes meios de produção e do capital financeiro? A sopa eclética, a mistura de palavras não tem um fio condutor, a ideologia é o próprio discurso, num solilóquio dialogado, que torna a linguagem um fim quase desprovido de racionalidade, à boa maneira pós-modernista, a liberdade individual da oração, o discurso liberal, afirmação da individualidade criativa do falante, cada um por si.






E qual o mote da agenda política? Dizem Ana Drago e Jorge Costa, em uníssono: «Todos juntos pela luta toda.»
Faça-se justiça, cabe a Louçã o primado da eloquência bloquista, com grande destaque para a oratória parlamentar e o tempo de antena televisivo. Mas o discurso escrito, particularmente em entrevista, perde o efeito da retórica. Numa entrevista do DN (13.01.07), à pergunta, «O BE não está demasiado dependente de Louçã?», responde assim: «Um partido do futuro como quer ser o BE nunca será um partido “coesionado” ideologicamente, será um partido que encontra diversidade, porque tem de exprimir a sociedade.» Foi assim em 2007. No DN também, em 16.06.06, o mesmo Louçã, à pergunta, «O Bloco não tem grande consistência ideológica?», responde: «Acho que é uma ficção. O Bloco é um partido que tem ideias mais estruturadas na esquerda portuguesa.» E remata logo de seguida que o «partido comunista não tem ideologia». A especialidade do BE é dizer sempre o melhor possível do BE, mesmo que tenha de se contradizer.
O antagonismo contra o PCP, marca histórica dos antecedentes genéticos do BE, tem continuidade na acção bloquista, é um dos seus eixos tácticos e estratégicos. No Público (28.02.02), Louçã, «porta-voz» (designação que prefere à de líder) do BE, sublinha as diferenças entre o seu «movimento» e o PCP: «Há uma diferença essencial entre o Bloco e o PCP; o Bloco entende que a visão moderna da política é a que dá força e a capacidade de ouvir opiniões diferentes.» Estaríamos literalmente no mundo dos discursos: o porta-voz, transporta a «voz», vox populi, até à Rua do Ouvidor, e ouve o eco.

Antes de passarmos à parte seguinte detenhamo-nos no conceito de «democracia» louçanista, vertido em Pensar a Democracia à esquerda (Editorial Inquérito, 1994), num texto que, por sinal, para dar o tom, se intitula Oito tons democráticos: «O princípio constitutivo da democracia deve ser a horizontalidade e não a verticalidade, a apresentação e não a representação, a política sendo a continuidade do exercício permanente da soberania»(p. 74).
Por conseguinte, antes uma apresentação na horizontal de que uma representação na vertical…


Parlamento ucraniano pretende alterar poderes presidenciais. Iushchenko ameaça com dissolução




Em comunicação ao país, hoje, o presidente ucraniano Iushchenko ameaçou dissolver o parlamento (a Rada Suprema) onde, segundo ele, se terá constituído uma nova coligação do Bloco Timoshenko, do Partido das Regiões e do Partido comunista. E fala em "golpe constitucional"...
Iushchenko acusou a Primeira-Ministra e dirigente do Bloco, Yulia Timoshenko, de inviabilizar o funcionamento da coabitação anterior.
Este resultado era esperado depois de Iushchenko ter alinhado de forma cega com os projectos dos EUA que lançaram a Geórgia num conflito contra a Rússia. E de estar a querer impor a adesão do seu país à NATO.
A motivação terá sido suficiente para compensar o excesso de poderes do Presidente em relação ao Primeiro-Ministro, ambos com legitimidade popular resultante de eleições.

Só agora saiu da cartola do CDS...


Portas: "Luís, ainda respiras?"

Luís: "Ó Paulo, isto já cheirava mal..."

Não batam o pé aos EUA, disse ela

Dizem os media que a economia norte-americana está a recuperar e que a europeia nem tanto.

A crise do sub-prime e outras maleitas vieram de lá. Os EUA aspiraram dinheiro de todo o mundo que não tinham. Mais adiante mandaram a Geórgia meter-se com a Rússia, levaram responso e, de novo, pediram batatinhas aos dirigentes europeus para se afastarem da Rússia.

Tão amigos que eles são...

E tão generosos que estes dirigentes europeus são...Mas, se parecem não ser, lá vem uma voz do fundo do poço, desembaraçando-se das teias de aranha dizer "A capacidade de defesa da UE deve servir para garantir a segurança dos seus membros e não para bater o pé aos EUA" (Teresa de Sousa hoje no Público)...

Ora tomem, seus ingratos!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A UE suspende cooperação com Rússia. E com o Kosovo?


A União Europeia, não ignorando as diferenças entre os seus membros sobre esta matéria da Geórgia, falou "de cima" para a Rússia...Brown, Merkl e Solana preferiam ter ido mais longe. Resta saber se estes dirigentes europeus, amantíssimos defensores da legalidade nas relações internacionais algum dia se irão pronunciar sobre a natureza do Kosovo...

No Kosovo, os dirigentes europeus apoiam um processo político ligado ao crime organizado, conduzido por um gerrilheiro , Hashim Thaci, que tem sido o nº 1 da organização mafio-terrorista do UÇK, com um largo reportório de acusações de crimes de guerra. Com reservas de alguns, pelo menos não chateiam Bush.


bloco de esquerda: um neo-reformismo de fachada socialista - II, por José Manuel Jara




Recuemos a 1984, dez anos depois do 25 de Abril. O mais destacado dirigente do BE deu então à estampa o «Ensaio para uma revolução, 25 de Abril, 10 anos de lições» (Cadernos Marxistas). Diz «ensaio», porque, na sua visão, a «revolução» não foi além de uma «pré-revolução». A mais típica inconsistência leva-o, no entanto, a considerar que as lutas e experiências do PREC «colocaram o proletariado português na vanguarda da revolução europeia» (p. 46). Vendo a classe operária à luz da sua própria menoridade e insignificância organizativa, considera que «o movimento operário independente ainda começava a dar os primeiros passos» (p. 24), admitindo depois, no aceso das lutas, a possibilidade da «emergência de uma direcção revolucionária» (p. 46). Leia-se, de si próprios, in statu nascendi. O atraso irremediável em apanhar o comboio da história, compensa-se de modo verbalmente revolucionário, numa crítica de «esquerda» ao PCP. A Revolução Democrática e Nacional, etapa da revolução preconizada na estratégia delineada no VI Congresso do Partido Comunista, em 1965 (Rumo à Vitória, A. Cunhal), que antecipa em muitos traços a Revolução de Abril, é deturpada numa designada «revolução democrática nacional» (e uma rotulada «democracia-nacional», p. 22), da qual Louçã elimina o carácter antimonopolista, antilatifundiário, anticolonial e anti-imperialista.
E diz ainda FL, na sua lição que se aplica a si próprio agora: «O que em contrapartida os revolucionários devem denunciar num balanço rigoroso é justamente a adaptação do PCP ao poder constituído, que procurava preservar as relações de produção (...).» (p. 30). Mudam-se os tempos e as verdades. O verbo incandescente e intolerante é agora a voz melíflua que anuncia a boa nova, que poderíamos assim parodiar: «Vinde, vinde! Qual a senha? Simples, basta dizer, esquerda moderna volver, adere ao bloco para crescer.»
Sendo FL economista, sobressai a sua pouca capacidade na perspectiva da economia política. Contrapõe as suas teses às do PCP, que teima em imitar ao contrário. Veja-se esta conclusão lapidar, no período em que as nacionalizações estão em causa, em meados da década de 80: «Uma desnacionalização global da economia é inviável e mais, inútil.» E depois: «O que em todo o caso a burguesia não será é a reconstituição dos grandes grupos como existiam antes do 25 de Abril.» (Ensaio para uma Revolução, p. 57). É flagrante o erro de previsão. Agora, o BE contenta-se, no que poderão chamar-se «relações de produção», com uma vaga alusão à não privatização da «água» e da «energia», como bens «públicos»… Acrescentemos poeticamente, e o mar, e o sol, e o céu?...
Em que condições viu a luz do dia o BE? Diz FL (J. Notícias, 29.01.05): «Nascemos de uma crise profunda no sistema político.» E adiante: «Todas as causas com as quais nos comprometemos fazem parte do nosso código genético e não abandonámos nenhuma.» Das duas uma, levando a metáfora do código à letra: ou o BE combina, por adição, os fragmentos de DNA da UDP, do PSR e de tutti quanti e é uma coisa híbrida, um «mosaico», ou a recombinação da informação genética adulterou de tal maneira o código, que a «coisa» é irreconhecível, uma verdadeira metamorfose num «bloco» bem cimentado. De qualquer modo, independentemente do código, o «fenótipo», a aparência do «movimento», permite leituras interessantes. Nos tempos idos, as principais forças constitutivas do Bloco aparentavam ser, sob forma de partidos, os verdadeiros «revolucionários proletários» (LCI/PSR), os verdadeiros «comunistas» (PCR/UDP), ou eram membros do Partido Comunista Português (Política XXI/Renovadores); agora, pretendem ser os verdadeiros e novos «socialistas», parlamentares, eleitorais, evolucionistas, numa palavra: reformistas. A mutação produziu uma viragem de 180 graus!
Em 2004, os dirigentes do Bloco editaram um novo Ensaio Geral, Passado e futuro do 25 de Abril (Ed. D. Quixote). Ajustar contas com a revolução, ou melhor o «ensaio» de revolução, porque ainda não tinham crescido para uma revolução de verdade. O historiador e líder do Bloco, Fernando Rosas, conclui enfaticamente que «a democracia política não só não se alcançou contra a revolução, como está geneticamente presa a ela» (p. 32), que «a revolução portuguesa de 1974/5 constitui a marca genética específica da democracia portuguesa». Uma pomposa verdade de La Palisse… Fernando Rosas dá, no seu ensaio, uma versão curiosa do «25 de Abril», na qual as forças populares e revolucionárias são subalternizadas, nomeadamente o PCP: «A revolução é fruto, antes de mais, da incapacidade histórica das classes dominantes (…)». E ao longo da sua prosa, no lugar do movimento de massas, da luta organizada das classes trabalhadoras, da luta de classes nas várias etapas da Revolução, vai tecer-se uma narrativa em que o historiador utiliza metáforas como «explosão», «vaga», «ondas de propagação», «panela de pressão», «desordem telúrica», «tensão», «vaga de choque», expressões para justificar de modo naturalista, sem teoria política, o processo histórico. A descrição põe a tónica no irracional, no espontâneo, como resultado do recalcamento do papel de vanguarda do PCP no processo revolucionário. Diga-se que já em «25 de Abril» o código genético político de FR era ferozmente anti-PCP. Daí não ser de estranhar que, mais adiante, F. Rosas pisque o olho à direita quando denuncia «que o alvo (do PCP na Revolução) é cumprir os objectivos da “Revolução Democrática Nacional” e avançar para um poder do tipo das democracias populares.» (p. 40). De novo a designação deturpada, grave imprecisão para um historiador, «democrática nacional», em vez de «democrática e nacional». Com uma no cravo e outra na ferradura, à boa maneira oportunista, diz numa boutade radical: «A revolução representou historicamente o mais profundo e ameaçador abalo sofrido por uma oligarquia que desde sempre, em Portugal, reinava incólume e segura.» E num golpe final de obscuro maquiavelismo, de quem faz sentenças acusatórias sobre a Revolução e contra o PCP, diz: «O que fez do 25 de Abril uma operação militar com o PCP, mas não do PCP.»
Luís Fazenda, outro líder do Bloco, também tenta pôr a sua cabeça em ordem na altura em que o «25 de Abril» fez trinta anos. No capítulo do livro acima referido, que intitula As voltas do PREC, este antigo dirigente da UDP parece mais apostado em manter alguns vínculos com o seu passado revolucionário. E diz, como quem tira uma conclusão definitiva: «E o 25 de Abril foi mesmo uma revolução democrática. Tal como se produziu não foi imaginada por ninguém» (…) «A revolução esteve materialmente perto do socialismo.» L. Fazenda está perplexo, apercebe-se pela leitura que faz de várias obras de Álvaro Cunhal, que este «compreende melhor do que ninguém as condições do derrube do fascismo nas circunstância concretas». Mas logo a seguir, arrependido desta imperdoável concessão, vai afirmar que «é escusado mascarar o 25 de Abril concreto com a estratégia da Revolução Democrática e Nacional» e que «Cunhal falhou na percepção da passagem da Revolução Democrática ao socialismo». A falibilidade da infalibilidade do PCP!...
Por sua vez, os grupos esquerdistas são apostrofados por Fazenda, em jeito de autocrítica, como radicais sectários e de uma ingénua mediocridade.
Na sua versão pretérita, como «radicalistas de fachada socialista» (A. Cunhal, 1970), ou na sua versão póstuma, no «começar de novo» do Bloco de Esquerda, o que sobressai nestas correntes é um idealismo, uma compreensão insuficiente da história nos seus avanços e recuos, na sua sinuosidade. No passado viram-se como os arautos da revolução iminente, iluminados pela «ideia» a realizar independentemente das condições sociais e históricas objectivas. Agora, são uma espécie de «sociedade» por antecipação, uma nova «ideia» original para um «socialismo» sem fronteiras, «desclassificado», utópico, numa promoção reformista, quase evangélica, de uma nova verdade.
É a crise de alcance histórico, crise do capitalismo, crise do modo de vida de camadas das classes médias, crise profundamente contraditória, porque a par da grave derrota sofrida pelo socialismo a nível mundial, após a restauração do capitalismo na Europa de Leste e na ex-URSS.

Frieda e Diego, por anamar

Frida Kahlo:
«Naquele tempo, as pessoas tinham pistolas e divertiam-se a atirar contra as lampadas da Avenida Madero, e a fazer esse género de asneiras. De noite, partiam todas as lampadas e atiravam sobre tudo e mais alguma coisa, apenas para se divertirem.No decurso de uma noitada em casa da Tina, Diego tinha atirado contra um fonógrafo e eu comecei a interessar-me por ele, apesar de me meter medo».


Foi o primeiro dia do resto das suas vidas... conturbadas!


No seu diario escreve:
«Diego, começo
Diego, construtor
Diego, minha criança
Diego, meu noivo
Diego, pintor
Diego, meu amante
Diego, meu marido
Diego, meu amigo
Diego, meu pai
Diego, minha mãe
Diego, meu filho
Diego, eu
Diego, universo


Diversidade na unidade


Mas por que é que eu digo Meu Diego? Ele nunca será meu.Ele só pertence a si próprio»

...e de Frieda-Kahlo

Frieda-Kahlo e Diego Rivera

Painel de Diego Rivera


Frase de fim-de-semana, por Jorge


“O capitalismo é a extraordinária idéia de que os homens mais detestáveis e por razões das mais detestáveis irão de algum modo trabalhar para o bem de todos”




John Maynard Keynes

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

presunção


bloco de esquerda - um neo-reformismo de fachada socialista - I, por José Manuel Jara

O José Manuel Jara, para além de ser um médico psiquiatra conceituado, é um velho amigo. Conhecemo-nos na Universidade, antes do 25 de Abril, numa altura em que os comunistas tiveram confrontos ideológicos (e não só...) com alguns esquerdistas, muitos dos quais importantes companheiros de luta, contra o inimigo comum que era o fascismo. Já então o Jara se destacava como um sólido polemista, militante das idéias, como uma rara capacidade de, em ambiente agitado de reuniões estudantis, conseguir fazer essa polémica com seriedade intelectual e com humor corrosivo.

O Jara publicou o presente trabalho no último Avante! Acordámos em que aqui o publicaria também, em vários posts dada a sua extensão. Aprazada ficou a publicação de um outro escrito seu, actualmente em elaboração. Mas talvez até lá o Jara nos presenteie com o seu próprio blog, um espaço que faz falta. Ora, ouçam-no então.


Findava o século passado quando foi lançada a primeira pedra de um novo partido. Os seus fundadores, cientes da muita originalidade da iniciativa, baptizaram o «movimento», não propriamente como um partido na tradição portuguesa, com o nome de «Bloco de Esquerda». No Manifesto de 1999, o lema foi «Começar de Novo», começar um «novo movimento capaz de se constituir como alternativa na política nacional e de se apresentar aos portugueses nas eleições», desse último ano do milénio que expirava. Que coisa é o «Bloco»? Que marcas transporta da sua pré-história gerada pelos velhos, e agora extintos, pequenos partidos da extrema-esquerda, como o Partido Socialista Revolucionário (PSR), a União Democrática Popular (UDP), e de grupos como a Política XXI? Que boa nova trouxe para a «esquerda» em Portugal? Como tipificar o seu discurso? Como caracterizar a sua actuação política? Que esperar da sua marcha aparente em quarto crescente?

A zebra é o animal que leva por

fora a sua radiografia interna


(Ramón Gómez de la Serna)




A presente análise toma partido, não poderia ser de outro modo. Não há teoria política fora do terreno áspero das lutas ideológicas. No bilhete de identidade do BE, definido pelos seus dirigentes (apesar da pretensa informalidade, o «movimento» é liderado por dirigentes, mesmo que por controlo remoto), é retratada a formação política com um natural favorecimento, como a encarnação da modernidade política, como a verdadeira «esquerda socialista»; e, de modo implícito, como a suma inteligência dos novos tempos. Para além destas verdades reveladas sondemos outras, veladas.

1- O código genético bloquista e o 25 de Abril

Seria pura mistificação fazer de conta que os fundadores do BE nasceram politicamente no mesmo ano do seu novo partido. A sua carreira política já ia longa quando fundaram o BE. No entanto, a datação histórica tem na própria fundação o marco miliar. Diz o carismático Francisco Louçã, falando do PCP, partido por si tido como rival, por definição: «O PCP é um partido que foi fundado no princípio do século passado e o BE foi fundado no último ano da viragem do século. Penso que isso diz tudo.» (Sábado, 22/12/05). Para os dirigentes do BE o tempo começa a contar no ano I da sua fundação… O tempo histórico, o passado de lutas, de resistência, e o papel determinante do PCP na Revolução de Abril e nas lutas que se seguiram, o papel do PCP como partido das classes trabalhadoras, tudo isso está ultrapassado… Eis o sintoma flagrante da falta de percepção histórica típica do «movimento» de pretensos neófitos, cujo cronómetro só regista a hora nos seus próprios pulsos.
A ausência de uma filosofia da história transparece no estilo auto-elogioso, validado para o Bloco e para os líderes. Em resposta à pergunta do jornalista sobre onde está a «energia nova do BE», responde Louçã, com uma ironia egocêntrica típica: «Eu represento essa energia nova.» Eis a versão tonificada do papel do indivíduo na história..

(continua)





Liberdade para os Cinco cubanos presos nos EUA!


No dia 12 de Setembro, cumprem-se 10 anos sobre a injusta prisão nos EUA de Gerardo Hernández, Ramón Labañino, António Guerrero, Fernando González e René González, cinco patriotas cubanos sob a acusação de “conspiração para cometer espionagem.”

Os Cinco encontravam-se em Miami – Florida com o único objectivo de detectarem planos terroristas, que a partir desse território, têm sido impunemente lançados contra Cuba e o seu povo ao longo de dezenas de anos, e que já causaram mais de 3000 vítimas.

Apesar do Governo de Cuba ter transmitido às autoridades norte-americanas as informações obtidas junto da máfia anti-cubana, essas não actuaram contra os conspiradores, mas sim contra os antiterroristas.

Aliás, é bem conhecida a política norte-americana de apoiar todos os actos terroristas contra Cuba e de proteger os seus confessos autores, como por exemplo, Pousada Carriles (autor da explosão do avião cubano em que morreram quase 80 pessoas), Orlando Bosch, e Eduardo Guerra (responsável pela introdução em Cuba do vírus do dengue hemorrágico que matou 13 crianças).

Num clima de grande hostilidade e total parcialidade, foi ensaiado um julgamento que os condenou a penas de tal ordem desproporcionadas e vergonhosas que o acabaram por desmascarar como um julgamento político contra Cuba e o seu povo.

Apesar de as actividades dos Cinco não terem posto em risco a segurança dos E.U.A., continuam presos na sequência de um processo “judicial” pleno de ilegalidades, a aguardar novo julgamento em Miami, e sem direito à visita de familiares, numa total violação das leis dos próprios EUA e do direito internacional público.

Perante esta iniquidade, só a solidariedade poderá levar à libertação dos Cinco!

A Associação de Amizade Portugal-Cuba e o Conselho Português para a Paz e Cooperação convidam todos amigos do povo cubano, todos os democratas e pessoas de bem a associarem-se a esta jornada de solidariedade, verdade e justiça, participando na Concentração que se realiza frente à Embaixada dos Estados Unidos, na Av. das Forças Armadas, junto a Sete Rios, às 18 horas do dia 12 de Setembro no âmbito de uma jornada mundial de solidariedade mundial os Cinco, exigindo a realização de um julgamento justo e a sua libertação.

Vamos exigir um julgamento justo e liberdade para os 5!