terça-feira, 16 de setembro de 2008

Cimeira da UNASUR em apoio da Bolívia


Os presidentes dos países da União das Nações Sulamericanas (UNASUR) aprovaram o seu inteiro apoio ao governo de Evo Morales e à democracia boliviana, condenaram, não os reconhecendo os movimentos civis golpistas e acordaram em constituir uma comissão especial para investigar o massacre de camponeses na província de Pando, cujo governador, envolvido nesses crimes, foi entretanto detido.

Na reunião, realizada em Santiago do Chile e convocada pela sua presidente Michel Bachelet, participaram os presidentes do Chile, Argentina, Bolívia, Brasil, Colombia, Equador, Paraguai, Venezuela, Uruguai, Peru (representado pelo Ministro dos Estrangeiros) e delegados do Surinam e Guayana.

Ver o relato da cimeira feito pelas agências de notícias boliviana e venezuelana, Bolpress e abn, respectivamente



segunda-feira, 15 de setembro de 2008

icebergs...











Os Icebergs da Antártida por vezes apresentam estrias, faixas formadas por camadas de gelo que reagem a diferentes condições. As faixas azuis são criadas quando uma falha na folha de gelo é preenchida com água derretida que congela tão rapidamente que nem chega a formar bolhas. Quando o iceberg cai no mar, a água salgada pode congelar na parcela inferior. Esta água, rica em algas, pode formar uma faixa esverdeada. As faixas castanhas, pretas e amareladas, podem ser causadas por sedimentos, colados enquanto o pedaço de gelo desliza na direcção do mar.

Dois gigantes do sistema financeiro dos EUA caem: um entra em falência, outro é vendido...



O Fundo Monetário Internacional (FMI) não está surpreendido pelo impacto que a crise financeira nos Estados Unidos está a ter no sistema bancário e espera mais repercussões, declarou hoje Dominique Strauss-Khan, director executivo da instituição.
«Isto está infelizmente em linha com o que o FMI já escreveu», disse Strauss-Khan numa conferência de imprensa no Cairo.
«As consequências não acabaram, mais vão chegar. O sector financeiro vai encolher», acrescentou, afirmando no entanto que «as causas de fundo da crise já estão em grande parte ultrapassadas».
Os mercados de acções em todo o mundo estão a sofrer perdas depois da falência hoje da Lehman Brothers e da venda da Merrill Lynch, bancos considerados como gigantes do sistema financeiro dos Estados Unidos e que os mercados esperavam ser demasiado grandes para cair.
A Lehman Brothers anunciou que a direcção do banco vai hoje apresentar a declaração de falência na Câmara de Falências de Nova Iorque.
O banco perdeu cerca de 3,9 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) no terceiro trimestre do ano, depois de ter sido obrigado a importantes depreciações nos seus activos devido à crise no mercado imobiliário.
A declaração de falência segue-se às tentativas falhadas do Lehman Brothers de encontrar um comprador, depois do Barclays, o último banco interessado, se ter retirado da corrida no domingo.
O banco britânico considerou que seria impossível adquirir o Lehman Brothers sem uma ajuda federal norte-americana semelhante à concedida em Março ao JPMorgan Chase, quando este adquiriu outro banco em dificuldades, o Bear Sterns.
Por seu lado, a Comissão Europeia disse hoje estar a acompanhar «com atenção» as preocupações causadas pela ameaça de desaparecimento do banco de investimento Lehman Brothers, mas continua «confiante» quanto «a uma boa coordenação» entre instituições financeiras para travar a crise.

A propósito, a Associated Press refere que o desaparecimento das instituições independentes da Wall Street é o resultado das ondas de choque do colapso da Bear Stearns. A maior companhia de seguros do mundo, a American International Group Inc., também foi forçada a uma reestruturação. Um consórcio global de bancos, trabalhando com funcionários do governo, em Nova York, anunciou um pool de 70 biliões de dólares para emprestar fundos a sociedades financeiras com problemas. O objectivo, segundo as fontes da agência foi para evitar um pânico mundial nos stocks e noutras trocas financeiras. Dez bancos – Bank of America, Barclays, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JP Morgan e Merrill Lynch, Morgan Stanley e UBS – concordaram em cada um fornecer 7 biliões de dólares "para ajudar a aumentar a liquidez e diminuir a volatilidade e outros desafios sem precedentes que afectam os mercados accionistas mundiais e de débitos. " A Reserva Federal reforçou o seu programa de empréstimos de emergência para investimento em bancos. O banco central dos EUA anunciou domingo que ampliava os tipos de garantias que as instituições financeiras podem usar para obter empréstimos do Fed. O presidente da Federal Reserve, Ben Bernanke, disse que as discussões se tinham orientado para identificar "vulnerabilidades potenciais no mercado, na sequência de falências de grandes instituições financeiras e para se considerarem respostas adequadas por parte dos sectores público e privado." O Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra, e o banco central suíço também tornaram mais acessíveis o crédito a curto prazo para bancos.

Então fique com esta...


Sentiu-se bem?


...ainda mais um pouco...


Descanse...



sábado, 13 de setembro de 2008

O inenarrável comportamento de um Chefe de Estado chamado Bush

As imagens que se seguem e o comportamento que lhe está na origem foram "delicadamente" esquecidas pelos media, certamente em respeito dos Jogos Olímpicos.
Imagine você que o caso se tinha passado com Cavaco Silva ou o rei de Espanha, para não falar já em Chávez ou em Putin...
Enquanto a Geórgia atacava a Ossétia do Sul, com o apoio da administração Bush, George, com uma grande bebedeira, passeou-se neste estado pelo "Cubo de Água" e outros centros olímpicos. O site norte americano http://www.gawker.com/ divulgou-as já depois de uma delas ter sido difundida pela Associated Press com a legenda "O presidente George Bush dos EUA tropeça quando com a sua esposa Laura assistiam às provas de natação".
Laura parece habituada, a filha envergonhada. No comportamento corrente do homem ressaltam, sem dúvida mazelas decorrentes. Que se embebede em casa é uma liberdade que lhe não tiram. Que some esta imagem à do todo poderoso promotor de guerras e agressões e exportador da sua crise financeira e económica é que, decididamente, não agita as moleirinhas dos nossos dirigentes ocidentais que, mais ou menos trôpegos, o seguem como galinhas a debicar o milho que lhes vai estendendo.

"Mein Herr", por Liza Minnelli, no filme Cabaret

Cabaret, no Maria Matos


Cabaret, de Joe Masteroff, de 1966, é a versão para musical de de "I am a camera", de John Van Druten´s, baseado nas "Histórias de Berlim", de Christopher Isherwood, com poemas de Fred Ebb e música de John Kender.

Retrata o ambiente de um bar - o Kit Kat Club - cujo mestre de cerimónias, já a entrar na decadência, insiste em o fazer sobreviver alheado do ambiente de crescimento da influência dos nazis na República de Weimar.

Joe Masteroff serviu na 2ª guerra como piloto-aviador e depois iniciou o seu trabalho na Boroadway,produzindo libretos de diversas peças de impacto, tendo ganho o prémio Tony para o melhor musical.O livro de Joe Masteroff serviu o filme de 1972 de Bob Fosse, com a interpretação carismática de Liza Minnelli no papel da bailarina Sally Bowles do Kit Kat Klub.


Este último trabalho de encenação de Diogo Infante no Maria Matos tem nota claramente positiva, mesmo descontando alguns momentos da primeira parte, onde a queda do carácter dramático da peça, na minha opinião, poderia ter sido compensada pela criação de uma tensão, talvez musical, na adaptação feita, em benefício do ritmo do musical.


É de destacar, sem dúvida, o trabalho de dois actores: Ana Lúcia Palminha (Sally Bowles) e Henrique Feist (o mestre de cderimónias).

É um musical a não perder.

O olhar do "Público" sobre a Bolívia


O "Publico" de hoje manifesta uma aparente simpatia pelo golpe que está em curso no chamado território da Meia Lua, na Bolívia, com a direcção e apoio de governadores de extrema direita.

Os territórios mais ricos do país deram na recente votação de Agosto a vitória a Evo Morales mas também confirmaram parte desses governadores.

Descrentes de uma reversão no país pela via democrática, decidiram passar a outrras formas de ataque. Um deles, Raul Costas, de Santa Cruz, dirige o golpe, procedendo a espancamentos de apoiantes de Evo Morales (uma componente deste "movimento, para além de usar como tropa de choque dilinquentes que se estão a organizar como milícias, é o seu profundo racismo anti-indigena), havendo já 14 mortos. Os mortos são camponeses e colonos - e não estão contabilizados todas as vítimas do massacre que o governador de Pando conduziu. Saqueiam e paralizam os organismos do Estado provinciais, fizeram explodir 2 gasodutos e inviabilizaram o fornecimento de gás natural ao Brasil. Ao mesmo tempo que se reclamam de autonomia (que fizeram referendar sem ter associada uma perspectiva insurrecional), querem privilégios de repartição de impostos cobrados à escala nacional que passaram a ser entregues ao apoio aos idosos, recusam a reforma agrária que permita aos indígenas, e não só, cultivarem a terra, e querem impedir a aprovação popular de uma nova constituição.

O "Publico" ouviu um dirigente do grupo insurrecto, Sérgio Antelo, recolhendo sem comentário a declaração de que "vamos ter autonomia, pelo diálogo ou pelas armas". Mas refere que 4 dos 5 governadores se recusaram a dialogar com Evo Morales a pedido deste, não referindo, porém, que as forças armadas bolivianas têm recebido orientações presidenciais para não intervir contra o vandalismo...Apesar de no referendo revocatório de Agosto Morales ter aumentado o seu apoio nessas províncias. O jornal aceitou que o mesmo personagem contestasse as estatísticas oficiais sobre a pobreza reinante nos 80% da população constituída por indígenas e mestiços.

O "Publico" no sobe e desce da última página, faz acompanhar Morales (a descer, claro!) de considerações que levariam a concluir que a crise de relação com os EUA decorre da expulsão do embaixador e não deste estrar intimamente ligado à sublevação, que se apoia nos interesses dos grandes proprietários de terra e de industriais do sector agro-alimentar, responsáveis por estas assimetrias socio-económicas.

Esta aparente simpatia não é acompanhada pela maioria dos países da América Latina que, como o Brasil, já declararam que intervirão para evitar a guerra civil e que não aceitarão golpes que queiram substituir o governo constitucional de La Paz.

Talvez não tivesse sido mau que o correspondente do Publico, despachasse da Bolívia e não de S. Paulo...E que não tivesse aproveitado a situação para mais umas frechadas em Hugo Chavez, como se sabe a braços com tentativas golpistas na Venezuela que incluem o seu assassinato.

E talvez não tivesse sido mau que tivesse evocado aquele 11 de Setembro em Santiago do Chile, há 35 anos atrás...

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"O capitalismo é a extraordinária idéia de que homens do mais detestáveis por razões das mais detestáveis poderiam trabalhar para o bem comum"
John Maynard Keynes

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Presidente da Assembleia Nacional Venezuelana denuncia envolvimento de alguma comunicação social na tentativa de golpe


Cília Flores anunciou ontem a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar aos factos relacionados com a divulgação de conversas telefónicas entre oficiais superiores para derrubar Chavez e matá-lo.

FRemetendo as conclusões para os resultados desse inquérito, Cília Flores avançou que está claro o envolvimento do director-geral da Globovisioón e do editor do jornal Nacional que, por sua vez, dirige uma concertação de media contra o regime designado por "movimiento 2 D".

Chavez expulsa embaixador norte-americano e acusa EUA de estarem por detrás de várias tentativas de golpes na América Latina



Chavez decidiu expulsar o embaixador dos EUA na Venezuela na sequência de acontecimentos em vários países na América Latina que parecem ser coordenados com o objectivo de criar condições para diferentes tipos de golpes para assassinar e depor alguns presidentes: Venezuela, Bolívia, Paraguai e Guatemala.

O Ministro da Defesa Venezuela deu ainda conta da detenção numa base aérea de Maracay de dois oficiais superiores da Força Aérea e um general da Guarda Nacional para averiguações. Estas foram ordenadas por Chavez depois da difusão na passada terça-feira de um video em que oficiais superiores projectam o assassinato do presidente da Venezuela.

Em Maracay uma multidão juntou-se na referida base aérea em apoio de Chavez.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Pintura de Vieira da Silva




Design de Daciano Costa




Chávez manda investigar informação sobre golpe em preparação


O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou ontem uma investigação sobre uma tentativa de golpe de Estado que estaria a ser planeada por militares, informou o canal estatal de televisão. Os militares envolvidos são identificados.
Um programa de televisão exibiu uma gravação de três militares que conversavam sobre uma tomada violenta do palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.
Chávez afirmou, entretanto, que já contactou o ministro da Defesa, o general Gustavo Rangel Briceño, para que investigue as informações.
Sem revelar a fonte que obteve a gravação, o programa da emissora estatal exibiu excertos da conversa entre um vice-almirante e dois generais da reserva. Este vídeo foi já entregue pelo jornalista Mário Silva do programa à Procuradoria-geral da República.
«Aqui o objectivo é um só: vamos tomar o Palácio de Miraflores, vamos tomar as sedes das emissoras de televisão (...) O objectivo tem que ser um só, ou seja: todo o esforço para onde está o senhor (Hugo Chávez)», ouve-se na conversa.
Chávez foi alvo em Abril de 2002 de um golpe de Estado que o afastou do poder por dois dias. E aproveitou esta oportunidade para dar conta aos venezuelanos de muitas tentativas que têm sido conjuradas graças à melhoria do desempenho e dos meios da inteligência no seio das Forças Armadas.

bloco de esquerda: um neo-reformismo de fachada socialista - V, por José Manuel Jara

Nota – O trabalho de José Manuel Jara conclui hoje. Os quatro posts anteriores a este foram por nós aqui publicados nos dias 1, 2, 3 e 4 deste mês. O original foi publicado, na íntegra, no Avante! De 28 de Agosto passado.


4. O movimento é quase tudo
O Bloco é versátil. Como diz o provérbio, quando falta o cão, caça-se com um gato. Com efeito, como diz o líder Louçã (Focus, 18.04.06), o «Bloco é um movimento aberto, que se alarga.» (…) «Nós queremos é incluir.» A grande abertura na óptica do Bloco fez incluir na sua lista para vereador de Lisboa o inefável Sá Fernandes, irmão do outro. E como o «independente» não se sente dependente do BE, eis que surge a desavença intestina. Vem Luís Fazenda, para salvar a honra do convento, e diz que o vereador «se pôs a jeito» para o PS. Logo o irmão Ricardo, partidário do mano Zé, opina no Público contra o «Desnorteamento do Bloco de Esquerda em Lisboa». E Fazenda (DN, 4.08.08) tem de se justificar pela reprimenda, justificando a não complacência com o vereador em roda livre: afinal quem é que está dependente, é o Bloco de Sá Fernandes ou Sá Fernandes do Bloco? Coisas do Zé…
Como o Bloco tem dificuldades nas autarquias, logo o coordenador do BE para esse pelouro, Pedro Soares, também na mesma linha de engorda eleitoral a qualquer preço, destina que «as candidaturas de cidadãos são um modelo desejável em vários locais, até pela participação cívica», etc. e tal (DN- 8.08.08). É só pôr o rótulo «BE» no produto «independente», para aumentar a estatística. É nessa mesma óptica de grande objectiva que os «dissidentes» são recebidos de braços abertos, depois de gastarem todos os cartuchos da dissidência no lugar de proveniência.
Este pragmatismo é o timbre do partido do Bloco. Já Luís Fazenda, no trigésimo aniversário do «25 de Abril» (Passado e futuro, 2004), havia consumado dolorosamente o seu revisionismo à moda de Bernstein, ( «o movimento é tudo, o objectivo (estratégico) não é nada»), quando afirma: «Os marxistas de hoje redescobrem a táctica sem pressões estratégicas artificiais». Louçã, por sua vez, numa esclarecedora entrevista ao Público (21.07.05), quando lhe perguntam se o BE defende a revolução ou se assume como um movimento reformista responde assim: «É um debate de conceitos que o BE não teve.» E, noutro passo da mesma entrevista, diz que o BE não nasceu por uma fusão ideológica, mas «por uma definição de agenda e de programa». Será a agenda de antes da Ordem do Dia, em plenário, no Parlamento, ou em quaisquer «passos perdidos» no areópago, com os media? Como se viu, o programa é feito por medida, consoante a métrica da urna eleitoral.
No século passado, no ido ano de 1989, bicentenário da Revolução Francesa, Louçã deu à estampa a sua Herança Tricolor (Ed. AJ). Fala aí das «raízes»: «a compreensão de que o lugar da esquerda, contra a banalidade, é na diferença; contra submissão, é na irreverência; contra a força das coisas, é na energia da esperança.» (p. 28). Em 2005 (Sábado, 28.01.05), numa interessante entrevista a Miguel Esteves Cardoso, o arguto escritor constata que Louçã só dissera coisas do ». E o líder, satisfeito, diz: «Fico muito contente por considerares as propostas do Bloco de Esquerda uma questão de senso comum
É a agenda e o programa eleitoral da novíssima esquerda reformada e social-civilizada…
Cada deputado no seu galho. As posições europeias do Bloco elevam a sua quota de civilidade e de boas maneiras europeístas. De que serve resistir quando os ventos de Oeste sopram tão fortes? Diz Miguel, parafraseando Marx, que «os resistentes só sabem criticar o mundo, quando o que é preciso é transformá-lo» (DN-20.06.05). Belo efeito, que prova a inteligência da navegação à vela, aproveitando os ventos de feição, sem grande preocupação com a rota. Diz Portas: «Estamos no século XXI, e não posso ser favorável a uma constituição sem processo constituinte.» Uma Europa à medida dos seus desejos, só a votos… Na crónica do DN – (29.10.05) MP encara mesmo «uma perspectiva de ruptura e refundação da Europa.» Ficou-lhe o optimismo histórico de antes, para os grandes voos até Bruxelas, ida e volta: «isto vai, com votos vai!» quanto se elevam as cotações «europeístas», sob controlo apertado do Banco Central Europeu, a lírica de Miguel Portas descobre «o abre-te sésamo» do paraíso europeu no «processo constituinte». E, por isso, é que, a seu ver, «a resistência em um marco nacional, sendo necessária, está condenada» (DN, idem). Diz Miguel Portas que a alternativa «é uma Europa ética e moral» (DN, 6.05.04). Já agora, cristã, há dois mil anos, apesar das invasões de tantos bárbaros.
A facilidade com que se dá a volta a Portugal a pé contra o «desemprego», e a facilidade com que se volta à Europa a votar, eis a expressão acabada do idealismo e da inanidade do «movimento». Dizia Rosa Luxembourg, tão do agrado de alguns bloquistas nas questões «imperiais», a propósito do oportunismo que fazia a oração do «movimento é tudo, o objectivo não é nada»: «Retornar às teorias socialistas anteriores a Marx, não é apenas voltar ao bê-á-bá, ao primeiro grande alfabeto do proletariado, é balbuciar o catecismo anacrónico da burguesia.» (Reforma e Revolução, p. 118, Ed., Estampa).
As posições justas que o BE tem assumido contra as guerras imperialistas e pela paz, e outras, em defesa de minorias, não modificam o diagnóstico nem o prognóstico extraídos nesta radiografia sumária.

Morales denuncia golpe fascista em curso na Bolívia e declara embaixador dos EUA "persona non grata"

O Presidente Evo Morales declarou ontem o embaixador norte-americano Philip Goldberg como “persona non grata”, acusando-o de financiar o golpe fascista que a extrema-direita tem em curso a partir da cidade de Santa Cruz.


Morales disse que a Bolívia não quer pessoas separatistas e divisionistas e que atentem



contra a democracia. Alguns destes, nomeadamente Marinkovic que actua de acordo com Ruben Costas, dirigiram-se aos EUA onde recolheram apoios económicos e outros para as suas acções que têm incluído o assalto e saque a organismos do Estado. No dia seguinte ao do seu regresso a violência estalou na passada 3ª feira, esses saques continuaram e os delinquentes encerraram estações de rádio e TV.



Goldberg já tem um passado de experiência em dividir países como aconteceu no Kosovo.



Já noutras alturas nestas últimas semanas, Morales tinha acusado Goldberg de reuniões com o prefeito Ruben Costas que dirige este movimento de alguns prefeitos tendentes a dividir o país e a impedir pela força a aprovação de nova Constituição.

11 de setembro mas de 1973 - 2

2. o golpe apoiado pelos EUA