domingo, 15 de junho de 2008

Marx nunca teve tanta razão como hoje


Esta uma das afirmações feita pelo escritor em entrevista à Rádio Renascença e Público e que este jornal hoje publica.

Outras afirmações que retive sem descontextualizar:

"Estou a escrever um livro e não quero morrer antes de acabá-lo. Uma das minhas preocupações quando estava entre cá e lá, numa espécie de limbo em que a consciência de mim mesmo não era absoluta, era a de que talvez não pudesse acabar o livro. Afinal, ainda hoje escrevi mais uma página. Lá para Agosto estará terminado."
(...)
"Gostaria de ser recordado como o escritor que criou o personagem do cão das lágrimas ( Ensaio sobre a Cegueira). É um dos momentos mais belos que fiz até hoje enquanto escritor. Se no futuro puder ser recordado como "aquele tipo que fez aquela coisa do cão que bebeu as lágrimas da mulher" ficarei contente. Se alguém procurar naquilo que tenho escrito uma certa mensagem, atrevo-me pela primeira vez a dizer que essa mensagem está aí. A compaixão dessa mulher que tenta salvar o grupo em que está o seu marido é equivalente à compaixão daquele cão que se aproxima de um ser humano em desespero e que, não p0dendo fazer mais nada, lhe bebe as lágrimas."
(...)
(sobre o Acordo Ortográfico)
"Nestas matérias sou bastante conservador: no que está e deu bons frutos e bons resultados não se mexe. Mas tenho que compreender uma coisa: o futuro do português que escrevemos poderia estar bastante comprometido se não houvesse este acordo."
(...)
"Não me falta nada. Mas eu não sou um exemplo do que é viver neste mundo. Sou um privilegiado. Mas não possso estar contente. O mundo é o inferno. Não vale a pena ameaçarem-nos com outro inferno porque já estamos nele. A questão é saber como é que saímos dele."
(...)
"Falta esquerda ao mundo. Mas não tenho que me preocupar com o PS porque não é o meu partido. É o partido do Governo."
(...)
"À direita não lhe interessa as idéias porque pode governar sem elas; à esquerda deviam-lhe interessar as idéias, porque não tem outra maneira de governar senão com elas."
(...)
"Todos querem ser de centro. O mundo não tem idéias novas sobre este assunto porque vivemos sob um processo de laminagem em que vamos perdendo espessura. Isso contribui para o domínio implacável do capital.
Parece que estou a repetir a cartilha marxista, mas Marx nunca teve tanta razão como hoje. O que dizia está a realizar-se. Digamos que ele se antecipou e não seria má idéia voltar a lê-lo e a discuti-lo para ver o que está ultrapassado no seu trabalho e dar uma vida nova às suas idéias."
(...)

sábado, 14 de junho de 2008

Quem julgam os celtas que são?




De repente, o inimigo é a Irlanda. Expulsem-na!...Ou metam-lhe no Tratado mais umas cláusulas de roda-pé que satisfaçam os descontentes e os obriguem a novo referendo...Exijam-lhes propostas para ver como saímos desta situação...


O Tratado está morto! Não, ainda está vivo, prossigam as próximas ratificações. Cuidado com os checos!


Ainda queriam referendos...Está bem, está. Viste-los...Essas coisas são muito complexas para serem referendadas...até porque as pessoas não as compreendem e acabam por ser arrastadas por oportunistas...Sim, mas então o que é que a legislação sobre o aborto, ou a neutralidade em relação a blocos militares, ou o desemprego, ou os preços, ou as taxas dos créditos, ou o desaparecimento da agricultura, ou a perda da soberania alimentar têm a vêr com o Tratado de Lisboa? ...Que mania de manipularem as consciências...Mas foi tudo para abalar a carreira política de Sócrates. Mal agradecidos...


Elisa Ferreira tem ficado desapontada com os referendos que teve. Nada como desrespeitar a promessa de os fazer. Se a Inglaterra o fizesse, diziam não. Agora o Gordon Brown garante a ratificação parlamentar e salva-se a honra do convento anglicano...


O Tratado de Lisboa, que, como toda a gente sabe, os lisboetas têm festejado nas marchas e nos arraiais, orgulhosos do desarrincanço pátrio, não pode ser estragado pelos celtas, vive nos nossos corações e se não o querem a bem, vai à força...


Não é que os grandes partidos da Irlanda eram pelo sim e só os Feins eram pelo não...Olha, olha, tiveram o apoio do Gerry Dams. Pois, isto estava tudo armadilhado...

Che Guevara teria 80 anos hoje







Realiza-se hoje em Rosário, na Argentina, cidade onde nasceu o "Che", uma homenagem evocativa dos 80 anos do seu nascimento.


Um amigo na campanha de Obama






3.Porque hoje é sábado (recordando
Vinicius de Morais)

Porque hoje foi sábado, foi tempo de sair de casa e chegar ao sítio combinado, na hora certa (9 da manhã): o Fresh Market da Central Avenue da velha St. Petersburg.

Porque hoje foi sábado, foi tempo de encontrar outros doze como eu, com camisolas a condizer, garrafas de água para lutar contra o sol e o calor.

Porque hoje foi sábado, foi tempo de partilharmos pranchetas, boletins de registo de eleitores, canetas esferográficas pretas.


Porque hoje foi sábado, foi tempo de perguntarmos às pessoas se estavam registadas, se queriam votar nas próximas presidenciais.

Porque hoje foi sábado, foi tempo de ouvir todo o tipo de respostas e não-respostas, a maioria esmagadora afável, a maioria de apoio (Yes! I'm for Obama!).


Porque hoje foi sábado, foi tempo de conseguir mais um recenseado.


Porque hoje foi sábado, foi tempo de nos despedirmos, às duas da tarde, cinco horas depois da chegada, e prometermos mais sábados como este.


(...)



Um grande abraço para todos,

Boa noite e boa sorte,

Fernando

O coração da terra

Aí está um bom filme, equilibrado na boa qualidade do argumento e realização, ambos de Antonio Cuadri, e do leque de actores pricipais e secundários, de que destaco Seienna Guillory, Catalina Sandino Moreno, que voltaremos a ver no Che, e Joaquim Almeida.

O som não acompanha a outra qualidade referida.

A luta contra a exploração pelo ingleses das minas de Rio Tinto, na Andaluzia, é o tema do filme, no centro do qual, em diferentes momentos dessa luta, está a jovem escritora infantil, cujo pai adoptivo foi o organizador da primeira revolta terminada num massacre.

A não perder enquanto por aí está.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A Irlanda disse o que não nos deixaram dizer



A derrota do Tratado Constitucional no país que o submeteu a referendo ao contrário de outros, como Portugal é, sem dúvida, uma grande vitória dos que em todos os países da UE combateram a fraude de remeter a subscrição para os parlamentos nacionais.


O próprio agravamento da economia internacional e as ameaças que pairam por estes países acorrentados a uma política cega e ultra-liberal vinha deslocando as opiniões à escala europeia no sentido de contestar tal projecto.


Acabaram-se as inevitabilidades. Reabre-se a página de reconsiderações globais tanto mais urgentes quanto os factores de crise estão aí.

Um amigo na campanha de Obama


2. Eleições em que vale tudo...

Caros amigos,

Neste país, mais do que estamos habituados na Europa, em matéria de eleições "vale tudo menos arrancar olhos".

Há legiões de detectives (contratados ou a trabalhar por conta própria), especialistas da desinformação (nas rádios, televisões e jornais), propagandistas de lixo cibernético, empresas de publicidade, falsos "independentes", etc. etc. etc.

Criam-se factos políticos, inventam-se histórias proibidas, vendem-se escândalos sexuais e financeiros, fabricam-se sujeiras, nódoas que por vezes permanecem apesar das mentiras que transportam.

Estas técnicas têm sido utilizadas, desde sempre (ficaram na história porcarias destas utilizadas para eleger os primeiros Presidentes...), por todos os quadrantes mas, muito especialmente, pelos mais fanáticos apoiantes (encapotados ou não) do Partido Republicano.


Desde o início das Primárias, a candidatura Obama comprometeu-se publicamente a não utilizar estes métodos. Tem sido fiel a esta postura apesar dos inúmeros ataques deste tipo a que tem sido sujeita.

Com o advento da Internet espalham-se, à velocidade da luz, as mais diversas, ofensivas e mentirosas "notícias" que são utilizadas como instrumentos do combate político desleal e sujo. Todos sabemos, por experiência própria, o que isto é.

Como Obama declarou no dia 3 de Junho "o que nunca ouvirão na nossa campanha é essa espécie de política que usa a religião como uma cunha para nos dividir ou o patriotismo como uma matraca – que olha para os nossos opositores, não como competidores para desafiar, mas como inimigos para endemonizar..."

Mas, uma coisa é não utilizar estes métodos, outra é conseguir responder a eles...

Por esta razão, a candidatura Obama criou um site próprio (Fight the Smears) em que são referidas as mentiras e, em seguida, apresentadas as respectivas respostas.

Começou ontem, rebatendo acusações várias que têm vindo a ser utilizadas e divulgadas pelos mais diversos meios da política suja e dos seus profissionais. Há quem tenha vivido toda a sua vida e construído toda a sua carreira à conta deste tipo de "venda de notícias e informações".


As primeiras mentiras (e as respectivas respostas) lá estão: a) que haverá um vídeo em que a Michelle Obama tem declarações racistas; que o Obama não nasceu no território americano (condição para poder ser Presidente); c) que é muçulmano; d) que os livros de Obama contêm declarações racistas incendiárias; e) que Obama não faz o juramento...

No novo site é feito um apelo para que todos se informem e respondam "taco-a-taco" aos comentários que forem ouvindo ou lendo. Nos locais de trabalho, nos lugares públicos, na Internet, nos meios de comunicação social, nos grupos de amigos, etc.

Aqui está um exemplo a estudar e a utilizar quando, nós próprios, nas nossas vidas pessoais, profissionais, culturais, políticas... formos confrontados com o mesmo tipo de sujidades......



Um abraço,

Fernando



quinta-feira, 12 de junho de 2008

Já somos nove, menina já nasceu!



Andava eu em campanha para as presidenciais de 2001 e fiz o que já tinha pensado fazer há anos quando estava na casa da família do meu pai em Vouzela: visitar a pequena aldeia da Pena, situada lá bem no fundo quando se desce a serra de S. Macário, nos contrafortes da Serra da Gralheira.


Estávamos em Janeiro e a campanha estava quase a terminar.


Passada a aldeia de S. Macário a descida de dois quilómetros é íngreme e difícil para o carro. Lá em baixo vislumbram-se minúsculos telhados cinzento-escuros das poucas


casas (em xisto) que existem


Diziam-me os camaradas que me acompanhavam que habitantes eram naquela altura oito. Mas que a senhora do casal que geria a adega típica estava para ter um filho.


Passeamos pelos arruamentos que correm aos socalcos entre as casas, parte de armazéns, outras para habitação. O silêncio dominava como se daquelas casas já não saísse vida. O fumo de algumas chaminés e o cheiro do feno dos animais ia-nos dizendo que assim não era. Os pássaros sim, assim como o latir de um cão que nos acolheu em festa e que deitei no meu colo.


Mais adiante, o ribeiro e o carreiro que passa campos e vinhas para desembocar entre as fragas e nos revela um vale maravilhoso que, com o tempo que tínhamos, não pudemos explorar.


Na entrada da aldeia a adega típica, viabilizada para ser elemento dos roteiros turísticos da região. Aí falamos com o casal, ouvimos as histórias e lendas desse vale, petiscámos e sentimos a vida numa outra dimensão que incluía a resistência à desertificação por um fio. Os oito habitantes são os heróis desta resistência.


Já era o fim do dia quando saímos. Alguma neblina se começava a definir quando chegamos ao cima de S. Macário.


Os dias passaram. Sampaio, como todos prevíamos, ganhara à primeira volta, desmentindo uma 2ª volta que fora dramatizada para deslocar votos, não da abstenção mas de outras candidaturas. Os nossos nunca seriam seus e ele não ignora que, tendo ficado expressos e não em casa, contribuíram também para maior afluência às urnas que lhe não poderia ser indiferente.

Os dias passaram e recebo uma chamada "A menina já nasceu, já somos nove

O Império dos Pardais

Os pardais foram os portugueses que, segundo o autor deste romance histórico, apesar da sua pequenez, mas espertos, se fizeram ao caminho e construíram um império, passando por entre grandes potências.
João Paulo Oliveira e Costa é historiador que se dedicou, entre outros, ao período dos descobrimentos e foi biógrafo de D. Manuel, tendo, por isso, uma base de grande fiabilidade para se aventurar na ficção, ainda por cima na sua primeira incursão na obra literária.

Com obra vasta na História, coordena duas revistas científicas para além de outros eventos decorrentes da sua actividade académica.

De fácil leitura, o Império dos Pardais, centra-se na Lisboa do sec.XVI e traz-nos uma teia ficcional, balizada por alguns factos históricos e pontos de vista que o autor defende nos seus próprios trabalhos de investigação. A maior parte desta teia é, porém, ficção. Mas com a credibilidade que resulta do conhecimento histórico, das intrigas, da espionagem da Corte, da vida desse tempo, das principais actividades e protagonistas. Para além de Lisboa, são palcos do romance os diferentes portos de arriba no norte de África e dos concorrentes no comércio internacional e na conquista de zonas de influência.

A personagem, central da história é um espia ao serviço da Corte que se desgastou com a vida de intriga, violência, crimes e traições, ódios e rancores, conspiração e clandestinidade e que pretende refazer a vida com um artista vindo da Dinamarca, um dos países onde exerceu a actividade de espionagem. E está associada a outros dois nobres do círculo mais íntimo de D. Manuel e supostos responsáveis dos seus serviços secretos.

É um livro a lêr.

O Império dos Pardais
João Paulo Oliveira e Costa
Temas e Debates - Actividades Editoriais, Lda
2008
17,90 euros

Aproveito para referir que os critérios destes comentários a livros e a filmes baseiam-se em opções pessoais de leitura e de idas ao cinema. Eles vão aparecendo à medida que os vou lendo ou vendo, não sendo necessariamente motivadas por estreias ou lançamentos.

Um amigo na campanha de Obama

O Fernando Sousa Marques, amigo de longa data, está nos States envolvido na campanha de
Obama, com um entusiasmo que já lhe disse que não partilhava. Ele tem as suas razões e eu tenho as minhas. Propus-lhe poder transcrever aqui parte dos textos que nos tem enviado e ele concordou.
Bem-vindo Fernando! Tens a palavra:

1. Sondagens

Caros amigos,
Mensalmente, neste país de sondagens, há umas sondagens credíveis publicadas em conjunto pelo Wall Street Journal e pela NBC News.
Podem encontrá-las, por exemplo, se forem ao site da MSNBC/politics.
As anteriores foram publicadas em 30 de Abril. As mais actuais foram
publicadas ontem e realizadas no período que se sucedeu à declaração da
vitória de Obama nas Primárias (3 de Junho).
Aqui vão os resultados (percentagens) com alguns comentários.


1. CASOS EM QUE OBAMA ESTÁ À FRENTE DE McCAIN

Total de eleitores: 47/41. Em Abril era 46/43.
Afro-Americanos: 83/7.
Hispânicos: 62/28.
Mulheres: 52/33.
Mulheres brancas: 46/39.
Católicos: 47/40.
Independentes: 41/36.
Trabalhadores com baixas qualificações: 47/42.
Os que votaram na Hillary nas Primárias: 61/19.


*A nota mais importante tem a ver com o voto das mulheres brancas, em que
Obama lidera com 46%, contra 39% de McCain. Este grupo é importante porque,
tradicionalmente, o candidato do Partido Republicano ganha na categoria
"homens brancos" (o que, na minha opinião, desculpem-me o áparte, é uma
vergonha!) e, quando ganham na categoria "mulheres brancas", conseguem
ganhar as eleições gerais, como foi o caso de Bush em 2000 e 2004.*
*Isto nada tem a ver com racismo. Tem sim a ver com conservadorismo...*

2. CASOS EM QUE McCAIN ESTÁ À FRENTE DE OBAMA

Homens brancos: 55/35.
Mulheres suburbanas: 44/38.
*As notas importantes são as seguintes. Os homens brancos representaram, nas
eleições de 2004, 36% do eleitorado. As mulheres suburbanas representaram
10%. Em conjunto, representaram quase metade dos eleitores! Embora estas
percentagens tendam a reduzir-se (com a alteração que tem havido nos
cadernos eleitorais, por força do trabalho, fundamentalmente, da candidatura
Obama) são universos em que Obama tem dificuldade "em entrar".*

3. OUTROS DADOS INTERESSANTES
Popularidade de Bush: 28%.
...
54% são por um Presidente que introduza mudanças, mesmo que tenha menos
experiência.
42% são por um Presidente com mais experiência e que defenda menos mudanças.
...
59% são por um Presidente que se foque no progresso e a mover a América para
a frente.
37% são por um Presidente que proteja o que fez a América grande.
...
48% dizem que Obama vai mudar a América.
21% dizem o mesmo de McCain.
...
54% acreditam que Obama vai ganhar.
30% acham que será McCain.
...
A dupla Obama/Clinton tem 51% de apoiantes.
A dupla McCain/Romney tem 42%.
*Nota: a diferença é superior à de Obama e McCain sem a indicação de
Vice-Presidentes.*
...
Dos potenciais eleitores de Obama:
22% dizem que, se a Hillary for a Vice-Presidente, votarão mais facilmente
nele.
21% dizem que se isso acontecer votarão com mais dificuldade.
55% dizem que isso não tem qualquer influência.


*Nota: Estas dados são interessantes e, em princípio, serão diluídos no
tempo...*


De trás para a frente, segundo Woody Allen

"Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voila! Acaba com um orgasmo! I rest my case."

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A zona do Marquês do Pombal nos anos 40

A alegria do futebol e a tristeza da vida

A segunda vitória da selecção portuguesa elevou em todos nós, nuns mais noutros menos, a alegria, a emoção e o entusiasmo. A qualidade das exibições já realizadas deixa prever um percurso promissor no Euro, tanto mais quanto uma equipa cheia de valores individuais funciona de facto como equipa que sabe construir e concretizar novas possibilidades, com grande entre-ajuda, o que torna a base das expectativas menos conjunturais ou aleatórias.
As próprias vertentes mais negras do futebol estão postas em causa.

Vamos lá então sofrer com gosto.

Já que sem gosto, a vida, noutros aspectos, continua. Aí já os scolaris da governação são um déjà vue permanente, presos na inevitabilidades dos paradigmas únicos, parecendo cada vez mais cegos e surdos. Revelando total inépcia para os necessários golpes de rins.

O país não se afundará com eles mas está à tona de água.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Medvedev defende a Rússia como uma potência económica forte




Numa reunião de centenas de empresários russos realizada há dias em S. Petersburgo, o novo presidente russo, para além desta afirmação, referiu-se ainda à vontade da Rússia desempenhar um papel para que novas regras determinem as relações económicas internacionais e a que o papel que os EUA têm tido já não corresponde às suas possibilidades actuais e que isso foi um importante factor para a presente crise financeira internacional.

Presidente...de que raça?


Equívoco, insensibilidade verbal ou a recuperação consciente de um conceito que foi suporte da ideologia fascista e do colonialismos?

Não precipitamos um juízo, tendo até uma inclinação para interpretar tão surpreendente declaração.

Mas Cavaco Silva tem que esclarecer o País, tanto mais que as suas palavras e a reacção à interpelação que o PCP lhe fez já provocou expressões de um ressaibiado racismo de alguns comentadores na net.

Mandar dizer que não tem nada que dizer é uma péssima resposta...

O segredo de um couscous

Eis um filme que surpreende positivamente. Slimane Beiji é um operário de reparação de navios da cidade pesqueira de Sète, onde magrebinos e franceses defrontam a precarização laboral e os despedimentos. Com a "indemnização" do despedimento do chantier pretende abrir um restaurante num navio já velho e abandonado num dos cais da cidade. E com ele unir as famílias da primera e segunda mulheres, famílias a quem quer dedicar o final dos seus esforços de trabalho. Tendo como prato exclusivo um elogiado couscous de peixe confeccionado pela primeira mulher. A determinação de Slimane não tem limites mas esta integração familiar não é fácil.

Um filme a não perder.

Há um mês em cartaz tem recolhido críticas muitro favoráveis.


Realizador - Abdel Kechiche

Principais actores - Habib Boufares e Hafsia Herzi


"Alma, maldita alma", de Manuel Rivas


Manuel Rivas é um jornalista e escritor galego, de cinquenta anos, com vários prémios de jornalismo e de literatura. Foi um dos fundadores da Greenpeace de Espanha e vários dos seus livros foram adaptados ao cinema.

A D. Quixote editou-lhe este livro no ano de 2001 e têm outros títulos publicados do mesmo autor.
"Alma, maldita alma" é um dos treze contos deste livro, contados a partir de estórias do dia-a-dia para lhes explorar e elevar, a um nível superior de reflexão e sentimentos, algumas das suas componentes.
Com uma escrita linear e límpida, não têm palavras as mais. Estão lá as que bastam. para atingirmos essas sensações.
Do conto que dá nome ao livro, um padre, Fermín, crítico da sua Igreja, saboreia a paixão com uma paroquiana. E o conto termina:
"A minha alma, pensou, são estas pedras amontoadas atrás a catedral. Os dados de Deus. Um póquer falido.
Esbracejou no ar, espantando as nuvens de pó. E depois entrou na Santa Basílica para oficiar o funeral.
Quando levantou o cálice com o vinho da consagração, descobriu Ana entre os fiéis. Atalaia davídica é o teu colo, bem guarnecido de ameias. Os teus seios são como crias gémeas de gazela pastando nos lírios.
Ao beber o sangue de Cristo, notou o tique trémulo, incontrolável, no lábio inferior. Aí está, pensou. Ela, a alma. A maldita alma."
Publicações D. Quixote
Colecção Ficção Universal
Preço 11 euros
2001

Ler o Avante! clandestino

O «Avante!» foi o jornal comunista clandestino que em todo o mundo, durante mais tempo, foi sempre produzido no interior de um país dominado por uma ditadura fascista.Durante décadas – de 15 de Fevereiro de 1931 ao 25 de Abril de 1974 – o órgão central do PCP orientou e mobilizou as lutas da classe operária e de todos os trabalhadores em pequenas e grandes batalhas contra o capital e contra o regime fundado por Salazar e prosseguido por Caetano, orientou e mobilizou sectores democráticos que perfilharam, com os comunistas, uma política de unidade antifascista visando o derrubamento da ditadura terrorista dos monopólios e dos latifúndios aliados ao imperialismo e a conquista da liberdade e da democracia. Depois dos primeiros dez anos de existência atribulada, impeditiva de uma edição regular, que reflectia também a situação do Partido, a nível político, ideológico, de organização e de defesa perante a ofensiva repressiva do fascismo, o «Avante!», que sucedia a outras publicações comunistas anteriores à reorganização de 1929, conduzida por Bento Gonçalves, passou a ser publicado com regularidade mensal, sem uma falha, a partir da reorganização de 40/41, em que Álvaro Cunhal teve papel destacado. E, por várias vezes, fez tiragens quinzenais e semanais, tendo atingido, durante o período de grandes lutas dos anos 40, o número impressionante de 10 mil exemplares.Dotado de uma rede de tipografias clandestinas – sempre que uma era atacada pela PIDE e destruída, ou presos os seus funcionários, outra tomava imediatamente o testemunho, assegurando sempre a publicação do jornal – o «Avante!» foi durante essas décadas composto e impresso por numerosos camaradas, na sua maior parte militantes anónimos, cuja vida foi dedicada a essa preciosa tarefa.Dispondo de prelos concebidos para facilmente serem desmontados e transportados para novas instalações, utilizando caracteres de chumbo, composto letra a letra, impresso em fino papel «bíblia» - o artigo mais difícil de adquirir sob a feroz vigilância policial, o jornal comunista era depois distribuído por todo o País, pelas organizações que o faziam chegar às massas.Muitos camaradas arriscaram a vida e a liberdade para manterem a funcionar esse aparelho, sem o qual o PCP - o único partido que resistiu ao fascismo e contribuiu decisivamente para a criação das condições para seu derrubamento - não teria uma voz nacional, influente e prestigiada.Na vasta galeria de heróis que esta história comporta, muitos nomes ficaram soterrados no tempo. De entre os muitos que dedicaram a vida à feitura e distribuição do «Avante!» destaca-se o nome de José Moreira, responsável pelas ligações com tipografias clandestinas do Partido, assassinado pela PIDE em Janeiro de 1950. Mas a memória de todos os que deram voz ao Partido nos negros tempos do fascismo perdurará.Com a disponibilização na Internet de 556 números e 103 suplementos do «Avante!» clandestino – publicados de 1931 a 1974 - qualquer pesquisador passa a ter a possibilidade de aceder à valiosa e única informação contida nos «Avante!»s clandestinos, abrangendo 9576 títulos. Ao disponibilizar o acesso a esta informação, o PCP está a dar uma contribuição indispensável para quem quer conhecer verdadeiramente o que foi a ditadura fascista e a longa e heróica resistência dos trabalhadores e do povo português, luta na qual os comunistas ocupam lugar ímpar.O «Avante!» clandestino na Internet terá duas hipóteses de visualização: através de um índice cronológico e por pesquisa em base de dados por número, por título, por autor, por série, por data de publicação e por palavras (em títulos, autor e notas).
Consulta em www.pcp.pt

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Venezuela reaje às manobras da 4ª esquadra

O disparo há três dias de um míssel em manobras militares venezuelanas foi acompanhado por uma firme atitude do ministro da Defesa deste país em considerar que a Venezuela tem direito à sua defesa.

Estas atitudes resultam do sobrevoar do seu território por um avião dos EUA proveniente da base norte-americana de Curaçau.

Ao protesto venezuelano seguiu-se já um pedido de desculpas da administração norte-americana.

domingo, 8 de junho de 2008

Pois claro, não há Festa como esta


Para já compra a tua EP. É o apoio que a Festa necessita para se construir, um apoio aos que consequentemente têm defendido a democracia e os direitos dos trabalhadores. E é o acesso a todos os dias da Festa. Comprado antes custa 18,5 euros ou na altura os 27 euros

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O pior cego não viu...

O ministro Vieira da Silva disse que as relações sociais não correspondiam à globalização....
Fica pois evidente que para o PS não são as pessoas que contam mas...esta globalização.
As pessoas que se adaptem aos conceitos já que os conceitos as não têm em conta...
Pessoa séria, profundamente rigorosa, de polido socialismo neo-liberal, com preocupações evidentes em todas as medidas sociais que tem tomado, o ministro poderia lá prestar atenção a 200 mil pessoas na rua contra o que ele anda a fazer...
Bem pode ir pregando que não lhe apresentam alternativas.
Sócrates paira na estratofera. Cegueta. Autista.
Para ele o tempo vai sendo cada vez mais curto. Para a sua política o ambiente gela.

Esquerdas, esquerdas, há-as para todos os gostos...


...até para quem não sabe ou não quer dizer de que é feita tal coisa .

Vem isto a propósito do relevo dado pela generalidade da comunicação social ao encontro,dito "das esquerdas", de Manuel Alegre e Francisco Louçã num teatro de Lisboa.

O que poderia ter sido substantivo nem sequer pairou. Ficamos sem saber por que linhas se cosem. E nos dias de hoje não falta matéria.

A crítica à política de direita do governo PS tem que ser identificada em torno de que questões e de que políticas alternativas de esquerda se colocam a propósito dessas questões.

Para além de que a esquerda não pode ser contemplativa e retórica.Tem que agir. Espero que, para além dos cálculos mais ou menos eleitoralistas por si só confusos, logo pouco de esquerda, nos digam nos próximos dias qual é o seu programa.

domingo, 1 de junho de 2008

As velas ardem até ao fim


Um romance sobre a amizade que questiona sentimentos fazendo-o de forma bela.
A história de uma amizade de juventude que os protagonistas revelam quarenta anos depois quando, já velhos e vivendo mudanças do mundo e diferentes experiências, para eles os segredos revelados são a consagração de uma amizade que perdurou em tanto tempo de separação.

Autor Sándor Márai
Dom Quixote - Ficção universal
Preço 13,30 euros

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Associação dos Estudantes do IS Técnico dos anos 50 a 74






Almoço de convívio de antigos dirigentes, colaboradores e trabalhadores da AEIST


17 de Maio de 2oo8


De há sete anos a esta parte, cerca de 130 antigos dirigentes, colaboradores e empregados da AEIST juntam-se na cantina da associação.
Várias serão as motivações dos que lã estão. Convívio, recordação crítica desse período, o vincar a importância dele para cada um de nós, para o movimento estudantil de então e para a resistência ao fascismo, camaradagem de muitas lutas.


Cada um fez desde então os seus percursos mas manteve-se um cimento que não ilude
diferenças manifestadas até em algumas discussões nestes convívios.
O AP Braga, o António Redol, o Fernando Valdez, o Luis Veiga, a Maria de Lurdes Nery e eu próprio, chamando à colaboração outros, organizamos cada um deles com o apoio do Conselho Directivo do IST que tem estado presente na pessoa do seu presidente e dos reitores da UTL,também eles contemporâneos dessas andanças.
Convidamos para nos falarem dirigentes de associações de outras escolas, como o Jorge Sampaio, o Octávio Teixeira ou o Eurico Figueiredo.
Têm sido elaborados contributos para a história da AEIST que reverterão para a história do IST e da AEIST que o IST acordou fazer com o ISCTE, exposições, puiblicações impressas e em CD.
Para quem se lembre de algum que não tenhamos até agora convidado, passem-lhe a palavra!

Os temas que foram motivo de o encontro deste ano, relativos a 1968/9 foram:

A luta da cantina

O caso da Sala das Alunas

Cronologia de 68 e 69


O Maio de 68 e o contexto

internacional

Os 8 pontos

As direcções de 68/69 e 69/70




quinta-feira, 15 de maio de 2008

Reler O Estrangeiro


Albert Camus , escritor e filósofo do asbsurdo reflecte as angústias e os múltiplos absurdos da época em que viveu em situações em que também se envlveu.

Em O Estrangeiro, um dos livros da Trilogia do Absurdo, o personagem Meursault é acusado de um crime sem provas concludente e apenas porque não chorou a morte de sua mãe. A marginalização de quem não se comporta como os "padrões" da época vai levá-lo ao cadafalso.

Jean-Paul Sartre, seu companheiro da Resistência aos nazis e das letras, escreve uma introdução notável no pós-guerra para a edição inicial da Gallimard. Que entre nós terá a tradução de R
Editora Livros do Brasil
Obras de Albert Camus 5
Preço 9 euros
ogério Fernandes.