sábado, 21 de junho de 2008

Um homem nas presidenciais de 1958 - o nosso pai

A. H. S. Abreu, auto-retrato
Permitam-me que transcreva aqui artigo publicado no Militante de Set/Out de 1998, da autoria de meu pai, António Horácio Simões de Abreu.

Esta foi uma das muitas lutas e responsabilidades que teve ao longo da sua vida política.

1. Em finais de 1957 o Partido começou a encarar a actuação para aquelas eleições. Era necessário antes de mais encontrar um candidato que pudesse unir à sua volta todas as forças da oposição.
Depois de várias sugestões e tentativas considerou-se um convite ao engenheiro Cunha Leal. Para isso o camarada Gaspar Teixeira e eu próprio solicitámos-lhe uma entrevista, em nome do Partido, a que acedeu e onde expusemos o objectivo em vista. Cunha Leal ficou de pensar no assunto e aprazou-se nova entrevista. Acabou por aceitar em meados de Março e pouco depois começou a receber mensagens

de apoio de jovens, mulheres e trabalhadores de vários pontos do País.
Para alargar e reforçar esse apoio foi decidido realizar um jantar de homenagem que teve lugar no restaurante “Castanheira de Moura” (ao Lumiar), em que seria tornada pública a sua candidatura. De entre as várias intervenções e do discurso de aceitação de Cunha Leal, destacou-se a intervenção da escritora Natália Correia, declamando um poema dedicado à memória de Catarina Eufémia, que comoveu as centenas de participantes e foi coroada por uma vibrante ovação.
Daí em diante passei a manter um contacto regular com Cunha Leal que me recebia sempre com a maior cordialidade. Numa dessas entrevistas quis-me ler o esboço do Manifesto Eleitoral a dirigir ao povo português e perguntou-me se o teor e os termos do Manifesto mereceriam o acordo do Partido. Não tive dúvidas em responder afirmativamente.

2. A certa altura fomos confrontados com o anúncio da candidatura do general Humberto Delgado, feito no Porto, parecendo-nos que a iniciativa partira de António Sérgio. Cunha Leal logo me questionou sobre a atitude que o Partido iria tomar face a este novo e preocupante facto. Respondi-lhe, sem hesitações, que nunca poderíamos apoiar tal candidatura, dados os antecedentes bem conhecidos da vida política do general. Cunha Leal retorquiu humoradamente que a palavra “nunca” não devia ser pronunciada em questões de ordem política.
Algum tempo depois fomos surpreendidos pela notícia de que Cunha Leal fora internado no Hospital da CUF e que a gravidade da doença o obrigava a desistir da sua candidatura.
É claro que esta nova situação, inesperada, nos deixou deveras preocupados e logo o Partido teve de começar a pensar na escolha de um candidato substituto.
À volta de um grupo de democratas que habitualmente se reunia na “Seara Nova” surgiu a possibilidade do Dr. Arlindo Vicente. Tendo então sido resolvido colocar-lhe essa difícil tarefa, ele, abnegadamente, aceitou o encargo (20/4).
Apesar das inerentes dificuldades que iria ter de enfrentar esta candidatura, marcadamente de esquerda, a campanha rapidamente se desenvolveu com muito entusiasmo contando com grande apoio, sobretudo das camadas de trabalhadores, como era natural, através de concorridos comícios realizados no sul do País.
Sucedeu, porém, que a candidatura de Delgado galvanizou o País inteiro e que o comportamento público do general surpreendeu toda a oposição ao regime fascista, pela clareza, firmeza e frontalidade com que se ia pronunciando e não havia dúvidas de que o Partido não mais poderia deixar de reconhecer a justeza e a amplitude do movimento nacional por ele desencadeado.
Parece-nos que a pérfida e ignominosa ofensiva desencadeada pelo Governo contra o general e particularmente a brutal intervenção da PIDE e das outras forças policiais contra as suas deslocações e acções de campanha eleitoral, só resultaram na sua crescente firmeza e combatividade.

3. Face a esta nova situação, foi resolvido convocar para Beja, em 29 de Maio de 1958 (onde se iria realizar um comício de Arlindo Vicente), uma reunião nacional dos representantes das Comissões de Apoio dos vários pontos do País, para se considerar a possibilidade de negociar com o general Delgado um acordo político que pudesse gerar a fusão das duas candidaturas e lhe permitisse vir a representar toda a oposição nas eleições que se aproximavam.
Obtido o acordo de Arlindo Vicente e de todos os delegados presentes nessa reunião, telefonámos de Beja para o general, que nessa noite iria realizar um comício em Cacilhas (Almada), propondo-lhe um encontro, antes do comício, onde se pudesse obter um acordo nesse sentido e, se resultasse, seria anunciado publicamente no decorrer daquele comício.
É claro que Salazar ficou preocupadíssimo com a eventualidade desse acordo, que certamente iria desencadear uma onda de entusiasmo, imparável, em todo o País. E a PIDE, que deve ter escutado aquele telefonema feito de Beja, logo entrou em acção. O carro em que seguiam, com esse destino, Arlindo Vicente e eu próprio, conduzido pelo camarada Domingos Carvalho, ao fim dessa tarde, foi interceptado por uma brigada da PIDE chefiada pelo inspector Farinha, acompanhada por uma força da GNR, no ponto em que o trajecto se bifurcava em duas direcções (Cacilhas ou Vila Franca). Fomos intimados pela força a seguirmos rumo a Vila Franca.
Chegámos já noite à Sede da candidatura de Arlindo Vicente (no Bairro Social do Arco do Cego) e verificámos que as imediações estavam vigiadas por uma brigada da PIDE chefiada pelo inspector Porto Duarte. Esperámos ainda algum tempo que esta vigilância abrandasse e foi já muito tarde que, deitados no banco posterior do carro para não sermos vistos, conseguimos chegar à Estação do Sul e Sueste (Terreiro do Paço) (*).
Uma vez chegados ao local do comício que já estava prestes a terminar, subi à Academia Almadense, avistando-me com o capitão Carlos Vilhena e Rolão Preto que conseguiram avisar o general da nossa chegada. Verificada a impossibilidade de realizar ali mesmo o projectado encontro com o general, resolveu-se, por sugestão deste, que ele se realizasse em Lisboa na sua residência da Rua Filipe Folque.
Assim se procedeu, com a maior cordialidade, e foi já pelas 4 horas da madrugada (30 de Maio) que se obteve o desejado acordo, a anunciar no dia seguinte a todo o País.

4. Como era de esperar, daí em diante a campanha eleitoral redobrou de entusiasmo. É de salientar que os apoiantes iniciais de Arlindo Vicente e muito particularmente os membros do nosso Partido deram um importante contributo para a eficiência da actuação desenvolvida até ao dia das eleições.
Por essa altura, como a PIDE certamente verificaria a minha presença assídua e bastante activa na Sede do general (Avenida da Liberdade), aluguei um quarto para dormir (Rua Alexandre Braga), donde ia telefonando para minha casa, procurando evitar que a PIDE me prendesse antes do acto eleitoral.
Nas vésperas deste redigiu-se um Manifesto ao Povo Português, que seria assinado pelo general Delgado, por Arlindo Vicente, pelo professor Vieira de Almeida e por mim próprio, como representante da respectiva Comissão de Apoio, manifesto esse em que se apela va à participação massiva à boca das urnas e à vigilância destas face às habituais falcatruas dos agentes de Salazar. O Manifesto não chegou a sair, tendo sido assaltada pela PIDE a tipografia onde seria impresso.
Num desses dias dirigiu-se-me na Sede, já restabelecido, o Engenheiro Cunha Leal que humoradamente me observou o despropósito do termo “nunca” que eu havia pronunciado em sua casa aquando do anúncio da candidatura de Humberto Delgado.
Podemos afirmar que nos últimos dias da campanha eleitoral éramos praticamente nós, Arlindo Vicente, eu próprio e outros elementos da nossa candidatura, que mantínhamos o fun-cionamento da Sede, enfrentando o cerco e as violências da PIDE.

5. No próprio dia do acto eleitoral (domingo, 8 de Junho), ao encerrarmos a Sede, a PIDE esperava por mim à saída. Arlindo Vicente e uma senhora advogada, de Torres Vedras, cujo nome não me recordo, deram-me o braço, um de cada lado, e logo a brigada da PIDE procurou soltar-me, sem êxito, desse forte abraço. Assim fomos descendo a Avenida da Liberdade, aqueles amigos segurando-me fortemente e os agentes da PIDE puxando-me pelo casaco que chegaram a rasgar.
Próximo do cinema Condes, aproveitando uma distracção e a passagem de um táxi, eles conseguiram isolar-me para forçar a minha entrada nesse táxi. Subi ao estribo do carro e soltei um viva ao general Delgado, procurando atrair as pessoas que se aproximavam. Senti então no pescoço a pressão de uma pistola empunhada por um dos agentes. Os meus amigos conseguiram de novo dar-me os braços e a caminhada continuou até à esquina do Teatro Nacional (Rossio), onde nos esperava já o famigerado Seixas. Este ameaçou de prisão Arlindo Vicente e aquela senhora advogada, se não me largassem, e pouco depois era conduzido ao Aljube, onde permaneci cerca de 10 dias. Soube então que também o professor Vieira de Almeida tinha sido detido e encarcerado no Aljube (o pretexto destas prisões deve ter sido a assinatura do Manifesto acima referido).

6. Após a burla eleitoral e esse período de prisão, mantive contactos regulares, em nome do Partido, com o general, na sua própria residência, onde sempre me recebeu com toda a gentileza, originando mútua consideração e simpatia.
Efectivamente pensávamos que o general, pela conduta digna e vigorosa demonstrada ao longo da campanha, deveria tornar-se o polo aglutinador das forças da oposição até à insurreição nacional que deveria levar ao derrubamento do regime fascista.
Foi por isso que, na última visita aprazada a sua casa, quando a empregada que abriu a porta me informou de que o general havia pedido asilo à Embaixada do Brasil, fiquei surpreendido e seriamente preocupado.
É que a saída do País do general iria certamente enfraquecer o movimento que a campanha produziu. E estou pessoalmente convencido de que foram alguns elementos da oposição, tementes da confiança depositada pelo general no nosso Partido, que trabalharam de sapa para levar o general a tomar aquela inesperada decisão.
Além de prejudicar gravemente a actuação futura do movimento de oposição ao regime fascista, a deambulação do general, no exílio, ora aqui, ora ali, iria facilitar o aparecimento de intrigas políticas e permitir as manobras tenebrosas de Salazar e da PIDE. E de facto foi o que acabou por acontecer com o ardiloso e cobarde assassinato do general Delgado e da sua secretária, na emboscada que lhe montaram em Badajoz em 1965.
Não tivesse ele tomado a errada decisão de se exilar e pessoalmente estou convencido que o 25 de Abril teria sido antecipado de alguns anos.

(*) Meses mais tarde, ao recebermos no escritório de Arlindo Vicente um agente da PSP, agora colocado em serviço de Tribunais, este confidenciou-nos que fizera parte da força da PSP que esteve em serviço naquela estação, que tinha notado a nossa presença mas que fingira não nos ter visto...


Portugueses!

A Oposição Independente e a Oposição Democrática, representadas pelos seus candidatos à Presidência da República, senhor General Humberto Delgado e senhor Doutor Arlindo Vicente, em face da necessidade de estabelecer, nas urnas, uma unidade de acção contra o Governo da Ditadura, verificaram ser útil, e até decisivo, proceder imediatamente a tal unidade e, para isso, estabelecer a actuação comum nos seguintes termos que se comunicam à Nação:

As Candidaturas prosseguirão, a partir desta data, a trabalhar em conjunto, e no final, representadas nas urnas por um só Candidato, o General Humberto Delgado, que se compromete, por sua honra, e salvo caso de força maior, a tornar efectivo o exercício do voto até às urnas e estabelecer, em caso de êxito, o seguinte:

a) Condições imediatas de aplicação do Artº 8º da Constituição;
b) Exercício de uma Lei Eleiroal honesta;
c) Realização de eleições livres até um ano após a constituição do seu Governo;
d) Liberdade dos presos políticos e sociais;
e) Medidas imediatas tendentes à democratização do País.

Viva Portugal!
Viva a Liberdade!

Lisboa, 30 de Maio de 1958

aa. Humberto Delgado
Arlindo Vicente

Israel e os EUA preparam ataque ao Irão


O governo de Israel, com a anuência dos EUA, realizou nos últimos dias ensaios militares que visam, entre outros, objectivos nucleares no Irão.

Em final de mandato, Bush pretende criar um facto político mandando Israel ameaçar, depois das ameaças recentes que, ele próprio, fez.

Ensandeceram. Nova ameaça para a paz.

Ibsen pelo Berliner Ensemble no Festival de Teatro de Almada

Quando foi escrito, o Peer Gynt de Ibsen não era para ser representado. À superfície este texto aparenta ser um poema épico baseado em lendas folclóricas. Mas a um nível mais profundo acaba por revelar-se um ardiloso estudo sobre as mudanças no Mundo e sobre a passagem do ser humano pela vida. Neste sentido, Peer Gynt é o homem comum do século XIX: um homem nem bom nem mau, que é ao mesmo tempo um idealista e um materialista, um produto genuíno da era capitalista de crescimento rápido. Graças à magnífica interpretação de Uwe Bohm, este Peer Gynt é também frontal e magnético: um homem-criança à procura de si mesmo.


Intérpretes Uwe Bohm, Benjamin Çabuk, Gerd David, Peter Donath, Ninon Held, Ruth Glöss, Ursula Höpfner-Tabori, Deborah Kaufmann, Alice Kornitzer, Ann-Marie von Löw, Annett Renneberg, Steffen Roll, Dorothea Gebhardt, Judith Strößenreuter, Marko Schmidt, Veit Schubert Oliver Urbanski, Axel Werner, Angela Winkler, Ronald Zehrfeld
Cenário e figurinos Karl Kneidl
Coreografia Reinhild Hoffmann
Música Georg Klein
Dramaturgia Bärbel Jaksch

Língua alemã (legendado em português)
Duração 3h30 c/ intervalo


JULHO
21h00 Sáb 12
16h00 Dom 13

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Encosta-te a mim...


Avé Maria, de J.S. Bach, por Carmen Monarcha

Morreu Thinguiz Aïtmatov




Morreu no passado dia 9 o escritor quirguize, autor do romance Djamília, a que Aragon chamou uma das mais belas histórias de amor.


Autor de outras obras, Aïtmatov recebeu o Prémio Lenine e muitas outras distinções na URSS e noutros países.


Djamilia foi para mim uma imensa descoberta na minha juventude. A beleza de Djamília, a emancipação feminina no quadro de uma sociedade rural quirguize, a sensibilidade humana dos habitantes da Quirguízia, marcaram-me para sempre.




A tradução do foi feita por Louis Aragon (que o prefaciou) e A. Dimitrieva.
A mais recente edição portuguesa do livro é da Relógio de Água em 1990, mas não haverá, de momento exemplares disponíveis.


Vê-la anos depois no cinema , numa boa adaptação desta obra, foi também um acto de grande emoção.


Foi um dos nomes grandes da literatura soviética. Era bilingue tendo publicado as suas obras em quirguize e russo.


As outras obras do autor traduzidas para português são




O Navio Branco, pela Relógio de Água, em 1991

O lugar da caveira, pela D. Quixote, em 1995

Mãe tolgonai, pela Campo das Letras, em 1996


América Latina contra a Directiva da Vergonha



Como era previsível antes da votação pelo Europeu do Directiva de Retorno, , as reacções não se fizeram esperar.

A directiva foi designada por Rafael Correa por Directiva da Vergonha.Chavez declarou ontem que os países que aplicarem esta directiva verão fechada a torneira do petróleo venezuelano e não devem cobntasr vcom novos investimentos no país.Evo Morales falou na realização duma campanha internacional




quinta-feira, 19 de junho de 2008

55 anos passaram sobre o assassinato dos Rosenberg


Um amigo na campanha de Obama



Caros amigos,


Um dos objectivos das minhas Obama News (que, neste momento, conta com 75 leitores directos) era e é fornecer-vos informação honesta e actualizada a que, certamente, não poderão ter acesso através dos meios de comunicação de que dispõem.


O facto de me encontrar a viver nos EUA dá-me a vantagem de poder estar, não apenas a assistir, mas a participar.


Por outro lado, tenho procurado estudar tudo isto, tentar perceber, caminhar pela complexidade das coisas e não me satisfazer com aparências, notícias de ocasião, impressões do momento, apoios ou rejeições impensadas, palavras ou frases fora do contexto, distracções várias, provocações, etc.


Outro aspecto enriquecedor desta minha iniciativa é receber comentários, críticas, observações, correcções, perguntas, silêncios, recusas, apoios, abraços... que servem para aprender mais e matar algumas saudades.


(…)



5. REUNIÃO DE VOLUNTÁRIOS



(…)


Éramos cerca de 40 pessoas e, por curiosidade, como de costume, dois terços eram mulheres. Outra curiosidade: apenas 4 não eram brancos.


Fez-me recordar o romantismo e a entrega de certos movimentos e iniciativas que começam nos dias difíceis e em que cada um dá o que tem. Desde as lutas clandestinas, às acções mais simples. Nessas alturas não havia (e não há) "tachos" para distribuir ou "penachos" para alguns... Nada era fácil a não ser a entrega voluntária a uma causa em que se acreditava... E, quando chegava a hora da verdade, cada um, por mais isolado que estivesse (nas celas de Caxias ou nas veredas da clandestinidade) sabia que não estava só.


A minha mãe, na sua infinita preocupação de me proteger, dizia: "O que andas a fazer, meu filho!?... Não vês que isto sempre foi assim e será!?... Não compreendes que, sozinho, não poderás mudar o mundo!?"... E eu sem lhe poder dizer que estava acompanhado...


Depois vem a fase da instalação, da rotina, da partilha de poderes (grandes e pequenos), das listas, da continuidade, da reacção ao que é novo e quer agitar, do proteccionismo e da corrupção (muitas vezes, intelectual), do adormecimento, do profissionalismo incompetente mas fiel substituir a militância crítica, do medo, da dependência e de tanta outra coisa que dá vida aos chamados "aparelhos partidários", essas realidades tentaculares que não podem deixar de existir mas que, a maior parte das vezes, perdem a capacidade de renovação e de autocrítica.


Será, porventura, o que se irá passar por aqui. Poderá, quem sabe, ser excepção.


Mas, o que me interessa, é que neste momento estamos numa fase que antecede a do poder. Mais tarde, se acontecer porcaria, será tempo de voar para lá de outras fronteiras, de olhar para trás e não renegar, de olhar para a frente e continuar à procura de outras utopias.


Estou a viver a fase infantil de um processo democrático mitigado. Imagine-se o que é ter como primeira tarefa conseguir inscrever uns milhões de americanos nos cadernos eleitorais para poderem votar pela primeira vez!!!... Ainda por cima quando eu nem sequer posso votar!...


(…)


Para tentar compreender isto comprei ontem um livro intitulado Why Americans Still Don't Vote - And Why Politicians Want It That Way. Os autores são Frances Fox Piven e Richard A. Cloward.



Um enorme abraço para todos,


fernando

"A matéria do poema", de Nuno Júdice


Na próxima 2ª feira, dia 23, a D. Quixote e a Casa Fernando Pessoa procedem ao lançamento de "A matéria do poema" de Nuno Júdice, na Casa Fernando Pessoa, na R. Coelho da Rocha, 16 (Campo de Ourique).

A nova obra do poeta é apresentada por Maria João Seixas.

Os cartoons de monginho

Monginho, no "Avante!"

UE: sem tratado mas com legislação contra imigrantes


A aprovação ontem pelo Parlamento Europeu de uma directiva para "o regresso de nacionais de países terceiros em situação irregular" (Directiva de Retorno) é um mau passo para poder lidar com as questões da imigração e reflecte o estado de desumanidade dos seus dirigentes.

Com 307 votos a favor, 206 contra e 109 abstenções, a proposta inicial não acolheu por parte da maioria nenhuma das muitas alterações propostas pelos deputados.

A maioria dos países de África e da América Latina, a Alta-Comissária para os Direitos do Homem da ONU e muitas organizações de e para os imigrantes opuseram-se.

É agora mais fácil expulsar os imigrantes "indocumentados", deter as respectivas famílias mesmo com menores, expulsar menores e fica criado um período de cinco anos em que os imigrantes expulsos não se poderão candidatar a imigrar. Serão mais difíceis os reagrupamentos familiares. O governo português entendeu não usar o direito de veto contra um projecto que reduz os imigrantes a mão-de-obra barata, descartável e sem direitos e adoptou já a sanha persecutória contra os imigrantes que a próxima presidência europeia anunciou.

Respeito pelos direitos humanos ou criminalização de quem aqui procura trabalho?

Expulsões facilitadas ou planos de desenvolvimento sustentado nos países de origem?

Soluções de imposição ou nascidas do diálogo com as associações representativas dos imigrantes?

"A sala magenta", de Mário de Carvalho


Na Lagoa Moura, algures no Alentejo, na casa da irmã Marta, Gustavo, realizador de "fitas", recupera dum incidente e passa o tempo, referenciado-o sempre a Maria Alfreda, um amor que ficou, no mosaico de mulheres que com ele viveram.

A Casa grande de Romarigães, numa última adaptação é outra ambição adiada pelos desígnios do produtor, mais virado para outra leveza e popularidade de escrita, de temas e de imagens.

A descoberta da irmã, nunca feita pela vida frenética e o desinteresse da sua parte e o seu pequeno mundo da Lagoa Moura vão ser palco de memórias e amores de uma vida que para elequase perdeu o sentido.

O romance de Mário de Carvalho lê-se com gosto e prende-nos.

Gostei muito.


A sala magenta
Mário de Carvalho
Editorial Caminho, o Campo da Palavra
2008
10.80 euros

Evocando Victor Wengorovius


Hoje - dia em que completaria 71 anos - às 18 h, no Jardim do Principe Real, um conjunto de amigos evoca Victor Wengorovius, dirigente estudantil, activista, candidado e dirigente da oposição democrática antes do 25 de Abril e dirigente do PS depois da Revolução de Abril. um amigo, companheiro de vários combates.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Soneto de Florbela Espanca



No silêncio de cinza do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,
A esse livro de mágoas que me deste.

Estranho livro aquele que escreveste,
Artista da saudade e do sofrer!
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que sinto, sem poder dizer!
Leio o, e folhei o, assim, toda a minha alma!
O livro que me deste é meu....
Poeta igual a mim, ai quem me dera
Dizer o que tu dizes!...Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto!...



De um livro de Sonetos com um estudo crítico de José Régio em que diz a propósito de Florbela: “a sua poesia é dos nossos mais flagrantes exemplos de poesia viva...nasce , vibra e se alimenta do seu muito real caso humano, do seu porventura demasiado caso humano...”

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Um amigo na campanha de Obama


4. Sobre o processo eleitoral


1. ELEIÇÕES INDIRECTAS

As eleições presidenciais são indirectas. No próximo dia 4 de Novembro não se vai eleger o Presidente, mas um Colégio Eleitoral que, posteriormente, elegerá o Presidente dos EUA.


2. TRADIÇÃO


É uma tradição que se mantem desde que, em 1789, Washington foi eleito Presidente. Em 1783 tinha sido assinado, pela Inglaterra e pelos EUA, o Tratado de Paz de Paris.


3. COLÉGIO ELEITORAL

Neste Colégio Eleitoral (composto por 538 delegados) estão representantes de todos os 50 Estados e da capital, District of Columbia, também conhecido por Washington DC.


4. DELEGADOS NO COLÉGIO ELEITORAL POR ESTADO


A representação de cada Estado é proporcional ao número de habitantes respectivo.


5. ESTADOS AZUIS E VERMELHOS E SWING STATES

Tradicionalmente, há Estados que votam, quase sempre, ou no nomeado pelo Partido Democrático, ou no nomeado pelo Partido Republicano.

Chamam-se Azuis os que votam "democrata" e Vermelhos os que votam "republicano".

Aos Estados que, umas vezes têm uma maioria, outras vezes outra, chamam-se os Swing States.

Se analisarmos apenas as eleições de 2000 e 2004, em que foi eleito Bush (contra Al Gore em 2000 e contra John Kerry em 2004), podemos considerar que há 20 Estados Azuis, 29 Vermelhos e 2 Swing States (Iwoa e New Hampshire).

A tradição tem sido esta, com algumas excepções: Johnson (1964), Nixon (1972), Reagan (1980 e 1984), Bush pai (1988) e Bill Clinton (1996).


6. A IMPORTÂNCIA DAS SONDAGENS DA CNN DE ONTEM, 15 DE JUNHO DE 2008


Estas sondagens vêem confirmar outras que têm sido divulgadas.

Estamos perante a possibilidade de uma alteração profunda do mapa eleitoral americano.

Por força da situação em que se vive (Iraque, crise económica e de valores, etc.), mas também por causa das características dos dois candidatos principais (Obama e McCain), um e outro não sendo "candidatos tradicionais" dos respectivos Partidos, ambos podendo recolher votos no centro e, inclusivamente, nos campos adversos.


7. OS "NOVOS" SWING STATES


Tendo em conta os resultados publicados pela CNN, estamos perante o seguinte cenário :

Estados "Azuis": 15, representando um total de 190 votos no Colégio Eleitoral.

Estados "Vermelhos": 24, representando um total de 194 votos no Colégio Eleitoral.Swing States: 12, representando um total de 154 votos no Colégio Eleitoral.

Isto é, já não se trata de saber quem ganha Ohio ou a Florida, como aconteceu em 2000 e 2004.


Agora há, pelo menos, 12 Estados em que Obama (ou McCain) podem ganhar: Colorado, Florida, Iowa, Michigan, Minnesota, Missouri, Nevada, New Hampshire, Ohio, Pennsylvania, Virginia e Wisconsin!

8. CAMPANHA NACIONAL

Como vos disse, pela primeira vez na história das eleições americanas, a candidatura Obama está a trabalhar (com equipas profissionais e voluntários) em todos os Estados.

A principal tarefa, nos próximos meses, é inscrever o maior número possível de novos eleitores. Esta questão é decisiva porque há 3 ou 4 dezenas de milhões de pessoas que têm capacidade eleitoral mas nem sequer estão inscritas nos cadernos!!! Durante as Primárias as candidaturas de Obama e Clinton conseguiram inscrever mais 3 milhões e meio de novos eleitores...

Outro objectivo que tem sido conseguido é o de mobilizar os jovens que, tradicionalmente, não votam. A política, aqui, é vista como um assunto dos ricos e dos velhos... Sabe-se que a juventude, principalmente universitária, tem participado cada vez mais neste processo eleitoral (a maioria esmagadora apoiando Obama, o fim da guerra e uma nova política energética e de saúde).

É pena não estar viva para lhe poder contar esta aventura, em troca das histórias, que sempre ouvia deliciado,

das lutas maçónicas do meu avô e do meu bisavô, do fim da monarquia, da vitória da República, de como sorrir mesmo na adversidade!

É pena que o meu pai não possa ler estes e-mails! Imagino as perguntas que me faria...

É pena que haja tanta ignorância neste país e que, tantas vezes, triunfe o medo.


Desta vez é a nossa vez!


Yes We Can!


Um abraço para todos,

fernando



PS: Sei que alguns de vós não partilham o meu entusiasmo (principalmente depois das declarações de Obama perante parte do lobby judeu). Não pensem que não partilho as vossas dúvidas e algumas das vossas certezas. Mas eu não resisto a entusiasmar-me, nem que seja para dar um passo, sabendo que há, ainda, longas estradas para percorrer...









domingo, 15 de junho de 2008

Marx nunca teve tanta razão como hoje


Esta uma das afirmações feita pelo escritor em entrevista à Rádio Renascença e Público e que este jornal hoje publica.

Outras afirmações que retive sem descontextualizar:

"Estou a escrever um livro e não quero morrer antes de acabá-lo. Uma das minhas preocupações quando estava entre cá e lá, numa espécie de limbo em que a consciência de mim mesmo não era absoluta, era a de que talvez não pudesse acabar o livro. Afinal, ainda hoje escrevi mais uma página. Lá para Agosto estará terminado."
(...)
"Gostaria de ser recordado como o escritor que criou o personagem do cão das lágrimas ( Ensaio sobre a Cegueira). É um dos momentos mais belos que fiz até hoje enquanto escritor. Se no futuro puder ser recordado como "aquele tipo que fez aquela coisa do cão que bebeu as lágrimas da mulher" ficarei contente. Se alguém procurar naquilo que tenho escrito uma certa mensagem, atrevo-me pela primeira vez a dizer que essa mensagem está aí. A compaixão dessa mulher que tenta salvar o grupo em que está o seu marido é equivalente à compaixão daquele cão que se aproxima de um ser humano em desespero e que, não p0dendo fazer mais nada, lhe bebe as lágrimas."
(...)
(sobre o Acordo Ortográfico)
"Nestas matérias sou bastante conservador: no que está e deu bons frutos e bons resultados não se mexe. Mas tenho que compreender uma coisa: o futuro do português que escrevemos poderia estar bastante comprometido se não houvesse este acordo."
(...)
"Não me falta nada. Mas eu não sou um exemplo do que é viver neste mundo. Sou um privilegiado. Mas não possso estar contente. O mundo é o inferno. Não vale a pena ameaçarem-nos com outro inferno porque já estamos nele. A questão é saber como é que saímos dele."
(...)
"Falta esquerda ao mundo. Mas não tenho que me preocupar com o PS porque não é o meu partido. É o partido do Governo."
(...)
"À direita não lhe interessa as idéias porque pode governar sem elas; à esquerda deviam-lhe interessar as idéias, porque não tem outra maneira de governar senão com elas."
(...)
"Todos querem ser de centro. O mundo não tem idéias novas sobre este assunto porque vivemos sob um processo de laminagem em que vamos perdendo espessura. Isso contribui para o domínio implacável do capital.
Parece que estou a repetir a cartilha marxista, mas Marx nunca teve tanta razão como hoje. O que dizia está a realizar-se. Digamos que ele se antecipou e não seria má idéia voltar a lê-lo e a discuti-lo para ver o que está ultrapassado no seu trabalho e dar uma vida nova às suas idéias."
(...)

sábado, 14 de junho de 2008

Quem julgam os celtas que são?




De repente, o inimigo é a Irlanda. Expulsem-na!...Ou metam-lhe no Tratado mais umas cláusulas de roda-pé que satisfaçam os descontentes e os obriguem a novo referendo...Exijam-lhes propostas para ver como saímos desta situação...


O Tratado está morto! Não, ainda está vivo, prossigam as próximas ratificações. Cuidado com os checos!


Ainda queriam referendos...Está bem, está. Viste-los...Essas coisas são muito complexas para serem referendadas...até porque as pessoas não as compreendem e acabam por ser arrastadas por oportunistas...Sim, mas então o que é que a legislação sobre o aborto, ou a neutralidade em relação a blocos militares, ou o desemprego, ou os preços, ou as taxas dos créditos, ou o desaparecimento da agricultura, ou a perda da soberania alimentar têm a vêr com o Tratado de Lisboa? ...Que mania de manipularem as consciências...Mas foi tudo para abalar a carreira política de Sócrates. Mal agradecidos...


Elisa Ferreira tem ficado desapontada com os referendos que teve. Nada como desrespeitar a promessa de os fazer. Se a Inglaterra o fizesse, diziam não. Agora o Gordon Brown garante a ratificação parlamentar e salva-se a honra do convento anglicano...


O Tratado de Lisboa, que, como toda a gente sabe, os lisboetas têm festejado nas marchas e nos arraiais, orgulhosos do desarrincanço pátrio, não pode ser estragado pelos celtas, vive nos nossos corações e se não o querem a bem, vai à força...


Não é que os grandes partidos da Irlanda eram pelo sim e só os Feins eram pelo não...Olha, olha, tiveram o apoio do Gerry Dams. Pois, isto estava tudo armadilhado...

Che Guevara teria 80 anos hoje







Realiza-se hoje em Rosário, na Argentina, cidade onde nasceu o "Che", uma homenagem evocativa dos 80 anos do seu nascimento.


Um amigo na campanha de Obama






3.Porque hoje é sábado (recordando
Vinicius de Morais)

Porque hoje foi sábado, foi tempo de sair de casa e chegar ao sítio combinado, na hora certa (9 da manhã): o Fresh Market da Central Avenue da velha St. Petersburg.

Porque hoje foi sábado, foi tempo de encontrar outros doze como eu, com camisolas a condizer, garrafas de água para lutar contra o sol e o calor.

Porque hoje foi sábado, foi tempo de partilharmos pranchetas, boletins de registo de eleitores, canetas esferográficas pretas.


Porque hoje foi sábado, foi tempo de perguntarmos às pessoas se estavam registadas, se queriam votar nas próximas presidenciais.

Porque hoje foi sábado, foi tempo de ouvir todo o tipo de respostas e não-respostas, a maioria esmagadora afável, a maioria de apoio (Yes! I'm for Obama!).


Porque hoje foi sábado, foi tempo de conseguir mais um recenseado.


Porque hoje foi sábado, foi tempo de nos despedirmos, às duas da tarde, cinco horas depois da chegada, e prometermos mais sábados como este.


(...)



Um grande abraço para todos,

Boa noite e boa sorte,

Fernando

O coração da terra

Aí está um bom filme, equilibrado na boa qualidade do argumento e realização, ambos de Antonio Cuadri, e do leque de actores pricipais e secundários, de que destaco Seienna Guillory, Catalina Sandino Moreno, que voltaremos a ver no Che, e Joaquim Almeida.

O som não acompanha a outra qualidade referida.

A luta contra a exploração pelo ingleses das minas de Rio Tinto, na Andaluzia, é o tema do filme, no centro do qual, em diferentes momentos dessa luta, está a jovem escritora infantil, cujo pai adoptivo foi o organizador da primeira revolta terminada num massacre.

A não perder enquanto por aí está.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A Irlanda disse o que não nos deixaram dizer



A derrota do Tratado Constitucional no país que o submeteu a referendo ao contrário de outros, como Portugal é, sem dúvida, uma grande vitória dos que em todos os países da UE combateram a fraude de remeter a subscrição para os parlamentos nacionais.


O próprio agravamento da economia internacional e as ameaças que pairam por estes países acorrentados a uma política cega e ultra-liberal vinha deslocando as opiniões à escala europeia no sentido de contestar tal projecto.


Acabaram-se as inevitabilidades. Reabre-se a página de reconsiderações globais tanto mais urgentes quanto os factores de crise estão aí.

Um amigo na campanha de Obama


2. Eleições em que vale tudo...

Caros amigos,

Neste país, mais do que estamos habituados na Europa, em matéria de eleições "vale tudo menos arrancar olhos".

Há legiões de detectives (contratados ou a trabalhar por conta própria), especialistas da desinformação (nas rádios, televisões e jornais), propagandistas de lixo cibernético, empresas de publicidade, falsos "independentes", etc. etc. etc.

Criam-se factos políticos, inventam-se histórias proibidas, vendem-se escândalos sexuais e financeiros, fabricam-se sujeiras, nódoas que por vezes permanecem apesar das mentiras que transportam.

Estas técnicas têm sido utilizadas, desde sempre (ficaram na história porcarias destas utilizadas para eleger os primeiros Presidentes...), por todos os quadrantes mas, muito especialmente, pelos mais fanáticos apoiantes (encapotados ou não) do Partido Republicano.


Desde o início das Primárias, a candidatura Obama comprometeu-se publicamente a não utilizar estes métodos. Tem sido fiel a esta postura apesar dos inúmeros ataques deste tipo a que tem sido sujeita.

Com o advento da Internet espalham-se, à velocidade da luz, as mais diversas, ofensivas e mentirosas "notícias" que são utilizadas como instrumentos do combate político desleal e sujo. Todos sabemos, por experiência própria, o que isto é.

Como Obama declarou no dia 3 de Junho "o que nunca ouvirão na nossa campanha é essa espécie de política que usa a religião como uma cunha para nos dividir ou o patriotismo como uma matraca – que olha para os nossos opositores, não como competidores para desafiar, mas como inimigos para endemonizar..."

Mas, uma coisa é não utilizar estes métodos, outra é conseguir responder a eles...

Por esta razão, a candidatura Obama criou um site próprio (Fight the Smears) em que são referidas as mentiras e, em seguida, apresentadas as respectivas respostas.

Começou ontem, rebatendo acusações várias que têm vindo a ser utilizadas e divulgadas pelos mais diversos meios da política suja e dos seus profissionais. Há quem tenha vivido toda a sua vida e construído toda a sua carreira à conta deste tipo de "venda de notícias e informações".


As primeiras mentiras (e as respectivas respostas) lá estão: a) que haverá um vídeo em que a Michelle Obama tem declarações racistas; que o Obama não nasceu no território americano (condição para poder ser Presidente); c) que é muçulmano; d) que os livros de Obama contêm declarações racistas incendiárias; e) que Obama não faz o juramento...

No novo site é feito um apelo para que todos se informem e respondam "taco-a-taco" aos comentários que forem ouvindo ou lendo. Nos locais de trabalho, nos lugares públicos, na Internet, nos meios de comunicação social, nos grupos de amigos, etc.

Aqui está um exemplo a estudar e a utilizar quando, nós próprios, nas nossas vidas pessoais, profissionais, culturais, políticas... formos confrontados com o mesmo tipo de sujidades......



Um abraço,

Fernando



quinta-feira, 12 de junho de 2008

Já somos nove, menina já nasceu!



Andava eu em campanha para as presidenciais de 2001 e fiz o que já tinha pensado fazer há anos quando estava na casa da família do meu pai em Vouzela: visitar a pequena aldeia da Pena, situada lá bem no fundo quando se desce a serra de S. Macário, nos contrafortes da Serra da Gralheira.


Estávamos em Janeiro e a campanha estava quase a terminar.


Passada a aldeia de S. Macário a descida de dois quilómetros é íngreme e difícil para o carro. Lá em baixo vislumbram-se minúsculos telhados cinzento-escuros das poucas


casas (em xisto) que existem


Diziam-me os camaradas que me acompanhavam que habitantes eram naquela altura oito. Mas que a senhora do casal que geria a adega típica estava para ter um filho.


Passeamos pelos arruamentos que correm aos socalcos entre as casas, parte de armazéns, outras para habitação. O silêncio dominava como se daquelas casas já não saísse vida. O fumo de algumas chaminés e o cheiro do feno dos animais ia-nos dizendo que assim não era. Os pássaros sim, assim como o latir de um cão que nos acolheu em festa e que deitei no meu colo.


Mais adiante, o ribeiro e o carreiro que passa campos e vinhas para desembocar entre as fragas e nos revela um vale maravilhoso que, com o tempo que tínhamos, não pudemos explorar.


Na entrada da aldeia a adega típica, viabilizada para ser elemento dos roteiros turísticos da região. Aí falamos com o casal, ouvimos as histórias e lendas desse vale, petiscámos e sentimos a vida numa outra dimensão que incluía a resistência à desertificação por um fio. Os oito habitantes são os heróis desta resistência.


Já era o fim do dia quando saímos. Alguma neblina se começava a definir quando chegamos ao cima de S. Macário.


Os dias passaram. Sampaio, como todos prevíamos, ganhara à primeira volta, desmentindo uma 2ª volta que fora dramatizada para deslocar votos, não da abstenção mas de outras candidaturas. Os nossos nunca seriam seus e ele não ignora que, tendo ficado expressos e não em casa, contribuíram também para maior afluência às urnas que lhe não poderia ser indiferente.

Os dias passaram e recebo uma chamada "A menina já nasceu, já somos nove

O Império dos Pardais

Os pardais foram os portugueses que, segundo o autor deste romance histórico, apesar da sua pequenez, mas espertos, se fizeram ao caminho e construíram um império, passando por entre grandes potências.
João Paulo Oliveira e Costa é historiador que se dedicou, entre outros, ao período dos descobrimentos e foi biógrafo de D. Manuel, tendo, por isso, uma base de grande fiabilidade para se aventurar na ficção, ainda por cima na sua primeira incursão na obra literária.

Com obra vasta na História, coordena duas revistas científicas para além de outros eventos decorrentes da sua actividade académica.

De fácil leitura, o Império dos Pardais, centra-se na Lisboa do sec.XVI e traz-nos uma teia ficcional, balizada por alguns factos históricos e pontos de vista que o autor defende nos seus próprios trabalhos de investigação. A maior parte desta teia é, porém, ficção. Mas com a credibilidade que resulta do conhecimento histórico, das intrigas, da espionagem da Corte, da vida desse tempo, das principais actividades e protagonistas. Para além de Lisboa, são palcos do romance os diferentes portos de arriba no norte de África e dos concorrentes no comércio internacional e na conquista de zonas de influência.

A personagem, central da história é um espia ao serviço da Corte que se desgastou com a vida de intriga, violência, crimes e traições, ódios e rancores, conspiração e clandestinidade e que pretende refazer a vida com um artista vindo da Dinamarca, um dos países onde exerceu a actividade de espionagem. E está associada a outros dois nobres do círculo mais íntimo de D. Manuel e supostos responsáveis dos seus serviços secretos.

É um livro a lêr.

O Império dos Pardais
João Paulo Oliveira e Costa
Temas e Debates - Actividades Editoriais, Lda
2008
17,90 euros

Aproveito para referir que os critérios destes comentários a livros e a filmes baseiam-se em opções pessoais de leitura e de idas ao cinema. Eles vão aparecendo à medida que os vou lendo ou vendo, não sendo necessariamente motivadas por estreias ou lançamentos.

Um amigo na campanha de Obama

O Fernando Sousa Marques, amigo de longa data, está nos States envolvido na campanha de
Obama, com um entusiasmo que já lhe disse que não partilhava. Ele tem as suas razões e eu tenho as minhas. Propus-lhe poder transcrever aqui parte dos textos que nos tem enviado e ele concordou.
Bem-vindo Fernando! Tens a palavra:

1. Sondagens

Caros amigos,
Mensalmente, neste país de sondagens, há umas sondagens credíveis publicadas em conjunto pelo Wall Street Journal e pela NBC News.
Podem encontrá-las, por exemplo, se forem ao site da MSNBC/politics.
As anteriores foram publicadas em 30 de Abril. As mais actuais foram
publicadas ontem e realizadas no período que se sucedeu à declaração da
vitória de Obama nas Primárias (3 de Junho).
Aqui vão os resultados (percentagens) com alguns comentários.


1. CASOS EM QUE OBAMA ESTÁ À FRENTE DE McCAIN

Total de eleitores: 47/41. Em Abril era 46/43.
Afro-Americanos: 83/7.
Hispânicos: 62/28.
Mulheres: 52/33.
Mulheres brancas: 46/39.
Católicos: 47/40.
Independentes: 41/36.
Trabalhadores com baixas qualificações: 47/42.
Os que votaram na Hillary nas Primárias: 61/19.


*A nota mais importante tem a ver com o voto das mulheres brancas, em que
Obama lidera com 46%, contra 39% de McCain. Este grupo é importante porque,
tradicionalmente, o candidato do Partido Republicano ganha na categoria
"homens brancos" (o que, na minha opinião, desculpem-me o áparte, é uma
vergonha!) e, quando ganham na categoria "mulheres brancas", conseguem
ganhar as eleições gerais, como foi o caso de Bush em 2000 e 2004.*
*Isto nada tem a ver com racismo. Tem sim a ver com conservadorismo...*

2. CASOS EM QUE McCAIN ESTÁ À FRENTE DE OBAMA

Homens brancos: 55/35.
Mulheres suburbanas: 44/38.
*As notas importantes são as seguintes. Os homens brancos representaram, nas
eleições de 2004, 36% do eleitorado. As mulheres suburbanas representaram
10%. Em conjunto, representaram quase metade dos eleitores! Embora estas
percentagens tendam a reduzir-se (com a alteração que tem havido nos
cadernos eleitorais, por força do trabalho, fundamentalmente, da candidatura
Obama) são universos em que Obama tem dificuldade "em entrar".*

3. OUTROS DADOS INTERESSANTES
Popularidade de Bush: 28%.
...
54% são por um Presidente que introduza mudanças, mesmo que tenha menos
experiência.
42% são por um Presidente com mais experiência e que defenda menos mudanças.
...
59% são por um Presidente que se foque no progresso e a mover a América para
a frente.
37% são por um Presidente que proteja o que fez a América grande.
...
48% dizem que Obama vai mudar a América.
21% dizem o mesmo de McCain.
...
54% acreditam que Obama vai ganhar.
30% acham que será McCain.
...
A dupla Obama/Clinton tem 51% de apoiantes.
A dupla McCain/Romney tem 42%.
*Nota: a diferença é superior à de Obama e McCain sem a indicação de
Vice-Presidentes.*
...
Dos potenciais eleitores de Obama:
22% dizem que, se a Hillary for a Vice-Presidente, votarão mais facilmente
nele.
21% dizem que se isso acontecer votarão com mais dificuldade.
55% dizem que isso não tem qualquer influência.


*Nota: Estas dados são interessantes e, em princípio, serão diluídos no
tempo...*


De trás para a frente, segundo Woody Allen

"Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila! Acaba com um orgasmo! I rest my case."

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A zona do Marquês do Pombal nos anos 40

A alegria do futebol e a tristeza da vida

A segunda vitória da selecção portuguesa elevou em todos nós, nuns mais noutros menos, a alegria, a emoção e o entusiasmo. A qualidade das exibições já realizadas deixa prever um percurso promissor no Euro, tanto mais quanto uma equipa cheia de valores individuais funciona de facto como equipa que sabe construir e concretizar novas possibilidades, com grande entre-ajuda, o que torna a base das expectativas menos conjunturais ou aleatórias.
As próprias vertentes mais negras do futebol estão postas em causa.

Vamos lá então sofrer com gosto.

Já que sem gosto, a vida, noutros aspectos, continua. Aí já os scolaris da governação são um déjà vue permanente, presos na inevitabilidades dos paradigmas únicos, parecendo cada vez mais cegos e surdos. Revelando total inépcia para os necessários golpes de rins.

O país não se afundará com eles mas está à tona de água.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Medvedev defende a Rússia como uma potência económica forte




Numa reunião de centenas de empresários russos realizada há dias em S. Petersburgo, o novo presidente russo, para além desta afirmação, referiu-se ainda à vontade da Rússia desempenhar um papel para que novas regras determinem as relações económicas internacionais e a que o papel que os EUA têm tido já não corresponde às suas possibilidades actuais e que isso foi um importante factor para a presente crise financeira internacional.

Presidente...de que raça?


Equívoco, insensibilidade verbal ou a recuperação consciente de um conceito que foi suporte da ideologia fascista e do colonialismos?

Não precipitamos um juízo, tendo até uma inclinação para interpretar tão surpreendente declaração.

Mas Cavaco Silva tem que esclarecer o País, tanto mais que as suas palavras e a reacção à interpelação que o PCP lhe fez já provocou expressões de um ressaibiado racismo de alguns comentadores na net.

Mandar dizer que não tem nada que dizer é uma péssima resposta...

O segredo de um couscous

Eis um filme que surpreende positivamente. Slimane Beiji é um operário de reparação de navios da cidade pesqueira de Sète, onde magrebinos e franceses defrontam a precarização laboral e os despedimentos. Com a "indemnização" do despedimento do chantier pretende abrir um restaurante num navio já velho e abandonado num dos cais da cidade. E com ele unir as famílias da primera e segunda mulheres, famílias a quem quer dedicar o final dos seus esforços de trabalho. Tendo como prato exclusivo um elogiado couscous de peixe confeccionado pela primeira mulher. A determinação de Slimane não tem limites mas esta integração familiar não é fácil.

Um filme a não perder.

Há um mês em cartaz tem recolhido críticas muitro favoráveis.


Realizador - Abdel Kechiche

Principais actores - Habib Boufares e Hafsia Herzi


"Alma, maldita alma", de Manuel Rivas


Manuel Rivas é um jornalista e escritor galego, de cinquenta anos, com vários prémios de jornalismo e de literatura. Foi um dos fundadores da Greenpeace de Espanha e vários dos seus livros foram adaptados ao cinema.

A D. Quixote editou-lhe este livro no ano de 2001 e têm outros títulos publicados do mesmo autor.
"Alma, maldita alma" é um dos treze contos deste livro, contados a partir de estórias do dia-a-dia para lhes explorar e elevar, a um nível superior de reflexão e sentimentos, algumas das suas componentes.
Com uma escrita linear e límpida, não têm palavras as mais. Estão lá as que bastam. para atingirmos essas sensações.
Do conto que dá nome ao livro, um padre, Fermín, crítico da sua Igreja, saboreia a paixão com uma paroquiana. E o conto termina:
"A minha alma, pensou, são estas pedras amontoadas atrás a catedral. Os dados de Deus. Um póquer falido.
Esbracejou no ar, espantando as nuvens de pó. E depois entrou na Santa Basílica para oficiar o funeral.
Quando levantou o cálice com o vinho da consagração, descobriu Ana entre os fiéis. Atalaia davídica é o teu colo, bem guarnecido de ameias. Os teus seios são como crias gémeas de gazela pastando nos lírios.
Ao beber o sangue de Cristo, notou o tique trémulo, incontrolável, no lábio inferior. Aí está, pensou. Ela, a alma. A maldita alma."
Publicações D. Quixote
Colecção Ficção Universal
Preço 11 euros
2001

Ler o Avante! clandestino

O «Avante!» foi o jornal comunista clandestino que em todo o mundo, durante mais tempo, foi sempre produzido no interior de um país dominado por uma ditadura fascista.Durante décadas – de 15 de Fevereiro de 1931 ao 25 de Abril de 1974 – o órgão central do PCP orientou e mobilizou as lutas da classe operária e de todos os trabalhadores em pequenas e grandes batalhas contra o capital e contra o regime fundado por Salazar e prosseguido por Caetano, orientou e mobilizou sectores democráticos que perfilharam, com os comunistas, uma política de unidade antifascista visando o derrubamento da ditadura terrorista dos monopólios e dos latifúndios aliados ao imperialismo e a conquista da liberdade e da democracia. Depois dos primeiros dez anos de existência atribulada, impeditiva de uma edição regular, que reflectia também a situação do Partido, a nível político, ideológico, de organização e de defesa perante a ofensiva repressiva do fascismo, o «Avante!», que sucedia a outras publicações comunistas anteriores à reorganização de 1929, conduzida por Bento Gonçalves, passou a ser publicado com regularidade mensal, sem uma falha, a partir da reorganização de 40/41, em que Álvaro Cunhal teve papel destacado. E, por várias vezes, fez tiragens quinzenais e semanais, tendo atingido, durante o período de grandes lutas dos anos 40, o número impressionante de 10 mil exemplares.Dotado de uma rede de tipografias clandestinas – sempre que uma era atacada pela PIDE e destruída, ou presos os seus funcionários, outra tomava imediatamente o testemunho, assegurando sempre a publicação do jornal – o «Avante!» foi durante essas décadas composto e impresso por numerosos camaradas, na sua maior parte militantes anónimos, cuja vida foi dedicada a essa preciosa tarefa.Dispondo de prelos concebidos para facilmente serem desmontados e transportados para novas instalações, utilizando caracteres de chumbo, composto letra a letra, impresso em fino papel «bíblia» - o artigo mais difícil de adquirir sob a feroz vigilância policial, o jornal comunista era depois distribuído por todo o País, pelas organizações que o faziam chegar às massas.Muitos camaradas arriscaram a vida e a liberdade para manterem a funcionar esse aparelho, sem o qual o PCP - o único partido que resistiu ao fascismo e contribuiu decisivamente para a criação das condições para seu derrubamento - não teria uma voz nacional, influente e prestigiada.Na vasta galeria de heróis que esta história comporta, muitos nomes ficaram soterrados no tempo. De entre os muitos que dedicaram a vida à feitura e distribuição do «Avante!» destaca-se o nome de José Moreira, responsável pelas ligações com tipografias clandestinas do Partido, assassinado pela PIDE em Janeiro de 1950. Mas a memória de todos os que deram voz ao Partido nos negros tempos do fascismo perdurará.Com a disponibilização na Internet de 556 números e 103 suplementos do «Avante!» clandestino – publicados de 1931 a 1974 - qualquer pesquisador passa a ter a possibilidade de aceder à valiosa e única informação contida nos «Avante!»s clandestinos, abrangendo 9576 títulos. Ao disponibilizar o acesso a esta informação, o PCP está a dar uma contribuição indispensável para quem quer conhecer verdadeiramente o que foi a ditadura fascista e a longa e heróica resistência dos trabalhadores e do povo português, luta na qual os comunistas ocupam lugar ímpar.O «Avante!» clandestino na Internet terá duas hipóteses de visualização: através de um índice cronológico e por pesquisa em base de dados por número, por título, por autor, por série, por data de publicação e por palavras (em títulos, autor e notas).
Consulta em www.pcp.pt

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Venezuela reaje às manobras da 4ª esquadra

O disparo há três dias de um míssel em manobras militares venezuelanas foi acompanhado por uma firme atitude do ministro da Defesa deste país em considerar que a Venezuela tem direito à sua defesa.

Estas atitudes resultam do sobrevoar do seu território por um avião dos EUA proveniente da base norte-americana de Curaçau.

Ao protesto venezuelano seguiu-se já um pedido de desculpas da administração norte-americana.

domingo, 8 de junho de 2008

Pois claro, não há Festa como esta


Para já compra a tua EP. É o apoio que a Festa necessita para se construir, um apoio aos que consequentemente têm defendido a democracia e os direitos dos trabalhadores. E é o acesso a todos os dias da Festa. Comprado antes custa 18,5 euros ou na altura os 27 euros

sábado, 7 de junho de 2008

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O pior cego não viu...

O ministro Vieira da Silva disse que as relações sociais não correspondiam à globalização....
Fica pois evidente que para o PS não são as pessoas que contam mas...esta globalização.
As pessoas que se adaptem aos conceitos já que os conceitos as não têm em conta...
Pessoa séria, profundamente rigorosa, de polido socialismo neo-liberal, com preocupações evidentes em todas as medidas sociais que tem tomado, o ministro poderia lá prestar atenção a 200 mil pessoas na rua contra o que ele anda a fazer...
Bem pode ir pregando que não lhe apresentam alternativas.
Sócrates paira na estratofera. Cegueta. Autista.
Para ele o tempo vai sendo cada vez mais curto. Para a sua política o ambiente gela.

Esquerdas, esquerdas, há-as para todos os gostos...


...até para quem não sabe ou não quer dizer de que é feita tal coisa .

Vem isto a propósito do relevo dado pela generalidade da comunicação social ao encontro,dito "das esquerdas", de Manuel Alegre e Francisco Louçã num teatro de Lisboa.

O que poderia ter sido substantivo nem sequer pairou. Ficamos sem saber por que linhas se cosem. E nos dias de hoje não falta matéria.

A crítica à política de direita do governo PS tem que ser identificada em torno de que questões e de que políticas alternativas de esquerda se colocam a propósito dessas questões.

Para além de que a esquerda não pode ser contemplativa e retórica.Tem que agir. Espero que, para além dos cálculos mais ou menos eleitoralistas por si só confusos, logo pouco de esquerda, nos digam nos próximos dias qual é o seu programa.

terça-feira, 3 de junho de 2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

domingo, 1 de junho de 2008

As velas ardem até ao fim


Um romance sobre a amizade que questiona sentimentos fazendo-o de forma bela.
A história de uma amizade de juventude que os protagonistas revelam quarenta anos depois quando, já velhos e vivendo mudanças do mundo e diferentes experiências, para eles os segredos revelados são a consagração de uma amizade que perdurou em tanto tempo de separação.

Autor Sándor Márai
Dom Quixote - Ficção universal
Preço 13,30 euros

quinta-feira, 22 de maio de 2008

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Associação dos Estudantes do IS Técnico dos anos 50 a 74






Almoço de convívio de antigos dirigentes, colaboradores e trabalhadores da AEIST


17 de Maio de 2oo8


De há sete anos a esta parte, cerca de 130 antigos dirigentes, colaboradores e empregados da AEIST juntam-se na cantina da associação.
Várias serão as motivações dos que lã estão. Convívio, recordação crítica desse período, o vincar a importância dele para cada um de nós, para o movimento estudantil de então e para a resistência ao fascismo, camaradagem de muitas lutas.


Cada um fez desde então os seus percursos mas manteve-se um cimento que não ilude
diferenças manifestadas até em algumas discussões nestes convívios.
O AP Braga, o António Redol, o Fernando Valdez, o Luis Veiga, a Maria de Lurdes Nery e eu próprio, chamando à colaboração outros, organizamos cada um deles com o apoio do Conselho Directivo do IST que tem estado presente na pessoa do seu presidente e dos reitores da UTL,também eles contemporâneos dessas andanças.
Convidamos para nos falarem dirigentes de associações de outras escolas, como o Jorge Sampaio, o Octávio Teixeira ou o Eurico Figueiredo.
Têm sido elaborados contributos para a história da AEIST que reverterão para a história do IST e da AEIST que o IST acordou fazer com o ISCTE, exposições, puiblicações impressas e em CD.
Para quem se lembre de algum que não tenhamos até agora convidado, passem-lhe a palavra!

Os temas que foram motivo de o encontro deste ano, relativos a 1968/9 foram:

A luta da cantina

O caso da Sala das Alunas

Cronologia de 68 e 69


O Maio de 68 e o contexto

internacional

Os 8 pontos

As direcções de 68/69 e 69/70




quinta-feira, 15 de maio de 2008

Reler O Estrangeiro


Albert Camus , escritor e filósofo do asbsurdo reflecte as angústias e os múltiplos absurdos da época em que viveu em situações em que também se envlveu.

Em O Estrangeiro, um dos livros da Trilogia do Absurdo, o personagem Meursault é acusado de um crime sem provas concludente e apenas porque não chorou a morte de sua mãe. A marginalização de quem não se comporta como os "padrões" da época vai levá-lo ao cadafalso.

Jean-Paul Sartre, seu companheiro da Resistência aos nazis e das letras, escreve uma introdução notável no pós-guerra para a edição inicial da Gallimard. Que entre nós terá a tradução de R
Editora Livros do Brasil
Obras de Albert Camus 5
Preço 9 euros
ogério Fernandes.

sábado, 3 de maio de 2008