segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Bush e a UE encobrem genocídio na Ossetia do Sul

Desde 6ª feira muita coisa funciona no sub-solo da Ossetia do Sul...






As declarações de Bush de que a entrada de tropas russas na Ossetia é inaceitável e de dirigentes da UE de que a resposta de Moscovo é "desproporcionada" procuram dar a volta ao prego e esconder o que não pode ser escondido:



1. Dois mil mortos provocados pelos ataques da Geórgia desde a madrugada de 6ª feira até agora, que Bush e Sarkozy não referem;

2. Fuga da Ossetia do Sul para a do Norte de mais de 30 mil ossetas e de centenas de georgianos ossetas para a Georgia.

3. Os refugiados e mortos ossetas representarão, neste momento, 32 mil (dos 45 mil que viviam na Ossetia!!...). Isto somado a outras fugas decorrentes de agressões de menor envergadura desde o início dos anos tem um nome: limpeza étnica.

4. Os militares e tanques russos que no sábado entraram na Ossetia do Sul, aclamados por ossetas, têm:

4.1. Defendido a missão de paz russa que trabalhava na capital há mais de 15 anos desde os acordos de paz, e que foram um dos alvos dos bombardeamentos da Geórgia na 6ª feira, em que vários dos seus membros morreram;

4.2. Bombardearam dois pontos de apoio a aviões bombardeiros e artilharia que continuou a fustigar a Ossétia do Sul desde 6ª feira;
4.3. Constituíram corredores humanitários para apoio a ossetas e e georgianos
vítimas do bombardeamento de 6ª f ordenado pelo presidente da Geórgia.

5. O governo georgiano é responsável pelo silenciamento de estações de TV em língua russa no seu território e dois jornaluistas russos encontram-se entre os mortos.


***
Depois disto, uma questão se coloca: deverão responder perante a justiça só os genocidas ou também os seus encobridores?
Sobre esta questão, consultar

domingo, 10 de agosto de 2008

Dez questões a propósito da agressão perpretada pela Geórgia


1. O presidente georgiano declarou cessar fogo na passada 5ª feira, depois recebeu Condoleeza Rice e, em seguida, desencadeou o ataque aéreo e por terra contra a Ossetia do Sul, matando até hoje cerca de 2 mil dos seus habitantes, incluindo oficiais russos que faziam parte do organismo de observação da paz criado a partir das negociações que encerraram a guerra osseta-georgiana de 1991/92.

A administração norte-americana, que não tem falado da agressão da Geórgia mas da intervenção militar da Rússia, tem ou não que explicar ao mundo qual foi o papel que desempenhou?
E se assumiu compromissos de apoio seu ou da NATO ao presidente da Geórgia na sequência da agressão?


2. A Geórgia só verá aceite a sua entrada na NATO quando acabar com os conflitos independentistas. Esta agressão e a que se preparava na outra região, a Abkhásia, são iniciativas visando a adesão à NATO?


3. Sendo os ossetas 2/3 da população da Ossetia do Sul, esta intervenção da Geórgia, incluindo a destruição integral da sua capital, com os dois mil mortos e a fuga dos ossetas para a Ossétia do Norte (parte da Federação Russa) são ou não uma premeditada e há muito planeada acção de genocídio e de limpeza étnica para acabar os ossetas desta região (eram cerca de 45 mil antes de 6ª feira...)?
O Tribunal Internacional Penal de Haia vai ou não constituir arguidos de crimes contra a Humanidade os dirigentes georgianos que desencadearam esta ofensiva?


4. Com base em que disposições ou outras considerações não seriam reconhecidos à Rússia os direitos de estabelecer corredores humanitários e de deter, alvejando localidades próximas da Geórgia, a barragem de fogo que originou o morticínio, ainda por cima sendo muitos ossetas simultaneamente cidadãos russos (não tendo isto a vêr com etnias), sendo os ossetas há centenas de anos, por razões históricas que não desenvolveremos, um povo amigo dos russos, com grandes expressões de solidariedade mútua?


5. Se esta relação com os russos por parte dos ossetas não agrada aos dirigentes georgianos, porque não promoveram o desenvolvimento da Ossétia do Sul e da Abkhásia, deixando estes territórios agrícolas viverem exclusivamente das trocas com a Rússia, a ponto do rublo circular muito mais que a moeda da Geórgia?


6. A Geórgia preparava-se ou não com outra concentração de tropas para fazer na Abkhásia o mesmo que tem estado a fazer e que os abkhazes parecem estar a conjurar, fustigando as forças georgianas no dia de hoje?


7. A ruptura unilateral com os acordos de paz de 92, cujos protagonistas foram ossetas, georgianos e russos, para chamarem a NATO e a UE a intervirem neste conflito, iria resolver ou agravar a situação?


8. Esta iniciativa georgiana foi ou não determinada para que a Geórgia se consolidasse como potência militar regional a operar com o apoio da NATO numa zona particularmente sensível (rota do petróleo russo e aproximação de forças hostis às fronteiras da Rússia)


9. O endurecimento do regime georgiano, a falta de respeito crescente pelos direitos humanos internos, a falta de popularidade do actual presidente no seu país, os receios dos georgianos de criação de um clima de hostilidade com os russos que são, em boa parte do território os principais fornecedores e compradores bem como a principal fonte de criação de emprego, que sinais dão internacionalmente sobre a democracia na Geórgia?


10. Que central de contra-informação funcionou de maneira a tornar monocórdicas as abordagens desta crise, omitindo a iniciativa da agressão, atribuindo-a à Rússia, silenciando a viagem de Condoleeza Rice, baralhando as imagens de TV com os textos lidos que a generalidade dos telespectadores não tem condições para esclarecer?

sábado, 9 de agosto de 2008

Pequim:algo nunca visto, numa recepção de braços abertos ao mundo






















É difícil dizer mais do que já se disse. Vencendo os preconceitos, as barragens de propaganda contra os Jogos Olímpicos, a China está hoje nas bocas do mundo. Pela positiva, pelo que é e por aquilo de que é capaz, pela mensagem a um tempo sincera e comovida de unidade dos povos e de Paz.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Habitantes da capital desvastada da Ossetia do Sul acusam a Geórgia de genocídio e limpeza étnica...


Estas são primeiras declarações recolhidas por jornalistas chegados à capital da Ossetia

As reacções de organismos internacionais encobrem a agressão da Geórgia onde já morreram 1400 civis, segundo as autoridades locais. Omitem-na e, salomonicamente, dizem para Rússia e a Georgia pararem os conflitos...

Bush, claro, já declarou o seu apoio ao presidente da Geórgia. O corredor aberto pela Geórgia e a Ossétia, pelo Mar Negro e a Turquia, é capaz de ser do interesse vital dos States...em direcção à Rússia...

A situação é muito grave mas as forças georgianas prosseguem a agressão.

Quando do desmembramento da URSS, a Ossétia do Norte ficou com estatuto autónomo na Federação Russa. Porém, a Ossétia do Sul ficou integrada na Geórgia que desde então tem defrontado um separatismo apoiado pela esmagadora maioria da população osseta, que passou pela declaração unilateral de independência. A Geórgia já por várias vezes bombardeou a Ossétia do Sul. Os seus dirigentes têm provocado deslocações de populações para o Norte que são verdadeiras limpezas étnicas.

Com o insucesso da adesão da Geórgia à NATO, a Rússia defendeu o direito de apoio ao independentismo na Ossétia do Sul e da Abkhasia, nomeadamente humanitário porque os dirigentes georgianos não têm investido no deszenvolvimento destas duas repúblicas.

a frase da semana, por Jorge


"Há muitos livros escritos sobre Deus, mas cabem todos numa palavra: ou sim ou não"


Gonzalo T. Ballester

nas palavras do Inquisidor-Mor na "Crónica do Rei Pasmado"

Georgia desencadeia guerra contra a Ossetia do Sul e Putin disse que Rússia reagirá à morte de cidadãos russos já ocorrida


A Georgia atacou hoje (nossa madrugada, manhã no local) a cidade de Tkverneti, capital da Ossétia do Sul, com cinco caças bombardeiros que atacaram também uma coluna de apoio humanitário àquela região. No ataque, a Geórgia usou também tanques e infantaria. Já no passado dia 1, a Geórgia com outro bombardeamento matara seis pessoas nesta região e ferira outras sete.
A Geórgia tem sido o aliado mais seguidista de Washington. E a mão dura contra a oposição interna cresce...As acusações aos actuais dirigentes de repressão e corrupção e perseguição à liberdade de imprensa, mesmo quando denunciados pela Amnistia Internacional, não têm gerado pressões dos governos ocidentais, que uma vez mais usam dois pesos e duas medidas...
Um morteiro dirigido à missão de paz russa na Ossétia do Sul matou vários cidadãos russos e feeriu outros que integravam, a missão que tem feito um esforço para mediar a Geórgia e a Ossétia do Sul e encontrar uma solução pacífica para o conflito. O presidente georgiano, Saakasvili, ao lado com Bush declarou ontem uma paz unilateral mas...horas depois desencadeou o bombardeamento brutal cujo balanço de vítimas civis ainda se aguarda.
O Parlamento e muitos edifícios estão a arder.

Por outro lado, na costa russa do Mar negro, na estância balnear de Sotchi, morreu hoje mais um casal vítima de uma bomba deixada na rua. Estes ataques têm antecedentes.

A Ossétia, no sul do Cáucaso, tem uma população maioritàriamente de origem persa, e esteve integrada na Geórgia quando esta integrava a URSS mas separou-se desta quando a Geórgia declarou a independência, declarando também a sua independência que não tem tido reconhecimento de organismos internacionais.

Mais uma zona a exigir uma concentração de esforços solidários em todo o mundo...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Igreja persegue cardeal Miguel Obando y Bravo de Nicaráguia

O "acusador"e o "acusado"...



A imprensa da Nicarágua de hoje dá conta de que a Igreja Episcopal deu 3 meses ao Cardeal Obando para reflectir sobre o seu papel na Comissão de Verificação,
Justiça e Paz , e dela sair, porque vários bispos referem que a sua figura é usada publicamente em algumas actividades como sendo de um "fervoroso sandinista"...
A esta hierarquia católica, com Somoza, não faltaram os enlaces contra-natura sem que a conferência episcopal se preocupasse com ameaças semelhantes...

Cartoon de Monginho


Timor-Leste procura investimento turístico de Macau



Ilha de Atauro




Ontem Ramos Horta teve um encontro em Pequim com o presidente chinês, Hu Jintao. Na altura, um membro da delegação de Timor-Leste aos Jogos Olímpicos manifestou o interesse duma cooperação com o sudeste da China, particularmente com Macau, com vista a desenvolver o seu turismo, agricultura e também o comércio e a educação bem como em obter investimento directo.

Os inocentes e os lucros em tempos de crise


"Tão inocentes que eles são! A amnésia política, que a generalidade dos órgãos de comunicação social exibe, e não por doença congénita dos seus profissionais, permite que os responsáveis políticos e partidários por gritantes e actuais problemas da sociedade portuguesa, «renovem» os seus discursos, lavados de pecados. E pior, que (re)apresentem como solução, opções e políticas que estão na origem dos problemas"(Agostinho Lopes, in Avante!)
"Depois de semanas inundadas com notícias de fazer chorar as calçadas sobre as terríveis «perdas» que a crise estaria a provocar nos lucros dos grandes grupos económicos, os resultados financeiros dos quatro principais bancos, no primeiro semestre do ano, vieram desfazer dúvidas" (Jorge Cordeiro, in Avante!)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Quando o mar bate na rocha...


EDP: lucros elevados com preços bem altos no consumidor, diz Eugénio Rosa




A EDP acabou de divulgar as contas referentes ao 1º semestre de 2008. E elas revelam que os lucros do grupo da EDP, só no 1º semestre de 2008, atingiram 962,4 milhões de euros, ou seja, mais 44% do que em igual período de 2007, que tinham sido de 668,2 milhões de euros. É esclarecedor que, embora os lucros antes de impostos tenham aumentado em 44%, os impostos a pagar pela empresa sobre aqueles lucros subiram apenas 4%, pois passaram de 176,7 milhões de euros para 184,1 milhões de euros, de acordo com as próprias contas da EDP. Como consequência, os lucros líquidos da EDP depois de deduzir os impostos aumentaram 56,6% no 1º semestre de 2008 relativamente ao 1º semestre de 2007, pois passaram de 491,5 milhões de euros para 703 milhões de euros, mas os lucros a distribuir aos accionista cresceram 66,6%. É um verdadeiro festim à custa dos consumidores.



Estes lucros impressionantes foram conseguidos também à custa de preços elevados pagos por mais de 4 milhões de consumidores domésticos, ou seja, por milhões de famílias portuguesas que vivem com dificuldades crescentes. Assim, de acordo com dados da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, o preço pago por um kWh por um consumidor domestico é 191% superior ao preço pago por um consumidor de “muita alta tensão”; 174,2% superior ao preço pago por um consumidor de “alta tensão”; 116,8% superior ao preço pago por um de média tensão “diagrama rectangular”; e 69,8% superior ao preço pago por um consumidor de média tensão “médio industrial”; e 43,1% superior ao preço pago por um consumidor de baixa tensão “pequeno industrial”.



Segundo também a Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, exceptuando os consumidores do tipo “DA”, ou seja, com consumos médios mensais até 50 kWh, que são aqueles que pagam por mês apenas 7,75 euros incluindo o IVA, o que é uma percentagem muito reduzida de consumidores domésticos, mas tomando como base de comparação o preço da electricidade sem impostos, porque é aquele que reverte para as empresas e que constitui a fonte dos seus lucros, conclui-se que no 2º semestre de 2007, o preço da electricidade em Portugal era superior ao preço médio da União Europeia dos 15 países, para os consumidores tipo “DB” (consumo médio mensal 100 kWh) em +19,3%, para os consumidores do tipo “DC “ (consumo médio de 292 kWh) em +22,1%; para os consumidores do tipo “DD” (consumo médio mensal de 625 kWh) em mais +16,4%; e para os consumidores do tipo “DE” + 18,1%. Apenas para os consumidores do tipo “DA”, ou seja, para aqueles que pagam em média por mês apenas 7,75 euros com IVA , que são poucos, é que o preço do kWh era, sem impostos, inferior em -10,8%.



Em resumo, exceptuando os consumidores do tipo “DA”, cujo número é reduzido, o preço da electricidade em Portugal, sem impostos, ou seja, aquele que reverte integralmente paras as empresas, era superior ao preço médio da UE15 entre 16,4% (consumidores tipo “DD”) e 22,1% (consumidores tipo DC”). Estes últimos (consumidores do tipo “DC”) representam 36% dos consumidores domésticos, e o seu consumo corresponde a 48% do consumo de todos os consumidores domésticos e pagam mais 22%. Só devido ao facto dos impostos sobre a electricidade em Portugal serem inferiores entre 77,2% e 82,6% à média da União Europeia dos 15 é que impede a situação de ser ainda mais incomportável para os consumidores domésticos portugueses. O OE está assim também a financiar os lucros da EDP. E a EDP pretende ainda impor em 2009 um grande aumento dos preços da electricidade com a justificação da existência de um elevado défice tarifário.



É evidente que com preços desta natureza a EDP tem de ter lucros elevadíssimos. Não é preciso ser um grande gestor para conseguir isso, face à passividade do governo e da entidade reguladora (ERSE), que até teve o descaramento de propor que as dividas incobráveis da EDP fossem pagas pelos clientes que pagam pontualmente. Por aqui se vê o tipo de fiscalização que existe actualmente em Portugal em relação aos grandes grupos económicos.

domingo, 3 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos de Pequim: dia 8 cerimónia de abertura




Morreu Harkishan Sing Surjeet


Faleceu Harkinshan Sing Surjeet, secretário-geral do Partido Comunista da India (Marxista) entre 1992 e 2005, e uma das figuras mais destacadas da India desde a sua independência. Foi um ardente patriota com papel activo nas lutas pela independência o que suscitou a ira do governo colonial britânico.
Esteve 8 anos na clandestinidade e 10 nas prisões.
Foi desde muito jovem destacado dirigente do movimento camponês no Punjab.

Após dois meses de doença prolongada, o dirigente do PCI (M) faleceu com a idade de noventa e três anos e os seus funerais decorreram hoje.

Surjeet tinha desempenhado um papel importante no sentido de ajudar Sonia Gandhi a reunir forças seculares, na sequência das eleições de 2004, para a uma coligação da esquerda (PCI-M, PCI, AIFB e PSR) com o Partido do Congresso e um outro partido. No momento da votação da moção de confiança de 22 de Julho, o Primeiro-Ministro Manmohan Singh chegou mesmo a prestar homenagem à "liderança visionária" de Surjeet na formação do governo mas o acordo nuclear assinado por ele com os EUA está a abalar a confiança popular e as forças de esquerda já fizeram apelo para a greve geral de 20 de Agosto próximo.

sábado, 2 de agosto de 2008

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Ditosíssimo todo aquele que passa por entre as armadilhas da guerra, da política e das desgraças públicas e mantem intacta a sua honra"



Simon Bolivar

O boato


A comunicação do Presidente da República


Não está para mim claro que o Presidente da República deva anunciar prèviamente o tema das suas comunicações ao país.

E ainda menos que tenho havido um grande suspense no país seguido de grande frustração. Isto talvez se tenha passado com alguns analistas que gostam de se assumir como intérpretes de estados de alma, que eles próprios procuram criar, e que gostariam de comandar todas as regras do jogo. Quando, por vezes, até parecem distraídos. Mais do que frustração poderá falar-se em surpresa com a desproporção entre o suspense que eles criaram e o conteúdo ocorrido.

O tema era obviamente um dos possíveis se bem que quem, como eu, está polìticamente longe de Cavaco e com motivos de prioridades sobre publicos pronunciamentos bem diferentes dos seus, entendesse que ele deveria era falar sobre o Código de Trabalho ou o "impasse europeu" e as pressões sobre a Irlanda, sobre as necessárias freflexões sobre o percurso da união europeia ou como, na economia, realizar os golpes de rins que nos minorem preocupações.

Quanto à matéria em si, é claro que não há drama e as coisas se resolvem pelas vias normais previstas para que a Região Autónoma dos Açores tenha brevemente o seu estatuto.

Cavaco Silva falou de inconstitucionalidades declaradas pelo TC e reservas políticas e institucionais suas que afectarão o equilíbrio delicado de poderes que envolvem o PR. Seria mais bizarro alguns virem a terreiro insistir na tese de que o estatuto foi aprovado por unanimidade na AR e teria o apoio de todos e que isso dispensaria a sua reconsideração devida a esta intervenção. A AR está a falar na relação com outro órgão de soberania e não do "inevitável" respeito com anteriores deliberações suas...

Já mais inquietante é verificar que, face ao desconhecimento prévio do conteúdo da comunicação, tenha alguém feito circular que a comunicação seria sobre ocorrências institucionais complexas resultantes de um suposto estado de saúde do Presidente da República.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pelo Minho e pelo Tua, de canoa


Inscreve-te através de http://www.xcape.pt/

Em breve...


Pausa para massagem...


O cartoon de Monginho

in Avante!

Irlandeses rejeitam novo referendo


É esta a contundente conclusão a que chegou recente sondagem promovida pela Open Europe. Esta instituição é um think thank promovido por empresários britânicos que defendem um novo pensamento quanto à forma de prosseguir a UE porque a "união cada vez mais estreita" que Jean Monnet preconizou, e foi papagueada por sucessivas gerações de políticos e burocratas, acabou por falhar. Pretende ser possível um novo fôlego ainda no quadro da liberalização da economia e de reformas estruturais, não sendo, por isso, nenhuma organização perigosamente esquerdista...


Esta sondagem tambem revela que quase dois terços dos inquiridos declararam que, em nova consulta, votariam não.

Nesta sondagem foram inquiridos mil eleitores entre 21 e 23 deste mês, depois de Sarkozy ter feito a visita à Irlanda que tão mal recebida foi pela opinião pública.

As principais conclusões foram:


71% opõem-se a novo referendo

Dos que expressaram opinião 62% disseram que votariam não num segundo referendo enquanto 38% votariam sim

O que significa que a diferença entre o não e o sim que da primeira vez tinha sido de 6 pontos, agora passaria a 24

17% dos que votaram sim iriam desta vez votar não, enquanto apenas 6% dos que tinham votado não passariam a sim

Dos que, não tendo votado, agora o iriam fazer, 57% votariam não e só 26% sim

Dos inquiridos, 67% concordam que os políticos europeus não respeitam o voto irlandês enquanto só 28% não concordam que isso seja assim

61% dos inquiridos disseram inclinar-se para não votar no Primeiro Ministro, Brian Cowen, se este convocasse um segundo referendo e, em particular, 43% dos votantes no Fianna Fail (partido liderado por Brian Cowen) tomariam idêntica atitude.


Outros dados da sondagem podem ser vistos em www.openeurope.org.uk/research/redc.pdf



Banco da Venezuela nacionalizado

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Organização Mundial do Comércio não ata, só desata...


Desde dia 21 realizam-se na sede da OMC em Geneve várias reuniões de cerca de 40 dos 153 países que integram a organização.

Mas ontem, o fracasso das negociações tinham provocado declarações derrotistas dos dirigentes da OMC e dos países mais ricos ou emergentes devido à ruptura da India com os EUA a propósito de uma cláusula de salvaguarda de protecção dos seus agricultores em situação de crise alimentar mundial com a prátrica então de tarifas especiais. Em que a India contou com o apoio da China.

O Director-Geral, Pascal Lemy, pareceu querer concluir o "ciclo de Doha" através de uma significativa reduçãodas tarifas aduaneiras, em particular na Agricultura e na Europa. Peter Mandelson, que o antecedeu no cargo e agora é Comissário da UE, propôs uma queda unilateral de 6o% das taxas e das medidas de apoio internas à PAC. Lamy apresentou novo compromisso baseado na redução de 80% dos apoios internos (direito ao pagamento único) e 70% das taxas aduaneiras.

Estas medidas iriam, até devido à liberdade de contratação da grande distribuição, acelerar a ruína de muitos agricultores de países da UE pela total desestabilização dos mercados dos cereais, da carne bovina e de porco e das aves.

Os países emergentes como a India ou o Brasil teriam de reduzir as taxas para entre 11 e 12%. Quando os países desenvolvidos as têm numa média dos 3%.


Numa primeira apreciação, os países menos desenvolvidos, que não foram convidados para a reunião de Geneve, poderão ser os mais penalizados por duas vias. O s seus produtos agrícolas seriam menos competitivos no acesso aos mercados dos países ricos devido às concessões aduaneiras por estes feitas aos produtos dos países emergentes dominados pelas multinacionais. E os seus produtos industriais e serviços também seriam menos competitivos no mercado interno europeu porque teriam, também eles, de baixar alguns pontos nas suas tarifas no quadro de um acordo geral para o qual só serão convidados, não a negociar mas a ratificar com a sua assinatura.


O comissário Mandelson actua em defesa dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros europeus e quer trocar serviços e tecnologias pelo desaparecimento da agricultura em vários países incluindo Portugal.

Seria perigoso o caminho que os socialistas e a direita do Parlamento Europeu ao ficar em posições aparentemente conciliadoras que apenas atrasariam por algum tempo este processo.


Importa, pois, inverter o caminho que tem sido o das reformas da PAC e reconhecer que agricultura e pescas são estratégicos para o desenvolvimento, para uma política alimentar saudável e para a soberania e segurança alimentares. E os apoios comunitários têm que deixar de ser atribuídos para facilitar abates na agricultura e pescas, antes têm que ser canalizados para o apoio à produção, de acordo com as especificidades de países e regiões.

O mar e você, por Dulce Pontes e Andrea Bocelli

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cartoon do il manifesto


Onde andam os liberais?

Nunca como hoje se vão desfazendo os mitos da capacidade da economia liberal dar melhores respostas que o Estado aos problemas do País.
É evidente a importância da economia privada. Mas de há muito que alguma economia de privada só tem o nome.

A diminuição do papel do Estado foi encarado com a justificação de libertar a iniciativa e a excelência da iniciativa privada. Porém, nunca os partidos seus defensores deixaram de concorrer a eleições patra tomarem conta do Estado, para o engordarem com compadrios e clientelas, como maneira de remunerar o seu pessoal político, de pôr a estrutura do Estado a facilitar a vida aos privados, de ter estes contratados pelo Estado, a viabilizar uma tentacular diversidade saprófita em relação ao Estado de grandes grupos, de fazer circular dirigentes, etc, etc.

A dinâmica empresarial que o afastamento de vários sectores em relação ao Estado introduziu não gerou capacidade significativa de valor acrescentado e competitividade e esta conseguiu-se à custa da desvalorização do trabalho quer em salários quer em direitos dos trabalhadores. Mas obteve, em contrapartida os lugares de administração de tal maneira remunerados que fazem espanto noutros países. As entidades reguladoras e fiscalizadoras que se mexeram, foram deixando na malha passar os tubarões. Só implosões de algumas situações as tornaram aparentemente mais interventivas.
Cravinho recoloca a questão da corrupção que se alarga à medida que os vários liberais dum vasto espectro político se vão mantendo no poder (estado, empresas, entidades diversas,etc.).

Lá por fora as economias mais liberais, faróis ideológicos de referência para a nossa geração de liberaizinhos, lá vão nacionalizando, pondo o Estado (uma vez mais) a assumir os buracos e deixando as vantagens para o privados em áreas como as petrolíferas. Compram os créditos à habitação , assumem apoios às famílias, devolvem impostos - enfim põem o Estado a pagar os devaneios porque...o Estado é sempre a última porta. E se as contas pessoais de tais liberais não pudessem fugir às responsabilidades??


Alvaro Rana, uma vida pelos trabalhadores portugueses


O funeral de Alvaro Rana realiza-se hoje às 15 h, da Igreja de Santa Isabel (ao Rato) para o Cemitério dos Prazeres.

Com 67 anos dedicou a sua vida ao movimento sindical. Foi dirigente do Sindicato dos Delegados de Propaganda Médica e envolveu-se desde 1970 na formação da Intersindical de que foi dirigente durante cerca de 20 anos, desempenhando tarefas de alta responsabilidade. Militante do PCP, participou no movimento de oposição democrático desde 1958 até ao 25 de Abril.

domingo, 27 de julho de 2008

Na Festa do Avante, evocando Woody Guthrie












«Esta máquina mata fascistas», podia ler-se na guitarra do músico e compositor norte-americano Woody Guthrie. Nascido em 1912 e falecido em 1967, Woodrow Wilson «Woody» Guthrie é um dos nomes mais importantes da cultura norte-americana do século XX, tendo deixado um impressionante legado musical, que consiste de centenas de canções, baladas e improvisações, indo dos temas políticos e sociais às canções infantis, passando pelos temas tradicionais.
Aquela que é talvez a sua canção mais conhecida, This Land is Your Land (Esta Terra é a tua Terra), é regularmente cantada em algumas escolas norte-americanas. Muitos dos temas que gravou estão arquivadas na Biblioteca do Congresso.
As suas canções deram voz à América sem voz – a América dos operários, dos negros, dos camponeses – que
conheceu numa vida de andarilho, percorrendo várias cidades acompanhado apenas pela sua guitarra. Desta vivência surgiram muitas das canções que escreveu, contribuindo para cimentar as suas convicções comunistas.
Várias gerações de músicos folk e rock foram por si influenciados, como Pete Seeger e Bob Dylan.
Afectado pela mesma doença que vitimara a sua mãe, foi já um Guthrie doente que assistiu ao ressurgir da música folk nos Estados Unidos, em estreita ligação com a luta contra a guerra e pelos direitos civis. Actualmente, existe um festival de folk com o seu nome, na sua cidade natal, e muitos compositores editam, ainda hoje, versões de canções suas.



The Coal Porters


Formados em Los Angeles, os The Coal Porters tinham originariamente uma sonoridade eléctrica. Só depois de se terem mudado para Londres e de se terem verificado mudanças na sua composição, iniciam-se em sons mais acústicos. Em várias digressões, nos EUA e na Europa, foram reforçando o seu prestígio junto do público e da crítica.
Em Setembro de 2004, editam finalmente o seu primeiro álbum acústico de estúdio (depois de lançarem alguns trabalhos a partir de concertos), How Dark this Earth Will Shine. Em Março deste ano, sai o segundo do género, Turn The Water On, Boy!.

Firmemente estabelecidos nos circuitos musicais dos Estados Unidos e Inglaterra, os The Coal Porters têm um som muito próprio, acústico, mas com atitude.



Chad Dughi

Compositor e intérprete de música tradicional norte-americana, Chad Dughi passa actualmente a maior parte do seu tempo na Irlanda, onde toca com a nata dos músicos folk daquele país. Freedom (Liberdade) é o seu segundo álbum, que contém canções originais e versões de Woody Guthrie.
O disco reflecte as suas deambulações pela América do Norte e por vários locais da Europa, revelando uma especial atenção à situação política do seu país.



Fontes: texto Avante!, clips Youtube, fotos Google


Os artistas da Festa do Avante!


sexta-feira, 25 de julho de 2008

Frase de fim-de-semana, por Jorge


"Experiência é o nome que as pessoas dão aos erros próprios"


Oscar Wilde

terça-feira, 22 de julho de 2008

Passe a publicidade à marca...

Tropa de Élite, de José Padilha, um filme fascista?


Estreado em Setembro de 2007, apesar de antes ter sido pirateado na net e com circulação de cópias, o filme acabou por ganhar este ano o urso de Ouro em Berlim.

Nesta altura o crítico Jay Weissberg, da revista Variety, que exprime as opiniões da indústria cinematográfica norte- americana, chamou-lhe fascista e disse que o filme servia para recrutar fascistas patra as forças policiais.

A polémica continua hoje muito acesa, sendo certo que correntes de opinião de extrema direita saudaram o filme por servir a causa dos que querem mão forte e negação de direitos de defesa aos criminosos, incluindo o direito à vida e a protecção da tortura e desacreditar movimentos pacifistas contra a violência policial nas favelas. Daí a afirmar o filme fascista vai um grande salto que me recuso a dar.

Não o considero peça brilhante de arte e de cultura mas mais uma reportagem de exposição de violências, suportada em boa qualidade técnica, que não faz grande apelo à inteligência, apesar de que há quem veja nele a vantagem de despertar polémica. Mas quem sou eu para discutir os critérios do prémio recebido?

Do pretendido distanciamento dos factos e ausência de atitudes maniqueísta ou moralista que defendeu o seu autor e de ser narrado pelo comandante dos GOPE (Grupo de Operações especuiais), e portanto nos transmitir a sua "visão", não acresce valor particular.

O filme retrata a realidade da corrupção da polícia comum, da sua pequena corrupção, incluindo a de venda de armas aos traficantes de droga que dominam as favelas e a outra realidade do GOPE , com uma formação para a guerra e para matar. O comandante prepara a sua retirada de funções por exigências familiares. Dois recrutas voluntaristas e idealistas, vindos da polícia comum onde resistiram à corrupção, são os outros personagens centrais, que acabam por se envolver na prática de violências.

No meio das duas realidades estão os assistentes sociais de uma ONG que trabalha na favela, que reconhecem à força a autoridade local do bando de traficantes e que também criam dependências dele por causa do consumo e dealing a que se vinculam.

Resumindo: penso que é um filme a ser visto e pensado. Até pela sua qualidade técnica.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O mergulho

Venezuela apoia os mais pobres nos EUA (do diário digital de hoje)



A Venezuela vai distribuir lâmpadas de baixo consumo de energia em comunidades pobres de 11 cidades norte-americanas, entre as quais a capital, Washington.



Segundo as autoridades venezuelanas, a medida faz parte do programa Missão para Revolução Energética, que visa a ajudar pessoas de baixos rendimentos a reduzir o consumo de energia.

O projecto, que já está em andamento na Venezuela, está a ser financiado com o dinheiro das vendas do petróleo.

Segundo a BBC em Caracas, 60 milhões de lâmpadas económicas já foram doadas a comunidades carenciadas venezuelanas, esperando o governo que o consumo de energia no país seja reduzido em 5%.

Nos Estados Unidos, o governo do presidente Hugo Chávez deve distribuir 500 mil lâmpadas entre residentes de 11 cidades, o que deve resultar numa economia de 15 milhões de dólares (cerca de 9,5 milhões de euros) ao longo dos 10 anos de vida útil das lâmpadas.

A Venezuela tem uma das maiores reservas petrolíferas do mundo e há cinco anos que está a aplicar parte dos lucros obtidos com a exportação da lâmpada em programas sociais.

Além do programa de distribuição de lâmpadas, Chávez também fornece petróleo a baixo custo para vários países, incluindo o Reino Unido, que compra combustível venezuelano a baixo custo e transfere o desconto para utilizadores de baixos rendimentos no transporte público.



Os críticos dizem que, por trás da iniciativa, o objectivo do país é fazer propaganda política.


Nota do editor - Os críticos que façam coisas semelhantes noutros países...