terça-feira, 5 de agosto de 2008

Quando o mar bate na rocha...


EDP: lucros elevados com preços bem altos no consumidor, diz Eugénio Rosa




A EDP acabou de divulgar as contas referentes ao 1º semestre de 2008. E elas revelam que os lucros do grupo da EDP, só no 1º semestre de 2008, atingiram 962,4 milhões de euros, ou seja, mais 44% do que em igual período de 2007, que tinham sido de 668,2 milhões de euros. É esclarecedor que, embora os lucros antes de impostos tenham aumentado em 44%, os impostos a pagar pela empresa sobre aqueles lucros subiram apenas 4%, pois passaram de 176,7 milhões de euros para 184,1 milhões de euros, de acordo com as próprias contas da EDP. Como consequência, os lucros líquidos da EDP depois de deduzir os impostos aumentaram 56,6% no 1º semestre de 2008 relativamente ao 1º semestre de 2007, pois passaram de 491,5 milhões de euros para 703 milhões de euros, mas os lucros a distribuir aos accionista cresceram 66,6%. É um verdadeiro festim à custa dos consumidores.



Estes lucros impressionantes foram conseguidos também à custa de preços elevados pagos por mais de 4 milhões de consumidores domésticos, ou seja, por milhões de famílias portuguesas que vivem com dificuldades crescentes. Assim, de acordo com dados da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, o preço pago por um kWh por um consumidor domestico é 191% superior ao preço pago por um consumidor de “muita alta tensão”; 174,2% superior ao preço pago por um consumidor de “alta tensão”; 116,8% superior ao preço pago por um de média tensão “diagrama rectangular”; e 69,8% superior ao preço pago por um consumidor de média tensão “médio industrial”; e 43,1% superior ao preço pago por um consumidor de baixa tensão “pequeno industrial”.



Segundo também a Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, exceptuando os consumidores do tipo “DA”, ou seja, com consumos médios mensais até 50 kWh, que são aqueles que pagam por mês apenas 7,75 euros incluindo o IVA, o que é uma percentagem muito reduzida de consumidores domésticos, mas tomando como base de comparação o preço da electricidade sem impostos, porque é aquele que reverte para as empresas e que constitui a fonte dos seus lucros, conclui-se que no 2º semestre de 2007, o preço da electricidade em Portugal era superior ao preço médio da União Europeia dos 15 países, para os consumidores tipo “DB” (consumo médio mensal 100 kWh) em +19,3%, para os consumidores do tipo “DC “ (consumo médio de 292 kWh) em +22,1%; para os consumidores do tipo “DD” (consumo médio mensal de 625 kWh) em mais +16,4%; e para os consumidores do tipo “DE” + 18,1%. Apenas para os consumidores do tipo “DA”, ou seja, para aqueles que pagam em média por mês apenas 7,75 euros com IVA , que são poucos, é que o preço do kWh era, sem impostos, inferior em -10,8%.



Em resumo, exceptuando os consumidores do tipo “DA”, cujo número é reduzido, o preço da electricidade em Portugal, sem impostos, ou seja, aquele que reverte integralmente paras as empresas, era superior ao preço médio da UE15 entre 16,4% (consumidores tipo “DD”) e 22,1% (consumidores tipo DC”). Estes últimos (consumidores do tipo “DC”) representam 36% dos consumidores domésticos, e o seu consumo corresponde a 48% do consumo de todos os consumidores domésticos e pagam mais 22%. Só devido ao facto dos impostos sobre a electricidade em Portugal serem inferiores entre 77,2% e 82,6% à média da União Europeia dos 15 é que impede a situação de ser ainda mais incomportável para os consumidores domésticos portugueses. O OE está assim também a financiar os lucros da EDP. E a EDP pretende ainda impor em 2009 um grande aumento dos preços da electricidade com a justificação da existência de um elevado défice tarifário.



É evidente que com preços desta natureza a EDP tem de ter lucros elevadíssimos. Não é preciso ser um grande gestor para conseguir isso, face à passividade do governo e da entidade reguladora (ERSE), que até teve o descaramento de propor que as dividas incobráveis da EDP fossem pagas pelos clientes que pagam pontualmente. Por aqui se vê o tipo de fiscalização que existe actualmente em Portugal em relação aos grandes grupos económicos.

domingo, 3 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos de Pequim: dia 8 cerimónia de abertura




Morreu Harkishan Sing Surjeet


Faleceu Harkinshan Sing Surjeet, secretário-geral do Partido Comunista da India (Marxista) entre 1992 e 2005, e uma das figuras mais destacadas da India desde a sua independência. Foi um ardente patriota com papel activo nas lutas pela independência o que suscitou a ira do governo colonial britânico.
Esteve 8 anos na clandestinidade e 10 nas prisões.
Foi desde muito jovem destacado dirigente do movimento camponês no Punjab.

Após dois meses de doença prolongada, o dirigente do PCI (M) faleceu com a idade de noventa e três anos e os seus funerais decorreram hoje.

Surjeet tinha desempenhado um papel importante no sentido de ajudar Sonia Gandhi a reunir forças seculares, na sequência das eleições de 2004, para a uma coligação da esquerda (PCI-M, PCI, AIFB e PSR) com o Partido do Congresso e um outro partido. No momento da votação da moção de confiança de 22 de Julho, o Primeiro-Ministro Manmohan Singh chegou mesmo a prestar homenagem à "liderança visionária" de Surjeet na formação do governo mas o acordo nuclear assinado por ele com os EUA está a abalar a confiança popular e as forças de esquerda já fizeram apelo para a greve geral de 20 de Agosto próximo.

sábado, 2 de agosto de 2008

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Ditosíssimo todo aquele que passa por entre as armadilhas da guerra, da política e das desgraças públicas e mantem intacta a sua honra"



Simon Bolivar

O boato


A comunicação do Presidente da República


Não está para mim claro que o Presidente da República deva anunciar prèviamente o tema das suas comunicações ao país.

E ainda menos que tenho havido um grande suspense no país seguido de grande frustração. Isto talvez se tenha passado com alguns analistas que gostam de se assumir como intérpretes de estados de alma, que eles próprios procuram criar, e que gostariam de comandar todas as regras do jogo. Quando, por vezes, até parecem distraídos. Mais do que frustração poderá falar-se em surpresa com a desproporção entre o suspense que eles criaram e o conteúdo ocorrido.

O tema era obviamente um dos possíveis se bem que quem, como eu, está polìticamente longe de Cavaco e com motivos de prioridades sobre publicos pronunciamentos bem diferentes dos seus, entendesse que ele deveria era falar sobre o Código de Trabalho ou o "impasse europeu" e as pressões sobre a Irlanda, sobre as necessárias freflexões sobre o percurso da união europeia ou como, na economia, realizar os golpes de rins que nos minorem preocupações.

Quanto à matéria em si, é claro que não há drama e as coisas se resolvem pelas vias normais previstas para que a Região Autónoma dos Açores tenha brevemente o seu estatuto.

Cavaco Silva falou de inconstitucionalidades declaradas pelo TC e reservas políticas e institucionais suas que afectarão o equilíbrio delicado de poderes que envolvem o PR. Seria mais bizarro alguns virem a terreiro insistir na tese de que o estatuto foi aprovado por unanimidade na AR e teria o apoio de todos e que isso dispensaria a sua reconsideração devida a esta intervenção. A AR está a falar na relação com outro órgão de soberania e não do "inevitável" respeito com anteriores deliberações suas...

Já mais inquietante é verificar que, face ao desconhecimento prévio do conteúdo da comunicação, tenha alguém feito circular que a comunicação seria sobre ocorrências institucionais complexas resultantes de um suposto estado de saúde do Presidente da República.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pelo Minho e pelo Tua, de canoa


Inscreve-te através de http://www.xcape.pt/

Em breve...


Pausa para massagem...


O cartoon de Monginho

in Avante!

Irlandeses rejeitam novo referendo


É esta a contundente conclusão a que chegou recente sondagem promovida pela Open Europe. Esta instituição é um think thank promovido por empresários britânicos que defendem um novo pensamento quanto à forma de prosseguir a UE porque a "união cada vez mais estreita" que Jean Monnet preconizou, e foi papagueada por sucessivas gerações de políticos e burocratas, acabou por falhar. Pretende ser possível um novo fôlego ainda no quadro da liberalização da economia e de reformas estruturais, não sendo, por isso, nenhuma organização perigosamente esquerdista...


Esta sondagem tambem revela que quase dois terços dos inquiridos declararam que, em nova consulta, votariam não.

Nesta sondagem foram inquiridos mil eleitores entre 21 e 23 deste mês, depois de Sarkozy ter feito a visita à Irlanda que tão mal recebida foi pela opinião pública.

As principais conclusões foram:


71% opõem-se a novo referendo

Dos que expressaram opinião 62% disseram que votariam não num segundo referendo enquanto 38% votariam sim

O que significa que a diferença entre o não e o sim que da primeira vez tinha sido de 6 pontos, agora passaria a 24

17% dos que votaram sim iriam desta vez votar não, enquanto apenas 6% dos que tinham votado não passariam a sim

Dos que, não tendo votado, agora o iriam fazer, 57% votariam não e só 26% sim

Dos inquiridos, 67% concordam que os políticos europeus não respeitam o voto irlandês enquanto só 28% não concordam que isso seja assim

61% dos inquiridos disseram inclinar-se para não votar no Primeiro Ministro, Brian Cowen, se este convocasse um segundo referendo e, em particular, 43% dos votantes no Fianna Fail (partido liderado por Brian Cowen) tomariam idêntica atitude.


Outros dados da sondagem podem ser vistos em www.openeurope.org.uk/research/redc.pdf



Banco da Venezuela nacionalizado

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Organização Mundial do Comércio não ata, só desata...


Desde dia 21 realizam-se na sede da OMC em Geneve várias reuniões de cerca de 40 dos 153 países que integram a organização.

Mas ontem, o fracasso das negociações tinham provocado declarações derrotistas dos dirigentes da OMC e dos países mais ricos ou emergentes devido à ruptura da India com os EUA a propósito de uma cláusula de salvaguarda de protecção dos seus agricultores em situação de crise alimentar mundial com a prátrica então de tarifas especiais. Em que a India contou com o apoio da China.

O Director-Geral, Pascal Lemy, pareceu querer concluir o "ciclo de Doha" através de uma significativa reduçãodas tarifas aduaneiras, em particular na Agricultura e na Europa. Peter Mandelson, que o antecedeu no cargo e agora é Comissário da UE, propôs uma queda unilateral de 6o% das taxas e das medidas de apoio internas à PAC. Lamy apresentou novo compromisso baseado na redução de 80% dos apoios internos (direito ao pagamento único) e 70% das taxas aduaneiras.

Estas medidas iriam, até devido à liberdade de contratação da grande distribuição, acelerar a ruína de muitos agricultores de países da UE pela total desestabilização dos mercados dos cereais, da carne bovina e de porco e das aves.

Os países emergentes como a India ou o Brasil teriam de reduzir as taxas para entre 11 e 12%. Quando os países desenvolvidos as têm numa média dos 3%.


Numa primeira apreciação, os países menos desenvolvidos, que não foram convidados para a reunião de Geneve, poderão ser os mais penalizados por duas vias. O s seus produtos agrícolas seriam menos competitivos no acesso aos mercados dos países ricos devido às concessões aduaneiras por estes feitas aos produtos dos países emergentes dominados pelas multinacionais. E os seus produtos industriais e serviços também seriam menos competitivos no mercado interno europeu porque teriam, também eles, de baixar alguns pontos nas suas tarifas no quadro de um acordo geral para o qual só serão convidados, não a negociar mas a ratificar com a sua assinatura.


O comissário Mandelson actua em defesa dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros europeus e quer trocar serviços e tecnologias pelo desaparecimento da agricultura em vários países incluindo Portugal.

Seria perigoso o caminho que os socialistas e a direita do Parlamento Europeu ao ficar em posições aparentemente conciliadoras que apenas atrasariam por algum tempo este processo.


Importa, pois, inverter o caminho que tem sido o das reformas da PAC e reconhecer que agricultura e pescas são estratégicos para o desenvolvimento, para uma política alimentar saudável e para a soberania e segurança alimentares. E os apoios comunitários têm que deixar de ser atribuídos para facilitar abates na agricultura e pescas, antes têm que ser canalizados para o apoio à produção, de acordo com as especificidades de países e regiões.

O mar e você, por Dulce Pontes e Andrea Bocelli

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cartoon do il manifesto


Onde andam os liberais?

Nunca como hoje se vão desfazendo os mitos da capacidade da economia liberal dar melhores respostas que o Estado aos problemas do País.
É evidente a importância da economia privada. Mas de há muito que alguma economia de privada só tem o nome.

A diminuição do papel do Estado foi encarado com a justificação de libertar a iniciativa e a excelência da iniciativa privada. Porém, nunca os partidos seus defensores deixaram de concorrer a eleições patra tomarem conta do Estado, para o engordarem com compadrios e clientelas, como maneira de remunerar o seu pessoal político, de pôr a estrutura do Estado a facilitar a vida aos privados, de ter estes contratados pelo Estado, a viabilizar uma tentacular diversidade saprófita em relação ao Estado de grandes grupos, de fazer circular dirigentes, etc, etc.

A dinâmica empresarial que o afastamento de vários sectores em relação ao Estado introduziu não gerou capacidade significativa de valor acrescentado e competitividade e esta conseguiu-se à custa da desvalorização do trabalho quer em salários quer em direitos dos trabalhadores. Mas obteve, em contrapartida os lugares de administração de tal maneira remunerados que fazem espanto noutros países. As entidades reguladoras e fiscalizadoras que se mexeram, foram deixando na malha passar os tubarões. Só implosões de algumas situações as tornaram aparentemente mais interventivas.
Cravinho recoloca a questão da corrupção que se alarga à medida que os vários liberais dum vasto espectro político se vão mantendo no poder (estado, empresas, entidades diversas,etc.).

Lá por fora as economias mais liberais, faróis ideológicos de referência para a nossa geração de liberaizinhos, lá vão nacionalizando, pondo o Estado (uma vez mais) a assumir os buracos e deixando as vantagens para o privados em áreas como as petrolíferas. Compram os créditos à habitação , assumem apoios às famílias, devolvem impostos - enfim põem o Estado a pagar os devaneios porque...o Estado é sempre a última porta. E se as contas pessoais de tais liberais não pudessem fugir às responsabilidades??


Alvaro Rana, uma vida pelos trabalhadores portugueses


O funeral de Alvaro Rana realiza-se hoje às 15 h, da Igreja de Santa Isabel (ao Rato) para o Cemitério dos Prazeres.

Com 67 anos dedicou a sua vida ao movimento sindical. Foi dirigente do Sindicato dos Delegados de Propaganda Médica e envolveu-se desde 1970 na formação da Intersindical de que foi dirigente durante cerca de 20 anos, desempenhando tarefas de alta responsabilidade. Militante do PCP, participou no movimento de oposição democrático desde 1958 até ao 25 de Abril.

domingo, 27 de julho de 2008

Na Festa do Avante, evocando Woody Guthrie












«Esta máquina mata fascistas», podia ler-se na guitarra do músico e compositor norte-americano Woody Guthrie. Nascido em 1912 e falecido em 1967, Woodrow Wilson «Woody» Guthrie é um dos nomes mais importantes da cultura norte-americana do século XX, tendo deixado um impressionante legado musical, que consiste de centenas de canções, baladas e improvisações, indo dos temas políticos e sociais às canções infantis, passando pelos temas tradicionais.
Aquela que é talvez a sua canção mais conhecida, This Land is Your Land (Esta Terra é a tua Terra), é regularmente cantada em algumas escolas norte-americanas. Muitos dos temas que gravou estão arquivadas na Biblioteca do Congresso.
As suas canções deram voz à América sem voz – a América dos operários, dos negros, dos camponeses – que
conheceu numa vida de andarilho, percorrendo várias cidades acompanhado apenas pela sua guitarra. Desta vivência surgiram muitas das canções que escreveu, contribuindo para cimentar as suas convicções comunistas.
Várias gerações de músicos folk e rock foram por si influenciados, como Pete Seeger e Bob Dylan.
Afectado pela mesma doença que vitimara a sua mãe, foi já um Guthrie doente que assistiu ao ressurgir da música folk nos Estados Unidos, em estreita ligação com a luta contra a guerra e pelos direitos civis. Actualmente, existe um festival de folk com o seu nome, na sua cidade natal, e muitos compositores editam, ainda hoje, versões de canções suas.



The Coal Porters


Formados em Los Angeles, os The Coal Porters tinham originariamente uma sonoridade eléctrica. Só depois de se terem mudado para Londres e de se terem verificado mudanças na sua composição, iniciam-se em sons mais acústicos. Em várias digressões, nos EUA e na Europa, foram reforçando o seu prestígio junto do público e da crítica.
Em Setembro de 2004, editam finalmente o seu primeiro álbum acústico de estúdio (depois de lançarem alguns trabalhos a partir de concertos), How Dark this Earth Will Shine. Em Março deste ano, sai o segundo do género, Turn The Water On, Boy!.

Firmemente estabelecidos nos circuitos musicais dos Estados Unidos e Inglaterra, os The Coal Porters têm um som muito próprio, acústico, mas com atitude.



Chad Dughi

Compositor e intérprete de música tradicional norte-americana, Chad Dughi passa actualmente a maior parte do seu tempo na Irlanda, onde toca com a nata dos músicos folk daquele país. Freedom (Liberdade) é o seu segundo álbum, que contém canções originais e versões de Woody Guthrie.
O disco reflecte as suas deambulações pela América do Norte e por vários locais da Europa, revelando uma especial atenção à situação política do seu país.



Fontes: texto Avante!, clips Youtube, fotos Google


Os artistas da Festa do Avante!


sexta-feira, 25 de julho de 2008

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Experiência é o nome que as pessoas dão aos erros próprios"


Oscar Wilde

quinta-feira, 24 de julho de 2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Passe a publicidade à marca...

Tropa de Élite, de José Padilha, um filme fascista?


Estreado em Setembro de 2007, apesar de antes ter sido pirateado na net e com circulação de cópias, o filme acabou por ganhar este ano o urso de Ouro em Berlim.

Nesta altura o crítico Jay Weissberg, da revista Variety, que exprime as opiniões da indústria cinematográfica norte- americana, chamou-lhe fascista e disse que o filme servia para recrutar fascistas patra as forças policiais.

A polémica continua hoje muito acesa, sendo certo que correntes de opinião de extrema direita saudaram o filme por servir a causa dos que querem mão forte e negação de direitos de defesa aos criminosos, incluindo o direito à vida e a protecção da tortura e desacreditar movimentos pacifistas contra a violência policial nas favelas. Daí a afirmar o filme fascista vai um grande salto que me recuso a dar.

Não o considero peça brilhante de arte e de cultura mas mais uma reportagem de exposição de violências, suportada em boa qualidade técnica, que não faz grande apelo à inteligência, apesar de que há quem veja nele a vantagem de despertar polémica. Mas quem sou eu para discutir os critérios do prémio recebido?

Do pretendido distanciamento dos factos e ausência de atitudes maniqueísta ou moralista que defendeu o seu autor e de ser narrado pelo comandante dos GOPE (Grupo de Operações especuiais), e portanto nos transmitir a sua "visão", não acresce valor particular.

O filme retrata a realidade da corrupção da polícia comum, da sua pequena corrupção, incluindo a de venda de armas aos traficantes de droga que dominam as favelas e a outra realidade do GOPE , com uma formação para a guerra e para matar. O comandante prepara a sua retirada de funções por exigências familiares. Dois recrutas voluntaristas e idealistas, vindos da polícia comum onde resistiram à corrupção, são os outros personagens centrais, que acabam por se envolver na prática de violências.

No meio das duas realidades estão os assistentes sociais de uma ONG que trabalha na favela, que reconhecem à força a autoridade local do bando de traficantes e que também criam dependências dele por causa do consumo e dealing a que se vinculam.

Resumindo: penso que é um filme a ser visto e pensado. Até pela sua qualidade técnica.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O mergulho

Venezuela apoia os mais pobres nos EUA (do diário digital de hoje)



A Venezuela vai distribuir lâmpadas de baixo consumo de energia em comunidades pobres de 11 cidades norte-americanas, entre as quais a capital, Washington.



Segundo as autoridades venezuelanas, a medida faz parte do programa Missão para Revolução Energética, que visa a ajudar pessoas de baixos rendimentos a reduzir o consumo de energia.

O projecto, que já está em andamento na Venezuela, está a ser financiado com o dinheiro das vendas do petróleo.

Segundo a BBC em Caracas, 60 milhões de lâmpadas económicas já foram doadas a comunidades carenciadas venezuelanas, esperando o governo que o consumo de energia no país seja reduzido em 5%.

Nos Estados Unidos, o governo do presidente Hugo Chávez deve distribuir 500 mil lâmpadas entre residentes de 11 cidades, o que deve resultar numa economia de 15 milhões de dólares (cerca de 9,5 milhões de euros) ao longo dos 10 anos de vida útil das lâmpadas.

A Venezuela tem uma das maiores reservas petrolíferas do mundo e há cinco anos que está a aplicar parte dos lucros obtidos com a exportação da lâmpada em programas sociais.

Além do programa de distribuição de lâmpadas, Chávez também fornece petróleo a baixo custo para vários países, incluindo o Reino Unido, que compra combustível venezuelano a baixo custo e transfere o desconto para utilizadores de baixos rendimentos no transporte público.



Os críticos dizem que, por trás da iniciativa, o objectivo do país é fazer propaganda política.


Nota do editor - Os críticos que façam coisas semelhantes noutros países...

Provocações contra os Jogos Olímpicos

A explosão, quase em simultâneo, de dois autocarros na cidade de KunMing, do sudoeste da China, a cerca de 2100 km de Pequim, parece confirmar os receios de todos quantos temiam uma escalada de provocações contra os Jogos Olímpicos na China.
Duas vidas humanas foram ceifadas,. outras 14 ficaram feridas

A primeira provocação teve o seu iníciocom os actos de vandalismo provocados por bandos afectos ao Dalai Lama em Lasa, capital do Tibete, no passado mês de Abril, logo transformado em pretexto para novo fôlego mediático do separatismo tibetano. Com uma cobertura esquisita onde as cenas de violência policial foram...as das intervenções noutros países de polícias desses países contra manifestantes pró-Dalai Lama!


Incidentes tendentes ao separatismo de outras províncias também passaram a ocorrer.


O pretexto dos "direitos humanos" foi, uma vez mais, hipocritamente utilizado por aqueles que os não respeitam. Nos países que invadiram e puseram a ferro e fogo. Nos campos de prisioneiros de guerra onde estes são tratados de forma completamente arbitrária. Nos países com regimes ditatoriais que apoiam com material de guerra e de espionagem. Nos embargos económicos que promovem contra as populações de vários países. No apoio humanitário externo condicionado por atitudes sectárias e de ingerência. Etc, etc (alguém tem dúvidas da lista imensa de situações a que todos temos a obrigação ética de não fechar os olhos???).


E isto para não falar já nas violações aos direitos humanos para com os seus próprios habitantes...


A raiva surda fala mais alto porque a China tem um bom crescimento económico, vai caminhando na resolução de graves problemas sociais do passado e do presente capitalista, apresenta elevados índices na educação e na formação dos jovens e os seus atletas irão certamente apresentar um bom desempenho nos Jogos Olímpicos que se iniciarão daqui a 3 semanas.





Há que erguer uma barreira contra esta escalada. De todos. Incluindo daqueles que têm reservas em relação à política e ao regime chineses e aos que acreditam na bondade do separatismo tibetano e de outras províncias.
Quanto mais não seja pelo respeito dos ideais olímpicos.

domingo, 20 de julho de 2008

Vida, de Joaquim Namorado


Poema extraído da edição em livro de 1945

ilustrada por Victor Palla





Após uma onda outra onda:

uma onda que se quebra

outra que se levanta...

Eterno e gasto

e sempre novo movimento das marés!

Superioridade moral dos G8...




Trufas e caviar no jantar da cimeira do G8 sobre fome (transcrito do Diário de Notícias)

Os líderes das oito economias mais industrializadas do mundo (G8), reunidos numa cimeira no Japão, estão a causar espanto e repúdio na opinião pública internacional, após ter sido divulgada aos órgãos de comunicação social a ementa dos seus almoços de trabalho e jantares de gala.

Reunidos sob o signo dos altos preços dos bens alimentares nos países desenvolvidos - e consequente apelo à poupança -, bem como da escassez de comida nos países mais pobres, os chefes de Estado e de Governo não se inibiram de experimentar 24 pratos, incluindo entradas e sobremesas, num jantar que terá custado, por cabeça, a módica quantia de 300 euros.

Trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e uma selecção de queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas eram apenas alguns dos pratos à disposição dos líderes mundiais, que acompanharam a refeição da noite com cinco vinhos diferentes, entre os quais um Château-Grillet 2005, que está avaliado em casas da especialidade online a cerca de 70 euros cada garrafa.

Não faltou também caviar legítimo com champanhe, salmão fumado, bifes de vaca de Quioto e espargos brancos. Nas refeições estiveram envolvidos 25 chefs japoneses e estrangeiros, entre os quais alguns galardoados com as afamadas três estrelas do Guia Michelin.

Segundo a imprensa britânica, o "decoro" dos líderes do G8 - ou, no mínimo, dos anfitriões japoneses - impediu-os de convidar para o jantar alguns dos participantes nas reuniões sobre as questões alimentares, como sejam os representantes da Etiópia, Tanzânia ou Senegal.

Os jornais e as televisões inglesas estiveram na linha da frente da divulgação do serviço de mesa e das reacções concomitantes. Dominic Nutt, da organização Britain Save the Children, citado por várias folhas online, referiu que "é bastante hipócrita que os líderes do G8 não tenham resistido a um festim destes numa altura em que existe uma crise alimentar e milhões de pessoas não conseguem sequer uma refeição decente por dia". Para Andrew Mitchell, do governo-sombra conservador, "é irracional que cada um destes líderes tenha dado a garantia de que vão ajudar os mais pobres e depois façam isto".

A cimeira do G8, realizada no Japão, custou um total de 358 milhões de euros, o suficiente para comprar 100 milhões de mosquiteiros que ajudam a impedir a propagação da malária em África ou quatro milhões de doentes com sida. Só o centro de imprensa, construído propositadamente para o evento, custou 30 milhões de euros
in Diário de Notícias

sábado, 19 de julho de 2008

Amina Alaoui, no CCB

Amina Alaoui, grande cantora marroquina que tanto tem influenciado a música no norte de África e Próximo Oriente, quando actuou há meses atrás no CCB, acompanhada pela Ronda dos Quatro Caminhos, Pedro Caldeira Cabral e a Orquestra Sinfonietta de Lisboa.

As expectativas que Obama vai desfazendo...


Não me vou aqui referir à obamania reivindicada pelo Dr. Mário Soares, à medida que o candidato democrata à presidência dos EUA vai frustrando as espectativas de esquerda e de grande parte dos seus apoiantes, para buscar a qualquer preço mais uns votos "ao centro". Ela é materialmente irrelevante dentro do direito que cada um tem de ter o seu candidato americano.


O que já não é irrelevante é que Obama, cuja candidatura progrediu na base da manifesta necessidade de mudança, vá reduzindo expectativas que cabem nesta atitude que sempre move parte significativa do eleitorado. Reduzir as diferenças entre ele e MCCain e dar continuidade a projectos desastrosos da administração republicana vai levar muitos que o apoiam a cingir-se à necessidade de derrotar McCain e não a apoiar uma atitude alternativa que vai deixando de existir...

Em vão poderão ter sido os esforços daqueles que se empenharam, com a sua cidadania, em que não inscritos e abstencionistas tivessem a percepção de que valia a pena votar (os norte-americanos são dos povos que menos votam em eleições nacionais...)

Retira do Iraque num calendário "realista" e com "condições"até porque Brown ontem já lhe impôs contenções. Envolve-se numa espiral intervencionista quanto ao Afganistão e Irão. Diante dos responsáveis da conservadora comunidade judaica, afirma que o Irão é a maior ameaça para Israel, a paz e a estabilidade na região e promete ter como objectivo eliminar essa ameaça porque os que ameaçam Israel ameaçam os EUA e Jerusalém deve permanecer capital de Israel e manter-se indivisível...
E para Israel já prometeu uma ajuda suplementar de 30 mil milhões de dólares anuais.
Dele os palestinianos não ouviram nada...
Vamos acompanhando.


Que quer de África a União Europeia?

Dois acontecimentos recentes e os seus reflexos mediáticos à escala planetária, revelam a manutenção de uma mentalidade colonial.
A criação, como apêndice da UE, de uma União para o Mediterrâneo (UPM), pretende originar um processo de integração, para já limitado, mas com vocação para sofrer evoluções semelhantes ao que a própria UE tem ensaiado. Numa altura em que, com todas as dificuldades inerentes à coexistência com um sistema pós-colonial, a diversos títulos predador da economia, da autodeterminação, da ética, da honestidade individual e que vai promovendo a musculação e definhamento das próprias democracias, os países de África ensaiam um crescimento e solidez instiutucional que lhes permite apresentar na cena internacional uma força útil à multiplicação de polos regionais prestigiados de deliberação, regulação e negociação de comércio, desenvolvimento e de outras vertentes políticas.

A UPM visa claramente secundarizar instituições africanas onde estes países falam a uma só voz, como o que tem sucedido com a União Africana (UA), a Organização do Sahara e países saharianos (CENSAD) e outras instituições africanas. Visa colocar a África a reboque de interesses económicos e estratégicos da UE e da NATO (expansão de mercados, contenção da emigração ilegal, política militarista contra o Leste e Médio Oriente, ascendente na organização de braço dado com Solana de dirigentes egípcios e israelitas,etc.).

Os casos da ingerência interna no Zimbabwe e no Sudão, onde claras violações aos direitos humanos exigem atitudes críticas e de solidariedades à escala universal, não conferem nem aos EUA nem à UE o direito de ingerência tão brutal.

Quando a generalidade dos países africanos se opôs a tais ingerências pós-coloniais, não faltaram os analistas "ocidentais" que de forma mais boçal e superior vieram perurar sobre os países de África que não têm emenda, que não aprenderam, ingratos, não assimilados, bla, bla, bla...

Eszte estilo esclarece as intenções humanitárias de Browns, tribunais internacionais e coisas aparentadas.

Quem vai aos EUA prender Bush e os generais que perpretaram chacinas hediondas nos berços mais antigos da nossa Humanidade comum? Quem invoca contra a política ocidental os casos de corrupção de dirigentes e empresários das "nossas" democracias?

Coimbra nos anos 50


Neste quarteirão ficam hoje o Teatro Gil Vicente e a Associação Académica.

Em cima, a Praça da República e a entrada para o Jardim da Sereia.

Hoje, no Museu do Neo-Realismo em V. F. de Xira

No Neo-Realismo, foi frequentemente

a confluência entre literatura e artes plásticas.


Hoje às 17 horas, no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira,

é inaugurada uma grande exposição :


"Ilustração e Literatura Neo-Realista"


de livros ilustrados por diferentes artistas plásticos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Happy birthday, madiba!

O pensamento da semana, por Jorge


"A nossa posição é que sejam quais forem as ofensas que uma nação possa ter tido, por muito questionável que considere um stato-quo, a guerra de agressão é um meio ilegal para resolver essas ofensas ou para alterar essa situação"



Robert Jackson, juiz do Supremo Tribunal dos EUA, pronunciou estas palavras na sua declaração de abertura no julgamento de Nuremberga nos finais de 1945.



Na jaula do Leão, Charlie Chaplin

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Sobre os incidentes na Quinta da Fonte, a propósito de uma crónica de Paula Teixeira da Cruz

São três as questões suscitadas hoje na crónica semanal, no Correio da Manhã, de Paula Teixeira da Cruz, a propósito dos incidentes referidos.


Quanto à primeira, estaremos de acordo. A crise é caldo de cultura que potencia a violência que, sob diversas formas, existe na sociedade. Isso exige que estado e outras instituições em vez de ensaiarem grandes desarrincanços de pendor mediático que provoquem o aumento da perigosidade, apresentem as questões, desautorizem os especuladores de audiências, definam prioridades de medidas preventivas ou operacionais imediatas, contribuindo para a serenidade, compreensão do fenómeno e do que se faz para lidar com ele e alertado para apelos que favoreçam derivas securitárias do Estado e das comunidades.



Quanto à segunda questão, há realojamentos e realojamentos. Há diferentes etnias com diferentes modos de habitar. Há mediações que se têm que estabelecer entre as comunidades e as entidades públicas que promovem, com objectivos positivos (que deverão resultar das próprias opiniões dos interessados e do saldo positivo em termos de qualidade de vida), os realojamentos.

A disponibilização de terrenos de barracas e casas abarracadas para negócios imobiliários não podem ser o único factor a ter em conta quando se procura a sua sustentabilidade.

Estes processos envolvem também maior periferização de camadas realojadas, correndo-se o risco de criação de guetos se os realojamentos forem neste sentido e culturalmente homogéneos.

O convívio inter-cultural é um interessante termo para mostrar que se é politicamente correcto mas escamoteia a complexidade dos processos de que as entidades públicas se não podem alhear.

As experiências de realojamentos, com os estudos já feitos e a fazer, com a preocupação de identificar que melhores práticas se seguirão são essenciais. Não há juízos definitivos que se possam tirar já.



Quanto à terceira questão. É verdade que o governo anda alheado de muita coisa e que prefere estar presente em cenários programados de acordo com a sua agenda. A abordagem destas matérias, como se infere do que disse a propósito da primeira e da segunda questões, tem que ser encarada com serenidade o que não significa ausência. O governo mandou a governadora civil aos primeiros embates. Esperamos que o silêncio signifique que se está a fazer alguma coisa, em discussão com as “partes”. Ou será que o governo só vai esperar “eficácia” da intervenção policial, como ontem declarou Vitalino Canas?

Bom senso e falar verdade têm andado arredados da prática governativa como o provam as alterações previstas para o Código do Trabalho, a relação com os agriculturas ou as perspectivas da economia portuguesa.

Guillermo Rivera Fúquene assassinado


Há dias demos aqui conta do desaparecimento em 22 de Abril passado deste dirigente sindical colombiano e militante comunista.

Anteontem advogados anunciaram o aparecimento do seu corpo num túmulo com a identificação NN em Ibagué, no departamento de Tolima. As perícias davam conta de ter sido assassinado e ali enterrado no próprio dia.

Ao longo deste ano já são 29 os dirigentes sindicais e de outros movimentos populares assassinados por processos semelhantes.

A Uribe nenhum tribunal internacional vai a Bogotá prender...
Será que Ingrid Betancourt numa próxima gala em que participe evocará os sofrimentos deste Colombiano?

Cartoon de Monginho


O cubo, por Ivone Silva

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O relatório do Banco de Portugal rectificou previsões para 2009 que exigem reposição do poder de compra


Crescimento e PIB em queda

Abrandamento do consumo das famílias (quais?)

Retrocesso no investimento

Redução das exportações, maior factura energética, mais juros a pagar aos estrangeiros,

Subida do deficite externo

Promessa de redução da taxa de desemprego e de subida dos preços mas sem prever agravamentos de factores externos como o preço do petróleo


O que diz Constâncio? Não aumentar salários para não fazer a inflação crescer em espiral; redistribuir rendimentos focando-os nos mais pobres, como se muitos dos que vivem de salário não fossem já hoje pobres...

Quanto a nós: repor e melhorar certos poderes de compra para pressionar a produção interna, contendo importações num quadro em que as exportações só a prazo poderão inverter a tendência de queda

Whiskey in the jar, The Dubliners

Morales volta a denunciar "ajuda" de uma agência norte-americana


O presidente boliviano voltou a denunciar a actividade subversiva da Agencia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento internacional (USAID).

Esta prática de pretensos organismos de solidariedade de fazer condicionar as candidaturas aceites para esses auxílios aos seus destinatários se envolverem em actividades contra os seus governos, foi agora detectada na região de Chapare em que os próprios trabalhadores alvos de tal "solidariedade" expulsaram os agentes da USAID.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Sarkozy arranca com a União para o Mediterrâneo (UPM)


É ainda difícil avaliar o impacto da iniciativa de Sarkozy de, depois de intensa actividade diplomática nos últimos meses, suscitar a criação da União para o Mediterrâneo, ainda feita de simbolismos e promessas, depoi de iniciativa semelhante ter falhado há algum tempo com base em Barcelona.

Tendo antecedido esta iniciativa com a aprovação da Directiva de Retorno (já conhecida por Directiva da Vergonha), com ainda mais graves consequências sobre os imigrantes ilegais, como que a pedir à nova entidade para cooperar na sua aplicação, Sarkozy valorizou um dirigismo em relação aos países do sul.

O significado de a União Europeia, com esta iniciativa, juntar israelitas com palestinianos, a Síria com o Líbano, a Argélia e Marrocos, não é ainda mais que simbólico. Os governos das margens norte e sul do grande mar têm prioridades muito diferentes.

Voltaremos ao tema.

A taxa do governo não afecta lucros da GALP


O Publico refere hoje declarações de Eugénio Rosa sobre esta matéria que transcrevemos.


A taxa sobre os lucros das petrolíferas não é um novo imposto, mas um pagamento antecipado de IRC e não afectará os lucros da GALP Energia, garante o economista Eugénio Rosa, da CGTP.

"O que o governo se propõe fazer é apenas uma simples mudança contabilística, ou seja, alterar o sistema de custeio actualmente utilizado pelas petrolíferas para calcular o lucro sujeito a IRC", afirma o economista, para quem "os lucros da GALP se mantêm intocáveis e intactos".

Para efeitos fiscais, as companhias valorizam os seus stocks ao preço da última aquisição (critério LIFO). Pela medida do governo, estes stocks passam a ser valorizados ao preço da aquisição do petróleo mais antigo que se encontra em stock (critério FIFO).

Eugénio Rosa remete para o próprio comunicado que a GALP emitiu para o mercado na sequência do anúncio do governo, segundo o qual "a nível do resultado líquido não tem qualquer impacto, uma vez que a GALP Energia já reflecte nas suas demonstrações financeiras a aplicação do critério FIFO (First in, First out) para valorimetria dos stocks, com o respectivo efeito fiscal a ser contabilizado em impostos diferidos".

No mesmo, a empresa afirma que "a nível financeiro, considerando o novo critério de valorimetria dos stocks para efeitos fiscais, poderá implicar uma antecipação do pagamento de imposto, que, a título de exemplo, à data de 31 de Março de 2oo8, corresponderia a aproximadamente 110 milhões de euros".

O ecomista alerta para o risco de a empresa aproveitar esta medida do governo para aumentar os preços do petróleo, por via contabilística também, através da fixação dos preços dos combustíveis à saída da refinaria, que actualmente é com base nos preços de Roterdão do dia anterior, o que, "a verificar-se, determinaria uma escalada ainda maior de preços".

O regresso...